Dicas literárias para um Natal vermelho (quinta edição)

Publicado em 6 de dezembro de 2016

É batata: como todo ano tem Natal, todo ano também tem a lista de livros e HQs do Socialista Morena! Porque se é para gastar dinheiro nesta época do ano, que se gaste com livros. Confira aquiaqui, aqui e aqui as listas dos anos anteriores. Você encontra outras dicas literárias do blog também na tag #literatura.

São obras que li ou que estão na minha própria lista de desejos… Lembre-se de voltar a visitar este post: estas dicas serão atualizadas até janeiro. Porque ler nas férias é tudo de bom, não é?

LANÇAMENTOS

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À Sombra do Poder – O jornalista e cientista político Rodrigo de Almeida foi secretário de Imprensa de Dilma Rousseff justamente nos 13 meses que antecederam o golpe. Seu relato é, portanto, de quem assistiu de perto e de dentro a queda da presidenta reeleita com o voto de 54 milhões de brasileiros em 2014. Com uma narrativa envolvente, Rodrigo conta o que viu e como Dilma reagiu a tudo. Traz também perfeitas alfinetadas ao papel da imprensa no período: as recriações feitas pelos jornais não resistem à realidade de quem viu tudo com os próprios olhos. Como o autor não é petista de carteirinha, a narrativa ganha pontos por ser bastante independente, embora cause estranheza no leitor de esquerda que o livro trate Dilma o tempo inteiro como “presidente” e não “presidenta”, como ela preferia ser chamada. Leya, 224 págs., R$39,90.

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Mulheres, Raça e Classe – Obra mais importante da “pantera negra” norte-americana Angela Davis, este livro, publicado nos EUA em 1981, nunca havia sido traduzido no Brasil até agora. O momento é ideal: é inegável a força que têm tido os coletivos de mulheres e de negros na luta contra os golpistas e fascistas instalados em nosso país. No livro, a autora aborda a forma como todas estas lutas estão interrelacionadas: a luta anticapitalista, a luta antirracista, a luta feminista. Nada mais atual diante da eleição de Donald Trump nos EUA e do crescimento de uma extrema-direita igualmente misógina, homofóbica, racista e classista no Brasil. Prefácio de Djamila Ribeiro e tradução de Heci Regina Candiani. Boitempo, 248 págs., R$54.

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A História Não Contada dos Estados Unidos – Escrito a quatro mãos pelo cineasta Oliver Stone e pelo historiador Peter J. Kuznick, o livro atravessa um século para dar a versão não-oficial sobre a trajetória da nação mais poderosa do planeta. O real significado da batalha contra o nazismo, a criação da guerra fria, as agressões dos EUA a outras países, a tradição de espionar o mundo: está tudo lá. Para quem quer ter uma visão da história norte-americana bem distante da que nos é contada pelos arautos do império e pela mídia hegemônica, um livro considerado pelo jornal britânico The Guardian como “o livro de história mais instigante, revelador e intelectualmente provocativo dos últimos anos”. A versão em documentário pode ser vista abaixo, com legendas em português. Tradução de Carlos Szlak. Faro Editorial, 360 págs., R$49,90.

cova312

Cova 312 – Vencedora do prêmio Jabuti na categoria Reportagem e Documentário este ano, a jornalista Daniela Arbex conta a história real de como, em 1967, as Forças Armadas torturaram e mataram o jovem militante político Milton Soares de Castro, forjaram seu suicídio e sumiram com seu corpo. Daniela não só reconstitui o calvário do rapaz de 26 anos, de seus amigos e familiares, como dá uma incrível contribuição à História: descobre onde estavam seus restos mortais, na anônima Cova 312 que dá título ao livro. Geração, 344 págs., R$39,90.

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Toureando o Diabo  O romance, escrito por Clara Averbuck e ilustrado por Eva Uviedo, foi inteiramente financiado pelos leitores. Camila, personagem central de Máquina de Pinball, livro de estreia de Clara, de 2002, reaparece revirando (e revendo) seus cadernos do passado, cujas anotações são belamente ilustradas por Eva. O livro está à venda exclusivamente na loja das autoras, onde também podem ser comprados desenhos originais. 146 págs., R$50.

