E se fosse Lula gargalhando com Moro?

Publicado em 7 de dezembro de 2016
morolula

(Montagem sobre foto de Diego Padgurschi)

Imaginem, apenas imaginem, a cena: em um evento da revista Carta Capital (para o paralelo ficar mais óbvio dentro dos padrões coxinhas), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado anteriormente em cinco delações da Lava-Jato, conversa e ri às bragas soltas com o juiz Sergio Moro, comandante da operação. Suponha também que a Lava-Jato estivesse sob a desconfiança de beneficiar o PT, já que jamais atingira políticos do partido. O que diriam a direita e sua parceira, a mídia, sobre a foto? Nossa, o mundo iria cair.

Pois, em se tratando do tucano Aécio Neves, a foto do evento da revista IstoÉ que premiou Michel Temer como “brasileiro do ano” foi recebida com total normalidade pela direita e sua parceira, a mídia. Pelo contrário, houve até reportagens tentando justificar o fato de o senador tucano aparecer em cenas de franca intimidade com o juiz Sergio Moro. Apelou-se inclusive a uma velha foto onde Lula e Aécio conversam praticamente na mesma posição, como se um dos dois fosse juiz de alguma ação envolvendo o outro, numa falsa simetria patética.

Tem dois problemas evidentes e inegáveis na imagem feita pelo fotógrafo Diego Padgurschi que viralizou nas redes sociais. O primeiro é que Aécio aparece, até agora, em cinco delações da investigação comandada por Moro. E o segundo é que a foto, quer queiram os “moristas” ou não, ajuda a reforçar a impressão de que o juiz nutre indisfarçável simpatia pelo tucanato -em outra imagem, ele aparece confraternizando com o ministro das Relações Exteriores, o também tucano José Serra. Também reforça a suspeita, feita pelos adversários de Moro, de que a Lava-Jato protege o PSDB. Afinal, até hoje nenhum tucano foi preso, conduzido coercitivamente ou teve suas residências devassadas pela operação.

Entendo que, num momento de descontração, todos podem relaxar. Afinal, era uma festinha onde tucanos, o governo e Moro também foram para se divertir. Mas, como diz o ditado, não basta ser honesto; é preciso parecer honesto. Ao se deixar flagrar aos cochichos com o senador Aécio Neves, o juiz Sergio Moro demonstrou certa falta de compostura para o cargo que exerce. Me parece inapropriado a um juiz aparecer gargalhando com um político citado na operação que comanda (contando com Serra, são dois). E a imagem sem dúvidas forneceu munição à defesa de Lula, que já o acusa de ter “perdido a imparcialidade” para julgar o ex-presidente.

Em julho do ano passado, a presidenta Dilma Rousseff convidou ministros do Supremo para jantar no Palácio do Alvorada como comemoração do Dia do Advogado. Foi um auê. O próprio ministro Marco Aurélio recusou, dizendo que seria “malvisto”. “A leitura que o pagador de impostos, um cidadão faz, não é boa e acaba indiretamente desgastando a instituição”, disse Marco Aurélio. A frase cabe como uma luva para a foto de Sergio Moro confraternizando com Aécio Neves. Com um detalhe: até hoje não há uma só delação que comprometa Dilma.

UPDATE: uma leitora enviou o trecho do código de ética da magistratura sobre a imparcialidade do juiz. Vejam na imagem (íntegra aqui).

codigoetica

 

 

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E se fosse FHC? Por que o ex-presidente não tem a dignidade de defender Lula?

Publicado em 14 de novembro de 2016
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(FHC visita Lula no hospital em 2012. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

E se fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que estivesse sendo perseguido por uma operação policial no Brasil e estivesse ameaçado de ir para a cadeia sem haver provas de que cometeu crime?

Apenas imaginem: o PT ainda está no poder e uma operação da Polícia Federal leva FHC coercitivamente a depor. Todos os dados da investigação são vazados para a imprensa. Os telefones de FHC, sua família e seus advogados são grampeados e as gravações também são divulgadas aos jornais.

A amizade do ex-presidente com empresários ricos e empreiteiros é devassada. Os investigadores acusam FHC de ser o “verdadeiro dono” do apartamento de seu amigo Jovelino Mineiro, na avenue Foch, em Paris, onde costuma se hospedar, assim como a fazenda Buritis, que Fernando Henrique sempre frequentou e que acabou comprando por alegados 50 mil dólares junto com o falecido ministro das Comunicações Sergio Motta.

A compra de um apartamento de 500 metros quadrados por FHC em Higienópolis, um ano antes de sair da presidência, pago em várias prestações e por um precinho camarada, graças à boa vontade de um banqueiro sócio de seu ex-genro, é escrutinada pelo Ministério Público a mando de um juiz. As doações de empresas ao Instituto FHC são criminalizadas.

Todas as palestras feitas por Fernando Henrique no exterior são transformadas em “pagamento de propina”. Todas as viagens internacionais feitas por FHC em companhia de empresas brasileiras passam a ser vistas como “tráfico de influência”. Por fim, a revista Carta Capital, de esquerda, sai com a imagem de FHC vestido de presidiário na capa.

O que diriam os jornais e as emissoras de televisão se tudo isso acontecesse? Falariam em “perseguição”? Diriam que o PT estava praticando revanche contra o rival? Quantos editoriais furiosos escreveriam? E quantos editoriais defendendo o “príncipe”? Por que, então, a mídia permite acusações sem provas quando se trata de Lula? Por que não hesita em colocar estas acusações sem prova nas manchetes de seus jornais e telejornais? Qual a explicação senão os dois pesos e duas medidas quando se trata do PSDB?

E o mais grave: por que FHC se cala? Se tivesse um pingo de dignidade, o ex-presidente seria o primeiro a sair em defesa de Lula.

 

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As tranqueiras de Lula

Publicado em 31 de outubro de 2016
(Tá na cara que é da cobertura no Guarujá)

(Tá na cara que essa cadeira é para a cobertura no Guarujá)

Sabe aquele monte de coisas “valiosíssimas” que diziam estar no “acervo” que o ex-presidente Lula levou ao sair do Palácio do Planalto, insinuando até que ele havia “surrupiado” alguns? Tudo tranqueira. Dado com o maior carinho e amor por brasileiros e estrangeiros a Lula, mas tranqueira.

O próprio Lula já tinha se referido assim aos 9 contêineres com bugigangas que recebeu enquanto era presidente e que teve de levar após sair de lá. Foi este acervo que Lula tinha mandado “enfiar no C…” e que a imprensa INVENTOU que ele tinha falado em “processo”.

O aluguel do local onde estava guardado este acervo era pago pela OAS como favor a Lula desde 2011 e acabou virando alvo da operação Lava-Jato (leia mais nesta ótima matéria do El Pais). Tudo já foi inclusive catalogado pelo instituto Lula.

Enfim, veio à tona agora o que é que tem no acervo. Não vou nem falar nada, vejam com seus próprios olhos.

capacete

(Prova de que Lula era o chefe do petrolão)

tranqueira4

(Este combina com a mansão no Uruguai)

tranqueira6

(Ideal para o sítio em Atibaia, hein?)

(Ahá. Sempre soubemos que o objetivo de Lula era...)

(Ahá. Sempre soubemos que o objetivo de Lula era…)

vela

(…implantar o comunismo no Brasil!)

coisa

(Saudade daquela greve)

peixeparede

(Lindo, pena que o Lula é Escorpião)

 

 

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