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Obama, o melhor amigo de Maduro

O tiro saiu pela culatra. O anúncio feito esta semana pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de que a Venezuela é “uma ameaça à segurança nacional” e que aplicará sanções econômicas ao país, deu novo fôlego ao enfraquecido governo de Nicolás Maduro. De quebra, reforçou a ideia de que os “yankees” apoiam a sanha […]

Cynara Menezes
11 de março de 2015, 20h17
obamamaduro

(Barack Obama aperta a mão de Nicolás Maduro na Cumbre das Americas em 2013. Foto: Fernando Vergara/AP)

O tiro saiu pela culatra. O anúncio feito esta semana pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de que a Venezuela é “uma ameaça à segurança nacional” e que aplicará sanções econômicas ao país, deu novo fôlego ao enfraquecido governo de Nicolás Maduro. De quebra, reforçou a ideia de que os “yankees” apoiam a sanha golpista da oposição venezuelana, conspiração rechaçada até mesmo pelos críticos de Maduro na esquerda. Por fim, o erro estratégico de Obama trouxe o que parecia impensável no momento: a união entre chavistas e maduristas. Os oposicionistas devem estar fulos da vida com o amigo americano.

Aparentemente, Obama subestimou o fato de que não existe nada que una mais os esquerdistas venezuelanos do que o anti-imperialismo. E não só os esquerdistas. Uma pesquisa feita pelo instituto Hinterlaces em fevereiro mostrou que apenas 29% da população da Venezuela vêem os Estados Unidos de forma favorável e 92% rejeitam a ideia de que o país seja invadido por tropas norte-americanas. 62% rejeitam a opinião dos gringos sobre os assuntos internos da Venezuela e 64% discordam das sanções impostas pelo governo Obama a funcionários venezuelanos (leia mais aqui).

Ou seja: bola fora maior, impossível. Todo o mundo sabe que Maduro infelizmente não é nenhum Hugo Chávez e que seu governo está cometendo uma série de equívocos. Mas, após o anúncio das sanções, o presidente venezuelano faturou em cima de Obama. Foi à televisão, onde fez um pronunciamento de duas horas rechaçando as sanções e enviou ao Congresso uma nova lei “anti-imperialista” que o fortalece.

A oposição à esquerda, representada pela dissidência chavista Marea Socialista (Maré Socialista) também mandou um recado inequívoco: ¡Vete al carajo, yanqui de mierda!”.

Como aqui no Brasil a imprensa só procura a direita venezuelana para ouvir sobre o que acontece no País, entrevistei por telefone o cientista político chavista Nicmer Evans, dissidente do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e um dos fundadores de Marea Socialista. Aos 39 anos, Nicmer é uma das vozes mais importantes entre os esquerdistas críticos ao governo Maduro hoje. Leia os textos dele em seu blog, aqui.

nicmer

(O cientista político chavista Nicmer Evans)

Socialista Morena  Olá, Nicmer. Queria te contar, para começar, que tenho um blog socialista e sou atacada constantemente apenas por isso, por me definir socialista, com coisas como “Vai para a Venezuela!”, “Vai para Cuba!” Não é bizarro que exista gente no Brasil que queira proibir outras de serem socialistas?

Nicmer Evans  É mesmo? Não sabia que a discussão política aí estivesse tão atrasada. Aqui de vez em quando me chamam “comunista”, como se fosse uma ofensa, mas já estamos mais avançados em termos de debate político. Este é um recurso da época da guerra fria, que pensam que ainda dará resultado.

SM  O que você achou das sanções que o presidente Obama impôs à Venezuela? Me parece que surtiram efeito contrário e fortaleceram Maduro, não?

NESem dúvida. A não ser que cheguem os marines… (risos) O principal efeito das sanções foi acabar com as diferenças entre os chavistas e os maduristas. Isso nos unifica, porque nos alinhamos contra a postura imperialista dos EUA. A ameaça fez com que a situação política se reconfigurasse um pouco, e será utilizada por Maduro para acumular mais poder em vez de transferir mais. Isso embora sejam apenas sanções econômicas. Não há uma ameaça de agressão concreta.

SM  Maduro diz que o desabastecimento do país se deve à sabotagem da oposição. É só isso mesmo?

