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Alexandre Garcia, Leda Nagle e o lobby dos médicos bolsonaristas em favor da cloroquina

Jornalista veterana já fez uma dezena de entrevistas com médicos defendendo o medicamento, também propagandeado por Garcia

Bolsonaro com os médicos e Alexandre Garcia. Foto: Clauber Cleber Caetano/PR
Cynara Menezes
25 de agosto de 2020, 20h11

A apresentadora Leda Nagle, com extensa carreira na televisão e hoje com um canal próprio no youtube com mais de 950 mil inscritos, e Alexandre Garcia, atualmente na CNN Brasil e também com um canal com mais de 1,7 milhão de inscritos, têm atuado como os principais porta-vozes midiáticos da defesa da cloroquina no combate ao coronavírus, embora não haja nenhuma evidência científica da eficácia do remédio contra a doença.

Nos últimos dois meses, Leda fez mais de uma dezena de entrevistas em seu canal com médicos que advogam o uso da cloroquina e de outras medicações sem evidência científica de que funcionam contra a Covid-19, como a ivermectina e a azitromicina, no “tratamento precoce” da doença. Alguns dos entrevistados pela jornalista estiveram nesta segunda-feira no Palácio do Planalto propagandeando a cloroquina e a hidroxicloroquina na presença de Jair Bolsonaro.

O evento no Planalto, “Brasil Vencendo a Covid-19”, se transformou numa verdadeira apologia ao uso da hidroxicloroquina. Estes médicos teriam entregue ao presidente 10 mil assinaturas de colegas que defendem o “tratamento precoce” da Covid-19 utilizando o remédio, chamado de “nossa linda e velha cloroquina” por Raissa Soares, entrevistada por Leda Nagle duas vezes recentemente.

No início de julho, Bolsonaro chegou a compartilhar em suas redes sociais um vídeo da médica agradecendo pelo envio de cloroquina que havia pedido, também em vídeo nas redes sociais, onde se dirigia ao chefe do Executivo como “meu presidente”. “Meu presidente, nos ajuda. Manda um avião com um carregamento, coloca hidroxicloroquina nessa cidade”, apelava Raissa, que atuava no Hospital Luis Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, na Bahia. Quatro dias depois, Bolsonaro mandou à cidade um avião com 40 mil doses do remédio.

Na cerimônia no Planalto, Raissa afirmou ter sido “demitida” do hospital estadual por insistir no uso do medicamento, boato que ela própria desmentiu na época, em vídeo, afirmando ter deixado o trabalho por conta própria, por não ter tempo de cumprir todas as horas exigidas em contrato.

Raissa Soares contou ainda ter sido xingada por médicos em Porto Seguro pela mesma razão, mas na verdade foi alvo de uma moção de repúdio dos colegas porque, em entrevista, os atacou: “Médico, se você tem medo de dar hidroxicloroquina pra Covid-19, fique em casa, OK?” A prefeitura da cidade acabou pedindo desculpas aos profissionais de saúde pela “declaração isolada” de Raissa, que também é funcionária do município.

Os médicos que se encontraram com Bolsonaro também são os mesmos apontados como responsáveis pelo site Covid Tem Tratamento, Sim, lançado em junho, e que apresenta a cloroquina/hidroxicloroquina, assim como a azitromicina, o zinco e a ivermectina como eficazes para deter o avanço da doença, sem apresentar nenhuma comprovação científica, apenas “fortes evidências observacionais”.

Após a cerimônia dos médicos bolsonaristas no Planalto, da qual participou como se fosse membro do governo, Alexandre Garcia publicou um vídeo dizendo que a hidroxicloroquina está “perto do topo na escala de evidência científica”. Fonte? Nenhuma

Segundo o site Comprova, de verificação de notícias, “são enganosos o conteúdo e a proposta” da página, que diz que “após meses observando o desenvolvimento da covid-19 em vários países, a comunidade médica internacional tem a convicção de uma estratégia de tratamento resolutiva para a COVID-19”. De acordo com o Comprova, “a afirmação foi feita sem comprovação e sem a anuência mesmo de pessoas que supostamente apoiavam a iniciativa”.

O principal vídeo do site dos médicos em defesa da hidroxicloroquina no tratamento precoce é uma live mediada por Alexandre Garcia, que tem falado publicamente sobre o remédio utilizando o caso do próprio Bolsonaro. “Em todo noticiário que eu ouvi, o meu colega repórter diz assim: ‘Mostrou a caixa de hidroxicloroquina, que não tem comprovação científica’. E o cara está na frente do presidente, que é a comprovação científica que o uso da cloroquina dá certo”, disse o jornalista em sua estreia na CNN.

Alexandre Garcia chegou a levar um “pito” ao vivo do colega Rafael Colombo por sua defesa da medicação baseada em achismos. “A troco do quê tanta gente morreria se a cloroquina funciona?”, questionou o âncora do programa. “Se existe um interesse farmacêutico em dizer que ela não funciona, também não há um interesse farmacêutico em dizer que ela funciona?”

