Mudança na delação da Andrade confirma tentativa de criminalizar o PT a qualquer custo

Brasília-DF 11-08-2015 Fotos Lula Marques/AGPT Presidenta Dilma durante cerimônia de anúncio do Programa de Investimento em Energia Elétrica

(Temer e Dilma em 2015. Foto: Lula Marques)

Está cada vez mais difícil confiar no equilíbrio da Justiça brasileira pós-Lava-Jato. Os “erros” se sucedem, todos prejudicando, é claro, o PT. Primeiro foi a Polícia Federal quem atribuiu a José Dirceu a sigla “JD” na lista da Odebrecht e depois admitiu que se equivocou para então atribuir a mesma sigla a um assessor do também petista Antonio Palocci. Ou seja, foram dois petistas atingidos com um JD só. Acredite se quiser.

Agora, o delator premiado pela Lava-Jato Otavio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, mudou sua versão sobre a doação feita à campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. Observe bem: o delator JÁ TINHA ASSINADO, em 19 de setembro, a confissão ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), presidido por Gilmar Mendes, afirmando haver doado 1 milhão de reais em PROPINA para o diretório nacional do PT em 2014.

Acontece que, no início de novembro, a defesa de Dilma apresentou um cheque nominal a Michel Temer comprovando que a doação de 1 milhão tinha vindo do PMDB, que recebera o valor da Andrade Gutierrez. Quer dizer, se havia ilegalidade, a ilegalidade tinha acontecido com o PMDB, e não com o PT.

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“Os documentos comprovam que não houve transferência de 1 milhão de reais do diretório nacional do PT à campanha de Dilma. O que houve foi a transferência de 1 milhão de reais, em 14 de julho de 2014, da conta do diretório nacional do PMDB para a conta 2014 Michel Temer vice-presidente, tendo Andrade Gutierrez como doador originário”, diz a defesa da presidenta eleita, acusando o delator de tentar, deliberadamente, atingi-la.

Confrontado com os documentos, o que fez o delator, convocado novamente a depor? MUDOU sua versão à Justiça Eleitoral. O cheque, que era “propina”, virou magicamente doação legal, de forma conveniente para o presidente ilegítimo, que tenta se safar de ser cassado pelo TSE. O processo é movido pelo PSDB, que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. Se isso acontecesse em 2017, teríamos um presidente eleito indiretamente pelo Congresso até 2018. Quem sabe do PSDB, não é mesmo?

“O depoente fez uma retratação, ou seja, ele reconheceu claramente que não existiu nenhuma propina e nenhuma irregularidade na campanha presidencial de Dilma Rousseff e Michel Temer. Portanto, hoje ele se retratou perante a Justiça Eleitoral e retirou a acusação que tinha feito no depoimento anterior”, disse o advogado de Dilma, Flávio Caetano, após o recuo de Azevedo.

O mais curioso é que a mídia, de antemão, já havia inocentado Temer de qualquer ilegalidade, servindo como álibi ao atual ocupante do Planalto. A Folha, por exemplo, só noticiou o caso se referindo a uma tentativa de Dilma de “envolver” Temer nas denúncias, sendo que o homem era vice dela. Após o golpe, jornais e TVs comportam-se como porta-vozes do novo governo. Terá alguma relação com a generosidade de Temer, usando dinheiro público, na distribuição de anúncios à velha mídia?

Comprovada a falsidade da delação, comprova-se também a tentativa em curso de criminalizar o PT a qualquer custo além de livrar a cara do presidente ilegítimo do Brasil. É lamentável ver que, mais uma vez, a mídia é participante ativa deste tipo de jogada. Para destruir o PT, Dilma e Lula, o estado de direito naufraga. E com a cumplicidade dos meios de comunicação.

 

 

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Publicado em 18 de novembro de 2016