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Deputada do Equador é ameaçada após colega sugerir fuzilar apoiadores de Rafael Correa

Sob o governo de Lenín Moreno, perseguição brutal a aliados do ex-presidente inclui violência física e práticas de lawfare

A deputada Pamela Aguirre. Foto: divulgação
Rogério Tomaz Jr.
25 de junho de 2020, 19h53

A deputada Pamela (Pame) Aguirre, de 35 anos, representante do Equador no Parlamento Andino, tem recebido ameaças de morte de forma sistemática após criticar seu colega Fausto Cobo, vice-presidente do órgão, que disse, no início de maio, que militares apoiadores do ex-presidente Rafael Correa mereciam ser fuzilados por “traição à pátria”.

O Parlandino é a assembleia parlamentar da Comunidade Andina e hoje é composto por representantes de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Foi criado em 1979 e funciona desde 1984, sendo um órgão de integração regional mais antigo do que o sistema Mercosul, que começou a funcionar em 1991.

A declaração de Cobo ocorreu durante entrevista à Rádio Quito 760 AM e foi considerada uma tentativa de intimidação a todos os apoiadores do ex-presidente e não apenas aos integrantes das Forças Armadas. Em resposta, Aguirre afirmou que a proposta do colega tinha natureza “fascista”.

Após a entrevista de Cobo, que se define como “homem de bem” em seu perfil no twitter, passaram a circular, nas redes sociais do Equador, imagens da deputada com seu filho de 9 meses e do local onde ela reside em Quito. As fotos são sempre acompanhadas de ameaças explícitas ou veladas.

O print da ameaça

Cobo é apoiador do atual presidente, Lenín Moreno. Além disso, o deputado também apoiou o golpe de Estado que Lucio Gutiérrez comandou contra o governo de Jamil Mahuad, em janeiro de 2000, e ocupou altos cargos durante a presidência do mesmo Gutiérrez, entre 2003 e 2005, antes que este fosse deposto e tivesse que fugir de helicóptero do palácio presidencial.

Além das ameaças constantes, Pamela Aguirre foi vítima de discriminação no Parlamento Andino, quando a delegação do Equador tentou negar-lhe o direito à licença-maternidade, o que a fez denunciar o caso à Organização dos Estados Americanos (OEA).

A denúncia foi acolhida pelo Comitê de Especialistas do Mecanismo de Seguimento da Convenção de Belém do Pará, criada para prevenir, sancionar e erradicar a violência contra mulheres no continente americano. O Comitê manifestou preocupação com a situação e cobrou do Parlandino uma “investigação séria, efetiva, imparcial” e a aplicação das medidas necessárias para que seja cessada a violência contra a parlamentar.

Logo no início do seu governo, em maio de 2017, Lenín Moreno abandonou os laços históricos com o grupo que promoveu a “Revolução Cidadã” no Equador e se aliou ao empresariado mais reacionário e entreguista do país. O Equador passou então a vivenciar uma perseguição brutal aos opositores políticos do governo, especialmente aqueles vinculados a Rafael Correa, de quem Moreno foi vice-presidente entre 2007 e 2013.

A perseguição usa desde a violência física até o lawfare aplicado em conjunto com a violência política. A vítima mais recente desse método foi a governadora da província de Pichincha, onde fica Quito. Paola Pabón, correísta e jovem liderança que era uma das principais opositoras a Moreno, foi presa de forma ilegal numa madrugada de outubro de 2019 e liberada apenas no dia de Natal.

Rogério Tomaz Jr., jornalista, faz mestrado em Estudos Latino-americanos e escreve sobre política internacional em Mendoza, Argentina


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