Por que Obama foi o melhor que os EUA tinham a oferecer; e por que Trump será pior

Publicado em 20 de janeiro de 2017
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(Barack Obama por Pete Souza/The White House)

Hoje é o último dia de Barack Obama como presidente da nação mais poderosa do planeta. Vi muita gente de esquerda compartilhando estatísticas sobre como sua presidência foi tão assassina quanto as demais. O governo Obama matou mais civis inocentes em ataques de drones, inclusive crianças, do que seu antecessor, o republicano George W.Bush. Não vou nem mencionar a descarada espionagem sobre outros países e o apoio ao golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff. Uma decepção para quem esperava algo diferente vindo do “império”.

Mas, com tudo isso, eu ainda acho que Obama e sua mulher Michelle foram o melhor que os EUA tiveram a oferecer ao mundo até hoje, em termos de governantes. Duvido que saia coisa melhor dali. Em primeiríssimo lugar, por haver representado uma inegável injeção de autoestima à população negra norte-americana e de todo o planeta. Yes, they can. Os negros podem. A chegada do charmoso e preparado casal Obama à presidência dos EUA foi um tapa na cara dos racistas de toda parte. São inesquecíveis as cenas da visita à Casa Branca de Virginia McLaurin, de 106 anos, que achou que ia morrer sem ver um presidente negro em seu país…

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(O casal Obama dança com a centenária Virginia McLaurin na Casa Branca. Foto: Pete Souza)

Não é à toa que Donald Trump assume justamente com o apoio de supremacistas brancos e da Ku Klux Klan. É um fenômeno de certa forma parecido com o que acontece com o PT no Brasil: a direitona chega ao poder contra a ascensão dos excluídos. Aqui, são os pobres –embora a fúria reacionária contra as cotas raciais indique que os negros que ascenderam também são o alvo. Nos EUA, a extrema-direita representada por Trump venceu apoiada em um discurso racista contra supostos “privilégios” dos negros. “Imaginem, um nordestino/mulher na presidência” = “imaginem, negros na Casa Branca”.

Uma das primeiras ameaças do presidente empossado é acabar com o Obamacare, o programa que incluiu 20 milhões de norte-americanos pobres no acesso à saúde, que nos EUA era restrito a quem tivesse dinheiro para pagar um plano privado. A ditadura dos planos de saúde foi bem exposta por Michael Moore no filme Sicko: quem não podia pagar por assistência médica era abandonado no meio da rua. Não que o Obamacare seja perfeito, tem várias falhas; mas especialistas dizem que, sem uma opção melhor, seu fim causará a morte de milhares de pessoas.

Obama também foi bem em relação aos direitos LGBTs. Sob sua presidência, transexuais puderam entrar nas Forças Armadas; o casamento gay foi reconhecido pela Suprema Corte; foi proibida a discriminação de parentes homossexuais em hospitais; LGBTs foram contratados pela administração pública seguindo o exemplo da Casa Branca; acabou o esdrúxulo bloqueio de pessoas HIV positivas a entrar em território norte-americano que existia havia 22 anos; as chamadas “curas gays” foram condenadas publicamente; e os estudantes trans tiveram garantido o acesso a seus próprios banheiros nas escolas públicas, desde o jardim de infância. Tudo isso está ameaçado por Trump, e pode ser revertido para agradar à parcela de seus eleitores que, além de racista, é homofóbica.

E quem duvida que Donald Trump também resolva voltar atrás em relação à reaproximação com Cuba? Em novembro, o presidente eleito tuitou que, “se Cuba não estiver disposta a fazer um acordo melhor para o povo cubano, o povo cubano-americano e os EUA, como um todo, vão terminar o acordo”. Após o anúncio da morte de Fidel Castro, Trump, também pelas redes sociais, fez questão de chamá-lo de “ditador brutal”. Obama, ao contrário, ofereceu suas condolências à família e deixou o julgamento de Fidel “para a história”. A resposta de Raúl Castro a Trump foi um desfile militar nas ruas de Havana.

Vejo gente de esquerda espantosamente seduzida por Donald Trump apenas pela rejeição do establishment ao novo presidente e pelo apoio do líder russo Vladimir Putin. Ambas as razões me parecem uma ilusão. O establishment, tenho certeza, rapidamente reconhecerá Trump, um bilionário, como um dos seus. E Putin nunca foi nem será um homem de esquerda. Representa o que houve de abominável na era soviética: a KGB, a polícia que perseguia dissidentes. Ainda que Trump e Putin permaneçam aliados, o que duvido, o que de bom isso poderá trazer ao mundo? Não enxergo nada.

