Acampamento Terra Livre, por Rogério Assis

Publicado em 26 de abril de 2017
Bras’lia, 25/04/2016 Passeata da Manifesta‹o Nacional Ind’gena, chega ao congresso nacional e Ž recebida com bombas de g‡s lacrimogneo pela pol’cia. Fotos: RogŽrio Assis / Greenpeace

(Fotos: RogéŽrio Assis/Greenpeace)

O fotógrafo paraense Rogério Assis é um especialista em fotografar índios. Iniciou a vida profissional documentando etnias indígenas para o Museu Emílio Goeldi, em Belém, e foi o primeiro fotógrafo a ter contato com os Zo’é, povo de língua tupi que habita o noroeste do Pará, ao longo dos rios Cuminapanema, Erepecuru e Urucurianana, em 1989. Ele é autor de quatro livros sobre os índios, um sobre os Zo’é e outros três em parceria com o ISA (Instituto Socioambiental).

Rogério Assis está em Brasília fotografando, para o Greenpeace, o Acampamento Terra Livre 2017, que reúne mais de 3 mil indígenas na capital federal até o dia 28 de abril.

Bras’lia, 25/04/2016 Passeata da Manifesta‹o Nacional Ind’gena, chega ao congresso nacional e Ž recebida com bombas de g‡s lacrimogneo pela pol’cia. Fotos: RogŽrio Assis / Greenpeace

Bras’lia, 25/04/2016 Passeata da Manifesta‹o Nacional Ind’gena, chega ao congresso nacional e Ž recebida com bombas de g‡s lacrimogneo pela pol’cia. Fotos: RogŽrio Assis / Greenpeace

Brasília, 25/04/2016 Passeata da Manifestação Nacional Indígena, chega ao congresso nacional e é recebida com bombas de gás lacrimogêneo pela polícia. Fotos: Rogério Assis / Greenpeace

Brasília, 25/04/2016 Passeata da Manifestação Nacional Indígena, chega ao congresso nacional e é recebida com bombas de gás lacrimogêneo pela polícia. Fotos: Rogério Assis / Greenpeace

rogerio1

rogerio2

rogerio3

rogerio4

rogerio5

rogerio6

rogerio7

(O cacique Raoni)

 

 

 

Publicado em

Em Camaradas

0 Comente

Índios são recebidos a bala de borracha e bombas no Congresso. Fotos de Lula Marques

Publicado em 25 de abril de 2017
indioslula

(Fotos: Lula Marques)

Com caixões simbolizando o genocídio dos povos indígenas (54 indígenas foram assassinados em todo o país por conflitos de terra só em 2015, segundo o Conselho Indigenista Missionário), representantes de diversas etnias que participam do Acampamento Terra Livre na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foram atacados nesta terça-feira, 25 de abril, pela Polícia Militar do Distrito Federal com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha ao tentarem se aproximar do Congresso Nacional.

indioslula2

O fotógrafo Lula Marques registrou a violência policial contra os índios, que têm seus direitos cada vez mais ameaçados pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Na semana passada, foi noticiado que o ministro da Justiça irá indicar um ruralista para a presidência da Funai (Fundação Nacional do Índio). É como colocar um lobo para cuidar das ovelhas. Os ruralistas são os maiores inimigos dos índios, já que seu único interesse é se apropriar das terras que pertencem aos descendentes dos habitantes originais do Brasil e não a herdeiros de latifundiários.

indioslula3

O protesto começou em frente ao Teatro Nacional, de onde os indígenas saíram em marcha em direção ao Congresso levando faixas com dizeres como “Não ao retrocesso dos direitos indígenas” e “Retire os madeireiros das terras indígenas”. Este ano, a principal reivindicação do acampamento, que reúne cerca de 4 mil pessoas, é a retomada das demarcações de terras indígenas, paralisadas desde que Temer e os ruralistas chegaram ao poder.

indioslula5

Angela Katxuyana, liderança indígena do norte do Pará, repudiou a ação da polícia: “Cada dia a gente vem sofrendo, vem sendo massacrado, e quando a gente vem dialogar com o Estado, acontece isso. A violência contra os povos indígenas continua tanto no papel quanto aqui”, disse. José Uirakitã, do povo Tingui Botó (AL), testemunhou a repressão e coletou artefatos utilizados pela polícia: “Eles estavam atirando como se fossemos criminosos.”