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Descobri que Estava Morto  Um belo dia, o escritor J.P. Cuenca descobre que havia morrido: um cadáver fora identificado com sua certidão de nascimento em um edifício invadido no bairro carioca da Lapa. A história surreal acabou virando filme dirigido e estrelado pelo próprio autor este ano: A Morte de J.P.Cuenca. Para quem, como eu, é fascinado por autobiografias farsescas ou ficções da vida real. Tusquets, 240 págs., R$39,90.

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O Que É Que Ele Tem? – Li este livro de uma sentada, numa visita à livraria. Trata-se do relato autobiográfico da cantora Olívia Byington sobre seu filho mais velho, João, que tem a síndrome de Apert, uma condição rara que causa má formação do crânio, mãos e pés. É um relato doce, tocante e forte, onde a autora evita a auto-piedade e adota um tom mais realista (e, inclusive, bem humorado) para lidar com a questão. A orelha do livro é do irmão de João e também filho de Olívia, o cronista e humorista Gregório Duvivier. Objetiva, 184 págs., R$34,90.

CLÁSSICOS

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Casa Grande & Senzala – É preciso sempre voltar a Gilberto Freire como quem recorre a uma Bíblia. Cada vez que eu leio este livro, enxergo novas nuances e descubro outras histórias. Impressionante. Na atual releitura, vejo detalhes sobre a dominação do homem sobre a mulher no Brasil colonial e sobre a escravidão que tinham me escapado das primeiras vezes. Uma das obras fundamentais para conhecer a história de nosso país, sempre, ao lado de O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro. Global, 728 págs., R$58.

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Viva o Povo Brasileiro  Publicado pela primeira vez em 1984, o romance de João Ubaldo Ribeiro se tornou um clássico imediato, ao recontar a história do Brasil durante 400 anos (de 1647 a 1977), no estilo picaresco que marcou a obra do autor. Situado na ilha de Itaparica, terra natal de João Ubaldo, o recôncavo baiano funciona como uma espécie de metáfora do Brasil inteiro, neste épico que perpassa os principais acontecimentos históricos de nosso país, desde a invasão holandesa à ditadura militar. Alfaguara, 672 págs., R$74,90.

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Fidel Castro: Biografia a Duas Vozes  Para conhecer a história de Fidel Castro por ele mesmo, nada melhor do que esta biografia escrita pelo jornalista franco-espanhol Ignacio Ramonet, resultado de mais de 100 horas de entrevista com o líder da revolução cubana morto este ano. Fidel conta a Ramonet sua trajetória, desde a educação jesuíta de filho de latifundiário até a transformação em guerrilheiro, e dá sua versão sobre as maiores polêmicas de sua vida, como a perseguição a homossexuais e a dissidentes do regime. Apresentação de Fernando Morais e tradução de Emir Sader. Boitempo, 624 págs. (esgotado). No sebo Estante Virtual por R$45.

HQs

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O Enterro das Minhas Ex  Um dos muitos gibis escritos e desenhados por mulheres que li este ano. O quadrinho feminino está cada vez mais em evidência, e a francesa Anne-Charlotte Gauthier é uma das garotas em ascensão numa área antes dominada pelos homens. Nesta HQ, no tom confessional que tem marcado os quadrinhos feitos por mulheres, ela recorre os primeiros anos de sua vida como lésbica, desde a infância à adolescência, com humor e delicadeza. Tradução de Fernando Scheibe. Nemo, 160 págs., R$39,90.

hiphop

Hip Hop Genealogia  Este gibi luxuoso conta nada mais, nada menos do que a história do hip hop em quadrinhos, com o traço incrível de Ed Piskor, herdeiro de Robert Crumb e que ficou famoso por sua parceria com o legendário roteirista Harvey Pekar (American Splendor). Lançado originalmente em 2013, a graphic novel ganhou o Eisner Award, o mais importante prêmio dos quadrinhos, e entrou para a lista dos mais vendidos do New York Times. A caprichada edição brasileira tem prefácio do rapper Emicida e tradução e comentários de Mateus Potumati. Veneta, 128 págs., R$99,90.