NE  Não. Vivemos uma situação econômica deprimente, nossa qualidade de vida baixou muito. Faltam coisas básicas, desde a harina pan (massa para fazer arepas, o pão venezuelano) até papel higiênico, fraldas, café. A debilidade está em um problema real, concreto: faltam dólares para importar. Diminuímos 35% das importações e nós vivemos das importações. Infelizmente, o processo revolucionário não conseguiu mudar este quadro, uma cultura do rentismo petroleiro que existe há quase 100 anos. Tivemos sérios problemas também nas questões éticas. Uma revolução socialista deve se basear na ética e aqui os casos de corrupção foram descarados. Um dos casos mais rumorosos foi o de Alejandro Andrade, tesoureiro nacional entre 2007 e 2010 e que enriqueceu ao ponto de possuir até mesmo haras nos Estados Unidos.

SM  Sempre me pareceu que a “boliburguesia” é um dos maiores problemas do bolivarianismo…

NE  Não falamos mais aqui em bolivarianismo, falamos em chavismo, porque o chavismo avançou mais rumo ao socialismo, o que não havia no bolivarianismo… O maior problema do entorno de Chávez é que houve muita gente disfarçada de vermelho. Oportunistas. O oportunismo não tem ideologia, é oportunismo e pronto. E não se controlou de maneira adequada. Com Chávez vivo, ele os controlava, mas não os exterminou. Não atacou esse problema de frente. Chávez nunca esteve envolvido em corrupção ele mesmo, mas sabia do que acontecia e que havia gente acumulando riquezas. Com Chávez, eles disfarçavam mais, mas com Maduro, não. O número de novos ricos nas ruas do país, com guarda-costas, jóias, carros de luxo, cresceu muito. Hoje é o povo que está pagando pela crise. Um governo socialista deveria colocar os responsáveis pela crise para pagar por ela, não o povo.

SM  Como os governistas vêem suas críticas?

NE  Me olham com antipatiaa, me apontam o dedo, me chamam de “quinta-coluna”. Mas prefiro separar o madurismo – não o próprio presidente, mas quem lhe rodeia  do chavismo. Meu principal objetivo é preservar o chavismo do que está acontecendo, para que não se acabe tudo. Para que não arrastem junto o chavismo e para que o chavismo continue mais além de Maduro e seus erros. O chavismo é maior e Chávez precisa ser reconhecido como o grande líder que foi. Tanto que hoje há gente na própria oposição que afirma: ‘Não sabíamos o que tínhamos até que o perdemos’. Jamais passarei à oposição, mas tenho uma postura crítica.

SM  Por que Chávez escolheu Maduro? Apenas por lealdade?

NE  Porque não tinha ninguém a quem recorrer. Maduro era o melhor dos piores. Infelizmente, Chávez não se cercou de gente que pudesse substitui-lo se faltasse. Era jovem, não lhe passou pela cabeça que era sua missão formar uma nova geração para substitui-lo.

SM  Como está a esquerda na Venezuela hoje?

NE  A esquerda na Venezuela chegou para ficar. Não é uma questão de perder ou ganhar eleições. Chávez superou a guerra fria, tornou visível a esquerda venezuelana. Hoje a principal opção de consciência do venezuelano é a esquerda. O venezuelano não se reconhece no neoliberalismo e nem mesmo na social-democracia. Se nosso governo comete erros, nossa oposição é 90 vezes pior. É torpe, não tem critério, não tem proposta. Se perdermos as próximas eleições parlamentares, será por um voto de castigo, de protesto contra o governo ruim que temos agora, não pela oposição em si, até porque eles não tem ninguém a quem colocar lá. Na verdade, tanto o governo quanto a oposição vivem hoje uma crise de liderança. Houve uma concentração de liderança por Chávez, e Maduro errou em tentar fazer o mesmo ao invés de gerar um novo modelo, mais avançado e alternativo. Algo mais participativo e menos concentrador, por exemplo. Isso se pode ver na direção do PSUV, que com Chávez era escolhida em consulta às bases e com Maduro não. O governo Maduro tomou um rumo equivocado.

SM  Tenho a impressão que em determinado momento Chávez pesou a mão, tanto quanto Maduro agora. Poderia ter ouvido mais os conselhos de Lula…

NE  De Lula e sobretudo poderia aprender com a experiência de Rafael Correa, no Equador, e Evo Morales, na Bolívia. São praticamente “filhos” nossos, da experiência venezuelana e estão dando certo, governando com o povo e para o povo. É preciso aprender com eles.


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(18) comentários Escrever comentário

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@PHMotta em 11/03/2015 - 20h54 comentou:

Cynara, tenho a impressão que o problema no Brasil, apesar dos grandes avanços no social, seja o mesmo apontado pelo cientista na Venezuela, dadas às especificidades de cada país: "Infelizmente, o processo revolucionário não conseguiu mudar este quadro, uma cultura do rentismo petroleiro que existe há quase 100 anos. Tivemos sérios problemas também nas questões éticas".

