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EUA: 12 Estados querem aprovar lei “Don’t Say Gay” contra “ideologia de gênero” nas escolas

Estratégia similar à de Bolsonaro com o "kit gay" avança nos EUA com ajuda da FoxNews, que incentiva a perseguição a professores

Estudantes da Flórida protestam contra a lei. Foto: Equality Florida/twitter
Da Redação
13 de abril de 2022, 22h28

O Brasil imita os EUA? Ao que parece, os gringos é que passaram a nos imitar: a narrativa da extrema direita contra “ideologia de gênero” nas escolas está crescendo de forma avassaladora num país que se orgulha de ter a liberdade de expressão como Primeira Emenda da Constituição. Depois que a Flórida aprovou uma lei apelidada pelos opositores de “Don’t Say Gay” (“Não Diga Gay”), que proíbe a discussão sobre orientação sexual nas escolas públicas e outras medidas LGBTfóbicas, mais 11 Estados lançaram propostas semelhantes.

No final de março, Ron DeSantis, governador republicano da Flórida e possível candidato à presidência em 2024, sancionou a lei “Direitos Parentais em Educação”, que proíbe professores das escolas públicas do Estado de dar instruções sobre orientação sexual ou identidade de gênero a estudantes da pré-escola até o 3º ano. “Queremos assegurar que os pais possam mandar seus filhos para a escola para obter educação, não doutrinação”, disse De Santis. Detalhe: educação sexual nem sequer faz parte do currículo escolar para essa faixa, de crianças até 10 anos.

Principal âncora da FoxNews, Tucker Carlson incentiva pais a agredir professores que falem sobre orientação sexual com alunos. “Onde estão os pais? Alguns professores estão impondo valores sexuais a seus estudantes. Por que não vão lá e batem neles?”

Articulador da lei no Alabama, o senador republicano Shay Shelnutt foi questionado por um colega democrata sobre qual seria a resposta ideal a um garoto que perguntasse à professora ou professor se ele é menino ou menina: “Você é um menino, Joãozinho”, disse Shelnutt, sem se importar com os danos que isso poderia causar à criança. A lei que ele pretende aprovar transforma em crime, punível com até 10 anos de prisão, médicos que prescreverem bloqueadores de puberdade e hormônios a jovens transgêneros.

A emissora trumpista FoxNews rapidamente aderiu à campanha, incentivando a perseguição aos professores, tal como aconteceu durante a Guerra Fria. O dramaturgo David Mamet, que não é expert no tema e sim um recém-convertido ao conservadorismo, foi convocado a opinar no canal simplesmente porque apoia a lei, e partiu para cima dos docentes, afirmando, sem nenuma evidência que sustentasse isso, que professores são “inclinados à pedofilia”. “Esse sempre foi o problema da educação – os professores são inclinados (geralmente os homens, porque os homens são predadores) à pedofilia”, disse, para revolta geral.

A entrevista com Mamet ocorreu dias após o principal âncora do canal, Tucker Carlson, incentivar os pais norte-americanos a agredirem os professores que abordarem o tema da homossexualidade ou transexualidade. “Eu não entendo onde os homens estão. Onde estão os pais? Sabe, alguns professores estão impondo valores sexuais a seus estudantes de terceiro ano. Por que vocês não vão lá e batem neles? Um funcionário público impondo os valores de outra pessoa sobre sexo a seu filho, cadê a reação?”, disse Tucker.

Em setembro do ano passado, o guru da extrema direita mundial, Steve Bannon, já havia falado que o novo “campo de batalha” seriam as escolas públicas. Uma estratégia em tudo similar ao que o bolsonarismo tem feito aqui desde o famigerado “kit gay” que nunca existiu. Parlamentares conservadores como Lauren Boebart já defendem que gays deveriam ser legalmente proibidos de “sair do armário” até que completem 21 anos; a ex-deputada Tulsi Gabbard propõe estender a proibição da “identidade de gênero” nas escolas até o ensino médio e chama os gays de “anormais”.

Quem reclama da lei é chamado de “provavelmente um abusador”, “pedófilo” ou “apoiador de pedofilia”. Por outro lado, todas as iniciativas usam uma estratégia idêntica, de não utilizar as palavras “gay” ou “trans” em nenhum momento do texto, substituindo-as por palavras neutras como “orientação sexual” ou “identidade de gênero”. A intenção por trás disso? Não serem acusados de LGBTfobia.

