Lula: “Quero que a Lava-Jato vá fundo. O que sou contra é criminalizar a pessoa pela imprensa e não pelos autos”

Publicado em 14 de março de 2017
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(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Muito abatido, afinal se passou apenas um mês da morte de sua companheira Marisa Letícia, mas indignado. Foi este o Lula que transpareceu no depoimento dado ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, em Brasília. Com a voz por vezes embargada, por vezes raivoso, batendo na mesa, o ex-presidente disse que dará quantos depoimentos forem necessários à Justiça para defender sua honra. Disse estar sendo submetido a “quase um massacre” nos últimos três anos e desafiou qualquer empresário a provar que tenha pedido dinheiro a algum deles, inclusive da mídia. “Quem sabe está na hora de chamar o dono da Globo, da Record, da Bandeirantes para prestar depoimento para ver se eles me delatam?”, provocou.

Lula defendeu a Lava-Jato, mas criticou que a operação esteja servindo para promover condenações usando os meios de comunicação, sem apresentar provas. “Quero que a Lava-Jato vá fundo, para ver se acaba com a corrupção. O que sou contra é tentar criminalizar a pessoa pela imprensa e não pelos autos do processo. Sabe quantas horas eu tenho de notícias contra mim no Jornal Nacional? 16 horas. Nenhum político no mundo aguentaria isso. Eu quero provas. Alguém tem que dizer qual é o crime que eu cometi, onde que eu cometi. 71 anos de vida, eu cansei.”

Leia abaixo as principais frases do depoimento de Lula. A íntegra em vídeo pode ser conferida ao final do texto.

***

Massacre – Há cerca de três anos eu tenho sido vítima de quase um massacre. O que é um cidadão que foi presidente da república, que foi considerado o presidente mais importante da história deste país, que saiu com 87% de aprovação de bom e ótimo, que fez com que o Brasil fosse respeitado no mundo inteiro e virasse protagonista internacional, de repente é pego de surpresa por manchetes de jornais e da televisão todo dia, todo santo dia, no café da manhã, no almoço e na janta, alguém insinuando: ‘tal empresário vai prestar uma delação e vai acusar o Lula’, ‘tal deputado vai prestar uma delação e vai acusar o Lula’. ‘Agora vamos prender fulano, agora vamos pegar o Lula’. ‘Prenderam a Odebrecht, vai delatar o Lula’. ‘Prenderam a OAS, vai delatar o Lula’. ‘Prenderam Bumlai, vai delatar o Lula’. Prenderam Delcídio, vai delatar o Lula’. ‘Prenderam o papa, vai delatar o Lula’… Eu esperando pacientemente. Por isso estou muito orgulhoso e prazeroso de estar aqui para poder, na frente de um juiz imparcial, contar a versão deste fato.

O PT – Primeiro: me ofende profundamente a insinuação de que o PT é uma organização criminosa, porque é o mais importante partido criado neste país, criado pelos trabalhadores, dirigido pelos trabalhadores e que fez neste país o que ninguém nunca fez. E combater a corrupção não é virtude, é uma obrigação moral e ética, isso aprendi com uma mulher que nasceu e morreu analfabeta. Segundo: este partido conseguiu fazer com que as instituições fossem fortalecidas. O Ministério Público tinha o apelido de engavetador. No meu governo, pela minha vocação sindical, eu fazia questão de fortalecer a corporação e indicar o representado pela instituição. A Polícia Federal quantos processos eram engavetados? Quantas pastas sumiram neste país? No meu governo, a PF tinha que fiscalizar, tinha que investigar, teve dinheiro para investimento em inteligência, os delegados sabem como foram valorizados. E eu dizia que só tem um jeito de ninguém ser pego neste país: ser honesto, não fazer nada errado.