Responder

    Marcelo em 21/03/2015 - 03h51 comentou:

    Exatamente! Principalmente quando relata que "um tesoureiro enriqueceu-se ilicitamente". kkk
    O que faltou mesmo é inocentar Chávez, que, óbvio, não sabia de nada… kkk

Almir Albuquerque em 11/03/2015 - 20h56 comentou:

Gostei da entrevista, muito esclarecedora sobre como anda a crise na Venezuela, que é real.
Mas dizer na pergunta que Maduro tinha que ter ouvido conselhos de Lula é sacanagem…. Ainda bem que o entrevistado, de modo cortês, deixou claro quem Maduro deveria ter ouvido de verdade.

Responder

Vinicius em 11/03/2015 - 22h56 comentou:

Ótima entrevista, Cynara. Pra ficar melhor só se fosse mais longa 🙂

E parabens pela iniciativa do financiamento coletivo.

Boa sorte daqui em diante e pode contar comigo.

Responder

Gilberto de Oliveira em 12/03/2015 - 01h14 comentou:

Cynara, sua primeira pergunta, sobre os ataques, foi ótima. A resposta dele também soou como uma boa paulada. Mas, se me permite a crítica, por que você permite a presença de reaças no seu blog? Tá, você vai dizer que defende a democracia, o pluralismo, etc, mas os reaças não querem discutir. Eles só sabem xingar e ofender. A presença deles nos comentários afugenta aqueles que têm a intenção de discutir civilizadamente. Eu, se fosse você, passaria uma peneira no blog.

Responder

@NewtonDantas em 12/03/2015 - 03h50 comentou:

"Chávez nunca esteve envolvido em corrupção ele mesmo…"
Acho que esse cara ainda não sabe sobre o escândalo do HSBC que dedurou que Hugo Chávez guardou US$ 12 Bilhões em um banco na Suíça. Socialista, ‘pero no mucho’!

Responder

Sebastião Corrêa em 12/03/2015 - 12h47 comentou:

Cynara,

primeiramente, gostaria de desejar-lhe boa sorte na nova empreitada.

Segundamente, externar minha tristeza por vê-la, talvez com uma frequência excessiva, a trocar palavras e insultos com os fascistoides de sempre. Sem dúvida, essa turma do mal nutre uma obsessão por você. E, sem dúvida, é difícil ser agredida diuturnamente sem esboçar algum tipo de reação. Mas eis aí o pulo do gato. Reagir a essas pessoas, que não vêm a público "discutir" propriamente e sim propagandear seu discurso de ódio e violência, é desde o princípio sair perdedora. Porque gastar tempo e energia a rebater, em corpo a corpo cerrado, irracionalidades e impropérios significa privar-se de pensar e escrever as questões que de fato interessam. Significa, talvez mais grave, comprometer a necessária paz de espírito que o trabalho intelectual demanda, e isso em nome de um falso combate. Esse corpo a corpo não dá em nada. Nenhuma das partes muda de opinião. E o processo continua a rodar em falso. Conserva-se intacto, enfim. (Talvez essa seja a definição mais rigorosa do conservadorismo brasileiro: o embate que deveria ser formador, e, logo, resultar em progresso, dá-se em termos falsos, rodando sem sair do lugar. E nada muda.)

Enfim, perdoe-me por tomar-lhe o tempo com considerações talvez pretensiosas.

Reforço meus votos de bons ventos nessa sua inédita seara.

Saudações anticapitalistas,

Sebastião Corrêa

Responder

    morenasol em 12/03/2015 - 18h52 comentou:

    obrigada pelos conselhos. realmente é muito difícil ficar muda diante de milhares de ataques, mas prometo poupar meus seguidores ; )

Carlos Henrique em 12/03/2015 - 13h03 comentou:

Só eu acho que socialista de verdade deveria vive-lo? Porque a única coisa que eu vejo por aí são pessoas muito bem de grana, usufruindo tudo que o capitalismo tem pra oferecer, sem se quer chegar perto de ajudar verdadeiramente ao próximo, gritando aos quatro cantos que são "esqueda way of life"… Pô, se admitissem ao menos que acham bacana os ideias socialistas, mas que infelizmente, por motivos maiores, estão longe de vive-los, tudo bem, mas (…)

Responder

Luso em 12/03/2015 - 14h52 comentou:

Infelizmente uma parcela grande de brasileiros acham que a Venezuela é pobre. Estão completamente inganados uma nação rica com pessoas de melhor qualidade.

