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Grandes enganações do capitalismo: o CD

Existe tecnologia mais fail do que CD? A porcaria arranha, quebra, fura, mofa, descasca ou simplesmente NÃO TOCA! Quem nunca passou raiva com um CD que fica rodando, rodando, rodando e zunindo sem parar? Aí você troca de aparelho para testar e o troço continua pulando de faixa em faixa feito um demônio e nada […]

Cynara Menezes
05 de julho de 2016, 16h46

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Existe tecnologia mais fail do que CD? A porcaria arranha, quebra, fura, mofa, descasca ou simplesmente NÃO TOCA! Quem nunca passou raiva com um CD que fica rodando, rodando, rodando e zunindo sem parar? Aí você troca de aparelho para testar e o troço continua pulando de faixa em faixa feito um demônio e nada de música… Sem contar que os próprios CD-players também vivem encrencando. Está para nascer quem não tenha um aparelho velho de CD encostado em casa. Ou vários, uma espécie de cemitério de CD-players inúteis.

Já comentei aqui sobre o manjado truque do capitalismo de criar necessidades: convencer as pessoas de que elas precisam de algo que na realidade não precisam. Foi assim com os CDs. Fico pensando no momento em que nos convenceram a todos de que o disco de vinil era algo obsoleto e que os CDs eram muito melhores, mais práticos e duráveis. Resultado: a maioria de nós jogou fora todos os LPs e compactos que colecionamos durante a vida inteira, alguns deles relíquias de família. Que burrice!

Fomos convencidos ainda a comprar equipamentos ultra-sofisticados para tocar os CDs e impressionar as visitas. Lembro de gente que tinha umas CDtecas enormes, com aparelhos que tocavam vários CDs de uma vez, e quem comprava aquilo adorava se exibir, era símbolo de status. O tempo mostrou quão ilusório isso era: os CDs não duram nada se não estiverem em condições de armazenamento, umidade etc. “ideais” e aqueles aparelhos “de última geração” quebram com a maior facilidade. Para consertá-los, as assistências técnicas cobram os olhos da cara, e muita gente acabava preferindo comprar outro. Nada mais lucrativo para os fabricantes.

Os CDs eram mais portáteis, isso é verdade, do que os velhos bolachões. Você podia levar vários numa viagem de carro, por exemplo. Quanto aos CD-players, a maior vantagem apontada era a possibilidade de pular a música apenas com um toque de botão ou no controle remoto, sem precisar levantar para mexer no disco, como acontece com os LPs. Essa, pensando bem, deve ser a maior desvantagem do CD diante do vinil: criar uma geração inteira de gente com preguiça até de levantar para trocar um disco de lado.

Com o advento do MP3, o CD, que supostamente duraria 200 anos, foi praticamente abandonado. Hoje inclusive tem mais gente que escuta música direto em aplicativos como o Spotify. Aquela “tecnologia moderníssima” foi para o limbo. Não conheço quase ninguém que escuta CDs atualmente. Em compensação, muitos amigos voltaram a ouvir os velhos vinis. Sorte de quem não seguiu a onda e os salvou da lata de lixo. E, surpresa: basta passar um paninho que eles tocam que é uma maravilha!

Não vou entrar aqui na polêmica nunca resolvida sobre qual dos dois possui o melhor som, o CD ou o vinil. Acho que é, acima de tudo, uma questão de gosto. Mas o fato é que os vinis não estragam! O máximo que pode acontecer com eles é arranhar. Se você deixá-los guardado um tempo, não vai precisar de muita coisa além de esponja e sabão para tê-los tinindo novamente. Agora faça o mesmo com um CD, deixe-os esquecidos durante décadas: eles ficam imprestáveis!

As caixinhas dos CDs são outra coisa abominável. Feitas em plástico, elas quebram no primeiro descuido e ficamos com vários discos sem caixa até conseguir outras – e aí obviamente eles estragam ainda mais facilmente. Impossível não comparar com as belíssimas capas dos LPs de vinil, em papel, perfeitamente duráveis. Tenho discos com mais de 40 anos aqui em casa e com as capas novinhas.

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(Esse disco do Police é de 1978…)

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(…e esse da Rickie Lee Jones é de 1991. Novinhos!)

Os aparelhos para tocar vinil podem ser supersimples, analógicos. Ou seja, como Fuscas, raramente quebram. O melhor é voltar à velha vitrolinha e comprar algo bem rudimentar, que serve apenas para… tocar disco. Foi o que eu fiz. Tínhamos em casa um 3 em 1 velho que estava há anos encostado e foi parar no quartinho dos fundos. Comprei uma vitrola e voltei a ouvir meus discos e alguns usados que comprei em sebos, todos em excelente estado. A vitrolinha também é capaz de transformar meus velhos LPs em MP3. O melhor da velha e da nova tecnologias.

Fala sério: fomos ou não fomos trouxas ao cair no conto do CD? Bem, eu nunca joguei meus LPs fora e agora estou tendo o prazer de escutá-los na vitrola. Nada mais gostoso do que aproveitar os momentos de folga ouvindo-os um por um, com seu som inigualável. Sem a menor preguiça de levantar, trocar de lado, escolher outro… Delícia.

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(O cantinho que eu fiz pros meus amados LPs)

 

 


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