Prisão – A Controladoria Geral da República não existia, era uma peça de ficção quando eu cheguei no governo. Eu coloquei primeiro o ministro Waldir Pires, ex-governador da Bahia, e depois um juiz, nosso amigo Jorge Hage, que quem conhece sabe que não brinca em serviço. Ele sabe que a ordem que recebeu foi: tem que controlar e tem que fazer com que as pessoas saibam que honestidade não é mérito, é obrigação. O senhor sabe o que é levantar todo dia achando que a polícia está na porta de casa porque eu vou ser preso? Eu duvido: antes, durante e depois, os que estão presos e os que vão ser presos, que tenha um empresário ou um político que tenha a coragem de dizer que um dia me deu 10 reais. Ou que tenha coragem de dizer que um dia o Lula pediu 5 centavos pra ele. E não faço isso porque sou melhor do que os outros, não. Faço isso porque quem chegou à presidência da república como eu cheguei depois de perder três eleições não tinha o direito de errar. Fiquei oito anos no meu mandato sem ir num jantar, num aniversário, num casamento, exatamente para não dar pretexto para aqueles que vão tomar um champanhe e vêm pedir um favor.

Verdade – Se tem um brasileiro neste momento que quer a verdade, que deseja a verdade neste país, sou eu. Portanto, estou à inteira disposição.

Cerveró – Só tem um brasileiro que podia ter medo do depoimento de Cerveró pela relação que tinha com ele, que é o Delcídio. Eu não tinha relação com o Cerveró. Portanto, não tive nenhuma preocupação com o depoimento de nenhum empresário, de nenhum diretor da Petrobras porque não tenho essa relação com eles. Delcídio contou uma inverdade neste processo. Não conheço, não tive convivência com Cerveró, portanto o problema era do Delcídio, que teve convivência com ele ainda no governo anterior, antes do meu governo, quando foi diretor de óleo e gás da Petrobras. Não foi comigo. Não surgiu essa conversa. Não se tocou (no nome do Cerveró) e muito menos no nome do Bumlai, de que foi pedido coisa pro Bumlai. É um absurdo, eu não sei o que o Delcídio esperou fazer com isso. Certamente, depois de preso alguns dias, as pessoas começam a encontrar um jeito de sair da cadeia e resolve jogar a culpa em cima dos outros. Era sabido, por todo mundo que acompanha todo este processo, da relação histórica do Delcídio com o Cerveró. Tem até um livro publicado por uma jornalista da revista Veja que mostra toda a relação do Delcídio com o Cerveró, ela é muito antiga. Não conheço o Cerveró, conheço agora que ficou famoso. Eu o via en passant em reuniões coletivas, portanto não tinha nenhum interesse de tirá-lo ou de colocá-lo.

Delcídio – Por tudo que eu vejo todo dia na imprensa, tem alguém instigando falar meu nome. Fico sabendo todo dia nos blogs, nos colunistas: ‘fala o nome do Lula’, ‘cita o nome do Lula’. Vi uma entrevista do Delcídio na GloboNews que parecia que tinha recebido o prêmio Nobel da delação. Depois que faz a bobagem que fez, se é que fez, teria que jogar nas costas de alguém. Minha relação com Delcídio era uma relação institucional e ele sabe disso.

Bumlai – Conheci Bumlai na campanha de 2000, o PT governava o Mato Grosso do Sul e eu precisava fazer uma gravação para um programa de televisão para falar com o setor do agronegócio. E o governador do PT me disse que tinha um amigo e me levou na fazenda dele, me parece em Miranda. Fui nessa fazenda, uma boa fazenda, até depois fui pescar nessa fazenda, fiquei quatro dias no rio Miranda e não peguei nenhum peixe. Mas gravei o programa, foi um programa de sucesso, depois eu ganhei as eleições e estabeleci uma relação com o Zé Carlos Bumlai. Fiquei sabendo que o Bumlai tinha feito o empréstimo pela imprensa. Bumlai era meu amigo, qual o crime do Bumlai em ligar para mim? Eu ligava, tinha um profundo respeito pelo Bumlai. O Bumlai sabe que a relação que tinha comigo não permitia que discutisse qualquer negócio, porque eu não levo ninguém para casa para discutir negócio. Negócio eu discutia no palácio. Se o senhor soubesse quantas pessoas usam o meu nome em vão… Tem gente que faz campanha em meu nome, tem gente que é candidato em meu nome, tem gente que faz panfleto dizendo que eu tô apoiando…

