Cartolagem no xadrez: os melhores memes sobre o escândalo da FIFA

Publicado em 28 de maio de 2015
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(Federação Internacional do Futebol Arranjado)

Quem é que não sabia que havia corrupção no futebol mundial e no brasileiro em particular? Há anos ouvimos falar disso e nunca aconteceu nada. Até agora. Mas precisou que a Justiça de outro país, e não a do “país do futebol”, entrasse em ação para os responsáveis pela sujeira irem para a cadeia alguma vez na vida.

Uma operação da Justiça suíça, a pedido do FBI, resultou na invasão do hotel de luxo onde estavam acomodados em Zurique sete dirigentes da FIFA, entre eles o vice-presidente da CBF, José Maria Marin. Todos foram detidos. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o esquema de corrupção entre a FIFA e empresas de marketing desportivo existe há 25 anos. A Justiça suíça também investiga a forma como se deu a escolha da Rússia e do Qatar para sede das Copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente.

Marin teria recebido uma propina de US$ 110 milhões (R$ 346 milhões) pelos direitos de transmissão da Copa América. De acordo com o Departamento de Justiça norte-americano, pode pegar até 20 anos de prisão. Aliás, como será que vão investigar a CBF e a FIFA sem chegar à emissora que detém, há anos, os direitos de transmissão da maioria dos jogos? Eu me pergunto.

Nas redes sociais de todo o mundo pipocaram os memes sobre o escândalo. A visão cáustica que os fãs do futebol têm da FIFA é um retrato fiel da entidade e de seu poderoso chefão Sepp Blatter. Confira.

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Provamos que sabemos fazer Copa. Que venham as escolas e hospitais “padrão Brasil”

Publicado em 14 de julho de 2014
(A bela Arena Amazônia. Foto: Chico Batata/Agecom-AM)

(A bela Arena Amazônia. Foto: Chico Batata/Agecom-AM)

Claro que foi duro ver a seleção tomar 7 gols da Alemanha, mas as tragédias fazem parte da mística do futebol. O importante é que a seleção perdeu, mas o Brasil ganhou: a Copa do Mundo 2014 foi um sucesso. A despeito das previsões catastróficas feitas pela oposição e pela mídia, que praticou apenas mau jornalismo no que diz respeito à Copa, fizemos um grande evento, digno de um grande país. Nem vou mencionar aqui o pedido de desculpas que deveria ser feito por todos ao ex-presidente Lula, que nunca duvidou do sucesso do Mundial de futebol no Brasil desde o princípio. Lula, a Copa foi um golaço.

Houve uma torcida contra feia não me refiro aqui aos que foram às ruas para defender, com justiça, as vítimas de remoções por conta das obras da Copa. Critico os que torceram contra o País. Gente na imprensa e na oposição que desejou até mesmo que um dos estádios ou aeroportos erguidos para o Mundial desmoronasse e causasse mortes. Esta é a verdade, que só escrevo agora até por superstição. Não é à toa que se tentou atribuir a queda de um viaduto em Belo Horizonte, de responsabilidade da prefeitura, ao governo federal. Só que se uma tragédia ocorresse na Copa, não atingiria apenas a imagem do governo, e sim a do Brasil. Sinal que essa gente não está preocupada com o País, só quer tomar o poder. Não está nem aí para o fato de que, aconteça o que acontecer, o Brasil é o mesmo. Os governos vão, o País fica.

Felizmente, a Copa transcorreu da melhor forma possível. Recebemos bem os visitantes estrangeiros, que ficaram impressionados com a simpatia e a alegria do nosso povo, nossa boa comida, nosso clima, nossa natureza exuberante e nem um pouco com a brutalidade de nossa polícia. Não aconteceu o caos aéreo também desejado por setores da oposição e da mídia, tudo funcionou direitinho e recebemos os maiores elogios dos turistas e da imprensa internacional. Nos divertimos a valer com os jogos, que bateram todos os recordes de gols inclusive nas redes da seleção brasileira… Foi um mês de farra, que deixará saudades. Já estamos com saudades.

