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Yo creo en las brujas: mulheres surrealistas

Mais de 90 anos após o surgimento do surrealismo, as mulheres que participaram do movimento começam a ser redescobertas. Quando se pensa em surrealismo imediatamente vêm à tona nomes como Apollinaire, Salvador Dalí, André Breton, Louis Aragon, Luis Buñuel… As mulheres sempre ficaram relegadas à posição de musas inspiradoras e “esposas” dos gênios. Até agora. […]

(Presença Inquietante, Remedios Varo)
Cynara Menezes
03 de dezembro de 2012, 20h13

(Remedios Varo)

(Leonora Carrington)

Mais de 90 anos após o surgimento do surrealismo, as mulheres que participaram do movimento começam a ser redescobertas. Quando se pensa em surrealismo imediatamente vêm à tona nomes como Apollinaire, Salvador Dalí, André Breton, Louis Aragon, Luis Buñuel… As mulheres sempre ficaram relegadas à posição de musas inspiradoras e “esposas” dos gênios. Até agora. Uma exposição nos Estados Unidos e no México pretende tirar das sombras as representantes do movimento do sexo feminino: In Wonderland – Mujeres Surrealistas.

Como chamariz, a mexicana Frida Kahlo, mundialmente reconhecida. Mas há trabalhos de 42 outras artistas bem menos célebres na mostra, uma colaboração entre o Museu de Arte Moderna da Cidade do México e o Los Angeles County Museum of Art. Gostaria de destacar duas delas: Leonora Carrington e Remedios Varo. A primeira, inglesa. A segunda, espanhola. Encontraram-se em uma das épocas mais brilhantes do século passado, em um lugar mágico.

Há quem, como o protagonista do filme de Woody Allen, Meia-Noite em Paris, deseje voltar no tempo para a capital francesa nos anos 20. Mas tão ou mais fascinante quanto a Paris daqueles anos foi a Cidade do México entre o final dos anos 30 e o começo dos anos 40. Expulsos pela ditadura franquista ou pela Segunda Guerra, intelectuais e artistas anti-fascistas, simpatizantes do comunismo, encontraram abrigo no México do presidente Lázaro Cárdenas. Foi lá que Leon Trotski, amigo (amante?) de Frida, acabaria assassinado a mando de Stalin, em 1940. Foi lá também que Leonora e Remedios se conheceram.

Apesar de vizinhas, trocavam cartas e se consideravam “almas gêmeas”. Compartilhavam o interesse pela alquimia, pela magia, pelo onírico e pelo mistério. Segundo Octavio Paz: “Há no México duas artistas admiráveis, duas feiticeiras enfeitiçadas: jamais ouviram as vozes do elogio ou a reprovação de escolas e partidos… Insensíveis à moral social, à estética e ao preço,  Leonora Carrington e Remedios Varo atravessam nossa cidade com um ar de indizível e suprema distração. Aonde vão? Onde as chamam a imaginação e a paixão.” Junto com a fotógrafa de origem húngara Kati Horna, eram conhecidas como “las tres brujas”.

Remedios Varo, cuja obra se valoriza cada vez mais e cujo espólio é disputado atualmente pelos herdeiros, morreu jovem, aos 55 anos. Sua amiga Leonora Carrington viveria até o ano passado. Aos 94 anos, era a mais velha surrealista viva. A magia das duas bruxas do surrealismo está evidente em suas pinturas, envoltas em uma atmosfera de sonhos e fantasia.

P.S.: Quem sabe a presidenta Dilma Rousseff, que sei ser fã de Remedios, não se anima a trazer a exposição para o Brasil?

(Presença Inquietante, Remedios Varo)

(O Apanhador de Corvos, Leonora Carrington)

 

(Homo Rodans, Remedios Varo)

(Retrato de Max Ernst, Leonora Carrington)

(Exploração das Fontes do Rio Orinoco, Remedios Varo)

(Bird Pong, Leonora Carrington)

(Os Amantes, Remedios Varo)

(Retrato da Falecida Sra. Partridge, Leonora Carrington)


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(4) comentários Escrever comentário

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hans tramm em 03/12/2012 - 21h32 comentou:

Brilhante resgate,um tiro na invisibilidade.Borges dizia que para o artista a cegueira não é totalmente negativa já que pode ser um instrumento.no entanto ''yo non creo en brujas,pero que las hay las hay. vocês tinham razão.

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mario cezar em 04/12/2012 - 00h25 comentou:

"são exatamente algumas das mais grandiosas e mais imponentes obras de arte que permanecem obscuras ao nosso entendimento. Admiramo-las, sentimo-nos dominados por elas, mais não poderíamos dizer o que representam para NÓS. Sigmund Freud

Responder

José Moura de Lima em 09/02/2013 - 05h13 comentou:

Vive la difèrence! Um mundo só de homens…Quem não vê e nem reconhece o poder feminino não merece ter mãe.Nem ser pai.

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professorkico em 29/10/2014 - 18h01 comentou:

Se desejarem ainda dá tempo de ver a exposição de FRIDA KAHLO até dia 30 de novembro no MON em Curitiba.
http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/e

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