Cargos – Está ficando costumeira a falta de entendimento do que é um governo de coalizão. No depoimento do presidente Fernando Henrique Cardoso ele foi muito bem ao explicar o que é um governo de coalizão. Você tem que construir uma maioria no Congresso Nacional para montar o governo. os partidos que compõem a base do governo indicam ministros e indicam cargos. Todas as pessoas indicadas são pessoas com mais de 30 anos na Petrobras. Se aparecia alguma denúncia de corrupção no GSI (Gabinete de Segurança Institucional), essa pessoa não era indicada. Se indicar um nome qualquer, este nome vai para a Casa Civil, da Casa Civil vai para o GSI, faz um levantamento e se não tiver nenhuma denúncia é mandado para o conselho de administração e o conselho indica. Não é o presidente da República que indica. É assim que funciona em qualquer lugar do mundo. O presidente recomenda ao conselho a indicação de tal pessoa indicada por tal partido político a partir da capacidade técnica da pessoa. A bancada do PMDB de Minas Gerais indicou o Zelada. Cerveró foi indicado pelo PMDB, quase com certeza absoluta. Pra mim, se uma força política indicasse ele ou outra pessoa e tecnicamente ele fosse reconhecido pelo conselho da empresa, pra mim estava perfeito. Durante todo esse tempo não houve uma única denúncia contra nenhum deles. A denúncia começou a acontecer porque o juiz Moro começou a fazer escuta durante oito anos num bandido chamado Youssef e aí então em oito anos dá para pegar alguma coisa.

Instituto Lula – Muita gente pode achar que sou arrogante, que sou petulante. Quando deixei a presidência da República, por conta do povo brasileiro tinha sido quase o presidente mais importante do mundo nos dez primeiros anos do século 21. Este país passou a participar do G8, que nunca participava, do G20, do Brics, com muita importância. Criou a Unasul, criou a Celac, não deixou a Alca entrar aqui… Fizemos a maior política de inclusão social da história, 36 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza, 40 milhões ascenderam à classe média. Isso é uma Argentina, uma Colômbia. Tudo isso em 12 anos. Eu saí da presidência, queria que os países da América Latina e da África adotassem as políticas públicas que adotamos: o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o salário mínimo. Por isso criei o instituto, para viajar o mundo tentando mostrar o exemplo do que este país fez em pouco tempo. Eu tive o prazer de ser um ex-presidente da República que em todas as viagens do mundo que fiz era recebido pelos presidentes. Hoje nós estamos numa situação que o presidente não tem coragem de ir na Bolívia. Um país que era motivo de orgulho virou motivo de tristeza pela pequenez. Nós quase chegamos a ser a quinta economia mundial. Por mediocridade não chegamos.

Provas – Eu sinceramente quero lhe agradecer a oportunidade de prestar este depoimento, porque estou com muita coisa na garganta para falar. Eu tô cansado de ver procurador dizer que não precisa de prova, que ele tem convicção. De juiz dizer ‘eu não preciso de prova, eu tenho fé, vou votar com fé’. Eu quero provas. Alguém tem que dizer qual é o crime que eu cometi, onde que eu cometi. 71 anos de vida, eu cansei. Cansei de ver as instituições que eu ajudei a criar desde a Constituinte para valorizá-las, desprestigiadas por comportamento pessoal. Gente que não pode abrir uma geladeira, ver uma luz que começa a dar declaração. Gente que liga o barbeador começa a falar, achando que é microfone. Eu sempre valorizei o Ministério Público, a PF. E sempre valorizei o poder Judiciário. Indiquei quase todos os ministros, nunca pedi um favor pessoal porque a instituição tem que ser forte não para me ajudar, mas para garantir a democracia. Lamentavelmente, tem pessoas que não pensam assim. Eu quando vejo um jovem procurador ir para a televisão falar uma hora e meia e depois dizer ‘não me peçam provas, eu tenho convicção’, não dá. Não dá para aceitar isso como uma coisa séria.

Mídia – Eu queria que meus depoimentos fossem todos numa semana só, para desvendar esses mistérios todos e acabar com essa hipocrisia: ‘fulano vai delatar e o Lula vai ser citado’. Quem sabe está na hora de chamar o dono da Globo, da Record, da Bandeirantes para prestar depoimento para ver se eles me delatam? Porque os que eles dizem que vão me delatar duvido que tenham coragem, porque não têm nenhuma prova e nunca conversaram comigo sobre qualquer crime.

