Justiça ordena que Danilo Gentili explique acusação contra Lula

Publicado em 24 de fevereiro de 2017
(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Uma decisão em segunda instância do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o “humorista” Danilo Gentili, atualmente no SBT, explique formalmente de onde tirou a informação que baseou uma mensagem publicada por ele nas redes sociais no ano de 2015. Trata-se de um “tuíte” divulgado na conta pessoal do humorista, onde Gentili afirmou que Lula “forjou um ataque (à bomba, na sede do Instituto Lula) para sair de vítima”.

De fato, no dia 30 de julho de 2015, uma bomba foi arremessada na entrada do Instituto Lula, e a autoria do atentado segue sendo investigada até hoje. No dia seguinte ao fato, Gentili publicou a frase acusatória em questão em sua conta no Twitter. Os advogados de Lula, então, ingressaram na Justiça com o chamado “pedido de explicações”, que é uma medida jurídica que antecede um processo penal por calúnia ou difamação.

Isso significa que, agora que a Justiça ordenou que Gentili explique de onde tirou a informação que eventualmente sustente sua acusação. Se ele não conseguir explicar ou provar que Lula forjou o ataque ao instituto, como afirmou, será processado por difamação. Se condenado, a pena é de três meses a um ano de detenção.

Uma hora após a postagem, o apresentador ainda se gabou de ter “acertado de novo” com seu comentário, diante da reação dos admiradores do ex-presidente Lula, que saíram em sua defesa.

(Com informações do site de Lula)

 

 

 

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Wilson Gomes: “Lula nunca sabe o seu lugar”

Publicado em 6 de fevereiro de 2017
lulavelorio

(Lula é abraçado pelo povo no velório de sua mulher Marisa. Foto: Ricardo Stuckert)

Por Wilson Gomes*, no Facebook:

Primeiro apareceram os que acusaram Lula de pecado futuro: vai usar a morte da esposa para se fazer de vítima. Acusar alguém de pecados ainda não cometidos é uma tentativa de fechar ao acusado uma alternativa, de desqualificá-la de antemão: “vai doer, mas chorar você não pode; tente, então, ficar quietinho”. “Fazer-se de vítima” é uma dessas expressões curiosas da alma brasileira, vez que quem acusa o interlocutor de se fazer de vítima geralmente está fazendo o papel de verdugo. O carrasco está barbarizando, mas, por favor, tenha compostura, “não se faça de vítima”.

Depois apareceram as condenações pelo “uso político do velório”. Como pode um sindicalista e político enterrar a própria esposa com um coração de político e sindicalista? Tinha que ter havido discrição, silêncio. Como pode um sujeito enterrar a sua companheira de vida, cuja morte foi, no mínimo, acelerada pelo desgosto e por acusações que, segundo ele, são injustas, berrando, esperneando, acusando? Não, o certo era ficar quietinho ou, se fosse mesmo para fazer drama, que se cobrisse de cinzas, batesse no peito, em lágrimas, e gritasse “mea culpa, mea maxima culpa!”.

Fosse apenas questão de ser sommelier do luto alheio, até me pareceria razoável. Afinal, o Facebook é principalmente uma comunidade de tias velhas desaprovando as saias curtas e os comportamentos assanhados dos outros. Mas, é mais que isso. Pode haver um aluvião público de insultos, augúrios de morte e dor, e difamação à sua esposa, durante duas semanas, mas Lula não pode mostrar-se ultrajado ou ofendido, não pode desabafar do jeito que pode e sabe, não pode espernear. Em vez do “j’accuse”, o certo seria a aceitação bovina do garrote, da dor, da perda. Em vez do sindicalista e político, em um ambiente privado do sindicato, velando entre amigos a mãe dos seus filhos, havia de ser um moço composto e calado. Todo mundo tem direito de velar os seus mortos como pode e sabe, exceto Lula.