Responder

    Nando Xavier em 16/03/2015 - 21h17 comentou:

    "INGANADOS"? ESTOU VENDO QUE VOCÊ É UM ESTUDIOSO NO ASSUNTO!!! MAS QUE NÍVEL, HEIN?

@flaviodoprado em 13/03/2015 - 15h20 comentou:

Boa tarde Cynara, olha sempre que o dia está meio parado como hoje venho ao seu blog, e confesso que fico mais alegre, pois pra mim é uma diversão ver você num voo quase solitário na defesa do pt e as ditaduras de esquerdas da América Latina, realmente me divirto mais aqui que o programa do Joâo Cleber, rsrsrs.
Admiro a sua luta para defender os seus companheiros do pt (eu disse pt, não aquele nome que você não permite e já me alertou para não usar aqui), isso é louvável.
Com relação a entrevista foi ótima, nada de novo de uma pessoa que sonha com um mundo socialista, comunista, como se fosse a perfeição.
Deixo os votos de um lindo final de semana para você que seja de grandes reflexões, pena que não estará domingo na manifestação, seria uma honra conhecer uma pessoa que me ajuda tanto a melhorar meu humor. Grande abraço, e fique com Deus ( Claro se é que acredite nele).

Responder

alvaro em 16/03/2015 - 21h07 comentou:

Obama o melhor amigo de Maduro, a lo mejor, MUY AMIGO!
(a resposta politica planetaria de todos por aqui – no pasaran gringos de mierda.)

Aproveito para cumprimenta-la pela decisao de dedicacao, as ganhas, junto ao site Socialista morena. Conte com a gente, sempre.

Genial Aporrea, Marea socialista, Ecmer-Gomez. Creio que o teu coracao vermelho pulsa latinos americanos, A paz invadiu meu coracao…

Responder

alvaro em 16/03/2015 - 21h40 comentou:

Obama o melhor amigo de Maduro, a lo mejor, MUY AMIGO!

Responder

Silvio em 17/03/2015 - 16h48 comentou:

Legal ouvir uma entrevista com um nome da esquerda venezuelana. Realmente os jornais daqui não dão este espaço a eles, apesar de publicarem sim algumas opiniões destes.
Por outro lado, acho que faltaram algumas questões em relação aos protestos e também aos estudantes e opositores presos, senão fica chapa branca demais. Abraço.

Responder

alvaro em 19/03/2015 - 03h10 comentou:

Viva revolucao bolivariana, viva revolucao cubana, viva a UNASUR, viva a CELAC, viva o Brasil, todos unidos contra as ameacas imperialistas dos EEUU.
Nicmer-Gomez, Marea, PSUV = todos os revolucionarios venezuelanos e todos os unidos, alertas, mobilizados para rechacar, com a nossa politica latinoamericana = a paz e a soberania dos nossos povos e nacoes!
Viva a Venezuela!

PS. Acesse Aporrea..com: acompanhe ao vivo no campo da batalha a nossa resposta firme e justa.
PS Gringos de mierda al carajo!

Responder

Marcelo em 21/03/2015 - 04h11 comentou:

Socialista morena, por favor me elucide…

O socialismo venezuelano pode ser considerado modelo mesmo tendo favorecido muitos que se tornaram milionários, aproveitadores das falhas do regime, mesmo seu líder Chávez/Maduro ciente, mas leniente, inclusive com seu tesoureiro. Dependentes da rentabilidade do petróleo, a economia definha, faltam produtos básicos, a população paga o preço pela ineficiência do modelo, pelo desgoverno, etc.

Você não acha que o regime capitalista é mais justo e oportuno, uma vez em que o povo ainda tem a oportunidade de trabalhar, ter o que comer, vestir, e ainda repartir seu quinhão com os imperialistas, mesmo que desproporcional e acachapante. Já que no socialismo o povo passa necessidade e nem pode escolher como prefere sofrer?

Ps. Claro, utilize a palavra "povo" no sentido mais amplo possível.

Bjão no vermelho 😉

Responder

alvaro em 21/03/2015 - 22h04 comentou:

O Piketty te deixou uma mensagem, aproveite seu livro para que teu cielo esteja "justo e oportuno"
Bjao no vermelho violeta dos arcos iris.
Seja feliz, inunde-se pela paz.

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