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Reportagens – Joe Sacco é o nome que você precisa conhecer quando se trata de reportagens no formato de histórias em quadrinhos. Este gibi reúne suas principais matérias na Palestina, Índia, Iraque e Chechênia. Sobre os chechenos, Sacco é taxativo em responsabilizar o presidente russo Vladimir Putin pela tragédia do país desde que se tornou o braço direito de Boris Ieltsin, na década de 1990. Também chocante seu relato entre os “intocáveis” de Kushinagar, situados no último degrau da sociedade de castas indiana. Tradução Érico Assis. Companhia das Letras, 200 págs., R$49,90.

INFANTIS

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Minimaginário de Andersen  Coletânea de histórias clássicas do dinamarquês Hans Christian Andersen, belamente ilustrada por Salmo Dansa. Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, Os Sapatinhos Vermelhos, Patinho Feio e Polegarzinha integram o volume adaptado por Katia Canton, que conta ainda com o mais triste conto infantil de todos os tempos, em minha opinião: A Pequena Vendedora de Fósforos. Companhia das Letrinhas, 190 págs., R$44,90.

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Ode a Uma Estrela  O poeta chileno Pablo Neruda delicia os pequenos e os adultos com a delicada (e poética) história do homem que roubou uma estrela do céu. Escrito em 1957, o poema-ficção de Neruda foi traduzido pelo também poeta Carlito Azevedo, com ilustrações da espanhola Elena Odriozola. CosacNaify, 24 págs. (a editora fechou, mas encontrei no sebo Estante Virtual a partir de R$26,30).

 

 

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Ode ao burguês: parece PSTU, mas é Mário de Andrade

Publicado em 14 de novembro de 2016
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(“Direitos Humanos”, Kukryniksy)

Quando, na Semana de Arte Moderna de 1922, Mário de Andrade (1893-1945) declamou o poema Ode ao Burguês, os industriais e cafeicultores da época se sentiram insultados. O poeta chegou a ser vaiado pelos convidados, alguns dos quais tinham contribuído financeiramente para a realização da semana e não engoliram a crítica. Reparem que as palavras “Ode ao” soam como “ódio”…

Embora nunca tenha se aproximado do Partido Comunista, Mário era simpático ao socialismo (“Minha maior esperança é que se consiga um dia realizar no mundo o verdadeiro e ignorado Socialismo. Só então o homem terá o direito de pronunciar a palavra ‘civilização’”) e chegou a defender os comunistas em um artigo de 1930. “Está se dando aqui no Brasil um movimento em torno da palavra Comunismo que é dum ridículo perfeitamente idiota”, escreveu.

Suas palavras soam tão atuais nestes tempos de neomacarthismo quanto esse poema de 95 anos atrás. Parece ter sido escrito por alguém do PSTU, né? Ainda mais quando se observa a força que até hoje tem no país um cão de guarda dos privilégios burgueses como a Fiesp, capaz de derrubar uma presidenta eleita com um discurso anticorrupção enquanto um de seus membros sonega bilhões. O poema também me recorda o prefeito eleito de São Paulo, João Doria, e seu similar norte-americano, Donald Trump. Leiam.

***

Ode ao Burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suíça! Morte viva ao Adriano!
“– Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
– Um colar… – Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!”

Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!…

 

 

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Viagem à Transnistria, o país que não existe –mas é a última “província soviética”

Publicado em 11 de outubro de 2016

(Celebração do Primeiro de Maio na Transnitria. Foto: Julia Autz)

No livro O Púcaro Búlgaro, o romancista mineiro Campos de Carvalho (1916-1998) conta a história de uma cômica expedição à Bulgária –como tentativa de “provar” que o país, na verdade, não existe. A narrativa surreal, publicada pela primeira vez em 1964 e considerada um clássico da literatura brasileira, só errou de lugar. Existe um país que não existe a 744 km da fronteira búlgara: a Transnistria ou República Moldávia Pridnestroviana. A Transnistria não só não existe como pode ser considerada a última província soviética, embora a União Soviética tenha acabado há 25 anos.