Trump será, como todos os seus antecessores, senhor das guerras –e com uma preocupação extra, porque é mais imprevisível. Sabe-se lá quem escolherá para ser inimigo. Ao mesmo tempo, à diferença de Obama, colocará em evidência o que há de mais atrasado em termos sociais e morais: o racismo, a xenofobia, a misoginia, a homofobia. Trump duvida até mesmo do aquecimento global… Se vocês acharam Barack Obama ruim, esperem só para ver Donald Trump em ação. Retrógrado, antiquado, arrogante, machista. E o que é pior: sem um décimo da simpatia e carisma dos Obama.

 

 

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Glenn Greenwald: “Snowden é a pessoa mais feliz que eu conheço na vida”

Publicado em 12 de dezembro de 2016
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(Os reais Snowden e Greenwald no quarto de hotel em Hong Kong no documentário CitizenFour; e o ator Zachary Quinto como Greenwald no filme de Oliver Stone)

Para um repórter brasileiro, o filme Snowden, de Oliver Stone, em cartaz nos cinemas, traz uma sensação a mais: uma pontinha de inveja causada pelo fato de que estamos, há décadas, praticando um jornalismo chinfrim por aqui. Ver na tela grande Glenn Greenwald, a documentarista Laura Poitras e o chefe do escritório em Washington do jornal britânico The Guardian, Ewen MacAskill, em um quarto de hotel em Hong Kong, na China, com o “espião” Edward Snowden, tendo em mãos um super-furo, traz uma espécie de nostalgia de um jornalismo que, em nosso país, nunca existiu.

De 1990 até agora, talvez a reportagem mais globetrotter feita por um jornalista brasileiro tenha sido a entrevista com o finado Paulo César Farias, o tesoureiro de Fernando Collor, que Xico Sá conseguiu localizar no porão de uma cadeia em Bancoc, na Tailândia, para a Folha de S.Paulo. Imaginem Xico com as possibilidades de hoje, acompanhado de um documentarista, transmitindo ao vivo pela internet. Mas a questão não é de falta de tecnologia: este tipo de reportagem não se faz mais porque os proprietários de jornais são absurdamente muquiranas.

Ao longo dos anos, com a suposta crise nos meios de comunicação causada pela internet, em vez de rever seu modelo de negócio, as empresas jornalísticas simplesmente cortaram as reportagens. Cortaram em termos de custos, como quem corta na carne (porque a reportagem é a alma desta profissão). Quando pisca o sinal vermelho nas redações, o primeiro que eles cortam são: os melhores profissionais; e as viagens para fazer reportagens especiais. Acho que se pintasse um Snowden na vida de um jornalista brasileiro hoje a direção iria mandar entrevistá-lo pelo telefone, para economizar.

A reportagem de Glenn Greenwald com Ed Snowden, o denunciante da espionagem norte-americana sobre os países do mundo, resgata o que de mais grandioso já houve no jornalismo, histórias que não estarão no dia seguinte embrulhando o peixe porque são inesquecíveis. Jornalisticamente falando, um furo no mesmo patamar do caso Watergate, de Bob Woodward e Carl Bernstein. Só não derrubou um presidente porque o sistema não permitiu.

Oliver Stone cria exatamente esta atmosfera de “furo do século” em seu filme, sobretudo nas cenas que se passam no quarto de hotel. Snowden evolui de coxinha fã de Ayn Rand a sabotador de uma nação poderosa e da pretensão dela de controlar os destinos e as vidas dos cidadãos de todo um planeta. Os paralelos com 1984, de George Orwell, e seu Big Brother, são inevitáveis: Ed Snowden, está claro, poderia ter sido o chefão da polícia do pensamento, mas desertou. Também inevitável a compreensão de que já estamos dentro da matrix.

Na sessão que assisti em Brasília, uma sessão normal, Snowden foi aplaudido ao final. Aparentemente, os brasileiros marcaram opção “b” para a pergunta feita no subtítulo que deram por aqui: Traidor ou Herói? Fiquei muito curiosa em conhecer a opinião de Greenwald sobre o filme e o entrevistei para o blog por email.

Socialista Morena  O que você achou do filme? Oliver Stone o consultou para o roteiro?

