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Mãe norte-americana versus gosma rosa

Esta é para quem, como eu, não acredita em abaixo-assinados e muito menos em petições online: Bettina Siegel, uma dona-de-casa de Houston que mantém um blog sobre alimentação infantil, está conseguindo banir do lanche das crianças das escolas públicas norte-americanas uma mistura de carne processada que era conhecida pelo apelido de “gosma rosa”. Bettina, que […]

Cynara Menezes
08 de novembro de 2012, 20h58

Esta é para quem, como eu, não acredita em abaixo-assinados e muito menos em petições online: Bettina Siegel, uma dona-de-casa de Houston que mantém um blog sobre alimentação infantil, está conseguindo banir do lanche das crianças das escolas públicas norte-americanas uma mistura de carne processada que era conhecida pelo apelido de “gosma rosa”. Bettina, que é advogada e tem dois filhos em escolas públicas, simplesmente reuniu uma quantidade de assinaturas e forçou o Departamento de Agricultura a oferecer uma alternativa a essa porcaria. Funciona!

A tal “gosma rosa” é uma daquelas coisas que a indústria norte-americana inventou para ganhar mais dinheiro fazendo os alimentos renderem –e, suspeita-se, é o que fez engordar as pessoas por lá nas últimas décadas. Conhecido pela sigla LFTB (lean finely textured beef), a gosma foi originalmente concebida para ser consumida por animais de estimação, não por gente! Ou seja, é um Bonzo dado às crianças! Em 2001, não se sabe como, foi aprovado para consumo humano e passou a ser utilizado na alimentação de estudantes e soldados. Esse troço é adicionado a 70% da carne moída vendida nos supermercados. Desnecessário dizer que isso inclui as redes de fast-food. (Outra sigla sinistra é HFCS, ou high-fructose corn syrup, um xarope que substituiu o açúcar nos EUA e a quem muitos creditam a obesidade.)

No ano passado, o chef Jamie Oliver já havia denunciado a gosma rosa (pink slime) neste vídeo:

Em março deste ano, graças a uma plataforma que reúne e assessora petições online, a Change.org, Bettina conseguiu coletar mais de 200 mil assinaturas solicitando ao Departamento de Agricultura dos EUA que impedisse que a mistura fosse adicionada ao lanche escolar. A argumentação é de que existem suspeitas de que a gosma, além de dar um gosto esquisito à carne, como diz Oliver, também pode transmitir bactérias como a Salmonella. Por isso, aliás, ela é lavada com… amônia. Resumindo: um nojo. Mas o mero fato de uma ração para animais estar sendo servida a crianças já seria razão para se indignar, não?

Pois bem: apenas nove dias depois de Bettina começar a recolher assinaturas, o órgão anunciou que a partir deste outono irá oferecer duas opções de carne para o lanche nas escolas públicas, com e sem LFTB. Agora só depende dos pais preocupados com o que seus filhos comem, impedir a escola que frequentam de escolher a carne com a gosma rosa. Bettina e as crianças norte-americanas ganharam a batalha e eu ganhei amor pelas petições online.

 


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(3) comentários Escrever comentário

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PEDRiN em 08/11/2012 - 23h02 comentou:

. Aqui na minha rua o nome disso é salsicha. bhlerg

Responder

puelocesar em 09/11/2012 - 11h29 comentou:

Ai ai, e nós aqui comendo polenta com carne (de verdade) nas nossas escolas públicas.. Que mundo injusto né?

(Não é legal quando você inverte a lógica reaça?)

Responder

mmagnesio em 09/11/2012 - 21h22 comentou:

Cara, eu não assino petição online nunca…acho uma farsa. Será que essa Change.org é uma das poucas sérias?! Li umas coisas sobre a Avaaz q fiquei cabreiro. Não sei se é hoax de internet ou é verdade: http://advivo.com.br/blog/luisnassif/avaaz-golpe-

Mas eu boto muita fé que muitas dessas petições sejam formas disfarçadas de faturar uma grana com cliques e links patrocinados…vai saber…

E na boa, que troço nojento essa Gosma Rosa…!

bjo,
Maneco

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