Aposentado, David Letterman detona Donald Trump: “Todos sabemos que ele é maluco”

Publicado em 6 de março de 2017

letterman

Aposentado da TV desde 2015, quando deixou seu Late Show, programa que apresentava no horário nobre da televisão norte-americana desde 1982, David Letterman, 69 anos, deu uma entrevista deliciosa ao jornalista David Marchese para a revista New York onde aparece endiabrado, agora usando barba. A língua do cara parecia estar coçando para falar sobre o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ele não deixa por menos. “Nós elegemos um cara com aquele cabelo? Por que não investigamos aquilo?”, brinca. (Veja a íntegra aqui.)

Letterman disse que nunca podia imaginar que Trump, a quem entrevistou várias vezes (o site do grupo, Vulture, traz uma compilação hilária), pudesse se eleger presidente algum dia. “Ele era o cara rico que era uma piada. Nunca o levamos a sério. Ele sentava lá e eu simplesmente começava a gozar com a cara dele. Ele nunca ficou zangado. Era grande e pastoso, e você podia bater nele. Parecia estar se divertindo, o público adorava, e isso era Donald Trump. Além disso, lembro que um amigo me disse, três ou quatro campanhas presidenciais atrás, que Donald Trump nunca disputaria a presidência; ele só estava tirando onda para ganhar publicidade. Eu acreditei e agora ele é o presidente.”

É engraçado vê-lo discorrer com intimidade sobre o presidente dos EUA, a quem chama “Don” ou “Trumpy”. Até pensou em telefonar quando ganhou a eleição. Mas, falando sério, a percepção de Letterman é que o país está às voltas com um sujeito ruim da cabeça. “Se o dono de sua revista se comportasse do jeito que Donald se comporta, até mesmo por seis semanas, a família se reuniria e diria: ‘Jesus, alguém chame o médico’. E então eles pediriam para que renunciasse ao cargo. Mas Trump é o presidente e pode mentir sobre tudo, desde a hora que acorda até o que comeu no almoço, e continua presidente. Não aceito isso. Estou cansado de as pessoas se espantarem com tudo que ele fala: ‘Não posso acreditar que ele disse isso’. Nós temos que parar e, em vez disso, achar uma maneira de nos proteger dele. Todos nós sabemos que ele é maluco. Temos que nos cuidar já.”

O ex-apresentador se mostrou preocupado com os ataques de Trump e sua equipe de governo à imprensa. “Como se constrói uma ditadura? Primeiro, implodindo a imprensa: ‘A única verdade que você vai ouvir agora é a minha.’ Então ele contrata o Corcunda de Notre Dame, Steve Bannon, para ser seu parceiro. Como é que um supremacista branco se torna o principal conselheiro do nosso presidente?”

As medidas do novo governo contra os LGBTs deixam Letterman particularmente furioso. “Eles não podem dizer que a homossexualidade é um pecado. Isso é ridículo. E então veio esta história com os transgêneros (em fevereiro, Trump reverteu a decisão de Obama de autorizar alunos transgêneros das escolas públicas a utilizar os banheiros de sua escolha). E eu pensei: você tá brincando comigo? Olha, você é um ser humano. Eu sou um ser humano. Nós respiramos o mesmo ar. Temos os mesmos problemas. Estamos tentando levar nossas vidas. Quem você pensa que é para atravessar uma árvore no meio do caminho de alguém que já tem uma série de dificuldades?”

Sobre o vício em twitter do chefe da nação: “Mais do que a risível expressão de um ego irritado, até podia ser útil. Se logo a gente tiver um presidente sem problemas mentais, o twitter será útil”. Para David Letterman, que achou Jimmy Fallon suave demais com Donald Trump (o comediante brincou com o cabelo do então candidato ao vivo e foi acusado de humanizá-lo), apresentadores de talk show “têm obrigação” de desafiar o presidente todas as noites. E se você o entrevistasse novamente, o que faria?, pergunta Marchese.

“Eu começaria com uma lista. ‘Você fez isto. Você fez aquilo. Não acha que foi estúpido ter feito isso, Don? E quem é este capanga, Steve Bannon? Por que você quer um supremacista branco como um de seus conselheiros? Ah, Don, nós dois sabemos que você está mentindo. Pare com isso agora.’ Acho que eu estaria na posição de dar a ele uma bronca e ele teria que sentar lá e escutar. Sim, eu gostaria de ter uma hora com Donald Trump; uma hora e meia.”