Agora, devemos olhar para frente, para o futuro, para o Brasil que queremos. Em minha opinião, uma das reivindicações mais justas feitas pelos que protestaram nas manifestações de junho do ano passado e, este ano, contra a Copa do Mundo, foi a que pedia, em faixas e cartazes, equipamentos públicos “padrão FIFA”. Parece um pedido genérico, mas não é. Principalmente após vermos os estádios e aeroportos que construímos. Bonitos, modernos, funcionais. “Padrão FIFA”. Por que não escolas e hospitais com a mesma excelência? Não podemos deixar de almejar isso. Não podemos rebaixar nosso nível de exigência depois que vimos do que somos capazes.

O que muitas das pessoas que foram às ruas exigir “padrão FIFA” não sabem, porém, é que isso não depende somente do governo federal. Saúde e educação também são responsabilidade dos governos estaduais e municipais. Se aí, na sua cidade, um hospital municipal não funciona bem, não adianta cobrar quem preside o País, tem que cobrar o prefeito. Se uma escola estadual não funciona bem, não adianta reclamar com o governo federal, tem que reclamar com o governador. Já que aprendemos a ir às ruas protestar, é preciso direcionar os protestos para o alvo certo e não apenas ficar repetindo clichês.

Uma boa maneira de protestar por equipamentos públicos “padrão FIFA” é deixando de eleger maus políticos, que nunca fizeram nada pelo País, por seu Estado ou por sua cidade. Ir às ruas é bacana. Mas é importante também dedicar algum tempo para se informar sobre os vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o prefeito que você elege. Porque infelizmente manifestações não bastam para mudar as coisas. Numa democracia, a única maneira eficiente de promover mudanças é votando. Em quem você votou na eleição passada? Verifique se seu candidato cumpriu tudo aquilo que prometeu. Se não cumpriu, não vote mais nele.

Outra coisa que as pessoas parecem não saber é que prefeitos, governadores e o presidente da República dependem dos órgãos legislativos para governar bem. Não adianta votar em nomes decentes para os cargos executivos e votar mal para as Câmaras de Vereadores, Assembléias e o Congresso Nacional. Muita gente vive reclamando que os políticos são ruins. Que são corruptos. Que não pensam no País. Mas quem os elege é você. Eu e muita gente que nunca votou num mau político pagamos pelos canalhas que você botou lá. E depois ainda vai à rua bradar, como se não tivesse nada a ver com isso: “Fora Fulano!”, “Fora Beltrano!”. Acho cara-de-pau.

Votando direito, fica mais fácil conquistar o que foi gritado nas ruas e exposto em cartazes. É, sim, uma reivindicação justíssima: está mais do que na hora de nosso País ter bons equipamentos públicos, boas escolas, bons hospitais. Não digo nem “padrão FIFA”, que afinal essa entidade não deve ser parâmetro para nada. Prefiro falar em “padrão Brasil”, porque a Copa mostrou como somos um país maravilhoso, receptivo, organizado e competente quando queremos. É assim que as coisas aqui devem ser, sempre, não só quando temos visitantes estrangeiros em casa. Que venha, portanto, o padrão Brasil. Nosso povo merece.

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As origens elitistas e racistas do futebol, por Mário Rodrigues (o irmão de Nelson)

Publicado em 1 de julho de 2014
(Carlos Alberto, o "pó-de-arroz")

(Carlos Alberto, o “pó-de-arroz”)

Uma das razões pelas quais não concordo com o epíteto de “reacionário” que a direitosa adotou como verdade absoluta para se referir a Nelson Rodrigues (1912-1980), sem nunca tê-lo lido, é seu pioneirismo na denúncia ao racismo velado brasileiro. Amigo de Abdias do Nascimento (1914-2011), autor de Anjo Negro, uma tragédia sobre o racismo, Nelson questionava o mito da “democracia racial” e se indignava com o preconceito contra os negros em nosso País. “Nos Estados Unidos o negro é caçado a pauladas e incendiado com gasolina. Mas no Brasil é pior: ele é humilhado até as últimas consequências”, dizia. Vamos combinar que não tem absolutamente nada a ver com gente que defende que “não existe racismo no Brasil”.

