A sinuca do PT: votar contra ou a favor da lista fechada, agora defendida pela direita?

Publicado em 21 de março de 2017
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(Foto: Lula Marques/Agência PT)

Por Katia Guimarães*

Bandeira histórica do PT para a reforma política, o voto em lista fechada está sendo agora adotado pela direita no Congresso, encabeçada pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Há quem diga que a proposta foi feita para garantir a eleição de envolvidos na Lava-Jato, que apareceriam no topo das listas, garantindo assim a manutenção do foro privilegiado. Mas e o PT, como vai fazer? Irá votar a favor ou contra uma proposta que sempre defendeu? As principais lideranças do partido garantem que sim.

“Finalmente o Congresso entendeu uma proposta antiga do PT”, afirmou o líder na minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). Para o líder na minoria no Senado, Humberto Costa (PT-PE), a proposta também irá impactar no custo das campanhas políticas, barateando as eleições. A líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann (PR), também argumenta a defesa histórica do partido à lista fechada. “Ela não é conjuntural e sim programática”, pondera. Gleisi lembra ainda que a lista fechada foi pensada para favorecer a maior participação da mulher no parlamento, com a adoção da lista intercalada por gênero.

Prevista no programa partidário do PT, a lista fechada é tida como fundamental ao fortalecimento dos partidos, evitando assim a personificação da política. Além do PT, o PCdoB e o PSOL sempre foram entusiastas da medida. Mas o PSOL já admite abandonar a defesa da lista fechada para evitar o uso por parlamentares corruptos para se livrar da punição na Lava-Jato. “Neste momento, a lista fechada está sendo utilizada para que alguns candidatos se escondam atrás dela”, adverte o líder do PSOL na Câmara, deputado Glauber Braga (RJ). Segundo ele, haverá uma reunião com a direção do partido para decidir a posição da legenda sobre o tema.

“A lista fechada neste momento é uma forma de burlar as circunstâncias de não colocar expostos na urna eletrônica os nomes de políticos envolvidos em corrupção”, atestou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que disse ser contrário à matéria. “Essa reforma política é a oportunidade para o PMDB continuar mandando. As esquerdas não podem cair neste canto da sereia”.

No início da noite, em discurso no plenário, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em momento de sinceridade, questionou como os partidos políticos, inclusive o dele, podem discutir a adoção da lista fechada em um cenário político como o atual, com o “nível de desgaste” a que a classe política chegou.

“Eu não sei se o meu partido, presidido pelo senador Romero Jucá, terá condições de sensibilizar a opinião pública nacional para dizer: vamos votar na lista do PMDB! Eu não sei se o PSDB terá essas condições. Não sei. Há uma generalização desgastando todos”, ponderou. “Com todo o respeito ao PT,  não sei como o PT vai se apresentar com lista fechada.”

 

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E se fosse Lula gargalhando com Moro?

Publicado em 7 de dezembro de 2016
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(Montagem sobre foto de Diego Padgurschi)

Imaginem, apenas imaginem, a cena: em um evento da revista Carta Capital (para o paralelo ficar mais óbvio dentro dos padrões coxinhas), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado anteriormente em cinco delações da Lava-Jato, conversa e ri às bragas soltas com o juiz Sergio Moro, comandante da operação. Suponha também que a Lava-Jato estivesse sob a desconfiança de beneficiar o PT, já que jamais atingira políticos do partido. O que diriam a direita e sua parceira, a mídia, sobre a foto? Nossa, o mundo iria cair.

Pois, em se tratando do tucano Aécio Neves, a foto do evento da revista IstoÉ que premiou Michel Temer como “brasileiro do ano” foi recebida com total normalidade pela direita e sua parceira, a mídia. Pelo contrário, houve até reportagens tentando justificar o fato de o senador tucano aparecer em cenas de franca intimidade com o juiz Sergio Moro. Apelou-se inclusive a uma velha foto onde Lula e Aécio conversam praticamente na mesma posição, como se um dos dois fosse juiz de alguma ação envolvendo o outro, numa falsa simetria patética.

Tem dois problemas evidentes e inegáveis na imagem feita pelo fotógrafo Diego Padgurschi que viralizou nas redes sociais. O primeiro é que Aécio aparece, até agora, em cinco delações da investigação comandada por Moro. E o segundo é que a foto, quer queiram os “moristas” ou não, ajuda a reforçar a impressão de que o juiz nutre indisfarçável simpatia pelo tucanato -em outra imagem, ele aparece confraternizando com o ministro das Relações Exteriores, o também tucano José Serra. Também reforça a suspeita, feita pelos adversários de Moro, de que a Lava-Jato protege o PSDB. Afinal, até hoje nenhum tucano foi preso, conduzido coercitivamente ou teve suas residências devassadas pela operação.