Glenn Greenwald – Gostei mais do filme do que esperava. É difícil fazer um filme sobre a vida de Snowden, porque muito do que ocorreu se passou internamente, dentro dele, mas o filme faz um grande trabalho mostrando o que o levou às suas grandes decisões. Eu e Oliver nos conhecemos desde antes dos acontecimentos com Snowden, e realmente conversamos durante o processo. Mas, como outro estúdio e outros produtores compraram os direitos do meu livro para fazer um filme, não pude ter nenhum envolvimento neste projeto.

SM – Como foi se ver retratado na tela grande? Achei que o jeito do ator Zachary Quinto lembra muito o seu, “reconheci” na hora…

GG  O que mais me surpreendeu ao assistir este filme foi me dar conta de como eu reagi emocionalmente a muitas das cenas. Quando elas de fato aconteceram, não tive o tempo ou a energia para reagir em termos emocionais, porque o nível de estresse era alto e tínhamos muito a fazer. E ver isto dramatizado foi a primeira oportunidade que tive para reagir de verdade. Acho que Zach é inteligente e um grande ator. Ele fez um bom trabalho, apesar de ser difícil julgar quando é você que está sendo interpretado. Acho que alguns dos comportamentos dele foram um tanto exagerados eu não cuspo ou grito nem mesmo quando tenho desentendimentos!, mas isto capturou bem como estavam altas as temperaturas naquele momento.

SM – É uma história trepidante, sobretudo com vocês em Hong Kong naquele quarto de hotel. Foi assim mesmo? O filme é fiel à realidade?

GG – O documentário que foi feito sobre a nossa viagem de trabalho em Hong Kong, CitizenFour, que ganhou o Oscar, era um pouco mais realista sobre o que aconteceu quando nós todos estivemos no quarto de hotel juntos, porque o documentário mostrou a filmagem real do que estava acontecendo. Algumas partes de Snowden foram dramatizadas, mas as partes em Hong Kong foram bastante fiéis ao que realmente aconteceu.

SM – O jornal britânico The Guardian de fato hesitou em publicar a história? Houve um momento em que você pensou em soltar a reportagem por sua conta, como mostra o filme?

GG  Naquela época, eu estava superansioso para ver as reportagens no ar imediatamente em parte porque eu achei que nós estaríamos mais seguros quando elas viessem à tona; em parte porque eu sabia que nós não teríamos Snowden por muito tempo e queríamos que ele visse estas histórias publicadas; e em parte porque eu achava que o público tinha o direito de saber. Então eu estava muito sensível a qualquer atraso ou medo por parte do Guardian. Na época, achei que estávamos demorando muito, e ameacei publicar os documentos e as matérias por minha conta. Vendo em retrospectiva, eles na verdade foram bastante rápidos! Estavam sendo um tanto cautelosos, mas mostraram também muita disposição em publicar. Foi só o estresse do momento e minha impaciência que me fizeram querer que fossem mais rápidos.

SM – Vi críticas muito adversas sobre Snowden. A pior delas foi justamente a do Guardian… Você acha que tem alguma relação com a versão do filme sobre o jornal?

GG – O filme foi baseada em um livro de um repórter do Guardian que na verdade nunca encontrou ou nem mesmo falou com Snowden, então este foi um motivo de crítica. Mas eu acho que o filme conseguiu captar a maior parte dos acontecimentos, graças, em grande parte, ao fato de Oliver ter passado muitas horas entrevistando diretamente Snowden para o filme. 

SM – Tem uma frase no filme que me impressionou muito: “As pessoas preferem segurança do que liberdade”. Você concorda?

GG – Eu acho que o medo humano é uma força muito poderosa, e os governos autoritários frequentemente exploram isso para justificar seu poder crescente. Se você convence as pessoas que suas vidas dependem de submissão, elas irão concordar com quase tudo. Mas o desejo por liberdade e privacidade é um instinto humano muito poderoso também. É um pouco mais difícil conseguir que as pessoas se preocupem com isso, mas eu acho que a maior parte dos humanos almeja privacidade e liberdade e não quer que elas sejam eliminadas, até mesmo em nome do medo de coisas como terrorismo.

SM – Na sessão que assisti em Brasília, fiquei surpresa ao ver a plateia aplaudir no final. Você acha que, para o mundo, Snowden é de fato um herói, daí os aplausos?

GG – Snowden é esmagadoramente considerado herói na maioria dos países. É provável que isto seja particularmente verdadeiro no Brasil, porque nós escrevemos grandes histórias aqui sobre os EUA e o Reino Unido espionando as instituições brasileiras e a população como um todo. Acho também que os brasileiros são mais sensíveis ao tipo de invasão norte-americana exposta nestas matérias. Nunca ouvi nada além de cumprimentos vindo de brasileiros enquanto eu estava contando essa história no Fantástico e em outros jornais e revistas. Daí porque, em minha opinião, a maioria dos brasileiros vêem Snowden tão favoravelmente: ele lhes mostrou como os EUA estavam invadindo sua privacidade e sua soberania.

