Socialista Morena
Kapital

A farra bilionária das estatinas e o “jornalismo” subserviente à indústria farmacêutica

Eu estava trabalhando na revista Veja (os piores oito meses de minha carreira; leia aqui) quando saiu uma capa louvando as estatinas, pílulas usadas para controlar o colesterol “ruim” que, afirmava a revista, eram “a grande surpresa da medicina”, “a aspirina do século 21”, “um dos medicamentos que mudaram a história”. A reportagem, de cinco […]

Cynara Menezes
27 de janeiro de 2015, 13h10
vejaestatinas

(Capa da revista Veja em 16 de junho de 2004)

Eu estava trabalhando na revista Veja (os piores oito meses de minha carreira; leia aqui) quando saiu uma capa louvando as estatinas, pílulas usadas para controlar o colesterol “ruim” que, afirmava a revista, eram “a grande surpresa da medicina”, “a aspirina do século 21”, “um dos medicamentos que mudaram a história”. A reportagem, de cinco páginas, parecia um anúncio pago pelos fabricantes do medicamento, comparado por Veja à descoberta da penicilina. As estatinas seriam eficazes para tratar angina, Alzheimer, osteoporose, câncer, esclerose múltipla e diabetes (íntegra aqui). Só faltou bicho-do-pé. “Um belíssimo negócio para a indústria farmacêutica”, vibrava a semanal da editora Abril.

De lá para cá, as estatinas se transformaram na maior fonte de lucro dos laboratórios. Uma delas, o Lípitor (atorvastatina, da Pfizer), se tornou o medicamento campeão de vendas no mundo e, com o providencial pontapé da “revista mais vendida”, o número dos que usam estatinas no Brasil pulou de 400 mil para 8 milhões de pessoas. Mas o que pouca gente sabe é que, após 10 anos, o que foi apresentado ao leitor incauto da revista como panacéia agora é questionado por pesquisadores, médicos e cientistas como prejudicial à saúde e, no mínimo, inútil. E o mais bizarro: hoje o uso contínuo de estatinas está associado a alguns dos males que supostamente curaria, como perda de memória, doenças cardíacas, diabetes, fraqueza muscular e câncer.

Dois anos atrás, a própria Veja reconheceu, em uma reportagem minúscula escondida no site da revista: “Acaba a lua-de-mel com as estatinas” (leia aqui). No texto, a publicação admitia que efeitos colaterais graves têm sido associados ao uso do remédio outrora “revolucionário”, até mesmo a capacidade de provocar o infarto em vez de preveni-lo –justamente a maior qualidade levantada pela propaganda, ops, reportagem anterior. Novos estudos com voluntários, advertia o artigo, comprovam que “usuários frequentes das estatinas tiveram um aumento muito maior na calcificação de placas em suas artérias coronárias. Isso poderia levar a riscos maiores de infartos nesses pacientes”.

Na época da capa-louvação, o cardiologista Sergio Vaisman, coordenador da pós-graduação em Medicina Preventiva da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, escreveu um artigo em seu blog em que condenava o excesso de otimismo da Veja em relação às estatinas. “Acho lamentável assistir a esse desfile de propaganda que enaltece produtos que irão comprometer nossa saúde se usados em demasia”, escreveu Vaisman, criticando a falta de interesse da revista em mostrar os efeitos colaterais do remédio, como as dores musculares crônicas e a rabdomiólise, uma degeneração das fibras musculares que pode levar a lesões renais graves e até à morte. Detalhe: uma estatina, a Baycol (cerivastina, da Bayer), já havia sido retirada do mercado em 2001 por causar rabdomiólise e matar 52 pessoas nos EUA por falência renal.

Entrevistei Vaisman pelo telefone. Ele está cada vez mais cético em relação às estatinas, que só prescreve a seus pacientes em casos muito graves e por um período apenas. “Sou contra o uso contínuo de estatinas, mas vou contra a corrente, porque o establishment da medicina manda fazer isso. Existe uma pressão muito grande da indústria farmacêutica, principalmente sobre os médicos recém-formados”, diz. E ressalta: “Não existe nenhuma evidência científica de que as estatinas protegem o coração de um infarto”.

time

(As mudanças em relação à gordura ao longo dos anos)

Outro aspecto que mudou neste meio tempo foi a própria visão da ciência (não da indústria farmacêutica) sobre o “colesterol ruim” (LDL), antes o grande inimigo do homem moderno e razão de existir das estatinas. “Hoje o colesterol não é o vilão que se pensava. É considerado, por exemplo, fundamental para a produção dos hormônios sexuais. Claro que tudo em excesso é ruim, mas o colesterol tem papéis benéficos”, defende Vaisman. O colesterol também é necessário para o bom funcionamento dos intestinos e do cérebro.