Após a cerimônia dos médicos bolsonaristas no Planalto, da qual participou como se fosse um membro do governo e não um jornalista, Garcia voltou a publicar um vídeo em seu canal nesta terça, 25 de agosto, dizendo que a hidroxicloroquina está “perto do topo na escala de evidência científica”. Fonte? Nenhuma. A única “evidência científica” apresentada pelo ex-global foi a “cura” do presidente.

Enquanto os jornalistas amigos promovem a “eficácia” da hidroxicloroquina, o ministro da Saúde, o até hoje interino Eduardo Pazuello, deu entrevista dizendo que os estoques do medicamento “estão zerados”, embora ele mesmo admita existirem 4 milhões de comprimidos na Fiocruz “aguardando negociação de preço”.

“Não temos como comprar, porque o preço de custo dela, que é o que nos colocam, está acima do que nós podemos pagar na tabela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). Então, essa produção da Fiocruz ainda não foi adquirida pela simples razão de negociação de valores, coisa que acontecerá nos próximos dias”, disse.

Pazuello disse que os estoques de cloroquina “estão zerados”, embora ele mesmo admita existir 4 milhões de comprimidos na Fiocruz “aguardando negociação de preço”. A Fiocruz nega, porém, que o ministério tenha feito pedido do medicamento

Em nota enviada ao site, a Fiocruz negou a informação do ministro, afirmando não ter havido nenhum pedido de aquisição por parte da pasta. “Atualmente, Farmanguinhos possui matéria-prima suficiente para produção de até quatro milhões de unidades farmacêuticas do medicamento. Contudo, até o momento, não houve pedido oficial do Ministério da Saúde para uma nova produção de difosfato de Cloroquina 150 mg”, diz o texto.

No final de julho, um edital para a compra de mais cloroquina foi cancelado pela instituição. Leia a íntegra da nota da Fiocruz abaixo.

“Farmanguinhos produz, desde 2007, o medicamento difosfato de Cloroquina 150mg para o atendimento do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária, seguindo cronograma estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS). A última compra de insumo farmacêutico ativo (IFA) foi realizada por Farmanguinhos em abril de 2019, a um custo de 219,98 reais por quilo. Na ocasião, a Fiocruz adquiriu 2.000 quilos de IFA. Em março deste ano, três milhões de unidades farmacêuticas de difosfato de Cloroquina 150 mg foram entregues ao Ministério da Saúde para atender ao Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária.

O IFA é fabricado pela IPCA Laboratories Limited, empresa farmacêutica com sede na Índia que possui registro sanitário do medicamento concedido pela Anvisa à Farmanguinhos.

Atualmente, Farmanguinhos possui matéria-prima suficiente para produção de até quatro milhões de unidades farmacêuticas do medicamento. Contudo, até o momento, não houve pedido oficial do MS para uma nova produção de difosfato de Cloroquina 150 mg.”


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Joana Soares em 26/08/2020 - 00h44 comentou:

Que trabalhão heim?

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Iraci Lemos da Rocha em 26/08/2020 - 08h40 comentou:

Até quando vocês vão perseguir as pessoas que lutam por um Brasil melhor? Fomos Roubados durante anos e vocês não falavam nada. O povo brasileiro honesto e trabalhador… Acordouuuuu!!

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    Cynara Menezes em 26/08/2020 - 13h48 comentou:

    ahã, estamos vendo…

Osmir em 26/08/2020 - 09h03 comentou:

Tem muita inverdades escrito nestes textos, deixem de ser tendenciosos use mais a razão

Responder

    Cynara Menezes em 26/08/2020 - 13h48 comentou:

    qual a inverdade? aponte aí

Davi Dramaturgo em 26/08/2020 - 09h19 comentou:

Bom dia pra todos nós. Doença está sendo tratado como negócios, triste mas não podemos negar. Uma discussão IDEOLÓGICA MORAL E DESNECESSÁRIA, diante da situação que o mundo se encontra. Quem sabe um dia os registros da NOSSA HISTORIA irão constar quanta insanidade mental e temporária deste TEMPO. Lamentável isso, a matéria é bem esclarecedora, porém tem um viés IDEOLÓGICO. Que Deus tenha misericórdia de NÓS SEMPRE muita PAZ AMOR E VIDA TURBINADA EÓLICA EM ASCENÇÃO 🌹🌹🌹🌹

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José Valentin Harkot Filipkowski em 26/08/2020 - 14h07 comentou:

Absurda a posição de certos médicos contra a hidroxicloroquina!!! Preferem dar a morte para os pacientes!!!
Ciência???? Existe melhor resposta do que salvar alguém da morte???
Nem todos os médicos são cientistas aliás a grande maioria não o são!!!
Eles foram gormsdis pra salvar vidas!!! Só uns poucos são cientistas de verdade!!! Estes que estudem a Chloro quina pra fazer as suas afirmações científicas!!! Os outros devem usá-la para salvar vidas que é a sua obrigação uma vez que não o fazendo devem ser penalizados na forma e da lei!!!

