O cinismo da mídia: PATROCINAM o golpe e agora CRIMINALIZAM manifestantes pró-Dilma

Publicado em 2 de setembro de 2016
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(Deborah Fabri, atingida pela PM no protesto em São Paulo. Foto: Mel Coelho/Mamana Foto Coletivo)

Os três jornalões em estado pré-falimentar se uniram para atacar os manifestantes que, em todo o país, estão indo às ruas para protestar pacificamente contra o golpe parlamentar que arrancou do cargo uma presidente da república legitimamente eleita. Repetem assim o papel sujo que tiveram em 1964 de não só promover o golpe como legitimá-lo, criminalizando a oposição. Qual será a próxima etapa? A Folha emprestar veículos para transportar jovens aos porões da tortura?

As palavras se repetem nos textos furibundos dos jornalões, que soam como ameaça aos indignados que desejam ocupar as ruas. “Baderna”, “vandalismo”, dizem sobre os protestos em São Paulo, que já duram quatro dias. Quanta diferença no tratamento que davam às manifestações verde-e-amarelas contra Dilma Rousseff durante os dois anos que duraram seu segundo mandato! Antes, eram “atos cívicos”, “festa da democracia”. Agora viraram “coisa de vagabundos”.

O governo de São Paulo, que nos protestos da burguesia paulistana anti-Dilma liberou as catracas do metrô para quem nunca antes utilizara transporte coletivo, age de forma oposta com os manifestantes contra o governo golpista de Michel Temer. Está dificultando o acesso das periferias às zonas centrais e decidiu simplesmente proibir que os manifestantes se reúnam na avenida Paulista no domingo. A ordem no palácio dos Bandeirantes, isto está claro, é reprimir os movimentos contra o governo. E reprimir com violência.

Todos os relatos sobre a manifestação de anteontem em São Paulo coincidem que a caminhada vinha pacífica pela Consolação até que a Polícia Militar começou a jogar bombas de gás lacrimogêneo nos participante. Não por acaso, os policiais paulistas estiveram até outro dia sob o comando de Alexandre de Moraes, que saiu da secretaria de segurança de Alckmin direto para o ministério da Justiça de Temer. E a PM de Moraes se mostra pouco preparada para atirar com balas de borracha: miram na cabeça das pessoas, quando o correto seria mirar abaixo do pescoço, de preferência nas pernas, a uma distância de mais ou menos 20 metros, ou pode ser fatal.

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(Reprodução: facebook do fotógrafo Sérgio Silva)

Foi assim que um fotógrafo perdeu um olho nas manifestações de junho de 2013, ao tomar um balaço de borracha no olho, à queima-roupa –e a polícia ainda foi inocentada de lhe pagar indenização. No dia 31, no protesto em São Paulo, uma garota de 19 anos, estudante universitária, teve o olho ferido por estilhaços e também corre o risco de ficar cega. Dois fotógrafos foram presos sem motivo e um deles teve o equipamento inteiramente destruído. Um advogado em Caxias do Sul foi agredido por policiais após a manifestação ter se dispersado. Revoltado, o filho dele acabou dando um chute na cabeça de um dos policiais. Violência gera violência.

Depois de patrocinar o golpe contra Dilma, agora a mídia chapa-branca clama por “pacificação”, a mesma que foi incapaz de promover após as eleições em 2014. Ora, para temos paz seria preciso que a imprensa condenasse com veemência a violência policial e mais ainda, que exigisse dos comandantes da PM orientar seus subordinados no sentido de proteger os manifestantes, exatamente como atuou em relação aos que faziam selfies na Paulista com fardados –em vez de mandar descer o sarrafo, que sem sombra de dúvidas é a ordem emitida aos policiais ao se dirigirem aos protestos desde que derrubaram Dilma.

(Se você é um dos que perguntam por que nos protestos de direita não acontecem confrontos, esta é a resposta: porque em relação à direita, a ordem recebida é tratar os manifestantes como príncipes. Para a esquerda, sobram tiro, porrada e bomba.)