Em outubro de 2013, a Sociedade Brasileira de Cardiologia causou polêmica ao rebaixar o limite considerado saudável de colesterol “ruim” de 100 miligramas por decilitro de sangue para 70 miligramas por decilitro, o que fez aumentar ainda mais as prescrições das estatinas nos consultórios médicos. Na época, especialistas contrários à medicalização excessiva chamaram a atenção para os efeitos colaterais da droga, sem sucesso. Como disse Vaisman, o establishment da medicina no Brasil abraçou as estatinas sem restrições. E o pseudo jornalismo de “saúde” praticado por alguns veículos foi junto.

Nos EUA e na Inglaterra, grandes consumidores das estatinas, a rejeição ao medicamento vem crescendo. O norte-americano Raymond Francis, químico formado pelo MIT (Massachusetts Institute of Tecnology) que se dedica a pesquisas sobre qualidade de vida, contesta, inclusive, que o colesterol seja mesmo responsável pelos problemas cardíacos. “O colesterol não causa doenças do coração”, afirma. “Os franceses têm a mais alta taxa de colesterol da Europa, ao redor de 250, mas as menores incidências de doenças do coração e metade dos ataques cardíacos dos Estados Unidos. Na ilha de Creta, berço da saudável dieta mediterrânea, um estudo de 10 anos falhou ao não conseguir encontrar um só ataque cardíaco, apesar das taxas de colesterol acima de 200” (leia mais aqui). Outros estudos recentes dizem o mesmo: colesterol alto não é sinônimo de risco para o coração.

Raymond Francis publicou um vídeo no youtube onde diz com todas as letras: “Estatinas são veneno. Não previnem doenças do coração e não são seguras. Pelo contrário, há um aumento dos infartos entre as pessoas que usam estatinas. Ou seja, as estatinas causam doenças do coração”. Ele cita o cardiologista texano Peter Langsjoen, autor do estudo Estatinas podem causar problemas cardíacos, apresentado aos órgãos de saúde norte-americanos em 2002, em que advertia para o bloqueio, pelas estatinas, da produção da coenzima Q10 ou Ubiquinona, molécula que previne as doenças cardíacas. Em 2010, a FDA (Food and Drug Administration) finalmente advertiu para os riscos cardiovasculares com o uso de sinvastatina (Zocor, da Merck). É a estatina mais vendida no Brasil.

No site spacedoc, médicos norte-americanos anti-estatinas listam uma série de efeitos colaterais causados pelo medicamento: danos musculares, amnésia, diabetes, disfunção erétil, pancreatite, insônia, câncer, perda de energia… (leia os artigos aqui). Autor do livro 29 Bilhões de Razões Para Mentir Sobre o Colesterol, o britânico Justin Smith produziu um documentário e está preparando outro sobre os interesses financeiros por trás das estatinas, que, afirma, têm seus benefícios exagerados pela medicina tradicional. Entrevistei Smith por e-mail.

Socialista Morena – O que há de errado com as estatinas?

Justin Smith – Há muitos questionamentos. Primeiramente, temos que perguntar se a droga realmente beneficia as pessoas diante dos efeitos colaterais que acarreta. É preciso separar dois tipos de pessoas: as que foram diagnosticadas com um problema no coração e aquelas que não o foram. Para quem não foi diagnosticado como cardíaco, não há nenhum benefício em tomar estatinas, mas estas pessoas estarão expostas aos efeitos colaterais do remédio. Em uma estimativa realista, 20% das pessoas sofrem efeitos colaterais significativos. Milhares de pessoas têm relatado consequências muito sérias durante anos e muitas delas sofreram danos permanentes. Para quem foi diagnosticado com problema cardíaco há um argumento para usar estatinas. Mas os benefícios que estas pessoas podem ter não estão relacionados com a redução do colesterol. Este é um tema complicado e muitos médicos ainda estão debatendo os efeitos das estatinas. Para as pessoas com problemas cardíacos, as estatinas podem ser ao mesmo tempo boas e ruins. O lado positivo é que as estatinas podem estabilizar as placas nas artérias, reduzir a coagulação e melhorar o metabolismo do ferro –tudo isso é muito bom. No entanto, pelo lado negativo, as estatinas aumentam a quantidade de placas calcificadas nas artérias e potencialmente enfraquecem o músculo do coração ao bloquear a produção da coenzima Q10. Além disso, há uma ligação muito forte entre os baixos níveis de colesterol e uma vida mais curta. Como você vê, é uma decisão muito difícil para as pessoas diagnosticadas com problemas cardíacos tomarem.

