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Enquanto isso, na Espanha… Militantes do PSOE pedem perdão em nome do partido

  É difícil que dirigentes de um partido político reconheçam seus erros. Que peçam desculpas aos eleitores pelas faltas que porventura cometeu. Errar é humano, mas isso parece não valer para políticos. Das duas, uma: ou os políticos se consideram todo-poderosos, portanto não-humanos, ou acham que se desculpar publicamente é humilhante –e voltamos assim à […]

(cartaz de campanha de Felipe González em 1982)
Cynara Menezes
27 de novembro de 2012, 17h20

 

(cartaz de campanha de Felipe González em 1982)

É difícil que dirigentes de um partido político reconheçam seus erros. Que peçam desculpas aos eleitores pelas faltas que porventura cometeu. Errar é humano, mas isso parece não valer para políticos. Das duas, uma: ou os políticos se consideram todo-poderosos, portanto não-humanos, ou acham que se desculpar publicamente é humilhante –e voltamos assim à condição de gente acima do cidadão comum, porque as pessoas “normais” costumam achar a admissão de equívocos um gesto nobre.

Isto acontece em toda parte. Mas o pior, no Brasil, é que mesmo os militantes de alguns partidos não admitem a possibilidade de mea culpa. Autocrítica? Para quê? Às voltas com a crise econômica em seu país, os militantes do PSOE (Partido Socialista Obrero Español) resolveram fazer diferente: gravaram e publicaram no youtube um pedido de desculpas público em nome do partido no qual votam. Enumeram um a um os erros de José Luis Zapatero, o ex-presidente de governo do PSOE co-responsável por levar o país à bancarrota. “Queremos um PSOE melhor porque desejamos começar de novo”. “Traímos nossos ideais”. “Peço perdão porque falhei”. “Te peço perdão porque as idéias socialistas são mais importantes do que as pessoas que dirigem o partido”.

Um grande exemplo.


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(12) comentários Escrever comentário

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Magali em 27/11/2012 - 17h50 comentou:

Muy bueno, Cynarita!!! E a maioria dos políticos brasileiros, tendo a inverdade como uma máxima. Fala sério! 😉

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Marcia Mendes em 27/11/2012 - 21h23 comentou:

Poucos insistem no principal nesta cruel política de austeridade, para os países mais
vulneráveis na Europa e cobaias ( Irlanda, Portugal, Espanha, Grécia, Itália ). O que pretendem
tanto a banca européia, como governos e a Alemanha, é aproveitar o momento e quebrar
a espinha dorsal do Estado de Bem-Estar Social imposto após 1945. Seria a maneira
de elevar a tal ” produtividade “ da Europa regredir aos anos 20 do século XX. Aqui
não aparece este debate nos partidos, se é que existe

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mario cezar em 28/11/2012 - 01h34 comentou:

morena, cá com meu caçuar de imburana; cá com meus tamboretes de madeira encardida; cá com meus potes de barro; cá com o ranger da rede; cá com a poesia de maiakovski; cá com a cunha da enxada; a estrutura psiquica de um político´(pode) digo, pode ser a paranoia e como una morena, de olho arregalado sabe, o paranoico é o próprio dios; em sua sacrossanta jornada de libertar o mundo; de estabelecer os desígnios da fartura para a humanidade. entonces, morena, como é que dios vai pedir desculpa. perdon. cá , com meus pés de cajarana, a mídia e jornalistas na ânsia de produzir notícias bombásticas(se preferir digo: bestagens) não enveredam pelos requisitos da paranoia (além de políticos: você já espiou algum jornalista pedindo desculpas pelos precipícios impostos , como verdades?