Ao invés disso, os jornalões estimulam a PM a ser violenta com os manifestantes. Repare nas palavras escolhidas pelo Estadão, o panfleto reacionário dos Mesquita, em seu editorial. “Cabe às autoridades constituídas reprimir a baderna e impedir que a desordem se torne rotina. É preciso saber distinguir o legítimo e democrático direito a manifestação no espaço público da baderna que atenta contra o direito da população de viver seu cotidiano em paz. No primeiro caso, o poder público tem o dever de oferecer aos cidadãos a garantia de se manifestar pacificamente. No segundo, tem a obrigação de impedir a ameaça potencial ou a ação daqueles que infringem a lei. A baderna nas ruas, longe de ser uma forma legítima e democrática de manifestação popular, é um grave atentado ao direito fundamental que os cidadãos, o povo, têm de viver em paz.”

A Folha vai além e, sob pretexto de mirar os black blocs, chama os manifestantes pró-Dilma de “fascistas”, como se os fascistas de verdade não fossem os que marchavam em favor do golpe nas ruas ou os que estão aboletados como colunistas no próprio jornal. “Grupelhos extremistas costumam atrair psicóticos, simplórios e agentes duplos, mas quem manipula os cordéis? O que pretendem tais pescadores de águas turvas? Quem financia e treina essas patrulhas fascistoides? Está mais do que na hora de as autoridades agirem de modo sistemático a fim de desbaratá-las e submeter os responsáveis ao rigor da lei.”

O Globo, em tom de ameaça, mira os simpatizantes do bolivarianismo em editorial intitulado Para Que Nunca Mais Haja Impeachment. “O fortalecimento não é apenas das cláusulas da responsabilidade fiscal, mas da Constituição como um todo, para desaconselhar de vez projetos bolivarianos como o do lulopetismo. Serve de aviso geral à nação.” Cinicamente, o pasquim dos Marinho afirma que não houve ruptura institucional no país, ignorando as ruas em chamas. “É de notável ineditismo, na América Latina, o fato de esses incidentes institucionais no país serem contornados sem as rupturas clássicas na região.”

É mais curiosa ainda a súbita condenação pelos jornais das manifestações de rua no país quando se sabe que, nos últimos anos, a imprensa brasileira tem apoiado e promovido protestos violentos na vizinha Venezuela –e criticado duramente o governo de Nicolás Maduro por reprimi-los. Agora que as manifestações contra o governo ressurgem no Brasil por parte da esquerda, a mídia decadente quer carimbá-las como “baderna” ou “desordem”. Mentira. Nada mais natural que os ânimos estejam acirrados, afinal há golpistas e golpeados, e estes têm todo o direito de estarem bastante zangados com o que ocorreu com Dilma.

O país caminha a passos rápidos para a convulsão social. A esquerda brasileira não aceita que corruptos patrocinados pela mídia tenham deposto uma mandatária honesta. Temos todo o direito de nos manifestar cotidianamente contra um governo que não reconhecemos como legítimo. Não adianta a imprensa burguesa tentar culpar Dilma ou Lula pelas manifestações contra Temer. Não se pode reverter os fatos e passar a culpar as vítimas. A mídia é co-partícipe deste golpe e, já que ela considera o governo de Temer legítimo, tem a obrigação de reconhecer que protestos contra ele também o são. Ao pintar manifestantes de esquerda como párias, é a imprensa, e não Lula ou Dilma, quem incita o ódio.

Ao referendar a violência policial contra manifestantes, a mídia só reforça a impressão de grande parte da imprensa internacional, a de que o Brasil passou por um processo de impeachment às margens da legalidade –não se pode esquecer que a mesma OEA que condenou Maduro também condenou o processo de impeachment de Dilma. A repressão fortalece o sentimento de que vivemos sob um regime TEMERário onde se manifestar livremente contra o governo é proibido, da mesma forma que sempre criticaram no Irã ou em Cuba. Alguém aí falou em ditadura?

UPDATE: agora o blogueiro da Veja pede PRISÃO do líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Guilherme Boulos. Aqui.