Entendo que, num momento de descontração, todos podem relaxar. Afinal, era uma festinha onde tucanos, o governo e Moro também foram para se divertir. Mas, como diz o ditado, não basta ser honesto; é preciso parecer honesto. Ao se deixar flagrar aos cochichos com o senador Aécio Neves, o juiz Sergio Moro demonstrou certa falta de compostura para o cargo que exerce. Me parece inapropriado a um juiz aparecer gargalhando com um político citado na operação que comanda (contando com Serra, são dois). E a imagem sem dúvidas forneceu munição à defesa de Lula, que já o acusa de ter “perdido a imparcialidade” para julgar o ex-presidente.

Em julho do ano passado, a presidenta Dilma Rousseff convidou ministros do Supremo para jantar no Palácio do Alvorada como comemoração do Dia do Advogado. Foi um auê. O próprio ministro Marco Aurélio recusou, dizendo que seria “malvisto”. “A leitura que o pagador de impostos, um cidadão faz, não é boa e acaba indiretamente desgastando a instituição”, disse Marco Aurélio. A frase cabe como uma luva para a foto de Sergio Moro confraternizando com Aécio Neves. Com um detalhe: até hoje não há uma só delação que comprometa Dilma.

UPDATE: uma leitora enviou o trecho do código de ética da magistratura sobre a imparcialidade do juiz. Vejam na imagem (íntegra aqui).

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Mudança na delação da Andrade confirma tentativa de criminalizar o PT a qualquer custo

Publicado em 18 de novembro de 2016
Brasília-DF 11-08-2015 Fotos Lula Marques/AGPT Presidenta Dilma durante cerimônia de anúncio do Programa de Investimento em Energia Elétrica

(Temer e Dilma em 2015. Foto: Lula Marques)

Está cada vez mais difícil confiar no equilíbrio da Justiça brasileira pós-Lava-Jato. Os “erros” se sucedem, todos prejudicando, é claro, o PT. Primeiro foi a Polícia Federal quem atribuiu a José Dirceu a sigla “JD” na lista da Odebrecht e depois admitiu que se equivocou para então atribuir a mesma sigla a um assessor do também petista Antonio Palocci. Ou seja, foram dois petistas atingidos com um JD só. Acredite se quiser.

Agora, o delator premiado pela Lava-Jato Otavio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, mudou sua versão sobre a doação feita à campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. Observe bem: o delator JÁ TINHA ASSINADO, em 19 de setembro, a confissão ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), presidido por Gilmar Mendes, afirmando haver doado 1 milhão de reais em PROPINA para o diretório nacional do PT em 2014.

Acontece que, no início de novembro, a defesa de Dilma apresentou um cheque nominal a Michel Temer comprovando que a doação de 1 milhão tinha vindo do PMDB, que recebera o valor da Andrade Gutierrez. Quer dizer, se havia ilegalidade, a ilegalidade tinha acontecido com o PMDB, e não com o PT.

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“Os documentos comprovam que não houve transferência de 1 milhão de reais do diretório nacional do PT à campanha de Dilma. O que houve foi a transferência de 1 milhão de reais, em 14 de julho de 2014, da conta do diretório nacional do PMDB para a conta 2014 Michel Temer vice-presidente, tendo Andrade Gutierrez como doador originário”, diz a defesa da presidenta eleita, acusando o delator de tentar, deliberadamente, atingi-la.

Confrontado com os documentos, o que fez o delator, convocado novamente a depor? MUDOU sua versão à Justiça Eleitoral. O cheque, que era “propina”, virou magicamente doação legal, de forma conveniente para o presidente ilegítimo, que tenta se safar de ser cassado pelo TSE. O processo é movido pelo PSDB, que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. Se isso acontecesse em 2017, teríamos um presidente eleito indiretamente pelo Congresso até 2018. Quem sabe do PSDB, não é mesmo?

“O depoente fez uma retratação, ou seja, ele reconheceu claramente que não existiu nenhuma propina e nenhuma irregularidade na campanha presidencial de Dilma Rousseff e Michel Temer. Portanto, hoje ele se retratou perante a Justiça Eleitoral e retirou a acusação que tinha feito no depoimento anterior”, disse o advogado de Dilma, Flávio Caetano, após o recuo de Azevedo.

O mais curioso é que a mídia, de antemão, já havia inocentado Temer de qualquer ilegalidade, servindo como álibi ao atual ocupante do Planalto. A Folha, por exemplo, só noticiou o caso se referindo a uma tentativa de Dilma de “envolver” Temer nas denúncias, sendo que o homem era vice dela. Após o golpe, jornais e TVs comportam-se como porta-vozes do novo governo. Terá alguma relação com a generosidade de Temer, usando dinheiro público, na distribuição de anúncios à velha mídia?

Comprovada a falsidade da delação, comprova-se também a tentativa em curso de criminalizar o PT a qualquer custo além de livrar a cara do presidente ilegítimo do Brasil. É lamentável ver que, mais uma vez, a mídia é participante ativa deste tipo de jogada. Para destruir o PT, Dilma e Lula, o estado de direito naufraga. E com a cumplicidade dos meios de comunicação.

 

 

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