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Vélez Rodríguez: de mau cantor de boleros a ministro da Educação do Brasil

Ouça o ministro espancando Nostalgias, tango inspirado em Carlos Gardel, no disco que omitiu de seu currículo oficial

A capa do CD
Cynara Menezes
26 de fevereiro de 2019, 16h46

Há um aspecto na carreira de Ricardo Vélez Rodríguez, ministro da Educação do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro, que foi ocultado de seu currículo oficial. Assim como o mestre do ministro, Olavo de Carvalho, foi astrólogo antes de ser considerado “filósofo”, Vélez também exerceu outra atividade além da carreira como professor: cantou boleros na noite carioca.

É o próprio ministro quem conta, num artigo de 2015, como se aventurou no canto por influência do pai, Alfonso, pintor e apreciador de música clássica. “Don Alfonso cultivava também o bel canto. Tomava aulas com o professor italiano Matias Morro. Eu e os meus irmãos gostávamos de acompanhá-lo nessas aulas e ríamos muito quando o casmurro professor lhe passava carraspanas, ao se desafinar na execução de árias ou nos corriqueiros exercícios de aquecimento da voz. A sua voz era bela, de tenor, e diziam os entendidos que se assemelhava à do cantor espanhol Alfredo Krause”, contou o então professor da Universidade Positivo, em Londrina-PR.

“Anos mais tarde, já morando em Juiz de Fora, decidi tomar aulas de canto por conselho de um amigo médico que cantava em festas. As aulas de canto melhoraram muito a minha capacidade de dicção e serviram para evitar os problemas de voz que corriqueiramente afetam os professores. Afinal, nós e os camelôs exigimos muito das nossas cordas vocais. Não cheguei ao desempenho do meu pai no bel canto”, confessa Vélez Rodríguez.

“Não cheguei ao desempenho do meu pai no bel canto”, confessa Vélez Rodríguez. Mesmo reconhecendo cantar mal, o futuro ministro da Educação do Brasil se apresentou cantando boleros no bar “Sobre as Ondas”, na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, em 1999

Mesmo reconhecendo cantar mal, o futuro ministro da Educação do Brasil se apresentou cantando boleros em seu idioma natal no bar “Sobre as Ondas”, na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, em 1999, com Eduardo Tagliati, já falecido, ao piano. “Tive a grata surpresa de ver, na plateia, na primeira fila, o apresentador e humorista Miéle”, gabou-se.

Em 2007, Vélez Rodríguez se “atreveu” a gravar um CD acompanhado de Tagliati, Edyr Kegele na percussão e a musicista Tâmara Lorenzetto nos vocais. O título: “Paixão Latina”. No repertório, “canções colombianas, algumas francesas como La Vie En Rose de Edith Piaf e várias do compositor cubano Ernesto Lecuona, dentre as quais Siboney e Maria La O. Tive muitas satisfações ao compartilhar esse CD com os meus alunos e com familiares e amigos”. Será que eles tiveram a mesma satisfação?

Fato é que o CD não consta no currículo oficial do ministro divulgado por Eduardo Bolsonaro no facebook. Ele preferiu se ater aos livros e artigos.

Na contracapa do CD, para combinar com o título romântico, Vélez Rodríguez dedica o trabalho a suas “mulheres avulsas”: “Para minhas mulheres avulsas: Maria Lúcia, que não é a mãe da minha filha Vitória, que não é mãe da minha neta Luíza”.

A contracapa do CD

Ouça abaixo, com exclusividade, o ministro da Educação espancando Nostalgias, de Juan Carlos Cobián e Enrique Cadícamo, inspirado na vida de Carlos Gardel; assassinando La Vie En Rose, imortalizada na voz de Edith Piaf, e destroçando o clássico tango Mi Buenos Aires Querido, de Gardel e Alfredo Le Pera.


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(10) comentários Escrever comentário

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José Roberto Alonso em 26/02/2019 - 17h20 comentou:

Realmente ele assassinou este tango tão lindo, não tem o mínimo de trato musical, desafina, semi-tona, nenhuma melodia, é da natureza dele fazer mal feito, qualquer coisa a que se proponha.

Responder

José Roberto Alonso em 26/02/2019 - 17h22 comentou:

Acredito ter sido muito moderado, é ruim demais.

Responder

Carlos Morales em 26/02/2019 - 17h33 comentou:

Uma pequena correção: “Nostalgias” no é de Carlos Gardel.
A letra é de Enrique Cadícamo e a música de Juan Carlos Cobián.
Um link com a interpretação de Hugo del Carril:
https://www.youtube.com/watch?v=_11hiMzpMu8
Ah, sim, o péssimo Ministro é um péssimo cantor.

Responder

    Cynara Menezes em 26/02/2019 - 19h26 comentou:

    sim, corrigido! obrigada

Maria Inês do Prado em 26/02/2019 - 17h50 comentou:

Puta merda! Sofrível… rsrsrsrs

Responder

Zulnara Pires em 26/02/2019 - 18h31 comentou:

Cynarinha, minha querida, como vc consegue descobrir essas coisas?
´E ruim em tudo que se arisca esse colombiano. Adorei a matéria

Responder

Alexandre em 27/02/2019 - 09h12 comentou:

Chorei de rir com “espancando Nostalgias”. Belo site!!

Responder

    Cynara Menezes em 27/02/2019 - 23h27 comentou:

    feito com amor

João Ferreira Bastos em 27/02/2019 - 13h36 comentou:

Tenho um elogio ao Velez.

Ele é infinitamente melhor cantor do que ministro.

Responder

Ronau Gomes de Mello em 27/02/2019 - 20h22 comentou:

Não vou ouvir. Nem sob tortura cometerei tal heresia.

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