UPDATE 2: o caquético jornal dos Mesquita volta à carga contra os manifestantes, contra Dilma e contra o PT. Leia.

 

 

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Vende-se otimismo: como em todo golpe, o derrotismo virou ufanismo

Publicado em 8 de agosto de 2016

manchetes

Depois de três anos bombardeando a todos com pessimismo, ódio e com a percepção de um país em frangalhos, destruído, derrotado, não deixa de ser curioso observar a súbita guinada da mídia brasileira, com o auxílio providencial dos Jogos Olímpicos. O Brasil de repente parece outro lugar, com mais humor, energia e esperança no futuro. “Este é um país que vai para a frente” seria o lema perfeito para os tempos que vivemos, se não tivesse sido um dos slogans utilizados pela ditadura militar para ludibriar os incautos. Ops.

Como em todo golpe que se preza, o derrotismo explícito da velha mídia e de seus sabujos a soldo se transformou rapidamente em um ufanismo rastaquera, vulgar. Exatamente como em 1964, agora os (de)formadores de opinião reconhecem que este é um país incrível, capaz de espantar o mundo com seus feitos, como a abertura de uma Olimpíada. Ora, e quem é que não sabia disso? Somente os vira-latas da imprensa e os que vestiam camisetas da CBF para protestar até outro dia apostavam no vexame, que seríamos incapazes de fazer uma festa daquelas. Pois eu acho até que foi fraca para o potencial que temos.

A festa idealizada por Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington foi bonita, mas infelizmente contribuiu para este clima ufanista, ao pintar um país onde brancos, negros e índios convivem pacificamente e onde se respeita a natureza exuberante como nenhum outro. Nada mais oposto ao que vivemos e viveremos com os golpistas no poder. OK, faz parte do espetáculo, ninguém mostra suas desgraças e incoerências em eventos como este, mas que foi irônico assistir aquilo neste momento, foi.

O otimismo está à venda nas manchetes e nos telejornais, que se igualam enquanto versões replicadas do Jornal Nacional da época da ditadura. As Olimpíadas são a nova Copa de 1970, usada pelos militares para convencer os brasileiros de que o país ia bem. O apresentador da TV Globo Galvão Bueno chegou a mentir aos telespectadores dizendo que o presidente ilegítimo Michel Temer tinha sido “vaiado e aplaudido” na abertura. Que papo furado, Galvão! Temer foi apenas vaiado. O jornal italiano La Repubblica fez o dever de casa e mostrou a quem quiser ouvir.

Assistir às transmissões dos jogos ao vivo pelas emissoras de televisão é para quem tem estômagos fortes, e não me refiro aos embates entre os atletas. São vomitivos os comentários exagerados, falsamente contaminados por um otimismo recém-inventado para enganar trouxas. Aliás, é só isso que a mídia brasileira tem feito nos últimos tempos: enganar trouxas. Só um trouxa acreditaria que o país “catastrófico” de menos de seis meses atrás se transformou em um paraíso de uma hora para outra e que isso se deve ao “novo” governo imposto por um mal disfarçado golpe apoiado mais uma vez pelos meios de comunicação.

Claro, é fácil sorrir diante das câmeras quando se almeja apenas o lucro e é principalmente isso que as emissoras querem com os jogos, uma forma de ajudá-las a sair da bancarrota em que se encontram. Para obter audiência, é preciso transmitir a imagem de um país “vencedor” e as Olimpíadas caem como uma luva. Cheguei a ouvir um comentarista dizendo que a abertura dos jogos “resgatou a auto-estima dos brasileiros”. E quem a destruiu?

Comparemos com o clima reinante na Copa do Mundo em 2014, com Dilma Rousseff ainda no poder e candidata à reeleição. A velha mídia torceu contra desde o primeiro momento. Falou-se inclusive na possibilidade de alguma das novas arenas simplesmente desabar, matando gente, o que felizmente não aconteceu. Derrota para a Alemanha à parte, a Copa do Mundo foi um sucesso, a maior de todos os tempos, apesar do derrotismo constante da mídia, que só larga o complexo de vira-latas quando interessa, como agora.