SM – Alguns médicos me disseram que as estatinas não previnem ataques cardíacos. É isso mesmo?

JS – Há evidências de que as estatinas podem prevenir um segundo ou terceiro ataque cardíaco para quem já teve um infarto. Mas, para a população em geral, as estatinas têm um impacto muito pequeno contra os riscos de ataques do coração, possivelmente nenhum. Por outro lado, as estatinas têm sido associadas com mais de 300 efeitos adversos, em parte pelo fato de o colesterol ser uma substância extremamente importante para o corpo humano e a deficiência de colesterol ter enormes efeitos negativos para a saúde. As áreas mais afetadas são os músculos, o cérebro e o sistema nervoso e os olhos. Em alguns estudos, as estatinas foram associadas a um dramático crescimento no risco de câncer.

SM – Na época em que você lançou seu livro, falou em uma movimentação de 29 bilhões de dólares anuais com as estatinas. Quanto dinheiro elas estão rendendo à indústria farmacêutica atualmente?

JS – É muito difícil dizer, porque a maior parte delas teve a patente quebrada. No entanto, se olharmos para o mercado mais amplo das drogas redutoras de colesterol, há novos remédios surgindo e é um negócio que continua movimentando dezenas de bilhões de dólares cada ano.

SM  Você foi alvo de alguma ameaça por denunciar as estatinas?

JS – Não.

Em seu documentário, Statin Nation, Smith faz questão de destacar três pontos que vão em direção contrária ao que é apregoado pela medicina ocidental: as pessoas com colesterol alto tendem a viver mais; as pessoas com doenças no coração têm baixos níveis de colesterol; baixar o colesterol de uma população não reduz os índices de doenças cardíacas. E pergunta: “Será que os fatos sobre os problemas do coração, o colesterol e os remédios contra o colesterol têm sido distorcidos pela indústria farmacêutica para aumentar seus lucros?”

Não duvido. O que posso dizer com toda certeza, como jornalista, é: desconfie de médicos que prescrevem a torto e a direito remédios de uso contínuo cuja eficácia é controversa. Desconfie de reportagens que atribuem à “ciência” ou à “medicina” pesquisas patrocinadas pela indústria farmacêutica. Desconfie de revistas que colocam um medicamento como “milagroso” numa capa sem alertar devidamente para os riscos. Desconfie das estatinas.

UPDATE: saiu esta semana uma advertência oficial de especialistas no Reino Unido aos médicos para não iludirem os pacientes sobre benefícios exagerados das estatinas (leia aqui).


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Pedro Elias Kari em 27/01/2015 - 14h50 comentou:

Como sempre, vindo de Cynara Menezes ,que faz jornalismo de verdade com embasamento e profundidade, artigo brilhante.
Serviço de utilidade pública. Todos deveriam lê-lo.
Importante saber se o médico e as publicações sobre medicina e saúde estão a serviço da população ou do lobby poderoso da grande industria farmacêutica.

Responder

Ricardo em 27/01/2015 - 14h50 comentou:

Desconfie da Veja.

Responder

    Emanuel em 14/01/2018 - 09h43 comentou:

    Porque?

@CesareWinck em 27/01/2015 - 18h01 comentou:

Como tudo na medicina, o que é ótimo hoje pode ser prejudicial amanhã e existem muitos casos assim. No lançamento da sinvastatina por exemplo, o NNT (número necessário para tratar) era tão bom que não havia substância no mundo (em qualquer tipo de doença) que a superasse. Hoje se sabe que não é assim, mas não se poderia saber disso sem se continuar pesquisando. Acho que as estatinas têm papel importante na medicina mas não devem ser usadas sem controle. O mais importante é procurar um médico de sua confiança.

Responder

Cláudio Braghini em 27/01/2015 - 19h34 comentou:

Tem alguma pesquisa de 2004, que sustente a acusação a reportagem de veja ? Notícia é o produto mais perecível que existe…

Se não tem… as Ilações são simplesmente imbecis.

Responder

    morenasol em 27/01/2015 - 21h48 comentou:

    se você tivesse lido o texto teria visto que já na época a propaganda, ops, reportagem da veja foi contestada

    Rick em 28/01/2015 - 01h16 comentou:

    Se você olhar a literatura científica da época veria que os resultados dos estudos randomizados eram todos favoráveis ao uso das estatinas, inclusive foi e ainda é pesquisado o seu efeito para prevenção de câncer. Esses estudo que questionam o uso são todos retrospectivos, que são ótimos para gerar questionamentos, mas não fundamentam nada, cientificamente falando. A história de lobby da indústria farmacêutica vende tanto quanto fórmulas mágicas, mas por hora, não tem nada palpável em nenhuma das duas áreas.

