Fumante, pare de emporcalhar o mundo com a bituca do seu cigarro

Publicado em 27 de janeiro de 2016
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(Achei ótima essa iniciativa que vi na praia de Prumirim, em Ubatuba-SP)

Fumar faz mal. E além de fazer mal, quem fuma alimenta uma indústria das mais perversas do capitalismo, que lucra 35,1 bilhões de dólares por ano vendendo uma substância que vicia e mata. Quem vende cocaína faz o mesmo, mas é chamado de “traficante” e está sujeito à prisão, enquanto os fabricantes de tabaco são chamados de “empresários” e são respeitados pela sociedade.

Eu já fumei (pouco) e hoje não fumo mais. Só que não sou propriamente uma patrulheira do vício alheio. Acho que se a pessoa quer fumar, é problema dela. O pulmão é dela, a garganta é dela. Mas as bitucas do cigarro, não. Elas atingem a todos. Poluem as praias, sujam as ruas, entopem bueiros, empesteiam os rios. As bitucas são hoje a coisa que mais as pessoas jogam na rua no mundo, o dejeto número um. Calcula-se que cada um dos 1,6 bilhão de fumantes do planeta jogue quase oito bitucas no chão por dia. Ou seja, é a porquice de todas as porquices.

Agora mesmo, no verão, dá raiva de ver, misturadas à areia da praia, dezenas de bitucas de cigarro espalhadas no mesmo lugar onde as crianças brincam. As bitucas não são biodegradáveis, vão ficar por ali de oito meses até dez anos se ninguém fizer nada. Algumas pessoas parecem achar que é só o poder público quem precisa agir para que nossas cidades sejam limpas. Que elas não precisam dar sua contribuição. No Porto da Barra, em Salvador, por exemplo: toda noite a prefeitura passa uma máquina, peneirando a areia dos dejetos. Na tarde seguinte, de novo a praia está entupida de bitucas de cigarro! Um nojo. Na água, as bitucas são frequentemente confundidas com alimento pelos pobres animais marinhos…

Em uma cidade como São Paulo, cerca de 80 milhões de cigarros são consumidos por dia. Para onde vão as bitucas? Chegue perto de uma região de bares (perto da PUC, em Perdizes, na Vila Madalena…) no sábado pela manhã, após a farra da sexta, para ver como ficou o chão. Das ruas, as bitucas vão parar nos sofridos rios da capital paulista. Mais de um terço da sujeira dos rios Tietê e Pinheiros vem do lixo que as pessoas jogam na rua. E a campeoníssima é… a bituca de cigarro.

Os filtros do cigarro são compostos de acetato de celulose, um tipo de plástico. Atualmente, pesquisadores estão descobrindo algumas formas de reciclá-los, mas é tudo ainda incipiente. Algumas cidades, como o Rio de Janeiro, Curitiba e Paris, passaram a multar pessoas flagradas jogando bitucas nas ruas. Na capital francesa, onde fumar é um hábito quase cultural, cerca de 300 toneladas de filtros de cigarro são recolhidos por ano! Desde setembro passado, o porcão ou a porcona que jogar a bituca no chão vai ter de pagar 68 euros (304 reais) de multa. No Rio, a multa é de 100 reais e em Curitiba, 400 reais. Também estão surgindo iniciativas como os coletores de bitucas em locais públicos e os porta-bitucas individuais.

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Vamos combinar, fumantes: não custa nada guardar a bituca para jogar num lugar adequado! Fume seu cigarro, mas leve a sua bituca com você. Não é justo que o planeta inteiro pague pela sua falta de educação.

 

 

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Passar a tarde em São Tomé de Paripe, a “praia da Dilma e do Lula”

Publicado em 12 de dezembro de 2015
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(As fotos do post são minhas)

Lembram daquela praia em Salvador onde o Lula foi fotografado em 2010 carregando um isopor? Pois então, é possível ir ao mesmíssimo lugar em que também a presidenta Dilma gosta de passar as férias (a área deles é reservada por questões de segurança, claro).

A orla da praia de São Tomé de Paripe, no subúrbio soteropolitano, foi reformada pela prefeitura em outubro do ano passado e se tornou uma ótima opção de passeio, totalmente fora do roteiro manjado do turismo na capital baiana. Eu mesma nunca havia ido.

