Mountain Dew, o refrigerante que detona dentes nos EUA (e que a Ambev trouxe pra cá)

Publicado em 19 de junho de 2017
(No Brasil eles querem associar a marca à vida saúdável)

(No Brasil eles querem associar a marca à “vida saudável”)

Tem um refrigerante novo no mercado: Mountain Dew, uma bebida cítrica cuja embalagem mais parece a de um desentupidor de pia, “verde neon” que nem o Diabo Verde. E a impressão de que aquela garrafinha contém algo corrosivo não é só impressão. Este refrigerante, que começou a ser produzido no Tennessee no início do século 20, está associado a uma epidemia de dentes destruídos na região onde se encontra seu Estado natal. A Ambev fez o favor de trazê-lo, há cerca de dois anos, para o Brasil.

A região de onde vem o Mountain Dew, a Appalachia, perpassa, além do Tennessee, os Estados de West Virginia, Alabama, Kentucky, Virginia, North Carolina e Georgia. A Appalachia possui estatísticas dignas de “terceiro mundo”: extremamente pobre, pouco instruída e também a que tem os piores problemas dentários dos Estados Unidos. As crianças e adolescentes de lá tiveram os dentes estragados devido a um fenômeno que ficou conhecido como “Mountain Dew mouth” (boca de Mountain Dew), em “homenagem” ao refrigerante que a Ambev quer empurrar goela abaixo dos brasileiros.

Qual a diferença do Mountain Dew para os outros refrigerantes? Muito mais açúcar e muita cafeína. Uma garrafinha de 600 ml de Mountain Dew contém 290 calorias, 77 g de açúcar (ou 19,25 colheres de chá) e 91 miligramas de cafeína, mais do que qualquer refrigerante – a Pepsi, do mesmo fabricante, possui 250 calorias, 69 g de açúcar e 63 miligramas de cafeína. A combinação de tanto açúcar com o ácido cítrico é, de acordo com os dentistas, fatal para os dentes, sobretudo das crianças e dos adolescentes. O lado irônico é que Mountain Dew quer dizer “orvalho da montanha”.

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O Kentucky, maior consumidor de Mountain Dew do país, é também um dos campeões entre os Estados com piores dentes. É ainda o número um com pessoas acima de 65 anos sem dentes na boca. Para as pessoas que pensam que os EUA são só Miami, deve ser duro descobrir que o Kentucky é um Estado pobre, com um nível educacional baixíssimo: em um país rico como os EUA, apenas 23,3% da população conseguiram concluir a universidade, e o Estado tem uma das maiores taxas de desemprego no país.

O resultado do baixo nível educacional da região é que muitos pais não veem problema algum em dar Mountain Dew às criancinhas ainda na mamadeira, e pouco antes de colocá-las na cama. Como o acesso ao tratamento dentário é somente para os ricos no “país das oportunidades”, um em cada cinco norte-americanos não possui um só dente de verdade na boca; como tratar é caríssimo, a maioria prefere extrair de uma vez. Os tratamentos gratuitos, oferecidos por dentistas de bom coração, provocam filas quilométricas. Em nosso país, o Brasil Sorridente, criado pelo governo Lula em 2003, é o maior programa de saúde bucal do mundo.

Edwin Smith, um dentista do Kentucky que viaja em um trailer por toda a região da Appalachia fazendo tratamentos de graça, disse à CNN que encontrou por lá pessoas que nunca foram ao dentista na vida. “Vi um monte de crianças com a boca cheia de dentes podres”, afirmou Smith, que atribui a má dentição ao excesso de bebidas açucaradas. No Kentucky, ele encontrou bebês de dois e três anos com dentes de leite esburacados, crianças que não escovam os dentes porque estão com as gengivas inflamadas e adolescentes que arrancaram os próprios dentes podres usando alicates.

Parece mentira dizer isso sobre uma localidade dos EUA, mas muitas cidades do Kentucky não possuem rede municipal de abastecimento de água, e metade dos habitantes do Estado depende exclusivamente de água de poço ou cisterna, que não recebe flúor. A falta de confiança na água que bebem também influencia no fato de os habitantes da Appalachia beberem tanto refrigerante.

Este adolescente do documentário Açúcar! chega a beber 12 latas de Mountain Dew por dia. A primeira vez que ele tomou tinha 2 ou três anos de idade. Olhem o estado dos dentes dele.