Joyce Hasselmann – Doutor, eu aprendi a andar de cabeça erguida. E sabe que custa muito. Para quem nasce na elite, não precisa nada. mas para quem vem lá de baixo, não deixar ninguém colocar a cangaia no seu pescoço não é fácil. Eu acusei uma jornalista em qualquer lugar democrático do mundo ela seria presa, porque falou de um ex-presidente da República. Ela foi prestar julgamento e nossa advogada me chamou de doutor, aí o juiz começou a rir. ‘Ah, mas ele não é doutor’. E ela disse: ‘estou chamando ele de doutor porque ele tem vários diplomas de doutor honoris causa’. O juiz deu uma gargalhada, e pouco tempo depois inocentou a jornalista. Eu vou recorrer até a Suprema corte. Aos 71 anos, não sei quanto tempo de vida que eu tenho, mas tenho fé em Deus de ver essa jornalista ser julgada. Em nome da liberdade de imprensa ninguém pode avacalhar a vida dos outros.

Lava- Jato – Da Lava-Jato hoje no Brasil se fala no café da manhã, no almoço, na janta e ainda depois da novela. Se só passa isso na televisão? Tem gente que acha que sou contra a Lava-Jato. Pelo contrário, eu quero que a Lava-Jato vá fundo, para ver se acaba com a corrupção. O que sou contra é tentar criminalizar a pessoa pela imprensa e não pelos autos do processo. O que sou contra é execrar. Conheço pessoas que se estivessem em liberdade seriam mortos na rua. Sabe quantas horas eu tenho de notícias contra mim no Jornal Nacional? 16 horas. Nenhum político no mundo aguentaria isso. E eu vou matá-los de raiva, porque toda pesquisa vou aparecer na frente, para eles saberem que nem sempre podem brincar com as pessoas.  O juiz, o promotor, o delegado, não têm que ficar fazendo pirotecnia com as pessoas. Primeiro apura, investiga, e condene. Quando condenar, bote ele na cadeia. E acabou. Um cidadão que nasce no Nordeste e não morre até os cinco anos de idade não tem medo de cara feia. E eu quero defender a minha honra, que é o valor mais importante que tenho.

 

 

 

 

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A ilha do Dr. Moro (e suas estranhas criaturas)

Publicado em 1 de março de 2017

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Ilustrações: Mário César

Este mês se completam três anos desde que se iniciou a operação Lava-Jato, com a ambição de “acabar com a corrupção na política brasileira”. Mas o que ocorreu com o país de lá para cá? Uma presidenta petista foi arrancada do poder e um ex-presidente petista está sendo ameaçado de prisão. No entanto, 38 fases depois, nenhum membro do PSDB foi indiciado. E a corrupção no Brasil, acabou? Que nada! Os próprios delatores passaram pouquíssimo tempo presos e continuam ricos como sempre foram. Na cúpula do poder, temos hoje alguns dos maiores corruptos da História.

O que aconteceu de fato, de março de 2014 até hoje, é que a operação capitaneada pelo juiz Sergio Moro gerou uma série de personagens que se incorporaram à política nacional. São seres estranhos, um tanto sinistros, que fazem um paralelo perfeito com A Ilha do Dr. Moreau, clássico de ficção científica de H.G.Wells publicado em 1896.

Confira no traço do ilustrador Mário César as criaturas da ilha do Dr. Moro. No final do texto, tem uma vaquinha para pagar o trabalho dele. Apoie!

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Os Tukanators  São tucanos geneticamente modificados, com garras e dentes afiados. Ao contrário da ave, que se alimenta de frutas e insetos, os Tukanators são vorazes e devoram tudo que veem pela frente, com um apetite especial por dinheiro. Parece impossível capturá-los, embora todo o tempo eles fiquem sobrevoando bem debaixo do nariz do juiz Moro.

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A Justiça Caolha – Em toda parte, a Justiça é cega, simbolizando que ela não privilegia ninguém. Mas, na ilha do Dr. Moro, a Justiça é caolha. Como possui um olho só, enxerga apenas um dos lados nas decisões. Com isso, a Justiça Caolha acaba beneficiando os Tukanators, fora do alcance de sua visão. A parcialidade da Justiça Caolha é tão gritante que, embora um dos procuradores da Lava-Jato tenha dito que a corrupção envolve todos os partidos, até hoje o PSDB não se tornou alvo de investigação.