(Lula em São Tomé. Foto: Lúcio/agência A Tarde)

(Lula em São Tomé. Foto: Lúcio Távora/agência A Tarde)

Para começar, é uma praia de locais. Vê-se pouquíssima gente de fora por ali. Uma das vantagens disso é que não se cobra aluguel pelos guarda-sóis e cadeiras. Os preços das porções fartas de tira-gostos também são muito mais baixos do que em qualquer praia da “cidade alta” (Barra, Ondina, Piatã…) ou do litoral norte (Arembepe, Imbassaí, Praia do Forte…). A farta porção de pititinga frita (com farofa, vinagrete e feijão fradinho) sai por 20 reais! Uma bagatela. Recomendo ainda os caldos de sururu e polvo e o arrumadinho de carne de sol.

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Os melhores dias para ir são durante a semana. Aos sábados e domingos fica muito lotado. Vale a pena enfrentar a distância: Paripe fica a cerca de 40 minutos de carro do centro da cidade. O caminho até lá é um mergulho na Salvador profunda, que não está nos cartões postais. Também é possível ir de trem até Paripe e de lá pegar um táxi até a praia. A primeira visão é deslumbrante, as águas transparentes, caribenhas. O mar é mansinho, ótimo para crianças. E é tão bom para nadar quanto o Porto da Barra.

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No passado, São Tomé do Paripe foi refúgio de famílias tradicionais que iam passar o veraneio na bucólica enseada onde ainda se podem ver casas antigas, algumas do século 19. Do cais saem barcos para passeio pelas ilhas da baía de Todos os Santos: ilha de Maré, ilha dos Frades… Baratex: 5 reais por pessoa.

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Infelizmente, na reforma, a prefeitura de Salvador se esqueceu de colocar lixeiras na praia, e no final da tarde catamos dois sacos cheios de copos plásticos na beira do mar… Falta uma campanha de conscientização. Praia e plástico não combinam! Quando sair da praia, leve seu plástico embora!

Como estou falando da região, também não custa lembrar que a Marinha, responsável pela Base Naval de Aratu, tem sido criticada por disputar terras nas proximidades da praia com a comunidade quilombola do Rio dos Macacos desde a década de 1970. Em novembro deste ano, o Incra reconheceu 104 hectares como pertencentes ao antigo quilombo. A comunidade ainda luta para reaver seu território, que originalmente tinha mais de 900 hectares.

Assista este documentário de Josias Pires sobre a luta da comunidade do Rio dos Macacos. Atualmente, Josias está finalizando um longa-metragem sobre o mesmo tema.

 

 

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O perigo vermelho: sangria mexicana ou “tinto de verano”

Publicado em 31 de janeiro de 2014

É claro que o verão é a estação favorita dos socialistas morenos. E eu ainda não tinha feito meu post de verão este ano, vejam só que absurdo. Mas como o outono só chega no dia 21 de março, ainda estou em tempo. Passei as últimas semanas (digamos que não foi exatamente um sacrifício) tentando chegar à perfeição desse drinque que tomei no México: é uma sangria simplificada, que, na Espanha, chamam de “tinto de verano”, ou tinto de verão. Trata-se de um vinho tinto misturado a água com gás ou soda, mais leve, ótimo para enfrentar o calor. Perfeito para tomar na praia, acompanhando um belo ceviche.

Reza a lenda que o “tinto de verano” começou incontáveis verões atrás na Andaluzia: algum borracho inspirado teve a ideia de, num dia daqueles de sol a pino, adicionar água com gás ao vinho tinto. Na Espanha, imaginem, houve épocas menos politicamente corretas em que se colocava um pouquinho de vinho na soda limonada da garotada, para dar cor à bebida. As crianças deviam dormir logo, também, não? No México, a sangria chega bicolor, para mexer à mesa. Achei linda demais a apresentação, mas não é tão fácil de copiar. É preciso colocar o vinho devagarzinho… O máximo que atingi foi esse da foto.

Só não se entusiasme achando que é suquinho, viu? É um perigo vermelho. Mas tem uma coisa interessante sobre a sangria: ela não dá ressaca, juro. Tim-tim, camaradas.

Sangria mexicana

Meia jarra de limonada feita com água com gás e açúcar

Meia jarra de vinho tinto seco (algum bonzinho, nem tão caro nem tão barato)

Gelo à vontade

Rodelas de limão siciliano (e frutas, se quiser)

Modo de fazer: 

Prepare a limonada normalmente, com a água com gás bem gelada. Coloque em uma jarra de vidro transparente. Depois, adicione o vinho tinto devagarinho, como quem serve cerveja e não quer espuma. Se eu fosse você, levava assim para os convidados, só para causar sensação. He he he. Depois de misturar, coloque umas pedras de gelo e as rodelas de limão. Se preferir, também pode usar soda limonada ou água tônica. Mas o efeito bicolor só funciona com limonada. E atenção: adicionar destilados à sangria é considerado um pecado mortal.

P.S.: Não dirija depois de beber, nunca.

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