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Maconha

Uruguai começa a vender nas farmácias em julho a maconha legal mais barata do mundo

Na semana passada, os uruguaios começaram a se registrar nas agências de correio para se habilitar a comprar maconha nas 30 farmácias que serão autorizadas a vender a erva oficialmente no país. Trata-se de uma experiência única no mundo. Somente poderão adquirir a marijuana os maiores de 18 anos, naturais do país ou residentes. Nos […]

Cynara Menezes
09 de maio de 2017, 16h43
farmaciamaconha

(Maconha medicinal no Colorado. Foto: Mark O’Dea/Wikicommons)

Na semana passada, os uruguaios começaram a se registrar nas agências de correio para se habilitar a comprar maconha nas 30 farmácias que serão autorizadas a vender a erva oficialmente no país. Trata-se de uma experiência única no mundo. Somente poderão adquirir a marijuana os maiores de 18 anos, naturais do país ou residentes. Nos frascos de 5 ou 10 gramas estarão escritas as contra-indicações. Será possível comprar no máximo 10 gramas por semana e 40 gramas por mês. As farmácias só não poderão entregar maconha em domicílio.

Com a venda em farmácias, a partir de julho, o Uruguai dará início à terceira etapa de sua legalização da maconha, que começou com o então presidente Pepe Mujica em 2013. Além de ser possível cultivar até seis plantas em casa e fazer parte de clubes de uso e plantio legais de maconha, o usuário poderá comprar a erva na farmácia a 1,30 dólares o grama. Com isso, nossos valentes gauleses ao Sul serão o primeiro país a ter um mercado oficial de maconha e também o lugar onde se pode comprar o baseado legal mais barato do mundo.

Nos Estados norte-americanos de Washington e Colorado, nos Estados Unidos, onde se pode usar (e comprar) maconha também para uso recreativo além do medicinal, o preço médio por grama é de 6 dólares (19 reais). Nos coffee shops de Amsterdam, o grama de maconha ou haxixe custa entre 6 e 11 euros (no mínimo 20 reais). No Brasil, onde só é possível comprar maconha ilegalmente, sem saber o que exatamente se está comprando, o grama custa no mínimo 2 reais, mas é por sua conta e risco.

A ideia é justamente fazer um preço tão baixo que desestimule os usuários a comprar dos traficantes, que cobram, em média, U$1,50 por grama. Isso é possível porque, ao contrário dos Estados Unidos, não há fins lucrativos na experiência de legalização uruguaia. O valor foi calculado dando 0,90 centavos de dólar por grama à empresa produtora, 20% do lucro obtido para a farmácia e 10% para o Instituto de Regulação e Controle da Cannabis do Uruguai, o IRCCA, que destinará o dinheiro a programas de prevenção. A primeira campanha, “Regular É Ser Reponsável”, já começou, concomitantemente com o cadastramento nos correios.

Em um vídeo com a participação de celebridades como os cantores Jorge Drexler e Ana Prada, o governo adverte para os riscos de se fumar maconha e as vantagens de se regular em vez de deixar na mão dos traficantes.

Segundo os últimos dados do IRCCA, o Uruguai conta hoje com 6.617 cultivadores domésticos registrados e 51 clubes de maconha. Só poderão comprar nas farmácias os usuários que não estejam registrados nem como cultivadores domésticos nem como membros de um clube canábico, já que é proibido ter acesso à erva por mais de uma via. Uma das variedades que estará à venda nas farmácias é a Alfa 1, “um híbrido com predominância índica”.

No primeiro dia de registro, houve, é claro, casos anedóticos. Segundo uma rádio local, uma senhora de 82 anos quis se registrar para comprar maconha na farmácia, mas o sistema não conseguia ler suas impressões digitais. “Morta eu não estou”, ela brincou, explicando que queria comprar maconha para criar cremes terapêuticos para outros idosos que não quiseram fazer o registro.

Em 2014, comediantes uruguaios fizeram um vídeo hilário com câmara escondida convocando “voluntários” a participar de um teste para a venda de maconha nas farmácias. A partir de julho, isso será realidade no país de Pepe Mujica.

 

 


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