O presidente dos EUA, Joe Biden, reagiu no twitter, chamando a lei de “odiosa” assim que o Senado da Flórida a aprovou. “Quero que todos os membros da comunidade LGBTQI+, especialmente as crianças que serão impactadas por esta lei odiosa, saibam que vocês são amados e aceitos como vocês são. Eu apoio vocês e minha administração continuará a lutar pela proteção e segurança que vocês merecem.”

Outra reação à lei partiu do prefeito de Nova York, Eric Adams, que espalhou outdoors na Flórida em apoio à comunidade LGBTQIA+ e promovendo a cidade que administra. “Esta é a cidade de Stonewall”, disse Adams, referindo-se ao histórico protesto pró-direitos civis dos homossexuais em 1969. “Vamos mostrar nosso apoio em voz alta e dizer para aqueles que moram na Flórida, queremos você aqui em Nova York.” Os cartazes trazem dizeres como “Venha para a cidade onde você pode dizer o que quiser” e “As pessoas dizem muitas coisas ridículas em Nova York. ‘Don’t Say Gay’ não é uma delas”.

Com informações da NPR e do NCRM

 


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Bernardo Santos Melo em 14/04/2022 - 01h14 comentou:

Tio Sam tornou-se decadente , cafona e bestial . É o país com cara de Moro e supérfluo como a Conja.
Sinceramente , ser Estado-unidense é como pertencer a um apostolado comprometido com a barbárie armamentista e o saque petrolífero mundo à fora .
Em terras Trumpeiras , tudo é brega e fétido , mas o horizonte verde do dólar furado avizinha-se , haveremos de ver Tio Patinhas de olhos esticados , pele amarela , cabelos pretos e circulando pela novas rotas da seda sem nenhum dólar no bolso , falando chinês e pregando o necessário fim a OTAN .
Basta de hambúrgueres , hot-dog e guerras , deixemos pra essa gente petulante nosso NÃO ETERNO ,

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Luís Carlos Kerber em 14/04/2022 - 21h55 comentou:

A imbecilidade e a desumanidade dos movimentos evangélicos neopentecostais e de direita ainda vão levar a barbárie para todos os cantos. Por aqui, em nome dos “bons costumes”, estes insanos de direita e os movimentos evangélicos neopentecostais aceitam a facilitação do acesso de armas pesadas para qualquer um, aceitam a destruição do meio ambiente e aceitam que todos (inclusive os próprios insanos evangélicos neopentecostais) tenham suas rendas do trabalho consumidas vorazmente pela inflação, tudo em nome de manter os “bons costumes” em vigor.

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Loira Capitalista em 15/04/2022 - 10h23 comentou:

A China é dona de Trilhões de dólares em reserva ! Ela quer acabar com o dólar ? acho brabo. Outra coisa que esquecem, a China cresceu e cresce exportando para o ocidente principalmente os EUA.
Os EUA apoiaram fortemente a entrada da China na OMC, primeiro porque o Lobby das grandes empresas americanas queria mão de obra barata, outro porque achavam que poderiam, através do inserção econômica ao comércio global, transformar a China em um país rico e desenvolvido e principalmente, uma democracia aliada, como foi feito com Japão, Coréia do Sul, Taiwan. etc
O fato é que se ocorrer um desacoplamento entre a economia chinesa e a americana, ambos sairão com perdas, mas a China muito mais, haja visto que não existe substituição para o imenso mercado consumidor americano.
Depois da Crise da Covid e a interrupção nas trocas das cadeias globais de suprimento, a globalização está sofrendo muito. Veja o caso dos chips, só a Intel está investindo 100 bilhões de dólares em várias fábricas de Chips nos EUA.
‘Bring the jobs back”
A China não podendo exportar, gera desequilíbrio e falta de emprego na população, que pode se revoltar e tirar o PCC do poder ! Isso é o que a Elite do PCC mais temo.
Depois do massacre da Praça da Paz Celestial em 89, o PCC corrompeu/distraiu o povo Chinês com abertura econômica mas mantendo uma feroz repressão social.

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