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“Partido Militar” elege 17 deputados federais, dois senadores e pode fazer dois governadores

Além dos militares, chama a atenção o número de delegados e delegadas eleitos em todo o país: eram 5 na atual legislatura e agora serão 13

Bolsonaro participa da cerimônia comemorativa do Dia do Exército em abril. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Da Redação
03 de outubro de 2022, 15h42

Faz tempo já que o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu alerta para a possibilidade de o Brasil estar vivendo uma nova era militarista. “O que é mais grave: a contínua e permanente crise militar ou a atuação cada vez mais evidente do Partido Militar?”, perguntava Dirceu em maio, em sua coluna no site Poder360, onde falava de uma “lenta, segura e gradual” ascensão dos militares. “Esse é o principal perigo que ameaça nossa democracia e o Estado de Direito. Jair Bolsonaro é só o instrumento. Não nos iludamos.”

“A militarização da política se dá pela eleição de integrantes das PMs e das Forças Armadas. A militarização da sociedade ocorre por meio da venda indiscriminada de armas e pelo estímulo aos clubes de tiro, de caça e aos colecionadores, o novo CCC. E, também, pela aceitação das milícias e até apoio ao seu desenvolvimento. As milícias hoje dominam o tráfico e a venda de proteção e prestação de serviços em várias capitais do país.”

“O que é mais grave: a contínua e permanente crise militar ou a atuação cada vez mais evidente do Partido Militar? Esse é o principal perigo que ameaça nossa democracia e o Estado de Direito. Jair Bolsonaro é só o instrumento”, alertou José Dirceu em maio

Em junho do ano anterior, escreveu: “Não há e não haverá democracia com os militares na política. Este é um princípio básico de todas democracias, pois os militares têm situação diferenciada, garantida pela nação, pelas funções que ocupam e pelas missões de que são encarregados na defesa armada da pátria”. Dirceu alertava ainda: “com a participação cada vez maior dos militares na política e na manutenção da ordem interna, corre-se o risco, como comprovam as experiências do México e da Colômbia, da penetração do narcotráfico nas Forças Armadas. O que já aconteceu, aliás, nas UPPs (Unidades de Polícias Pacificadoras) no Rio de Janeiro com o controle pelo tráfico de altos comandos da PM.”

“Não há mais dúvidas. De novo nosso Brasil e sua democracia enfrentam o risco e a ameaça do militarismo. Não se trata apenas da presença de 3 mil militares, inclusive da ativa, no governo federal, mas da tutela aberta militar sobre o país, da volta do militarismo, da politização das Forças Armadas”, publicou, em maio de 2020, no site Nocaute.

Os números desta eleição apontam que o “Partido Militar” está avançando. Foram 17 deputados federais eleitos ou reeleitos e dois senadores eleitos, em patentes que vão desde “Sargento” até “General”, passando por “Coronel”, “Tenente-coronel” e, é claro, “Capitão”, todas devidamente acopladas aos nomes como chamariz para as urnas. Houve Estados que elegeram mais de um militar, como o Mato Grosso, com uma coronel (Fernanda) e um coronel (Assis), e São Paulo, com dois capitães (Augusto e Derrite), todos do PL e todos ex-policiais militares. A maior parte dos eleitos (12), aliás, é do PL, partido do presidente.

No Ceará, embora o bolsonarista Capitão Wagner (União Brasil) tenha sido derrotado para o governo, em primeiro turno, pelo petista Elmano de Freitas, conseguiu eleger a mulher, que usa o nome Dayany do Capitão (União Brasil). Há ainda dois militares na disputa pelo segundo turno para o governo no Mato Grosso do Sul (Capitão Contar, do PRTB) e em Rondônia (Coronel Marcos Rocha, do União Brasil). O primeiro é oficial do Exército e o segundo, da PM.

Os números desta eleição apontam que o “Partido Militar” está avançando. Foram 17 deputados federais eleitos e dois senadores nesta eleição, em patentes que vão desde “Sargento” até “General”, passando por “Coronel”, “Tenente-coronel” e, é claro, “Capitão”, todos devidamente acoplados aos nomes como chamariz para as urnas

O Rio e o Rio Grande do Norte elegeram generais para a Câmara Federal: o General Girão foi reeleito pelos potiguares e o general Pazuello (PL), em que pese a incompetência demonstrada durante a pandemia, recebeu 205.324 votos e foi o segundo mais votado no Estado. Como se não bastassem os deputados federais, agora o Partido Militar contará com dois senadores: o atual vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão (Republicanos), pelo Rio Grande do Sul, e o astronauta Marcos Pontes, que tem a patente de tenente-coronel da FAB.

Além dos militares, chama a atenção o número de delegados e delegadas eleitos em todo o país. Eram 5 nessa legislatura e agora serão 13 deputados federais utilizando a alcunha. Os delegados estão distribuídos pelos partidos –há inclusive uma do PT, Delegada Adriana Accorsi, de Goiás–, mas a grande maioria é de direita. Indicado por Bolsonaro para assumir o posto de diretor-geral da Polícia Federal após a denúncia de Sergio Moro sobre intervenção do governo no órgão, o delegado Alexandre Ramagem foi eleito deputado federal pelo Rio.

Ou seja, somados, militares e delegados são agora 30 deputados federais, mais que o dobro da federação PSOL-Rede, que conquistou 14 cadeiras na Câmara.

Confira a lista:

DEPUTADOS FEDERAIS MILITARES

AC – Coronel Ulysses (União Brasil)

AM – Capitão Alberto Neto (PL)

BA – Pastor Sargento Isidório (Avante) e Capitão Alden (PL)

MT – Coronel Fernanda (PL) e Coronel Assis (PL)

CE – Dayany do Capitão (União Brasil)

PR – Sargento Fahur (PSD)

PE – Coronel Meira (PL)

RJ – General Pazuello (PL) e Sargento Portugal (Podemos)

RN – General Girão (PL) e Sargento Gonçalves (PL)

RS – Tenente-coronel Zucco (Republicanos)

RO – Coronel Chrisóstomo (PL)

SP – Capitão Augusto (PL) e Capitão Derrite (PL)

SENADORES ELEITOS

RS – General Hamilton Mourão (Republicanos)

SP – Astronauta Marcos Pontes (PL, tenente-coronel)

DEPUTADOS FEDERAIS DELEGADOS

AL – Delegado Fabio Costa (PP)

GO – Delegada Adriana Accorsi (PT)

MG – Delegado Marcelo Freitas (União Brasil) e Delegada Ione Barbosa (Avante)

PA – Delegado Eder Mauro (PL) e Delegado Caveira (PL)

PR – Delegado Matheus Loiola (União Brasil)

RJ – Delegado Ramagem (PL)

SP – Delegado Bruno Lima (PP), Delegado Paulmbo (MDB) e Delegado da Cunha (PP)

SE – Delegada Katarina (PSD) e Delegado André David (Republicanos)

 

 

 

 

 

 

 

 


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