    VALDIR A NEVES em 28/01/2015 - 12h28 comentou:

    Caros, o colesterol é tão importante que foi a área da ciencia básica que mais deu premios Nobel. Em 2004, pouco se sabia sobre o papel das statinas nesse universo, portanto e considerando a importancia da reportagem da jornalista, fazer ilações sobre a revista de 2004 no que diz respeito a corrupção e tal, é um exagero. Seria o mesmo que fazer trabalho de videncia sobre o passado. No frigir dos ovos é o seguinte quem são os personagens citados, alguem sabe ?

Clara em 27/01/2015 - 19h48 comentou:

Ok,mas então qual medicamento tomar pra prevenção de infartos ou problemas outros no coração? Uma pessoa que fez ponte de safena pode fugir de medicamentos?

Responder

    Erivan em 30/01/2015 - 02h10 comentou:

    Boa noite, Clara, eu tive um ataque cardíaco em agosto de 2011, aos 43 anos, e fui submetido a uma cirurgia com três pontes safenas. Saí do hospital com a prescrição médica de usar estatina pro resto da vida, dentre outros remédios para a pressão alterial, um total de cinco medicamentos. Passei a ler muito sobre as eststinas e sobre o meu problema. Parei com todos os remédios seis meses depois, virei vegetariano de alimentos crus, pratico atividade física e estou super bem de saúde.

    Emanuel em 14/01/2018 - 09h47 comentou:

    Pensou que o importante é tentar manter o organismo mais alcalino, evitando assim a inflamação das artérias!

Jose em 27/01/2015 - 20h29 comentou:

Revista grande faz materia sobre as questoes atuais e descobertas recentes; revista pequena faz materia sobre revista grande 🙂

Responder

    Maurício Gil em 27/01/2015 - 21h54 comentou:

    Ora, meu amigo. Vai dormir, vinagre!

    Edgar em 29/01/2015 - 13h25 comentou:

    O melhor!!

    Mario em 29/01/2015 - 14h37 comentou:

    A revista Veja é recorrente neste tipo de propaganda. Um bom exemplo é a matéria de capa na edição de 11/09/2011 (parece milagre) sobre um "milagroso" remédio para emagrecer .

    Cíntia em 29/01/2015 - 19h01 comentou:

    A matéria, não foi sobre a 'revista grande', caro José, e sim sobre 'descobertas recentes' a respeito das estatinas.

    Erivan em 30/01/2015 - 02h16 comentou:

    Trocadilho bobo e tendencioso. Revista grande com muito matéria de acordo financeiro, revista pequena, séria, denuncia estas práticas.

    Emanuel em 14/01/2018 - 09h54 comentou:

    Show de resposta!
    😂😂😂😂😂😂😂

Lenir Vicente em 27/01/2015 - 20h41 comentou:

Valeu Cynara. Morre-se pela boca e pela ignorância.

Responder

tadeucastro em 27/01/2015 - 21h25 comentou:

Parabéns pela coragem, pelos esclarecimentos e pelo bom jornalismo!

Responder

Paulo Cezar Soares em 27/01/2015 - 22h12 comentou:

Por tudo que a gente conhece a respeito da credibilidade da revista Veja, creio que não é difícil decidir. Anúncio de remédio na Veja, estou fora. Aliás, diga-se de passagem, tomar remédio, só em último caso.

Responder

Gustavo Pessoa em 27/01/2015 - 22h28 comentou:

Excelente

Responder

marcos em 28/01/2015 - 00h38 comentou:

Será que a medicina holopatica de cunho mercantilista sobreviverá por muito tempo, a população carente esta apelando para os pastores das evangelicas .A perda de credibilidade nos medicos e no sistema de saude de um modo geral é crescente.

Responder

Daniel em 28/01/2015 - 02h40 comentou:

Deveria ter realizado pesquisas mais recentes na sua principal fonte de informação : http://veja.abril.com.br/noticia/saude/medicament

Responder

    Erivan em 30/01/2015 - 02h32 comentou:

    Esta matéria continua insistindo na estatina combinada com outra droga pra baixar o colesterol de forma mais eficiente. E aí, sutilmente, a revista informa que um laboratório irá produzir o tal medicamento com o nome x. Acho que o carater tendencioso da reportagem continua.

    Aqui se falou que o colesterol alto não tem relação com ataques cardíacos. Este é o ponto. O colesterol é matéria-prima de hormonios e da membrana das nossas células e etc. Eu tive um ataque cardíaco com o colesterol abaixo de 100.