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Edu em 28/11/2012 - 01h58 comentou:

Morena, você sabe a distância que nos separa da Espanha, e não me refiro aqui ao Oceano Atlântico. A sociedade civil na Espanha (como no resto da Europa) é forte e pulsante. Quase todos os finais de semana tem alguma manifestação no centro de Madri, seja protestando contra as políticas de recortes que os governos central e autonômico vêm executando. O protesto tem varias cores, cores de camisa mesmo. A maré verde, cujo lema é "escola pública de todos para todos", contra os recortes na educação. A maré negra que cerca o parlamento como modo de chamara a atenção dos representantes do povo para os clamores de seus representados. E a maré branca na saúde pública, contra os cortes orçamentários, as políticas de co-pago de medicamentos e de privatização de hospitais.

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Edu em 28/11/2012 - 01h59 comentou:

No Brasil, durante a ditadura se privatizou o sistema de saúde e de educação sob o olhar risonho da classe média, que se orgulhava de ter um "plano de saúde" e poder pagar a escola privada para seus filhos. Isso era e ainda é motivo de distinção social entre essa camada, que conta vantagem de ter ido ao "aistein", quase como quem foi à Paris (isso antes da descoberta sociológica da Danuza).

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Edu em 28/11/2012 - 02h01 comentou:

Na Espanha não tem essa de "imprensa independente" como no Brasil, tem jornal de direita e de esquerda, canal de televisão de direita e de esquerda, canal público de rádio e televisão, com disputas políticas renhidas, e ninguém se esconde ou dissimula posicionamento político.

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Edu em 28/11/2012 - 02h01 comentou:

O PT que parecia na boa direção perdeu o rumo e parte da sua história assim que chegou ao poder. Ao se misturar primeiro envergonhadamente e depois descaradamente as velhas práticas políticas, vem perdendo seu maior ativo, a confiança que milhares de militantes apaixonados e desinteressados depositaram nesse projeto "socialista" (tão socialista quanto o do PSOE). O PT se continuar por essa senda vai acabar por criar uma espécie de malufismo de esquerda, um "rouba mas faz" com tintas de "rojas"

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Cícero em 28/11/2012 - 04h19 comentou:

Reconhecer os próprios erros publicamente é sempre um gesto nobre, sobretudo quando tal iniciativa emana de um grupo político…. Infelizmente, nem todos pensam assim!

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Ricardo em 28/11/2012 - 21h09 comentou:

Creio que o PT não peça perdão porque entre as acusações há muita mentira.

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RLdO em 01/12/2012 - 16h49 comentou:

Ô, Cynara, gosto tanto de você, admiro tanto seu blog, seus artigos na CC, e me sinto tão reconfortado pois finalmente alguém comprou a briga de colocar o legado de Darcy no seu devido lugar: na boca do povo… Mas tira essa foto de Felipe González daí, na moral, ou então contextualiza. O homem sob cujo governo a Espanha praticou terrorismo de Estado, inclusive fora de seu território. Uma foto dessa sem nenhuma referência a quem foi o retratado mancha o blog…

Ah, e se lhe aprouver, indica aqui o documentário "La pelota vasca", um excelente convite à compreensão e ao diálogo sobre a questão basca e sobre as nacionalidades do Estado espanhol, bem em tempo nesses dias de rebeldia catalã. Além de um belíssimo filme, dá voz a etarras e vítimas do ETA, a militantes bascos pacifistas e, inclusive, ao próprio González.

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    morenasol em 01/12/2012 - 20h21 comentou:

    como assim contextualizar? se o mea culpa deles é justo pelo que felipe gonzález representou a princípio! o cartaz é de 1982, mais contextualizado impossível

    RLdO em 01/12/2012 - 21h38 comentou:

    Entendi o cartaz como referência positiva a um PSOE histórico e o vídeo como uma referência a fatos recentes que envergonham seus militantes… Perdoe-me pelo mal-entendido. Pensei que o mea culpa era só em relação a como Zapatero enfrentou a crise. Não percebi no vídeo nada relativo ao papel representado pelo PSOE na transição e pós transição, apenas tratando dos últimos anos. Falha minha, vou assistir de novo mais cuidado.

    E tampouco citar o ano por si só é contextualizar… 😉

    Mas enfim, parabéns pelo trabalho, estou gostando bastante do blog!

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