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Ana Paula em 26/08/2020 - 17h11 comentou:

Me poupe!!! Ate quando isso? Vão para o inferno!!! Fico Muito contente por amigos e familiares que conseguirão realizar o tratamento no início da doença com a hidroxicloroquina. A China admitiu testar a Cloroquina. Diversos políticos vagabundos a exemplo do Sr. Doria e do Dr. David Uip utilizaram. A atriz Camila Pitanga assumiu que foi erro médico e que ela estava com Covid invés de Malária (pura enganação)…Vão trabalhar cambada de vagabundos. Melhor do que ficar arrotar merda. É uma pena ver que jornalismo no Brasil virou militância…se é assim, sou antimilitancia.

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Geisha em 26/08/2020 - 21h42 comentou:

A comprovação científica está nas pessoas que estão vivas graças a medicação. Parem de lutar contra o povo e a vcs mesmos (e familiares) que podem ser beneficiados como uso do remédio. Ser opositor a um governo é um direito, mas fazer oposição a saúde das pessoas é descer a um nível muito baixo e na minha opinião vcs são a ralé jornalística, ao publicar uma matéria tão improdutiva como esta que só serve para piorar o medo que algumas pessoas tem da doença.

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Paula em 26/08/2020 - 21h51 comentou:

Que absurdo de matéria! Será que alguém cai ainda nessa ladainha que não se deve tomar cloroquina ! Então toma o que ????? Dipirona ?????

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Carmelita em 26/08/2020 - 23h22 comentou:

PRa q melhor comprovaçao de q a cloroquina da certo do q o paciente curado? Isso é o dado q leva a comprovar q cloroquina dá certo

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    Cynara Menezes em 27/08/2020 - 20h33 comentou:

    e os 800 mil mortos no mundo, você explica como?

Miguel Arana em 27/08/2020 - 00h47 comentou:

Leda da voz a quem
Vocês não querem ouvir por motivos políticos por motivão financeira (dinheiro )
O que este médicos fazem e querer salvar vidas , coisa q a imprensa parece q não gosta pq quanto mais desgraça mais vcs publicam ,
Dizimando o terror

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MARCELO SCOASSADO em 27/08/2020 - 01h14 comentou:

Que vergonha!.
Perdi meu tempo lendo um texto enorme apenas pra constatar sua paixão Ideológica.
Torcedora do caos?
Comuna me diga, sobre o uso da Cloroquina pelos chineses…
Você fez uma indagação, “se existe um interesse dos fabricantes do remédio pelo não uso, também deveria ter pelo “…meu Deus, uma coisa é o interesse sobre algo que existe é barato e está sem patente…outra coisa muito diferente é ter exclusividade e custar muito acima de uma Cloroquina.

Lógico que existe um lobby pelo não uso…
Alguma coisa acontece com o pensamento esquerdista, que interrompe o raciocínio lógico….

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Maria das Graças de Castro em 27/08/2020 - 01h28 comentou:

“O sol nasceu pra todos e a sombra pra quem merece.”

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Avante em 27/08/2020 - 09h26 comentou:

Parabéns Alexandre Garcia e Leda Nagler pelo trabalho de vocês. Vocês são verdadeiros jornalistas que não omitem nem distorcem a notícia.
Parabéns aos médicos que adotam o protocolo do Ministério da Saúde. São inúmeros casos de sucesso e redução significativa das mortes.
A epoca do engano passou, graças a Deus!
Deus abençoe nossa nação!

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Ivonete Francisca em 27/08/2020 - 10h57 comentou:

Triste é ver tantas coisas escritas e nenhum apio ao remedio que ta ajudando tanra gente ser curado da covid. Precisamos apioar o govetno Federal e deixar ele trabalha. Que o SENHOR Jesus conduza esta nação.

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Luis reis em 27/08/2020 - 13h06 comentou:

Citando o estudo abaixo: “… neste grande estudo observacional belga de pacientes hospitalizados com COVID-19, a monoterapia com HCQ administrada em uma dosagem de 2.400 mg durante cinco dias foi independentemente associada a uma redução significativa na mortalidade em comparação com pacientes não tratados com HCQ. Esse impacto foi observado tanto no grupo de tratamento precoce quanto no tardio….” Título do artigo: “Bélgica | Maior estudo retrospectivo em pacientes hospitalizados mostra que a hidroxicloroquina reduz significativamente o risco de mortalidade por covid-19” – Publicado 25.08.2020 por Thaís Garcia

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Paulo Henrique em 18/09/2020 - 14h29 comentou:

Então vamos lá. A prova de que a cloroquina funciona é que as pessoas estão se curando, certo? Ora! 95% das pessoas se curam com ou sem!! Nos temos 2 milhões de pessoas Contaminadas no Brasil oficialmente! As 1,9 milhão que não morreram tomaram cloroquina??? E as que morreram não tomaram?? Isso é uma palhaçada. Uma delinquência intelectual

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