VALDIR A NEVES em 28/01/2015 - 12h48 comentou:

O colesterol é a área da ciencia que mais mereceu premios Nobel, por isso o que se sabe sobre ele não é pouco. Doenças cardíacas não são devido apenas ao desníveis de colesterol, portanto à época da reportagem os estudos indicavam sim a eficiencia das statinas, o que até hoje muito é sustentado apesar dos estudos novos revelarem outros aspectos. A reportagem é válida mas a colocação do envolvimento da revista é ilação pura, não defendo a dita cuja, mas justiça seja feita. Se se desejasse uma nova reportagem ou "nova informação" para retratar a anterior tudo bem, agora corrupção da industria com a revista, é muito exagero, todos sabemos quem é a industria farmaceutica apesar de não conhecermos os Drs. da reportagem, porque é fácil fazer o contraponto do acontecido o que quero ver é fazer acontecer a ciencia, doutores.

Responder

    Emanuel em 14/01/2018 - 10h00 comentou:

    Valdir,
    Respeito sua opinião!
    Essa matéria e os comentários foram postados à 3 anos atrás.
    Tem acompanhado o que a medicina atual diz a respeito das estatínas ?

maria josesoares em 28/01/2015 - 12h57 comentou:

quem não tem remédio , remediado está ,
melhor é não tomar nada somente água e está tudo bem por daqui a pouco nem isso teremos

Responder

@MiaRoddy em 28/01/2015 - 15h07 comentou:

Muito útil essa reportagem porque estive mesmo pesquisando estatinas há 2 atrás quando o meu cardiologista me receitou o Lipitor… eu sentia tremedeira, ansiedade, mal estar… tomei por 2 meses e parei. Ano passado ele resolveu prescrever Plenance e após o terceiro ou quarto mês me sinto sem energia, cansada, pouca memória … com os mesmos sintomas relatados na reportagem acima… eu particularmente vou fazer exercícios, caminhada e melhorar a alimentação e vou parar com de usar esses remédios.

Responder

    Emanuel em 14/01/2018 - 10h01 comentou:

    Olha Mia,
    Também abandonei as estatínas!
    Como está depois desses 3 anos?

Augusto em 28/01/2015 - 16h00 comentou:

Interessante alguns comentários da galera do blog, mas diria que o mais importante é saber pesquisar bem antes de sair tomando um remédio indicado por um "médico de confiança". Conheço muita gente que toma sinvastatina sem necessidade, por indicação de "médico de confiança". Infelizmente a prática da medicina é uma profissão como qualquer outra, portanto temos milhões de médicos desinformados e desatualizados, que simplesmente te chutam do consultório com uma receita médica debaixo do braço e não tá nem aí para a sua saúde.
Atualmente temos vários estudos apontando que:
1- carboidratos de alto Índice glicêmico (açúcar, trigo, etc) fazem acumular gordura no organismo – isso é fato
2- gorduras saturadas e proteínas não elevam o nível de insulina – também é fato
3- alimentos com alto índice de colesterol não fazem elevar o colesterol total do organismo, ele é produzido pelo próprio organismo ao se consumir açúcares e carboidratos

Obviamente, é mais fácil para um médico indicar uma sinvastatina para o paciente que está com os hormônios todos desregulados de tanto se entupir de carboidratos, do que recomendar uma dieta paleo balanceada.
Entretanto, o mercado do trigo e sementes está tão enraizado na sociedade, e gera tanto lucro, que ninguém está disposto a dizer "não coma pão, massa, arroz com feijão". É muito mais fácil botar a culpa no colesterol e enfiar uma sinvastatina no brioco do cidadão.
Só não vê isso quem não quer.

Responder

    Cíntia em 29/01/2015 - 19h13 comentou:

    Essa conversa de 'médico de confiança' significa 'entregue sua saúde à um ilustre desconhecido, nada pesquise, nada consulte ao seu próprio corpo. Apenas deixe que outra pessoa cuide de vc, de sua saúde, de seu dinheiro, de seu pensamento e de suas emoções.' Ou seja, entregue-se ao sistema!

Thiago Lemos em 28/01/2015 - 21h27 comentou:

Tomar estatina para segundo ou terceiro infarto é como colocar uma tranca em uma porta arrombada. Artigo tão irresponsável como o da revista veja, porém por razões opostas.