O irmão de Nelson, Mário Rodrigues Filho (1908-1966), considerado um dos maiores jornalistas esportivos de todos os tempos (o Maracanã leva seu nome), também denunciou o racismo em um grande clássico, O Negro no Futebol Brasileiro. No livro, reeditado pela Mauad há dois anos, Mário Filho conta como, de esporte de ricos descendente de ingleses, o futebol se transformou na diversão de meninos pretos e pobres que se tornariam os grandes craques da bola até hoje. Malvistos pela torcida grã-fina, muitos atletas negros tentavam inclusive disfarçar a origem, alisando os cabelos e apelando à maquiagem para clarear a pele. Em 1921, o presidente Epitácio Pessoa “recomendou” que a seleção não convocasse negros, e até 1952 havia times no Brasil que não aceitavam “pessoas de cor”.

Mesmo na Inglaterra, onde surgiu, o futebol era jogado nas escolas frequentadas pela aristocracia. Suas regras foram feitas nestes colégios e só daí passaram a ser aplicadas no esporte que já se praticava nas ruas, pela classe operária. Rapidamente a burguesia agiria para transformá-lo em “ópio do povo”. Segundo Roberto Ramos em Futebol: Ideologia do Poder, “os burgueses descobriram o futebol como meio de despolitização dos trabalhadores na década de 1860. As massas do proletariado industrial começaram a interessar-se por este esporte. Os empresários ingleses aproveitaram a oportunidade. Fomentaram o seu desenvolvimento. O objetivo era claro. Eles precisavam manter os operários à margem da atividade política dentro de suas organizações de classe”.

Ou seja, a elite branca que ocupa os estádios brasileiros nesta Copa do Mundo era de fato a “dona da bola” no começo, tanto aqui como na terra natal do futebol. Charles Miller (nome da praça onde fica o Pacaembu), o filho de ingleses que teria trazido a primeira bola de futebol para o Brasil em 1894, apresentou o esporte à elite paulista. Os clubes de ingleses do Rio de Janeiro disputam com Miller a primazia: em 1874, 20 anos antes de Miller ter chegado com a tal bola, já haveria jogos de futebol na orla carioca. No princípio, existia uma separação oficial entre os times dos ricos e os dos pobres, mas do nome do jogo às posições dos atletas em campo, todos os termos eram em inglês. Mário Filho conta tudo.

Este DNA racista e elitista do futebol, a meu ver, pode explicar o porquê de tantos jogadores negros ainda serem alvo de preconceito. No esporte “bretão”, “branco”, os negros eram bem-vindos para jogar bola, mas não para frequentar as dependências e festas dos clubes que os contratavam, como ocorria com qualquer empregado. Não me parece muito diferente do que acontece atualmente: enquanto o jogador negro, regiamente pago, faz gols, é bem tratado e festejado. Basta cometer algum erro, porém, que a cor de sua pele vem à tona, como nos episódios recentes em que atletas foram insultados, chamados de “macacos”, e bananas foram atiradas no campo.

Vale a pena ler o livro de Mário Filho. Outra editora de São Paulo, a Ex Machina, lançou neste ano da Copa As Coisas Incríveis do Futebol: as Melhores Crônicas de Mário Filho. Imperdível para quem gosta de futebol ou não. Leia abaixo os trechos de O Negro no Futebol Brasileiro que compilei sobre os primórdios do esporte.

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(O mulato Arthur Friedenreich)

(O mulato Arthur Friedenreich)

O Negro no Futebol Brasileiro

Por Mário Rodrigues Filho

O futebol importado, made in England, tinha de ser traduzido. E enquanto não se traduzisse e se abrasileirasse, quem gostasse dele precisava familiarizar-se com os nomes ingleses. De jogadores, de tudo. Em campo um jogador que se prezasse tinha de falar em inglês. Ou melhor: gritar em inglês.