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(A trupe completa: Poitras, Snowden, MacAskill e Greenwald no filme de Oliver Stone)

SM – A história tem um “happy end”. Snowden é hoje um homem feliz, realizado?

GG  Snowden é provavelmente a pessoa mais feliz que conheço na minha vida. É uma coisa estranha para se dizer já que ele não pode sair da Rússia, e sabe que, se o fizesse, seria imediatamente capturado pelos EUA e colocado na prisão por muitas décadas. Mas ele pode colocar a cabeça no travesseiro toda noite e saber que teve um corajoso ato de consciência na busca do que acredita. Isto traz um monte de paz. O fato de que ele é livre para participar do debate que ajudou a desencadear com entrevistas, palestras, artigos é ainda melhor.

SM – E você? Sua vida melhorou após revelar ao mundo que os EUA o espionava?

GG – Quando eu entrei no jornalismo, 11 anos atrás, foi para realizar exatamente este tipo de reportagens. Há vários custos e perigos envolvidos em fazer matérias assim, mas também vários benefícios. A maior recompensa é saber que eu fiz o que um jornalista deveria: informar o mundo jogando luz sobre o que os mais poderosos estão fazendo. Saber disso me traz uma enorme alegria.

 

 

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56% dos homens dos EUA acham que o machismo acabou; 63% das mulheres discordam —inclusive Hillary Clinton

Publicado em 22 de agosto de 2016

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Há alguns dados sobre as diferenças de gênero que são impossíveis de contestar: os homens ganham mais que as mulheres, ocupando cargo idêntico, sem nenhuma justificativa; as mulheres são o principal alvo da violência doméstica e do estupro; as mulheres têm dupla jornada (dentro e fora de casa) e trabalham, em média, cinco horas a mais que os homens. No entanto, uma pesquisa revela que a maioria dos homens nos EUA acha que o machismo acabou. Alguém acredita que no Brasil seja diferente?

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Nada menos que 56% dos homens norte-americanos disseram que os obstáculos que tornavam mais difícil para uma mulher vencer na vida são coisa do passado. 63% das mulheres do país, é claro, discordaram.

Os números são resultado de uma pesquisa do conceituado instituto Pew, que ouviu 4702 adultos nos EUA sobre o machismo, num momento em que a candidata democrata Hillary Clinton vivencia uma enxurrada de insultos associados à condição feminina: é chamada de “puta”, “vadia”, “galinha”…

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(A “piadinha” de um seguidor de Trump retuitada por ele: “Se hillary não consegue satisfazer seu marido, o que faz ela pensar que pode satisfazer a América?”)

Sem mencionar que vários jornais norte-americanos, ao darem a notícia de que uma mulher se tornou candidata por um partido majoritário pela primeira vez na história dos EUA, publicaram na primeira página a foto… do marido dela, o ex-presidente Bill Clinton. E isso porque o machismo acabou por lá. Imaginem se não tivesse acabado!

Confira nas fotos deste post algumas das pérolas, similares ao que viveu Dilma Rousseff desde que se candidatou à presidência, em 2010.

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Além do machismo latente na sociedade norte-americana, a pesquisa feita pelo Pew Research Institute evidencia as diferenças entre democratas (progressistas) e republicanos (conservadores) em relação ao tema. Enquanto 68% dos homens que votam no partido Democrata opinaram que as diferenças entre os gêneros persiste, 63% dos republicanos disseram que o machismo não existe mais.

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Entre os republicanos que votam em Donald Trump, é ainda maior o número dos que consideram que os obstáculos que tornavam a ascensão da mulher mais difícil ficaram para trás: 91%. Entre os eleitores em geral que dizem que os obstáculos não existem mais, 67% votam em Trump, contra 29% que apoiam Clinton.

Os homens mais jovens, mesmo entre os democratas, são mais propensos a acreditar que o machismo acabou: 47% dos democratas entre 18 e 34 anos disseram acreditar que os obstáculos que impedem a ascensão da mulher na sociedade continuam ali; mas a maior parte deles acha que não existem mais. Os homens maduros, principalmente os idosos, se mostraram mais conscientes das diferenças entre os sexos.

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E aqui? Quando teremos uma pesquisa similar?

 

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