Com Temer na presidência, a palavra de ordem nas redações da mídia golpista é “otimismo”, o que não chega a ser uma novidade: o otimismo como instrumento do golpe é mais uma novela reprisada pela Globo e suas cópias. O roteiro é o mesmo: enquanto o povo celebra o delírio de que o Brasil “melhorou”, nossa pátria-mãe é subtraída em tenebrosas transações… Só falta agora ressuscitarem a “Semana do Presidente” para o clima de revival da ditadura se instalar de vez.

 

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A mídia aparentemente despreza Cunha, mas o utiliza para imolar uma presidente inocente

Publicado em 20 de abril de 2016
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(Montagem de Magnesio sobre o quadro Salomè con la Testa del Battista, de Bernardino Luini, 1527)

O absoluto maucaratismo, a covardia, a falta de apreço aos fatos e o profundo desamor pelo Brasil da velha mídia ficam mais do que evidentes neste novo golpe que perpetram contra a democracia. Nada mais importa a não ser arrancar o PT do poder. Dane-se que Dilma Rousseff não tenha cometido ilícito; dane-se o dantesco julgamento de domingo, quando o mundo inteiro pôde ver a classe de políticos que votou contra ela; dane-se que se está cometendo uma injustiça.

Os jornais brasileiros ocultam todo o tempo de seus leitores que Dilma é honesta e que está sendo derrubada do poder por um bando de políticos às voltas com a Justiça. Em nenhum momento os editoriais dos três maiores jornais, que expressam a opinião de seus donos, foram capazes de ao menos se indignar com a realidade de que Dilma não é corrupta e que está sendo deposta por gente acusada de corrupção. Pelo contrário. A questão agora é fazer o impeachment o mais rápido possível, defendem a Folha de S.Paulo e o Estadão, em uníssono. Hoje, o jornal dos Mesquita inclusive zomba da dor da presidenta da República por se sentir injustiçada.

É risível, mas a  Folha chega a cobrar do presidente do Senado, Renan Calheiros, “apreço pela verdade”, ao mesmo tempo em que, cinicamente, adere ao “novo” presidente Michel Temer e lhe apresenta sugestões de medidas “urgentes” para quando começar a governar –sendo que, apenas duas semanas atrás, pedia a renúncia dupla do mesmo Temer junto com Dilma, no mais covarde editorial da história da imprensa brasileira.

Principal artífice midiático do golpe,  O Globo celebra sem pudor a iminente queda de Dilma e ataca os cidadãos pagadores de impostos que defendem a presidenta, alcunhando-os “bolivarianos”, como se não fossem tão brasileiros quanto os que protestam contra ela (e é o PT quem é acusado de “dividir o país”…). Os jornais anseiam loucamente por escapar da ideia, já disseminada na opinião pública, de que há um golpe em curso e por isso utilizam sofismas, exatamente como fizeram em 1964, quando chamava o movimento militar que destituiu João Goulart de “revolução”. Naquela época, era a “revolução” sem povo. Hoje é o “impeachment” sem crime.

O jornal carioca diz que um golpe com apoio do Supremo Tribunal Federal “seria candidato a entrar no Guinness”, mentindo para seus leitores, já que o golpe de 1964 contou com o beneplácito do STF: no dia 2 de abril de 1964, o presidente do Supremo, Ribeiro da Costa, participou da posse de Ranieri Mazzilli, então presidente da Câmara dos Deputados e interino no comando do país; e, em 15 de abril, saudou o general Castelo Branco, o primeiro de nossos ditadores. Daqui a 50 anos, provavelmente o panfleto dos Marinho pedirá perdão por ter apoiado a destituição de uma pessoa inocente, como fez dois anos atrás em relação a 1964. “Foi mal, galera.”