O repertório do capitão do time, justamente quem gritava mais em campo, precisava ser vasto. Quando um jogador do seu time estava com a bola e outro corria para tomá-la, tinha de avisar: ‘man on you’. Quando o outro time atacava e ele precisava chamar seus jogadores lá na frente, a senha era: ‘come back forwards’. E havia ‘take you man’ e havia mais. Onze posições de jogadores num time: goalkeeper, fullback-right, fullback-left, halfbeck-right, center-half, halfback-left, winger-right, inside-right, center-forward, inside-left e winger-left.

O juiz era o referee, transformado em referi ou refe, o bandeirinha era o linesman, e por aí afora.

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Para alguém entrar no Fluminense tinha de ser, sem sombra de dúvida, de boa família. Se não, ficava de fora, feito os moleques do Retiro da Guanabara, célebre reduto de malandros e desordeiros.

Os moleques debruçavam-se na cerca de arame para ver os treinos, se a bola ia fora podiam correr atrás dela, dar um chute. Mas nada de demora. Se demorassem não levariam as malas dos jogadores, acabado o treino, até o bonde que passava na Rua das Laranjeiras.

(…)Não se tratava de só querer branco legítimo. Ninguém no Fluminense pensava em termos de cor, de raça. Se Joaquim Prado, winger-left do Paulistano, quer dizer, extrema-esquerda, preto, do ramo preto da família Prado, se transferisse para o Rio, seria recebido de braços abertos no Fluminense. Joaquim Prado era preto, mas era de família ilustre, rico, vivia nas melhores rodas.

(…)Por isso, quem ia a São Paulo jogar um match de futebol, voltava encantado com Joaquim Prado, sem reparar até, que ele era preto.

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O que distinguia o Bangu do Botafogo, do Fluminense, era o operário. O Bangu, clube de fábrica, botava operários no time em pé de igualdade com os mestres ingleses. O Botafogo e o Fluminense, não, nem brincando, só gente fina. Foi a primeira distinção que se fez, entre clube grande e pequeno, um, o clube dos grandes, o outro, o clube dos pequenos.

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(…)Os pretinhos, filhos da cozinheira, sabiam fazer bolas de meia, redondinhas, que saltavam.

Boas bolas, aquelas de meia, feitas pelos moleques. Podia se fazer com elas o que se quisesse. Até quebrar vridraças. Melhor do que as bolas de pelica dos meninos de boas famílias, muito leves, como balões de papel de seda, subindo com qualquer chutinho. As bolas de meia ficavam mais no chão. Quase presas ao pé, aperfeiçoando, nos moleques, o que se chamaria mais tarde, o domínio da bola. Da ‘esfera de couro’ de certos cronistas que não queriam escrever, em letras de forma, essa palavra tão corriqueira: bola.

Isso fazia quem era do remo, olhar mais por cima quem era do futebol. O futebol se vulgarizava, se alastrava como uma praga. Qualquer moleque, qualquer preto podia jogar futebol. No meio das ruas, nos terrenos baldios, onde se atirava lixo, nos capinzais. Basgtava arranjar uma bola de meia, de borracha, de couro. E fabricar um gol, com duas maletas de colégio, dois paletós bem dobrados, dois paralelepípedos, dois pedaços de pau.

Em todo canto um time, um clube. Time de garotos, de moleques, clubes de operários, de gente fina. Mas muito clube, clube demais.

No remo não havia esse perigo.

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Valia a pena ser Fluminense, Botafogo, Flamengo, clube de brancos. Se aparecia um mulato, num deles, mesmo disfarçado, o branco pobre, o mulato, o preto da geral, eram os primeiros a reparar.

O caso de Carlos Alberto, do Fluminense. Tinha vindo do América, com os Mendonças, Marcos e Luís. Enquanto esteve no América, jogando no segundo time, quase ninguém reparou que ele era mulato. Também Carlos Alberto, no América, não quis passar por branco. No Fluminense foi para o primeiro time, ficou logo em exposição. Tinha de entrar em campo, correr para o lugar mais cheio de moças da arquibancada, parar um instante, levantar o braço, abrir a boca num hip, hip, hurrah.