Uma parte da sociedade brasileira nunca se cansa de mostrar a Lula o seu lugar. E de reclamar, histérica, quando ele, impertinente, não faz o que ela quer. Tem sido assim. Lula já foi insultado de analfabeto, nordestino, cachaceiro, ignorante e aleijado, muito antes de ser chamado de corrupto e criminoso. A cada doutorado honoris causa de Lula chovia ofensas e impropérios porque ele não tinha todos os dedos, porque era um apedeuta, porque era um peão. Qualquer motivo para odiá-lo sempre foi bom o bastante para uma parte da sociedade.

Agora, estamos autorizados a odiá-lo por mais uma razão: o modo como acompanhou a agonia e como velou sua companheira. Que os cultivados me perdoem a analogia, mas isso me lembra a acusação feita em O Estrangeiro, de Albert Camus, ao sujeito que não conseguiu chorar e sofrer, como aos demais parecia conveniente e apropriado, no funeral da própria mãe: “J’accuse cet homme d’avoir enterré sa mère avec un cœur de criminel”. “Eu acuso este homem de ter enterrado a sua mãe com um coração de criminoso”. No surrealismo da narrativa política brasileira, a história se repete: Lula deve ser desprezado porque enterrou a esposa com um coração de político e sindicalista e isso não está direito. Voilà. Lula nunca vai aprender o seu lugar. Tsc.

*Wilson Gomes é professor de Teoria da Comunicação na UFBA (Universidade Federal da Bahia).

 

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Advogados do casal Lula: “Dona Marisa não poderá ver o reconhecimento de sua inocência”

Publicado em 4 de fevereiro de 2017
(Marisa recebe a medalha de honra ao mérito da Aeronáutica em 2007. Foto: Ricardo Stuckert)

(Marisa recebe a medalha de mérito da Aeronáutica em 2007. Foto: Ricardo Stuckert)

Nestes dias horríveis que estamos vivendo, assistindo o sofrimento do ex-presidente Lula e de sua família, e com o coração cheio de desalento por ver no que nosso país está se transformando, um dos textos que mais me tocou foi este: a carta dos advogados de Lula e de sua mulher, Marisa, sobre o que acontece agora, em termos jurídicos, após o falecimento dela.

É uma nota não muito longa, mas que machuca por explicitar a dura realidade de que Marisa morreu sem poder provar que era inocente. Em setembro do ano passado, o juiz Sergio Moro transformou a mulher de Lula em ré, ao mesmo tempo que dizia “lamentar” a inclusão de Marisa e “haver dúvidas quanto a seu envolvimento”.

A ex-primeira-dama partiu deste mundo com dedos acusadores sobre si. Uma mulher, como disse aqui e repito, digna e honesta, acusada de ser corrupta. Marisa nem sequer poderá provar que nada fez de errado, porque, com sua morte, se extinguem as duas ações penais contra ela. A dor da injustiça fere e me enche de indignação.

Leiam abaixo. Reproduzo na íntegra.

***

D. Marisa não poderá, lamentavelmente, ver triunfar o reconhecimento de sua inocência por um juiz imparcial.

A consequência jurídica do seu falecimento nesta data (03.02.2017) será a extinção, em relação a ela, das duas ações penais propostas –de forma irresponsável– pelo Ministério Público Federal.

Foi com muito orgulho que atuamos na defesa de uma pessoa digna e honesta, que foi injustamente perseguida e vítima de falsas acusações.

Reafirmamos nossa expectativa de que prevaleça a justiça nas ações que propusemos em seu favor, com o objetivo de reparar sua honra e imagem e ainda responsabilizar aqueles que cometeram os atos ilegais e arbitrários que resultaram nas violações que tanto a impactaram.

Em 4 de março de 2016, D. Marisa teve sua casa invadida por um exército de policiais e viu sua vida e intimidade, assim como a de seus filhos e netos, expostas na mídia nacional e internacional. Os danos foram insuperáveis.

Reafirmamos igualmente o compromisso de lutar por uma justiça imparcial, fundamental ao Estado Democrático de Direito.

(Assinam: Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira Martins, Larissa Teixeira e Roberto Teixeira)

 

 

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