Responder

Emílio F. Azchenasis em 29/01/2015 - 11h20 comentou:

Antigamente, eu pedia um remédio desses e o farmacêutico ia procurar lá atrás, na ordem alfabética.
Hoje, basta se curvar e encontra o remédio no próprio balcão.
O preço disparou.
E o governo, através da Farmácia Popular, financia uns 90% do preço e uma farra dos fabricantes.
Onde está o MP?

Responder

Jandui em 29/01/2015 - 13h12 comentou:

Se a Veja vier com uma capa dizendo que o PT é o melhor partido para os brasileiros, passo a votar no PSDB.

TomAVA estatina até a data de hoje.

Não conhecia esta capa da Veja….

Parabéns, Cynara!

Responder

Gustavo em 29/01/2015 - 13h13 comentou:

Eu me pergunto o que a revista Veja estaria fazendo num artigo desse? A socialista morena tenta maliciosamente e sem provas acusar a revista de receber dinheiro para fazer propaganda de remédio.

Vamos pensar gente!!! O remédio já era um dos mais vendidos no mundo na época da reportagem. Não a revista que fez a fama dele ou que ajudou a vende-lo. A revista só fez uma reportagem de algo que já era grande, e que por tanto, já chamava a atenção e curiosidade.

Outra coisa, como sabemos e foi falado no artigo, se passaram 10 anos para começarem a contestar o remédio. Agora me digam, qual o problema de se fazer uma reportagem de algo que já era fenômeno à época e que não tinha qualquer estudo ou questionamento em seu desfavor????

Isso só me leva a crer que o fato de a revista estar presente num artigo desse não passa de espécie de rancor e ódio contra à mesma.

Responder

    Pedro em 29/01/2015 - 16h18 comentou:

    Olha, eu costumo me opor a Veja em quase tudo. Detesto o assassinato de carater que eles promovem, e as matérias de "bem-estar" sao horriveis.

    Mas você tem razao sim: capas de revistas cientificas, especializadas, costumam ser espalhafatosas e prometem milagres semanais com inutilidades encontradas nos laboratorios mundo afora. Que a Veja faça um artigo desses, de capa, nao se afasta muito da mentalidade messiânica hipocondriaca que tomou conta da produçao cientifica, principalmente depois da guerra fria quando os grandes investimentos dos americanos foram da defesa (paranoia) para a saude (hipocondria).

    Sem provas que a Veja tenha "recebido grana para publicar", fica muito dificil. No entanto, os laboratorios tem seus mecanismos de marketing proprios: fazem pressao em médicos, investem em pesquisas (as que saem nas revistas técnicas) e tentam chegar ao paciente. Tratando-se de Veja, tudo é possivel.

    Cíntia em 29/01/2015 - 19h10 comentou:

    Considero que o fato da revista veja, em seu artigo original, não questionar se esse sucesso de vendas era pela eficiência do produto ou do marketing industrial, mostra que não passava de propaganda.

DENIS DIAS em 29/01/2015 - 14h42 comentou:

E por falar nisso, cadê aquela entrevista com o Ciro?
RS

Responder

Caio cesar em 29/01/2015 - 15h16 comentou:

Cynara, todas as revistas são tendenciosas, mas igual Carta capital estou pra ver viu!!
vcs são daquela tipo de gente só as suas opiniões são as boas e corretas, quando são contrárias não valem nada. Por fim, a revista Veja estão trabalhando para os laboratórias farmacêuticos como vcs trabalham para o governo.

OBS: antes de vc falar que sou coxinha que sou eleitor do PSDB, votei no Fernando Pimentel do pt aqui em minas viu.

E para de falar que os 8 anos que vc trabalhou na veja foram os piores de sua vida, pelo menos vc tinha emprego, e vai trabalhar pq a Veja nem lembra de vc!

Responder

    morenasol em 29/01/2015 - 16h46 comentou:

    oito MESES. sugiro que antes de comentar textos, você aprenda a LER

João em 30/01/2015 - 12h58 comentou:

As reportagens sobre saúde na mídia brasileira (escrita, televisionada ou via internet) são sofríveis, salvo honrosas exceções (como a Claudia Collucci da Folha, que REALMENTE pesquisa o que está escrevendo). Nem a reportagem da Veja, nem essa aqui são exceções, infelizmente.

1) A ciência (e muito menos a ciência médica) buscam verdades absolutas. Padrões vão sendo alterados conforme as novas evidências. Tivesse lido o consenso brasileiro, teria visto que os novos valores mais baixos são recomendados para pacientes que já tiveram evento cardíaco. Veria também que o uso de medicamentos é recomendado apenas para pacientes de alto risco. Seguir, ou não, valores de colesterol é controvérsia ainda ativa, e há argumentos contra e a favor na literatura. Mas existe uma ampla literatura sobre o benefício do uso da estatina em quem já teve algum evento cardiovascular (como um dos comentários acima que questionava o uso em quem já teve ponte de safena) e evidências muito forte para o uso em prevenção primária em pacientes de alto risco (vide o Jupiter trial).