Era o momento que Carlos Alberto mais temia. Preparava-se para ele, por isso mesmo, cuidadosamente, enchendo a cara de pó-de-arroz, ficando quase cinzento. não podia enganar ninguém, chamava até mais atenção. O cabelo de escadinha ficava mais escadinha, emoldurando o rosto, cinzento de tanto pó-de-arroz.

Quando o Fluminense ia jogar com o América, a torcida de Campos Sales caía em cima de Carlos Alberto:

– Pó de arroz! Pó de arroz!

A torcida do Fluminense procurava esquecer de que Carlos Alberto era mulato. Um bom rapaz, muito fino.

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Friedenreich, de olhos verdes, um leve tom de azeitona no rosto moreno, podia passar se não fosse o cabelo. O cabelo farto mas duro, rebelde. Friedenreich levava, pelo menos, meia hora, amansando o cabelo.

Primeiro untava o cabelo de brilhantina. Depois, com o pente, puxava o cabelo para trás. O cabelo não cedendo ao pente, não se deitando na cabeça, querendo se levantar. Friedenreich tinha de puxar o pente com força, para trás, com a mão livre segurar o cabelo. Senão ele não ficava colado na cabeça, como uma carapuça.

O pente, a mão não bastavam. Era preciso amarrar a cabeça com uma toalha, fazer da toalha um turbante e enterrá-lo na cabeça. E ficar esperando que o cabelo assentasse.

Levava tempo. Embora principiasse quando estava jogando o segundo time, só terminava quase na hora da saída do jogo do primeiro time. O juiz impaciente, ameaçando começar a partida sem Friedenreich, e Friedenreich lá dentro, no vestiário, a toalha amarrada na cabeça, esperando, ainda desconfiado de que não chegara a hora de tirar o turbante.

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O Fluminense, cansado de perder campeonatos, tornou-se um pioneiro de profissionalismo. Com o profissionalismo, ele lutaria em igualdade de condições com os outros clubes. (…)E poderia formar um grande time, capaz de levantar campeonatos, indo buscar jogadores nos clubes pequenos, nos subúrbios, nos Estados, fosse onde fosse, brancos, mulatos e pretos.

Porque com o profissionalismo não fazia mal o Fluminense botar um mulato, um preto no time, contanto que fosse um grande jogador. Melhor branco. Mulato ou preto, só grande jogador.

(…)O preto jogava, ajudava o Fluminense a vencer, acabado o jogo, mudava de roupa, ia embora. Não havia perigo do preto frequentar a sede, aparecer numa soirée, num baile de gala do Fluminense. O jogador profissional, branco, mulato ou preto, era um empregado do clube. O clube pagava, toma lá, dá cá. O jogador ficava no seu lugar, mais no seu lugar do que nunca.

Naturalmente, entre o preto e o branco, o Fluminense tinha de preferir o branco. Se fosse possível um time só de brancos, melhor. E talvez fosse possível. Não faltava bom jogador branco. Se não fosse possível um time só de branco, botava-se um preto, dois, nada de abusar.

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As vaias, o torcedor do Fluminense aguentava. Para isso tinha seu clássico ‘uh! uh!’. Não aguentava era o ‘pó-de-arroz’. Um grito de ‘pó-de-arroz’ partia de lá, um grito de ‘pó-de-carvão’ partia de cá. O torcedor do Fluminense dizendo que preferia ser ‘pó-de-arroz’ a ser ‘pó-de-carvão’. Podia preferir, mas se ofendia com aquele ‘pó-de-arroz’.

O torcedor do Flamengo, não, nem se importava com o ‘pó-de-carvão’. Orgulhava-se dos pretos que vestiam a camisa rubro-negra. Até mesmo dos que tinham sido escorraçados dos outros clubes, como Leônidas.

Ninguém queria Leônidas, o Flamengo queria.

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