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“O Globo” omite fiasco em outros países para apoiar privatização dos Correios por Bolsonaro

Prazos de entrega continuaram os mesmos ou pioraram e preços dos serviços subiram nos países onde houve privatização

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Da Redação
07 de julho de 2021, 20h35

O jornalismo bolsoliberal ataca novamente: ao mesmo tempo que se coloca para a opinião pública como quem faz “oposição” a Bolsonaro, o jornal O Globo volta a apoiar de forma entusiástica um projeto da agenda econômica do governo. O diário da família Marinho publicou editorial nesta quarta-feira em apoio à privatização dos Correios, omitindo o fiasco que ocorreu em outros países que fizeram o mesmo.

No editorial “Privatização dos Correios é mais que oportuna”, o jornal sustenta que a privatização fará com que as encomendas cheguem mais rápido, o que é mentira levando-se em conta o que aconteceu nos países que privatizaram seus serviços postais. Em nenhum dos países onde isso aconteceu os correios viraram exemplo de sucesso.

A maioria dos britânicos é a favor de que o Royal Mail volte a ser estatal. Uma pesquisa feita em dezembro de 2019 mostrou que 70% da população acreditam que os correios deviam voltar a ser públicos, enquanto apenas 18% apoiam a privatização

Pelo contrário, os prazos de entrega continuaram os mesmos ou pioraram e os preços dos serviços foram à estratosfera. Considerado o serviço postal melhor avaliado do mundo, os Correios suíços são uma empresa pública. Na Alemanha, os correios foram privatizados parcialmente no ano 2000 e totalmente em 2005, mas os alemães reclamam que os preços dos serviços postais ficaram incrivelmente altos e sobem todo mês. O jornal alemão Die Welt noticiou um aumento de até 400% nas postagens para o usuário comum.

Considerada a mais ambiciosa privatização do Reino Unido desde as ferrovias, em 1997, a venda do Royal Mail do Reino Unido, iniciada em 2013 e completada em 2015, cobra hoje um valor 60% maior por um selo do que os correios dos Estados Unidos, que ainda permanecem estatais. As maiores queixas dos britânicos em relação aos correios privatizados são sobre perdas de encomendas e cartas. Atrasos e danos nos pacotes também são alvos frequentes de reclamações.

Atualmente a maioria dos britânicos é a favor de que o Royal Mail volte a ser estatal. Uma pesquisa feita em dezembro de 2019 mostrou que 70% da população do Reino Unido acreditam que os correios deviam voltar a ser públicos, enquanto apenas 18% apoiam a privatização. E um estudo da Universidade de Greenwich apontou que o país poderia economizar mais de 200 milhões de dólares se os correios fossem reestatizados.

Nos EUA, os argumentos que o senador democrata Bernie Sanders usa contra a ideia são idênticos aos que se opõem à privatização dos correios no Brasil: as empresas privadas não terão interesse em servir cidades pequenas, o que levará a uma discriminação geográfica

Donald Trump tentou privatizar o USPS (United States Postal Service), mas encontrou forte resistência da população, que considera os correios a melhor entre as raras empresas públicas do país. Os argumentos que o senador democrata Bernie Sanders usa contra a ideia são idênticos aos que se opõem à privatização dos correios no Brasil: as empresas privadas não terão interesse em servir cidades pequenas, o que levará a uma discriminação geográfica. Países de dimensão continental como o nosso, Canadá e Rússia mantêm os correios estatais.

“O serviço postal fornece serviço universal, seis dias por semana, a todas as famílias na América, não importa quão pequenas ou remotas em tempos normais e em tempos de crise”, disse Sanders. Ele argumentou que a privatização seria “catastrófica para as comunidades em todo o país e significaria o fim de uma das poucas instituições norte-americanas que servem a todos”.

Se a privatização dos correios é “boa” para o Brasil, por que a mídia esconde os dados de outros países que indicam o contrário?


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