2) Como já citado acima, médicos são profissionais e, antes de tudo, seres humanos. Também estão sujeitos a vieses de pensamentos. Especialmente em um contexto de grande pressão (por parte dos fabricantes, mas TAMBÉM, por parte da população) pela prescrição de exames e medicamentos.

3)Empoderar não é sinônimo de desconfiar. A confiança é parte integral da relação médico-paciente e tem efeito terapêutico. Empoderar significa tomar parte da responsabilidade para si. Questionar e pesquisar. E não, de forma leviana, acusar um profissional (ou uma classe) de má fé.

4)Médico no Brasil virou cachorro-morto. Mas cabe o comentário de que não faz sentido criticar o "establishment médico brasileiro" por incorporar uma medicação que é a mais prescrita no mundo inteiro, e não somente no Brasil.

5)Bem ou mal, a medicina alopática ainda é a única forma que se submete a testes que geram, inclusive, dúvidas e questionamentos como o que temos neste debate. Todo o resto é questão de fé. Desconfie-se disso.

Responder

    Augusto em 02/02/2015 - 19h43 comentou:

    Amigo, pra mim claramente a autora do texto ataca dois pontos. O primeiro dele é a acusação à revista Veja, e este realmente tanto pode ser mentira quanto pode ser verdade.

    O segundo ponto, e mais importante, são as evidências científicas de que as estatinas além de não serem saudáveis pra vasta maioria de quem as toma, podem gerar efeitos colaterais muito sérios. Isso é fato baseado em pesquisas científicas recentes, não é simples "achismo". Tem vasta literatura sobre o assunto e quem confia cegamente em um remédio mágico, pode sofrer sérios problemas mais à frente. Esses pesquisadores estão falando isso com base em evidências, com base em pesquisas.

    Você se contradiz no item 1, pois o que justamente essa nova leva de pesquisadores está fazendo é alterar padrão de consumo das estatinas conforme as novas evidências que estão obtendo. Eles não têm interesse algum nisso, não estão por trás de uma indústria farmacêutica, e não ganham nada se as estatinas deixarem de ser consumidas. Não vejo motivação financeira alguma aí.

    Quanto aos seus outros argumentos, são inválidos desde nascença. Médico não deve sucumbir à pressão de ninguém para receitar remédio, principalmente um que possa prejudicar a saúde do paciente. Pra isso que ele estuda 5 anos ou mais. Receitar sinvastatina porque todo mundo receita? Confiança em médico tem efeito terapêutico?

    Enfim, tem tantos buracos aí que fica difícil citar todos. Eu particularmente prefiro acreditar em uma boa alimentação, em exames periódicos e muito exercício do que sair com uma receita médica de sinvastatina debaixo do braço. Infelizmente a maioria das pessoas prefere confiar no seu "médico de confiança" e tomar remédios sem ao mínimo fazer uma breve pesquisa do que está ingerindo.

    João em 23/02/2015 - 18h40 comentou:

    Augusto,
    1) A acusação à revista Veja, pouco me importa, na verdade. Raramente a leio.
    2) Por favor, leia com atenção o que escrevi. Não falei de achismo. Da mesma forma que é errado prescrever para quem não tem indicação, é errado não prescrever para quem tem indicação. Não são poucos os comentários aqui, mesmo, neste blog, questionando se, quem já teve evento cardiovascular poderia parar de tomar estatina. Inclusive, com respostas dizendo que sim. A resposta, com base nas evidências atuais é que não, para quem já teve evento cardiovascular (prevenção secundária) os benefícios da estatina superam os riscos. Estatina não é para todo mundo. Todo remédio tem riscos. Mas NÃO tomar os remédios também tem riscos. Gostaria de citações sobre a "vasta literatura sobre o assunto".
    3)Conflitos de interesse existem em diversos campos. Ao contrário de quem escreve em um blog, quem produz um artigo científico, publicado em revista com peer review, deve explicitar seus conflitos de interesse. É um sistema livre de falhas? Óbvio que não, tanto que vem sendo aperfeiçoado (#FOAMed). Entretanto, é ingenuidade acreditar que o único conflito de interesse é financeiro: muitos dos críticos são acadêmicos: os conflitos vão desde ideologia até os relacionados a aumentar o número de publicações, conferências e exposição na mídia. Favor explicitar minha contradição no argumento.
    4) Argumentos errados "desde nascença" por quê? Acaso a ciência médica é exata ou os médicos são robôs prescritores? Caso assim o fosse, essa discussão sequer existiria. Existe, aí sim, uma vasta literatura a respeito dos modelos de tomada de decisão, inclusive em experts (vide Kahneman et al) e o fato é que, em uma tomada de decisão, não apenas o conhecimento sobre o fato conta: a verdade é que sua própria percepção a respeito do conhecimento sobre o fato é distorcida pelo contexto: pressões externas, da indústria, dos pares, da sociedade e do próprio paciente.

