Socialista Morena
Politik

Lula trolou Bolsonaro e reduziu seu discurso de 7 de Setembro a uma chorumela pró-ditadura

O pronunciamento do atual ocupante do Planalto, em pleno Dia da Pátria, passou em branco até para os robôs

Foto: reprodução youtube
Cynara Menezes
08 de setembro de 2020, 15h44

Foi um golpe de mestre, uma trolagem épica, para usar uma expressão que os robôs do oficialismo adoram. Em pleno 7 de Setembro, Dia da Pátria, a data mais cara ao militarismo e aos falsos patriotas que integram o governo, Lula foi mais rápido que o presidente e fez, poucas horas antes dele, um discurso de estadista, reduzindo o pronunciamento de Jair a uma chorumela anacrônica pró-ditadura militar.

Curto no tempo e na essência, Bolsonaro simplesmente ignorou o coronavírus em seu discurso do Dia da Pátria, a despeito dos milhares de cidadãos mortos e das famílias desfalcadas dos entes queridos. Preferiu recorrer à batida falácia anticomunismo

Exibida às 15h, a fala de Lula, com 23m47s, incluiu todos os assuntos que preocupam os brasileiros neste momento, a começar do coronavírus, a pandemia que já causou 130 mil mortes em nosso país, e subindo. Mencionou a desigualdade racial e social das vítimas. O descaso do governo federal com a doença. O auxílio emergencial. O desemprego. O lucro dos bilionários diante das perdas dos trabalhadores. Os militares sem formação que ocupam cargos na Saúde, contrariando a promessa bolsonaristaa de um ministério “técnico”. Os ataques à soberania e a subordinação aos EUA. A ameaça à Amazônia. O sucateamento das empresas públicas e a entrega do pré-sal a multinacionais estrangeiras. O desmonte da educação pública e a perseguição à ciência e à cultura. A sombra autoritária. O racismo e o machismo estruturais que matam. E se lançou pré-candidato à sucessão de Jair. “Me coloco à disposição do povo brasileiro”, disse.

Cinco horas depois, entrou no ar em cadeia nacional o pronunciamento do presidente, com 2m55s de duração. Curto no tempo e na essência, Bolsonaro simplesmente ignorou o assunto coronavírus em seu discurso do Dia da Pátria, a despeito dos milhares de cidadãos mortos e de tantas famílias desfalcadas dos entes queridos. Preferiu recorrer à batida falácia anticomunismo, copiando a estratégia de Donald Trump em sua campanha à reeleição e a sua própria em 2018. Repetiu clichês sobre “amor à Pátria” e respondeu Lula ao falar em “soberania” e negar que o Brasil seja “submisso a qualquer outra nação”. Copiou inclusive um trecho completo de um editorial de Roberto Marinho de 1984 justificando o apoio da Globo à ditadura 20 anos antes. Por fim, enalteceu a Constituição e a democracia ao mesmo tempo que, de forma incoerente, defendia a ditadura.

Na comparação entre o atual e o ex ocupantes do Planalto, é inegável que a estatura de Lula deixou Jair nanico. A comprovação está na repercussão de ambos os pronunciamentos: com 3,1 milhões de seguidores no youtube, o discurso de Jair teve até agora 92 mil visualizações; o de Lula está com quase 500 mil, a despeito de o petista possuir apenas 210 mil seguidores. A fala do petista incomodou tanto que os bolsominions foram em massa ao perfil de Lula para “dar dislike” no vídeo.

Uma das hashtags que o bolsonarismo conseguiu levantar no twitter foi “ladrão” para se referir ao ex-presidente. E, de fato, o termo “ladrão” é o que mais corresponde ao que Lula fez no Dia da Pátria: roubou a cena de seu principal adversário

No twitter, não havia um só trending topic festejando o discurso do “mito”. Todos os termos, positivos e negativos, que apareceram na noite do 7 de Setembro se referiam ao pronunciamento de Lula, com #LulaFalaAoBrasil ocupando o topo dos tópicos mais comentados da rede social. Mesmo as tags contrárias se referiam também ao discurso de Lula, como #LulaVoltaPraCadeia. 24 horas depois, entre os trending topics da rede social, ainda havia um favorável ao petista: #LulaPresidente2022. O discurso de Bolsonaro passou em branco até para os robôs.

Uma das hashtags que o bolsonarismo conseguiu levantar no twitter foi “ladrão” para se referir ao ex-presidente. E, de fato, o termo “ladrão” é o que mais corresponde ao que Lula fez no Dia da Pátria: roubou a cena de seu principal adversário.

 


Apoie o site

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito

Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta Corrente: 23023-7
(1) comentário Escrever comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Bernardo Santos Melo em 09/09/2020 - 12h41 comentou:

Gosto do Lula não candidato , como um menestrel , unindo Ciro & Dino para enfrentar o INOMINÁVEL .

Responder

Deixe uma resposta

 


Mais publicações

Politik

E se fosse: “Advogado de LULA escondia Queiroz em sua casa de Atibaia”?


Trocamos a palavra "Bolsonaro" por "Lula" nas manchetes sobre o caso Queiroz para ver se conseguimos tirar os minions do transe hipnótico

Politik

“Cobrado” pelo governo por limpeza das praias, Greenpeace dá o troco


Ativistas simularam, com plástico azul e tinta preta, um mar poluído por petróleo diante da rampa do palácio