Que desafio, hein, mr. President? Trump ainda não respondeu no twitter.

 

 

 

Publicado em

Em Blog

0 Comente

6 razões pelas quais reaças jamais gostarão de Moonlight, o vencedor do Oscar

Publicado em

little

1. Reaças não possuem empatia suficiente para se sentir tocados pela história de um menino negro, pobre, filho de mãe solteira e viciada em crack. Eles devem olhar para a tela pensando assim: “Ah, esse menino não se esforçou!” ou “Ah, a mãe dele não se esforçou!”. Ou ainda: “Afe, este filme sobre negro gay maconheiro que sofre bullying só podia ter sido feito por algum esquerdista de Hollywood para ganhar o Oscar. Quanto mimimi”.

moonlight

2. Os protagonistas de Moonlight não são gente “bem sucedida” e sim membros daquela parcela invisível da sociedade: gente pobre, de pele preta, que mora na periferia, que circula perto das bocas de tráfico, que enfrenta as maiores dificuldades no dia a dia e ainda tem de rezar para não ser morto pela polícia antes dos 25 anos. Aquele tipo de gente que os reaças fingem que não existe ou atravessam a rua para não cruzar com elas, achando que vão ser assaltados. Como é que eles iriam gostar de pagar para ver essas pessoas no cinema se, na vida real, eles preferem levantar o vidro do carro para não enxergá-las? “Hum, coitadismo.”

Moonlight

3. É um filme que olha o tráfico e o vício em drogas com compaixão, mas sem moralismo. O menino Little é “salvo” por um traficante gente fina, mas que vende drogas para a mãe dele. Como pode existir um traficante gente fina? Como é possível se afeiçoar a alguém que vende drogas para sua mãe? Como uma mãe pode ser viciada em drogas? Esta complexidade faz bugar a cabeça de qualquer reaça. Eles são incapazes de se perguntar (e muito menos compreender) quais as circunstâncias que levaram uma pessoa a se tornar traficante ou viciada. “Com certeza, sem-vergonhice”.

Moonlight

4. O filme critica o bullying sofrido na escola por crianças mais sensíveis e adolescentes homossexuais ou que são apontados como homossexuais. Este deve ter sido o momento engraçado do filme para os reaças, eles devem ter gargalhado ao ver o franzino adolescente Chiron apanhando dos valentões da escola. Reaças são os reis do bullying, sobretudo virtual. Imaginem o que não faziam no colégio. “Não sabe brincar, não desce pro play.”

beijomoonlight

5. Tem beijo gay em Moonlight, enorme, escancarado na tela grande. E ainda por cima masturbação. Reaças não suportam beijo gay. Eles têm problemas em aceitar a sexualidade alheia, talvez por não terem conseguido resolver a sua. Demonstrações de amor homossexual lhes causam repulsa e um desejo irrefreável de reprimir, perseguir, prender, boicotar. Punheta, então, vixe… Acho que a maioria deles deve ter saído da sala espumando neste momento. “Não tenho nada contra gays, até tenho amigos homossexuais, mas beijo gay é nojento.”

trevante

6. Aparecem muitos torsos e abdômens trabalhados de homens negros. Sarados, sexy, lindos de morrer. Isso deve incomodar muito os reaças, tanto por racismo quanto por inveja. Ou algum desejo oculto, quem sabe? Ai, que loucura.

 

 

Publicado em

Em Cine Morena

0 Comente

A ilha do Dr. Moro (e suas estranhas criaturas)

Publicado em 1 de março de 2017

ilha-doutor-moro

Ilustrações: Mário César

Este mês se completam três anos desde que se iniciou a operação Lava-Jato, com a ambição de “acabar com a corrupção na política brasileira”. Mas o que ocorreu com o país de lá para cá? Uma presidenta petista foi arrancada do poder e um ex-presidente petista está sendo ameaçado de prisão. No entanto, 38 fases depois, nenhum membro do PSDB foi indiciado. E a corrupção no Brasil, acabou? Que nada! Os próprios delatores passaram pouquíssimo tempo presos e continuam ricos como sempre foram. Na cúpula do poder, temos hoje alguns dos maiores corruptos da História.

