E se fosse FHC? Por que o ex-presidente não tem a dignidade de defender Lula?

Publicado em 14 de novembro de 2016
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(FHC visita Lula no hospital em 2012. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

E se fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que estivesse sendo perseguido por uma operação policial no Brasil e estivesse ameaçado de ir para a cadeia sem haver provas de que cometeu crime?

Apenas imaginem: o PT ainda está no poder e uma operação da Polícia Federal leva FHC coercitivamente a depor. Todos os dados da investigação são vazados para a imprensa. Os telefones de FHC, sua família e seus advogados são grampeados e as gravações também são divulgadas aos jornais.

A amizade do ex-presidente com empresários ricos e empreiteiros é devassada. Os investigadores acusam FHC de ser o “verdadeiro dono” do apartamento de seu amigo Jovelino Mineiro, na avenue Foch, em Paris, onde costuma se hospedar, assim como a fazenda Buritis, que Fernando Henrique sempre frequentou e que acabou comprando por alegados 50 mil dólares junto com o falecido ministro das Comunicações Sergio Motta.

A compra de um apartamento de 500 metros quadrados por FHC em Higienópolis, um ano antes de sair da presidência, pago em várias prestações e por um precinho camarada, graças à boa vontade de um banqueiro sócio de seu ex-genro, é escrutinada pelo Ministério Público a mando de um juiz. As doações de empresas ao Instituto FHC são criminalizadas.

Todas as palestras feitas por Fernando Henrique no exterior são transformadas em “pagamento de propina”. Todas as viagens internacionais feitas por FHC em companhia de empresas brasileiras passam a ser vistas como “tráfico de influência”. Por fim, a revista Carta Capital, de esquerda, sai com a imagem de FHC vestido de presidiário na capa.

O que diriam os jornais e as emissoras de televisão se tudo isso acontecesse? Falariam em “perseguição”? Diriam que o PT estava praticando revanche contra o rival? Quantos editoriais furiosos escreveriam? E quantos editoriais defendendo o “príncipe”? Por que, então, a mídia permite acusações sem provas quando se trata de Lula? Por que não hesita em colocar estas acusações sem prova nas manchetes de seus jornais e telejornais? Qual a explicação senão os dois pesos e duas medidas quando se trata do PSDB?

E o mais grave: por que FHC se cala? Se tivesse um pingo de dignidade, o ex-presidente seria o primeiro a sair em defesa de Lula.

 

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Lavando a História a jato: enquanto Lula é perseguido no Brasil, FHC é homenageado por entidade neoliberal dos EUA

Publicado em 15 de setembro de 2016

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Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou a presidência da República em 2010 avaliado positivamente por 83% dos brasileiros e ainda fez sua sucessora, é denunciado pelo Ministério Público Federal sem provas, o tucano Fernando Henrique Cardoso, que saiu do cargo em 2002 com 26% de aprovação e sem poder sair à rua, é homenageado por uma entidade que promove o neoliberalismo no mundo.

O Council of the Americas anunciou que FHC receberá em outubro em Miami (onde mais?) o prêmio Bravo de “Legado” como “líder de pensamento e voz global sobre democracia, desenvolvimento e inclusão social.” Curioso destacarem a “inclusão” quando se sabe que, durante o governo FHC, o país tinha 50 milhões de indigentes, um índice de desemprego recorde e 56% dos jovens fora da escola.

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A lavagem a jato do “legado” de FHC e a tentativa de destruir a imagem de Lula se tornaram indisfarçáveis. Para desmentir essa tentativa de falsear a realidade é muito simples: basta comparar os programas eleitorais dos candidatos a presidente pelo PT e pelo PSDB nos últimos oito anos. Os petistas faziam questão de colocar Lula na TV como puxador de votos em todos os estados, municípios e na campanha presidencial. Os tucanos, ao contrário, escondiam FHC até nas campanhas para vereador, para não perder a eleição. Somente Aécio Neves, em 2014, resolveu “resgatar” a imagem do ex-presidente, quando a estratégia de recontar a História para beneficiar FHC, com a ajuda providencial da mídia, já estava em curso.

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Agora só faltam dizer que não houve a compra da emenda da reeleição, que não existiu roubalheira nas privatizações, que o socorro milionário aos bancos é mentira e que FHC é o autor real de programas do governo Lula como o Minha Casa, Minha Vida, o Prouni, o Fies, do Luz Para Todos -o Bolsa Família eles já afirmam ser os criadores. Não deixa de ser engraçado: os tucanos e sua mídia de estimação adotaram, como toda a direita brasileira, um discurso anticomunista, mas ao mesmo tempo utilizam a tática stalinista de recontar a História da maneira que melhor lhes favoreça. Não duvido que daqui a pouco eles comecem a apagar as fotos onde Lula aparece, como fazia o líder soviético.

