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Em carta, Lula rejeita ir para semiaberto e diz esperar por “verdade e Justiça”

Segundo defensores do ex-presidente, intenção é reforçar o pedido de habeas-corpus no STF como caminho para a anulação

Cristiano Zanin e Valeska Teixeira, advogados de Lula. Foto: Ricardo Stuckert
Da Redação
30 de setembro de 2019, 17h00

Em carta lida hoje por seu advogado, Cristiano Zanin Martins, e divulgada pelas redes sociais, o ex-presidente Lula rejeitou passar para o regime semiaberto, como foi pedido pelos procuradores da Lava-Jato. “O que o ex-presidente nos orientou é que, diante deste cenário, não vai aceitar barganha em condições estabelecidas pela Justiça”, disse Zanin. Uma das possíveis “condições” para ir para o semiaberto seria, por exemplo, o uso de tornozeleira, que Lula já disse em entrevistas não aceitar de jeito nenhum.

“Quero que saibam que não aceito barganhar meus direitos e minha liberdade”, escreveu o petista. “Diante das arbitrariedades cometidas pelos procuradores e por Sergio Moro cabe agora a Suprema Corte corrigir o que está errado, para que haja justiça independente e imparcial. Como é devido a todo cidadão.” Para Lula, os procuradores da Lava-Jato e Moro deveriam pedir desculpas ao povo brasileiro, “aos milhões de desempregados” e à sua família “pelo mal que fizeram à democracia, a Justiça e ao país”.

Um time de advogados (entre eles a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, e o candidato a presidente em 2018, Fernando Haddad) passou a segunda-feira reunido com Lula em sua cela na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para formular a estratégia daqui para a frente.

Segundo disse Zanin a jornalistas na saída do edifício, a primeira medida agora será apresentar uma petição ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que julgue com urgência os recursos que pedem a anulação da condenação. Um dos recursos aponta a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, que ganhou o ministério da Justiça do principal oponente de Lula à eleição. “Vamos fazer o possível para que os habeas corpus sejam julgados o quanto antes. Esse é o caminho para a anulação”, afirmou o advogado.

“Ao povo brasileiro,

Não troco minha dignidade pela minha liberdade. 

Tudo que os procuradores da Lava Jato realmente deveriam fazer é pedir desculpas ao povo brasileiro, aos milhões de desempregados e à minha família pelo mal que fizeram à democracia, a justiça e ao país. 

Quero que saibam que não aceito barganhar meus direitos e minha liberdade. 

Já demonstrei que são falsas as acusações que me fizeram. São eles e não eu que estão presos às mentiras que contaram ao Brasil e ao mundo. 

Diante das arbitrariedades cometidas pelos procuradores e por Sergio Moro cabe agora a Suprema Corte corrigir o que está errado, para que haja justiça independente e imparcial. Como é devido a todo cidadão.

Tenho pela consciência das decisões que tomei nesse processo e não descansarei enquanto a verdade e a Justiça não voltarem a prevalecer.”

 


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