O que aconteceu de fato, de março de 2014 até hoje, é que a operação capitaneada pelo juiz Sergio Moro gerou uma série de personagens que se incorporaram à política nacional. São seres estranhos, um tanto sinistros, que fazem um paralelo perfeito com A Ilha do Dr. Moreau, clássico de ficção científica de H.G.Wells publicado em 1896.

Confira no traço do ilustrador Mário César as criaturas da ilha do Dr. Moro. No final do texto, tem uma vaquinha para pagar o trabalho dele. Apoie!

tukanators

Os Tukanators  São tucanos geneticamente modificados, com garras e dentes afiados. Ao contrário da ave, que se alimenta de frutas e insetos, os Tukanators são vorazes e devoram tudo que veem pela frente, com um apetite especial por dinheiro. Parece impossível capturá-los, embora todo o tempo eles fiquem sobrevoando bem debaixo do nariz do juiz Moro.

justica-cega

A Justiça Caolha – Em toda parte, a Justiça é cega, simbolizando que ela não privilegia ninguém. Mas, na ilha do Dr. Moro, a Justiça é caolha. Como possui um olho só, enxerga apenas um dos lados nas decisões. Com isso, a Justiça Caolha acaba beneficiando os Tukanators, fora do alcance de sua visão. A parcialidade da Justiça Caolha é tão gritante que, embora um dos procuradores da Lava-Jato tenha dito que a corrupção envolve todos os partidos, até hoje o PSDB não se tornou alvo de investigação.

cabeca-de-panela

Os cabeça-de-panela – Também conhecidos como “paneleiros”, são seres desprovidos de cérebro e altamente influenciados pelo que assistem na televisão. Adoram usar camisetas da CBF e fizeram muito barulho quando a esquerda estava no poder, supostamente em nome da “luta contra a corrupção”. Mas agora que a direita tomou o poder e a corrupção ficou ainda mais escancarada, eles estão caladinhos, obedecendo, como sempre, o que a televisão diz.

hidrofobo

Os Lulófobos – São cães de duas cabeças extremamente raivosos, mas apenas em relação ao ex-presidente Lula. Basta mencionar a palavra “Lula” que eles começam a babar e espumar pela boca. Lula virou uma obsessão: eles não conseguem enxergar nenhum político pela frente e costumam culpar Lula até mesmo pelos seus problemas sexuais e pessoais.

pig

O PIG – É um porco mutante que ganha a vida chafurdando na lama da ilha em busca de gravações e vazamentos criminosos. Curiosamente, tanto as gravações quanto os vazamentos costumam incriminar apenas o PT. Alado, o porco adora se juntar aos Tukanators, de quem é parceiro de longa data.

coxinha-mortadela

O Coxinha de Mortadela – Ele se diz “nem direita nem esquerda” e está perdido, naufragando num mar de indecisão. Foi por sua omissão que chegamos à situação em que o Brasil se encontra hoje. É o famoso “isentão”, que abre mão de participar das lutas com a ilusão de que as coisas vão melhorar sozinhas. Acredita em salvadores da pátria e fica olhando para o horizonte para ver se chega alguém para socorrê-lo.

promotores

Os juristas beatos da maçonaria – São promotores, advogados e juízes fanáticos (e fanáticas) que colocam a Bíblia acima da Constituição. Caracterizam-se por estar sempre se referindo a Jesus e à religião e até mesmo posando em fotografias agarrados a imagens religiosas ou recebendo unções. Ao mesmo tempo, têm uma ligação oculta ou declarada com a maçonaria. Para disfarçar seu escasso conhecimento jurídico, se esmeram nas apresentações em Power Point.

cobaias

As cobaias da Lava-Jato – Presos nos calabouços da Polícia Federal em Curitiba, magros e famélicos, alguns dos detidos na operação Lava-Jato estão sendo utilizados como cobaias (ou troféus) da suposta caça aos corruptos no Brasil. De lá eles só saem se delatarem alguém. O da estrelinha vermelha na camiseta periga ficar na jaula até morrer.

 

VAQUINHA POSTERIOR: Todas as doações para este post irão para o ilustrador Mário César. Se você preferir, pode depositar direto na conta dele: Mário Cesar dos Santos Oliveira. Banco do Brasil, agência 1196-7, Conta corrente 26801-1. CPF 904.268.271-04. Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, sustentada pelos leitores.

 

 

Publicado em

Em Blog

0 Comente