Com 26% das crianças em idade pré-escolar com cáries e 15% dos jovens com pelo menos um dente extraído, a “boca de Mountain Dew” criou na região um dos piores problemas de saúde dental dos EUA. 65% das crianças da região possuem cáries, segundo a Robert Wood Johnson Foundation.

É preciso deixar claro que não é só o Mountain Dew que provoca cáries. De acordo com especialistas, uma pessoa que toma qualquer refrigerante em excesso e não cuida dos dentes pode ter uma boca tão deteriorada quanto a de um viciado em metanfetaminas ou crack. Enquanto os dentistas atacam os refrigerantes por causar danos aos dentes, a indústria de refrigerantes tira o corpo fora, dizendo que “isoladamente, bebidas não causam cáries”.

Há quem defenda que refrigerantes deveriam trazer um rótulo avisando dos danos aos dentes, assim como ocorre com o cigarro. No Brasil, o marketing do Mountain Dew pretende, ao contrário, associá-lo à vida saudável, em especial ao skate. Assim que chegou ao país, a marca logo contratou skatistas famosos como Luan Oliveira e Tiago Lemos para serem seus garotos-propagandas.

Felizmente, os brasileiros parecem ter melhor gosto para refrigerantes do que os norte-americanos: esta é a terceira vez que o Mountain Dew tenta entrar no mercado nacional.

(Com informações do Alternet)

 

 

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Maconha é incluída na categoria “plantas medicinais” em lista oficial da Anvisa

Publicado em 16 de maio de 2017
(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

A Cannabis Sativa L., popularmente conhecida como maconha, foi incluída pela Anvisa na categoria “plantas medicinais”, ao lado de outras 19 novas substâncias, produtos biológicos, princípios ativos, excipientes e plantas de interesse da indústria farmacêutica. A inclusão da maconha na lista das Denominações Comuns Brasileiras (DCB) significa que se um fabricante, por exemplo, pedir o registro de um medicamento, as substâncias precisam aparecer na lista para que ele faça o pedido e a Anvisa inicie a análise, independentemente do resultado. Qualquer processo só começa a ser analisado se a substância já constar na lista.

Ou seja, a inclusão não altera as regras para importação de medicamentos com canabidiol ou outros extratos da maconha, mas é mais um passo para que medicamentos utilizando a Cannabis passem a ser produzidos no país. Em 2015, a agência já havia retirado o canabidiol da lista de substâncias proscritas. Graças à mobilização de pacientes e familiares de pessoas com condições de saúde para as quais o uso do canabidiol tem se mostrado útil, a Anvisa tem, nos últimos anos, flexibilizado a importação de medicamentos com a substância.

A Justiça também tem autorizado o plantio de maconha em casa para tratar doenças, como aconteceu no ano passado, no Rio de Janeiro. A família de Sofia, uma menina de 7 anos com um tipo de epilepsia rara, foi autorizada a plantar maconha e extrair uma substância da erva que ajuda a controlar os sintomas da doença.

A Anvisa afirma que estar na lista não significa uma autorização ou reconhecimento da Cannabis como planta medicinal nem, obviamente, que tenha mudado algo em relação ao que diz a lei sobre uso e plantio da maconha no Brasil. Porém, é um reconhecimento de que a planta poderá constar em remédios, como já acontece com o Mevatyl, o primeiro medicamento aprovado no Brasil que contém substâncias extraídas da Cannabis, o canabidiol e o THC (tetraidrocanabiol).

O Mevatyl foi liberado pela Anvisa em janeiro, e é destinado ao tratamento clínico de pacientes não responsivos a medicamentos antiespásticos (para controlar convulsões). O medicamento está aprovado em outros 28 países, incluindo Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Suíça e Israel.

Registrado lá fora como Sativex, o Mevatyl não é indicado para o tratamento de epilepsia, pois o THC, uma de suas substâncias ativas, possui potencial de causar agravamento de crises epiléticas. O medicamento também não é recomendado para uso em crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade devido à ausência de dados de segurança e eficácia para pacientes nesta faixa etária.

Atualmente, há mais de 10 remédios fabricados pela indústria farmacêutica (alguns ainda com venda não-autorizada) utilizando a Cannabis, para combater males como náusea e vômitos decorrentes de tratamentos quimoterápicos, dores crônicas, hipertensão, perda de memória e perda de apetite.

