Passar a tarde em São Tomé de Paripe, a “praia da Dilma e do Lula”

Publicado em 12 de dezembro de 2015
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(As fotos do post são minhas)

Lembram daquela praia em Salvador onde o Lula foi fotografado em 2010 carregando um isopor? Pois então, é possível ir ao mesmíssimo lugar em que também a presidenta Dilma gosta de passar as férias (a área deles é reservada por questões de segurança, claro).

A orla da praia de São Tomé de Paripe, no subúrbio soteropolitano, foi reformada pela prefeitura em outubro do ano passado e se tornou uma ótima opção de passeio, totalmente fora do roteiro manjado do turismo na capital baiana. Eu mesma nunca havia ido.

(Lula em São Tomé. Foto: Lúcio/agência A Tarde)

(Lula em São Tomé. Foto: Lúcio Távora/agência A Tarde)

Para começar, é uma praia de locais. Vê-se pouquíssima gente de fora por ali. Uma das vantagens disso é que não se cobra aluguel pelos guarda-sóis e cadeiras. Os preços das porções fartas de tira-gostos também são muito mais baixos do que em qualquer praia da “cidade alta” (Barra, Ondina, Piatã…) ou do litoral norte (Arembepe, Imbassaí, Praia do Forte…). A farta porção de pititinga frita (com farofa, vinagrete e feijão fradinho) sai por 20 reais! Uma bagatela. Recomendo ainda os caldos de sururu e polvo e o arrumadinho de carne de sol.

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Os melhores dias para ir são durante a semana. Aos sábados e domingos fica muito lotado. Vale a pena enfrentar a distância: Paripe fica a cerca de 40 minutos de carro do centro da cidade. O caminho até lá é um mergulho na Salvador profunda, que não está nos cartões postais. Também é possível ir de trem até Paripe e de lá pegar um táxi até a praia. A primeira visão é deslumbrante, as águas transparentes, caribenhas. O mar é mansinho, ótimo para crianças. E é tão bom para nadar quanto o Porto da Barra.

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No passado, São Tomé do Paripe foi refúgio de famílias tradicionais que iam passar o veraneio na bucólica enseada onde ainda se podem ver casas antigas, algumas do século 19. Do cais saem barcos para passeio pelas ilhas da baía de Todos os Santos: ilha de Maré, ilha dos Frades… Baratex: 5 reais por pessoa.

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Infelizmente, na reforma, a prefeitura de Salvador se esqueceu de colocar lixeiras na praia, e no final da tarde catamos dois sacos cheios de copos plásticos na beira do mar… Falta uma campanha de conscientização. Praia e plástico não combinam! Quando sair da praia, leve seu plástico embora!

Como estou falando da região, também não custa lembrar que a Marinha, responsável pela Base Naval de Aratu, tem sido criticada por disputar terras nas proximidades da praia com a comunidade quilombola do Rio dos Macacos desde a década de 1970. Em novembro deste ano, o Incra reconheceu 104 hectares como pertencentes ao antigo quilombo. A comunidade ainda luta para reaver seu território, que originalmente tinha mais de 900 hectares.

Assista este documentário de Josias Pires sobre a luta da comunidade do Rio dos Macacos. Atualmente, Josias está finalizando um longa-metragem sobre o mesmo tema.

 

 

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