    Sinceramente, com alguém que critica uma argumentação (baseado em nada), citando "vários buracos", mas com preguiça de apresentá-los e que termina seu texto dizendo que "prefere acreditar", não há muito o que discutir.

    Meu ponto principal é o seguinte: remédio tem indicação e pronto. E esse tipo de disclosure e discussão só é possível de ser feito com tratamentos que foram submetidos a estudos rigorosos. Não é possível fazer isso com o que se prefere acreditar. Aí é questão de fé.

João em 30/01/2015 - 13h05 comentou:

Caso tenha interesse em enveredar por esse tipo de investigação, sugiro:
http://medicinabaseadaemevidencias.blogspot.com.b
http://www.amazon.com/How-Doctors-Think-Clinical-
http://www.amazon.com/How-Doctors-Think-Jerome-Gr

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Vitor em 30/01/2015 - 16h59 comentou:

Morena, sua reportagem é patrocinada pelos laboratorios que fabricam stents? Tu deves estar ganhando muito dinheiro para publicar uma reportagem que contraria os últimos guidelines internacionais de uso de estátina.

Responder

    morenasol em 02/02/2015 - 16h19 comentou:

    você deve ser médico, né? me medindo por sua própria régua? quanto você ganha dos laboratórios?

Raphael Gomes em 30/01/2015 - 19h16 comentou:

As recomendações sobre dieta que o governo dos EUA fizeram foi um desastre para a saúde mundial e o maior sucesso das indústrias farmacêuticas. E já está cada vez mais claro isso, tanto que já está saindo da grande mídia: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/novas-pes
E o segundo tipo de remédio mais vendido, depois dos redutores de colesterol, são os antidepressivos, e também a depressão tem causas alimentares e inflamatórias (que também tem sua origem numa dieta inadequada), sobre o assunto: http://www.paleodiario.com/2014/09/depressao-e-umhttp://www.cytokines-and-depression.com/
É claro que a indústria farmacêutica não vai falar sobre isso.

Responder

deboraligieri em 02/02/2015 - 15h37 comentou:

Tomo sinvastatina há mais de 10 anos como tratamento preventivo de problemas cardíacos por causa do longo tempo (29 anos) de diagnóstico do diabetes. Nunca questionei a indicação porque tenho um longo relacionamento de confiança com meu endocrinologista. Mas comecei a desconfiar das estatinas em 2014 quando, após uma ordem judicial de fornecimento de atorvastatina para um cliente meu, o SUS apresentou uma série de documentos e de declarações para que ele e seu médico atestassem que estavam cientes dos riscos de utilização do medicamento. Esses riscos, sobre os quais meu cuidador nunca me falou, pareciam incoerentes com um fármaco vendido como bala em drogarias. http://www.redehumanizasus.net/88666-a-medicaliza

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    morenasol em 02/02/2015 - 16h18 comentou:

    querida, o uso de estatinas por mulheres é ainda mais polêmico! sugiro que você consulte outro especialista http://well.blogs.nytimes.com/2014/05/05/a-new-wo

    deboraligieri em 02/02/2015 - 17h09 comentou:

    Obrigada pelas informações Cynara, o link que você passou é bastante esclarecedor! Em março converso com meu médico, sobre este e outros medicamentos. Vou replicar seu texto nos grupos de diabéticxs, que tomam estatinas a rodo! Grande abraço.

    João em 23/02/2015 - 18h49 comentou:

    Prezada,
    por que não a mesma velocidade de resposta à Clara, que foi orientada pelo Erivan a parar de tomar estatina após ter um evento cardíaco? Ou não encaixa na visão do blog?

Ederson em 02/03/2015 - 18h40 comentou:

Há alguns anos assisti uma palestra de um renomado cardiologista de São Paulo (que não citarei por ética) que fez referência a um projeto de lei nos Estados Unidos para que Estatinas fossem adicionadas à água para consumo humano, juntamente com o cloro e outras substâncias que tratam a agua.
Não sei da procedência dessa informação, mas desconfiei que a indústria farmacêutica tivesse um dedo nessa história

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