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Direitos Humanos

Vendas de armas sobem nos Estados Unidos após o massacre em Las Vegas

Fenômeno é comum quando acontecem assassinatos em massa porque os consumidores correm para fazer estoque em antecipação a possíveis limitações do acesso a armas de fogo

Let's go shopping: "Shot", feira de armas nos EUA em janeiro. Foto: divulgação
Da Redação
02 de outubro de 2017, 18h37

Por Jacob Sugarman, no Alternet

O massacre de Las Vegas já ultrapassou a carnificina de junho de 2016 no Pulse Nightclub, em Orlando, como o maior assassinato em massa da história dos Estados Unidos. Pelo menos 58 pessoas morreram e mais de 500 estão feridas, com seu sangue ainda secando na Las Vegas Strip, do lado de fora do Mandelay Bay Casino. A nação foi abalada pela segunda vez em poucos anos, mas não os fabricantes de armas. Desde hoje de manhã, as ações da American Outdoor Brands, antiga Smith & Wesson, e da Sturm, Ruger & Co. subiram 7 e 6% respectivamente.

Estes números não surpreenderão os lobistas e especialistas da indústria. Estatísticas indicam que a venda de armas sobe quando acontecem assassinatos em massa, porque os consumidores correm para fazer seus estoques em antecipação a possíveis limitações pelo governo do acesso ao tipo de armas usadas em massacres como o da Umpqua Community College, no Oregon, dois anos atrás.

O mercado de armas despencou desde que Trump assumiu o governo, já que o medo de que houvesse leis restritivas desapareceu

A ironia é que uma substantiva reforma na posse de armas nunca chega a se materializar, até mesmo após 20 crianças da Sandy Hook Elementary School em Connecticut serem executadas em 2012. Na realidade, no começo do ano Trump assinou uma lei revogando uma regulação do governo Obama que tornava mais difícil o acesso de armas de fogo por pessoas com problemas mentais. Hoje, o senador democrata Chris Murphy, um dos mais apaixonados advogados pelo controle de armas, exigiu dos seus colegas no Congresso norte-americano que “tirassem a bunda da cadeira e fizessem alguma coisa.”

O mercado de armas despencou desde que Trump assumiu o governo, já que o medo de que houvesse leis restritivas desapareceu. De acordo com o Marketwatch, as vendas da American Outdoor caíram 46% desde janeiro, e as da Visa Outdoor, 40%.

Don Turner, liderança da National Riffle Association em Nevada, preventivamente descartou pedidos para reforma da posse de armas, dizendo que “quando alguém tem esse tipo de mentalidade, não importa que tipo de leis temos.” Enquanto isso, os representantes da associação no Congresso estão a caminho de aprovar uma nova legislação que poderia tornar atentados como esses ainda mais mortais.

Em pronunciamento lamentando o atentado, o presidente Donald Trump não menciona nem uma única vez o controle de armas de fogo.

 

 


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