Apegar-se à desculpa de que Dilma está sendo escorraçada do poder porque não possui popularidade é uma tentativa de justificar o injustificável. Não está prevista na Constituição a hipótese de derrubada de uma presidente eleita porque se considera o governo dela ruim ou péssimo. Se assim fosse, a mídia hegemônica teria, como fez com Dilma, exigido a renúncia do tucano Fernando Henrique Cardoso em 1999, quando sua popularidade decaiu para 8% e também havia multidões nas ruas bradando “fora FHC”. A crise econômica ou o desemprego de 38% no governo de Fernando Henrique (é de 10,3% com Dilma) tampouco levou os jornais a uma campanha pela destituição do “príncipe da Sociologia”.

Enquanto a imprensa brasileira age como comandante do golpe, a estrangeira denuncia a farsa do impeachment de uma presidente que não cometeu crime de responsabilidade, condição sine qua non para tirá-la do cargo, de acordo com a Carta Magna do país. O primeiro a sair em defesa de Dilma foi o prestigiado jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que em 2013 denunciou as escutas do governo dos EUA ao mundo. Em março, Greenwald apontou, no seu site The Intercept , que “o Brasil vive uma perigosa subversão da democracia” e criticou o papel manipulador da mídia. “Acreditar que as figuras políticas agindo para o impeachment de Dilma estão sendo motivadas por uma autêntica cruzada anti-corrupção requer extrema ingenuidade ou ignorância”, escreveu, em artigo assinado com outros dois jornalistas.

Em seguida, o The New York Times publicou uma reportagem em que dizia, com todas as letras, que Dilma é uma presidente honesta que está sendo derrubada por uma gangue. Reforçou a percepção na terça 19, com um editorial em que critica o processo de impeachment, dizendo que o argumento das pedaladas é na verdade o pretexto para “um referendo” sobre a permanência do PT no poder –referendo sem povo, diga-se de passagem. Rasgando seus manuais de redação, os jornais noticiam estes reparos ao processo feitos por alguns dos mais importantes veículos de comunicação do mundo novamente subtraindo aos leitores o ponto principal da crítica: o fato de Dilma ser inocente e estar sendo condenada por abutres. O Estadão, por exemplo, preferiu destacar, sobre o editorial do New York Times, que Dilma “terá que mostrar liderança para sobreviver”.

Na Inglaterra, o The Independent saiu com uma matéria dura contra a imprensa daqui: “Processo político brasileiro é ‘prejudicado por imprensa partidária'”. E o The Guardian , também em editorial, apontou a falta de provas contra Dilma, a sobra de evidências contra a Câmara que votou por seu impeachment e declarou “temor” pelo futuro do país: “Um escândalo e uma tragédia”. O editorial do diário espanhol El Pais, “O Brasil diante do abismo”, é um tapa na cara no jornalismo pseudoimparcial de nossa imprensa: “O processo de destituição de Dilma Rousseff não resolve nenhuma das crises do país”. Não é à toa a pressa dos jornais brasileiros pelo impeachment: quanto menos o mundo souber da injustiça histórica que estão patrocinando, melhor.

O pior de tudo, para mim, é assistir a mídia se utilizando de um político fundamentalista, perigoso para os destinos da Nação, sobre quem pesam graves denúncias de corrupção, réu no STF, para ser o carrasco de Dilma, ao mesmo tempo que finge indignação contra ele. Para usar uma metáfora bíblica, tão em voga nos dias atuais, é como se Eduardo Cunha fosse Salomé, com a cabeça de João Batista/Dilma numa bandeja, enquanto a velha mídia/Herodes Antipas demonstra “constrangimento” diante da imolação de uma pessoa digna. Mas não move um dedo para defendê-la. A diferença é que, no Novo Testamento, é Salomé quem pede e Herodes Antipas quem ordena a decapitação; a situação atual é o exato oposto: a mídia quis e Cunha executou o serviço sujo.

Não que Antipas, ops, a imprensa dê a mínima, mas o papel indigno que desempenha neste momento lamentável e sua responsabilidade direta nas consequências nefastas para o país serão cobrados pela História. A participação em dois golpes deixará uma marca indelével na reputação dos jornais brasileiros –isto é, se eles não falirem antes.

 

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