Não são coincidência os ataques da direita aos professores e livros de História. A próxima etapa da lavagem de imagem de FHC será nos livros didáticos ministrados aos nossos filhos nas escolas públicas e privadas. Esqueçam o que se escreveu sobre o governo medíocre de FHC: a ordem é reabilitar o ex-presidente e detonar Lula. Onde se lia “Lula”, lê-se “FHC”. E o mais triste é saber que tem gente que irá acreditar nisso.

 

 

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Após protestos, entidade tira expressão “democracia” de debate com FHC

Publicado em 5 de maio de 2016
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(Tchau, democracia: no lugar da expressão, entrou “vida pública”)

Após protestos de membros, a LASA (Latin American Studies Association), a mais importante associação de estudiosos da América Latina do mundo, decidiu mudar o título do painel em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participará, ao lado do ex-presidente do Chile Ricardo Lagos, do congresso dos 50 anos da entidade, entre os dias 27 e 30 de maio em Nova York. Antes denominado 50 Anos de Democracia na América Latina, o painel agora aparece, no programa oficial, como 50 Anos de Vida Pública na América Latina: Um Diálogo Sobre os Desafios da Política, Educação e História.

A doutoranda em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília Mariana Kalil foi a organizadora de uma petição que advertia a LASA de que seria inapropriado escolher FHC para falar sobre democracia num momento em que o ex-presidente e seu partido, o PSDB, apoiam um processo de impeachment questionável constitucionalmente, para destituir uma presidente que não cometeu crime de responsabilidade. “Respeitamos as contribuições passadas de FHC ao pensamento internacional. Entretanto, este convite vem num momento bastante infeliz”, diz o texto da petição, assinada por 168 membros da LASA e 337 não-membros, a maioria intelectuais de prestígio de universidades brasileiras e estrangeiras.

Continua a petição: “Ao convidar o ex-presidente para falar sobre a evolução da democracia institucional justamente em um momento extremamente frágil da democracia brasileira, quando o próprio Cardoso, bem como o partido no qual ele ainda desempenha um papel central, não hesitaram em pôr em risco a paz interna nem os mais básicos mecanismos da democracia, como a Constituição, a LASA estaria demonstrando franco desrespeito aos estudiosos que lutaram –por vezes literalmente– para construir a estabilidade democrática em toda a região hoje em dia e nos últimos 50 anos, além de manchar a credibilidade da associação, exatamente no seu 50º aniversário”.

A velha mídia chegou a noticiar que a petição seria uma tentativa de “censura” a FHC, o que Mariana desmente. “O objetivo da petição jamais foi de censurar ou de ferir qualquer princípio democrático, mas de garantir que a LASA não se envolvesse em assuntos domésticos brasileiros, não legitimasse um dos vociferantes e articulistas em favor de um processo de impeachment que é, para dizer pouco, duvidável jurídica e politicamente”, escreveu em seu facebook.

A LASA publicou um comunicado em seu site reiterando a participação de Fernando Henrique no congresso. “Nunca desqualificaríamos um acadêmico reputado de participar baseado em sua posição política”, disse a entidade. No entanto, a direção da entidade negociou com Mariana Kalil, por email, o convite a algum representante da esquerda para compor uma nova mesa (provavelmente o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim ou o ex-ministro de Assuntos Estratégicos Samuel Pinheiro Guimarães).

Hoje, quando sairia o programa definitivo do congresso, a entidade modificou, sem fazer alarde, o título do painel com FHC, trocando a expressão “democracia” por “vida pública”. “A LASA, com exceção de alguns dirigentes, se mostrou tão preocupada com o tema inicial do convite quanto eu e os demais membros que assinaram a petição, diante do comportamento de FHC na crise política atual”, disse Mariana ao blog. “É lamentável que até instituições com sede no Tio Sam já tenham percebido que é golpe e que há golpistas sem nenhum pudor de assim se mostrarem”, comemora Mariana.

UPDATE: FHC acabou desistindo de participar. A LASA informou os participantes, mas não justificou a desistência. A participação do ex-presidente do Chile Ricardo Lagos na mesa continua agendada.

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