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Os cabeça-de-panela – Também conhecidos como “paneleiros”, são seres desprovidos de cérebro e altamente influenciados pelo que assistem na televisão. Adoram usar camisetas da CBF e fizeram muito barulho quando a esquerda estava no poder, supostamente em nome da “luta contra a corrupção”. Mas agora que a direita tomou o poder e a corrupção ficou ainda mais escancarada, eles estão caladinhos, obedecendo, como sempre, o que a televisão diz.

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Os Lulófobos – São cães de duas cabeças extremamente raivosos, mas apenas em relação ao ex-presidente Lula. Basta mencionar a palavra “Lula” que eles começam a babar e espumar pela boca. Lula virou uma obsessão: eles não conseguem enxergar nenhum político pela frente e costumam culpar Lula até mesmo pelos seus problemas sexuais e pessoais.

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O PIG – É um porco mutante que ganha a vida chafurdando na lama da ilha em busca de gravações e vazamentos criminosos. Curiosamente, tanto as gravações quanto os vazamentos costumam incriminar apenas o PT. Alado, o porco adora se juntar aos Tukanators, de quem é parceiro de longa data.

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O Coxinha de Mortadela – Ele se diz “nem direita nem esquerda” e está perdido, naufragando num mar de indecisão. Foi por sua omissão que chegamos à situação em que o Brasil se encontra hoje. É o famoso “isentão”, que abre mão de participar das lutas com a ilusão de que as coisas vão melhorar sozinhas. Acredita em salvadores da pátria e fica olhando para o horizonte para ver se chega alguém para socorrê-lo.

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Os juristas beatos da maçonaria – São promotores, advogados e juízes fanáticos (e fanáticas) que colocam a Bíblia acima da Constituição. Caracterizam-se por estar sempre se referindo a Jesus e à religião e até mesmo posando em fotografias agarrados a imagens religiosas ou recebendo unções. Ao mesmo tempo, têm uma ligação oculta ou declarada com a maçonaria. Para disfarçar seu escasso conhecimento jurídico, se esmeram nas apresentações em Power Point.

cobaias

As cobaias da Lava-Jato – Presos nos calabouços da Polícia Federal em Curitiba, magros e famélicos, alguns dos detidos na operação Lava-Jato estão sendo utilizados como cobaias (ou troféus) da suposta caça aos corruptos no Brasil. De lá eles só saem se delatarem alguém. O da estrelinha vermelha na camiseta periga ficar na jaula até morrer.

 

VAQUINHA POSTERIOR: Todas as doações para este post irão para o ilustrador Mário César. Se você preferir, pode depositar direto na conta dele: Mário Cesar dos Santos Oliveira. Banco do Brasil, agência 1196-7, Conta corrente 26801-1. CPF 904.268.271-04. Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, sustentada pelos leitores.

 

 

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Estudantes entregam abaixo-assinado com 270 mil nomes contra indicação de Moraes ao STF

Publicado em 20 de fevereiro de 2017
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(Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e representantes da sociedade civil entregaram hoje à Comissão de Constituição e Justiça do Senado um abaixo-assinado com mais de 270 mil assinaturas contrárias à indicação de Alexandre de Moraes para ocupar a vaga de Teori Zavascki no STF (Supremo Tribunal Federal). Moraes será sabatinado na terça-feira 21 pela comissão. Entre os participantes, estará o senador Aécio Neves, a quem o ministro da Justiça licenciado prestou assessoria jurídica no valor de 360 mil reais em 2014, quando o tucano foi derrotado por Dilma Rousseff à presidência da República.

“Redigimos há poucos dias uma carta dirigida ao Ministro em que expressamos que ele não se encontrava à altura do cargo de Ministro da Justiça. O mesmo vale de maneira ainda mais veemente ao posto de Ministro do Supremo Tribunal Federal. Moraes demonstrou ao longo de sua trajetória desrespeito a princípios fundantes da Carta Magna. São constantes declarações e posturas histriônicas e fortemente partidarizadas, o que definitivamente não lhe confere a ‘reputação ilibada’ exigida pelo cargo”, criticaram os estudantes no abaixo-assinado, que ainda está aberto a assinaturas.