indioslula4

Representantes indígenas estiveram com o ex-presidente Lula na segunda-feira à noite. Sônia Guajajara, da coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), afirmou que a demarcação das terras indígenas durante os governos do PT foi insatisfatória, mas avaliou que a situação piorou com o governo Temer.

indioslula6

indioslula7

“O mais grave agora é que o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, Osmar Serraglio, foi nomeado ministro da Justiça. Agora não é só mais uma ameaça de retrocesso, já é o retrocesso em execução”, afirmou Sônia. A PEC tramita na Câmara e transfere do governo federal para o Congresso a última palavra sobre as demarcações. Se o projeto for aprovado, as demarcações devem ser paralisadas definitivamente.

(Com informações da Mobilização Nacional Indígena)

 

 

 

Publicado em

Em Blog

0 Comente

Governo boliviano quer indígenas à frente de meios de comunicação

Publicado em 16 de novembro de 2016
indiacomunicacao

(Fotos: divulgação)

O que é o “atraso” e o que é o “progresso”? Para a direita brasileira, “progresso” é dizimar as nações indígenas, roubar suas terras, destruir sua cultura; “civilizar”, ou seja, aniquilar o índio. Para a esquerda, isto é atraso, é retrógrado. Ser “avançado”, para nós, é respeitar e valorizar a cultura indígena e contribuir para que eles mesmos escolham o caminho que querem seguir.

Enquanto aqui no Brasil ainda se matam índios, na Bolívia, presidida há dez anos por um indígena, Evo Morales, o cidadão indígena está se abrindo ao mundo. Enquanto aqui a meia dúzia de famílias que detém os meios de comunicação não quer nem ouvir falar em democratização da mídia, na Bolívia, os índios traçam o caminho para ter seus próprios veículos. Enquanto aqui políticos são donos de meios de comunicação (mesmo vedado pela Constituição), na Bolívia serão indígenas.

Esta semana, acontece em Cochabamba a III Cumbre de Comunicação Indígena. Participantes de 28 países estão discutindo a construção de canais de TV e rádio dirigidas pelos próprios índios, com repórteres, cinegrafistas, equipe de produção… todos indígenas. Aqueles que normalmente a mídia comercial ignora e invisibiliza, mas que na Bolívia são maioria da população (62%).

“Queremos dizer ao mundo que queremos estar presentes e que não queremos estar circunscritos dentro de um pequeno território e dentro de uma fronteira. Chega de estar dentro de parques, de reservas, porque somos seres pensantes como vocês e queremos estar presentes em todos os horários e nos meios de comunicação”, declarou Marianela Paco, ministra da Comunicação do país.

A ideia é descolonizar e despatriarcalizar a narrativa midiática, dentro de um projeto ambicioso de descolonização em geral. Sabem o que é descolonizar? É passar a escrever as notícias e contar a História de uma forma não contaminada pela versão do colonizador, dos brancos da elite que se apoderaram também da narrativa. Assim como descolonizar é derrubar estátuas e monumentos que homenageiam genocidas indígenas, por exemplo – como é o caso dos monumentos aos sanguinários bandeirantes em São Paulo, que dão nome até ao palácio do governo.

indiaentrevistando

Em 2011, com a aprovação da nova Lei de Comunicação na Bolívia, ficou fixado que 33% das concessões ficarão com o setor privado, 33% com o setor público, 17% com os povos indígenas e 17% para as comunidades. No ano que vem, acaba a maioria das licenças outorgadas aos donos meios de comunicação pelos sucessivos governos de direita pelo prazo de 20 anos, e então vai acontecer a redistribuição das concessões. Evo Morales governa até 2019.

No Brasil, o tempo de concessão é de 15 anos para TV e 10 para rádio e apenas se renovam. Após a ditadura, houve farta distribuição de concessões, mas apenas aos políticos e seus apaniguados.

Na Bolívia já existem cerca de 500 rádios comunitárias, muitas delas bilíngues, com transmissões em aimará e castelhano, mas a expectativa é que o fim das concessões impulsione as emissoras de rádio e TV conduzidas por indígenas. Isso para mim é o futuro.

 

 

 

Publicado em

Em Blog

0 Comente