(Com informações da assessoria da Anvisa)

 

 

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13 anos depois, carne dos EUA se livrou da “vaca louca”, mas não dos hormônios (e está vindo para cá)

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(O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, Temer e a embaixadora dos EUA assinam acordo)

(O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, Temer e a embaixadora dos EUA assinam acordo liberando a carne gringa)

Ninguém lembra mais por que o Brasil e outros 14 países proibiram, em 2003, a importação de carne dos Estados Unidos. Em dezembro de 2003, o Departamento de Agricultura norte-americano confirmou o primeiro caso da chamada “doença da vaca louca” no país. Causada pela má alimentação do gado, que recebia ossos triturados de outros animais em sua ração (sendo que é herbívoro), a “vaca louca”, ou Encefalopatia Espongiforme Bovina, afeta, como o nome diz, o estado mental do animal, que deixa de se alimentar e tem de ser sacrificado.

Nos seres humanos, a doença da “vaca louca” pode causar uma desordem psiquiátrica chamada de Doença de Creutzfeldt-Jakob, com espasmos musculares, problemas nos sentidos e outros distúrbios que podem levar à morte. Em consequência da suspeita, milhares de bois e vacas foram sacrificados em vários países desde então. Mas a carne norte-americana, depois de anos banida, começou agora a se reabilitar: em agosto de 2016, Temer anunciou um acordo com os EUA liberando a importação de carne da terra de Donald Trump; na semana passada foi a vez da China, que assinou um acordo em que comprará carne norte-americana e venderá a eles frango cozido.

Houve gritaria dos ambientalistas por lá, porque há muita desconfiança sobre a qualidade sanitária da comida chinesa, com um histórico condenável de venda de carne de rato como se fosse de cordeiro e o fornecimento de carne fora do prazo de validade embalada novamente como se fosse nova. Mas o que é a saúde pública diante de um mercado de 2,5 bilhões de dólares que reabre para os pecuaristas norte-americanos na China?

Na Europa, a carne norte-americana não chegou nem a ser banida em virtude da “vaca louca”, porque já não é permitida a sua entrada lá desde 1989 por conta dos hormônios de crescimento usados para acelerar a produção da carne de gado, como o 17 beta- estradiol, o benzoato de estradiol e o Zeranol, que, segundo os especialistas da União Europeia, aumentam o risco de câncer nos seios e na próstata. No Brasil eles são proibidos.

A carne norte-americana também é pior em relação a maus tratos aos animais. Aqui, o gado utiliza pastagem e apenas uma parte é confinada antes do abate. Nos EUA, ao contrário, a maior parte da produção é realizada em confinamento, do nascimento ao abate. A expressão “vida de gado” ganha uma conotação ainda mais tristonha.

Há quem diga que a operação Carne Fraca foi feita justamente para quebrar as pernas do setor brasileiro de carne e favorecer o norte-americano, já que, no acordo fechado pelo governo entreguista de Temer no ano passado, os EUA impuseram cotas para a carne brasileira, enquanto o Brasil não impôs limites para a entrada de carne norte-americana. O governo brasileiro comemorou que a carne brasileira tenha recebido o “aval” dos norte-americanos, mas aparentemente não está nem aí para a qualidade da carne que virá de lá.

“A partir deste momento, em que temos esse status sanitário resolvido, outros países virão. A nossa vitória é poder dizer que o status sanitário brasileiro é compatível com o norte-americano”, ressaltou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Na verdade, a carne brasileira é melhor que a dos EUA. A carne norte-americana foi certificada como sem risco para a doença da “vaca louca”, mas não que esteja livre dos hormônios. A União Europeia continua a só importar apenas a carne norte-americana sem hormônios.

O problema aqui é outro: o monopólio de carne na mão de apenas três frigoríficos, prejudicando os pequenos. E não é a importação de carne norte-americana que vai mudar isso: a brasileira JBS, maior produtora de carnes do mundo, já anunciou que irá trazer para cá picanha dos EUA para um mercado “premium”, ou seja, gente que considera chique comer carne gringa.

Em termos nutricionais, é preciso que o consumidor esteja atento para a entrada da carne dos EUA no mercado. Se a carne brasileira está sob investigação pela Operação Carne Fraca, a norte-americana, cheia de hormônios, não parece mais apetitosa. A propósito, o mercado orgânico de carnes (sem hormônios e com melhores condições para os animais) é o que mais cresce nos EUA hoje.

 

 

 

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