Vocês pensam que é ficção? Pois a fotógrafa alemã Julia Autz esteve no país que não existe e, tal qual os companheiros de viagem do protagonista de O Púcaro Búlgaro, documentou a não-existência do lugar. Como é possível um país não existir? Em 1990, quando a Moldávia se separou da União Soviética, uma pequena aldeia gaulesa, ops, um pequeno país com cerca de 500 mil habitantes não quis se desvincular do passado comunista e se declarou independente, situação em que se encontra até hoje.

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A Transnistria não foi reconhecida pelas Nações Unidas, que, 26 anos depois e apesar de possuir governo próprio desde então, ainda a considera parte da Moldávia. Só três países no mundo reconhecem a existência da Trasnistria, todos tampouco reconhecidos pela ONU: a Abecásia, a Ossétia do Sul e Nagorno-Karabakh. Juntos, os quatro formaram a Comunidade para a Democracia e Direitos das Nações, mais conhecida como Comunidade dos Estados Não-Reconhecidos, uma espécie de Brics de países pequeninos órfãos da União Soviética que se recusam a fazer parte de outros. Uns irredutíveis, sem dúvida.

Geograficamente, a Transnistria se situa ao leste da Moldávia, fina, comprida e comunista como um Chile que não tivesse tido Pinochet. Ao contrário de tantos países da região que derrubaram os monumentos aos heróis da revolução russa, uma estátua de Lenin continua intacta em frente ao Parlamento, em Tiraspol, capital do país. Na Transnistria, o muro de Berlim continua de pé e a União Soviética só morreu em seu coração, ingrato. A bandeira do país, aliás, é a única por aquelas plagas que ainda ostenta a velha foice e martelo.

(A estátua de Lenin em frente ao Parlamento. Foto: Moldovaoffrecord)

(A estátua de Lenin em frente ao Parlamento. Foto: Moldovaoffrecord)

Se tivesse que escolher, o país preferia voltar a ser anexada à “mãe” Rússia do que à Moldávia –o que até seria possível se não houvesse uma Ucrânia no meio do caminho. A Rússia tem se comprometido em proteger a Transnitria, mas não a reconhece como país independente. Em maio deste ano, o presidente Yevgeny Shevchuk voltou a declarar seu desejo de que a Transnitria se una em “um Estado comum” com a terra de Vladimir Putin, como nos gloriosos tempos da URSS.

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(Emblema oficial da Transnitria com a foice e o martelo)

Em entrevista à revista londrina Huck, a fotógrafa Julia Autz contou que ir à Transnitria é como “uma viagem no tempo, como se o tempo não tivesse passado por lá. Há muitas coisas remanescentes da era soviética em toda parte e monumentos que mostram que o passado ainda é presente. Há uma atmosfera muito especial de nostalgia sem fim pelo passado soviético. Mas também há uma presença muito forte de militares onde quer que você vá”.

Considerada um “museu vivo da era soviética”, a Transnitria aproveita a fama. Agências de viagens oferecem diversos roteiros no país, inclusive um “tour soviético”, perfeito para bolcheviques nostálgicos. Uma das atrações é a destilaria Kvint, na capital Tiraspol, famosa por fabricar a bebida favorita do cosmonauta Yuri Gagarin.

Foi complicado para a fotógrafa alemã se comunicar, porque não havia muita gente que falasse inglês em Tiraspol, mesmo entre os jovens. Quem falava inglês não parava de lhe perguntar: “O que você está fazendo aqui? Você é uma espiã? Você esteve na Disneylândia? Você gosta do Putin?” No geral, ela achou tudo “muito frio e depressivo”. “Muitos jovens querem deixar o país porque está cada vez mais difícil achar um trabalho que pague o suficiente, para não mencionar que os diplomas da Universidade da Transnitria não são reconhecidos fora do país. Muitos garotos me falaram que sonham em estudar na Rússia”, disse Julia.

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(Jovens da Transnitria. Foto: Julia Autz)

Veja mais fotos da última província soviética (que não existe) no site de Julia Autz.

 

 

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