Os estudantes também lembram no texto do abaixo-assinado que o próprio Moraes, em sua tese de doutoramento, apresentada na Faculdade de Direito da USP, em julho de 2000, sustentava que, na indicação ao cargo de ministro do Supremo, fossem vedados os que exercem cargos de confiança “durante o mandato do presidente da República em exercício”, para que se evitasse ‘demonstração de gratidão política’. “Por esse critério, ele próprio estaria impedido de ser indicado por Temer”, diz o texto.

O grupo de estudantes estava acompanhado por senadores da oposição e membros da CCJ, que apresentaram à comissão um requerimento para que as assinaturas anexadas ao processo da sabatina. As assinaturas dos internautas foram recolhidas pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e pela organização não-governamental Conectas Direitos Humanos. Segundo a presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da USP, Paula Masulk, Moraes não mostrou respeito aos direitos humanos quando ocupou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo no governo do tucano Geraldo Alckmin.

“Já vimos a postura dele em outros cargos, como a Secretaria de Segurança de São Paulo e o Ministério da Justiça, onde ele demonstrou desrespeito a direitos fundamentais. A PM de São Paulo é uma das mais truculentas e sob a direção dele era muito repressiva. Diante da crise do sistema carcerário vimos atitude displicente dele incompatíveis com o cargo”, disse Paula, que também questionou o “notório saber jurídico” de Alexandre de Moraes, requisito também exigido de um ministro do Supremo, lembrando as alegações de plágio em sua tese.

Na semana passada, outro grupo ligado a movimentos sociais já havia entregue à Comissão um manifesto sugerindo uma candidatura alternativa a de Moraes: a da professora de Direito da UnB, Beatriz Vargas.

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(Alexandre Moraes no Senado. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Sabatina

A sabatina de Alexandre de Moraes na CCJ está marcada para começar às 10h. O líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a expectativa é que a sabatina seja “longa”. “Alguns setores do Senado tenderão a politizar o debate, é natural, faz parte. Alguém que quer ser ministro do Supremo tem que estar preparado para isso”, afirmou Jucá. “Vai ser fácil se ele for bem na sabatina. Vai depender dele. É um teste que ele tem que passar”, disse.

“Nós temos muitas preocupações com essa indicação, é uma indicação partidária. Não que não faça parte do processo político as indicações ao Supremo, mas a pessoa que foi indicada é militante de carteirinha do PSDB, já fez críticas ao PT, já se utilizou de seus cargos com intenção partidária”, declarou a senadora Gleisi Hoffman (PT-SC), líder do partido no Senado. Foi apenas no último dia 7 de fevereiro que Alexandre de Moraes se desfiliou ao PSDB. “Posso afirmar que, a partir de hoje, Alexandre de Moraes é um ex-tucano”, disse Aécio Neves, presidente nacional da sigla, ao comunicar a desfiliação.

Até ontem, já havia mais de 900 perguntas e comentários de cidadãos comuns para a sabatina de Moraes no site do Senado. Muitos dos questionamentos diziam respeito justamente à ligação do ministro de Temer com o PSDB: “Você acha saudável para a nossa democracia que políticos, como é o caso do senhor, integrem o STF?”; “Em um eventual processo contra membros do partido a que se filiou, qual seria o posicionamento de Vossa Excelência?”. Outros lembravam a sua tese de doutoramento: “Como justificar perante a sua consciência e perante à opinião pública que o senhor tenha aceitado essa indicação contrariando o que escreveu sobre a inconveniência de nomeações de pessoas que tenham prestado serviço a governos e/ou ligados a partidos políticos?”.

Alguns internautas questionavam ainda como Moraes poderá ser isento ao julgar as ações envolvendo seu atual chefe, Michel Temer, citado mais de 40 vezes na operação Lava-Jato.  “Gostaria que o senhor explicitasse como irá interpretar e julgar de maneira isenta e justa nos julgamentos relativos a Lava-Jato que supostamente implicam em denúncias ao governo que o senhor atualmente faz parte?”

(Com informações da Agência Brasil e da Agência Senado)

 

 

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