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Petróleo nas praias: como Homer, governo foge da responsabilidade e culpa os outros

Bolsonaro e sua equipe de despreparados copiam Homer Simpson: "já estava assim quando cheguei"; "culpe o estrangeiro"

"Culpa da Venezuela!" Foto: resprodução
Cynara Menezes
21 de outubro de 2019, 13h14

As manchas de óleo nas praias nordestinas são a prova cabal da incompetência de Bolsonaro e sua equipe para administrar o país. Não conseguiram prevenir o desastre, até porque o governo extinguiu os dois comitês do plano de ação de incidentes com óleo; estão sendo incapazes de remediar ou minimizar o problema; e nem sequer descobriram até agora quem são os responsáveis pelo derramamento de óleo no mar. O que o governo está fazendo em relação ao petróleo, na verdade, é seguir ao pé da letra as três regras de ouro de Homer Simpson para “lidar” com problemas que ele mesmo causou.

1. “Cover for me” ou “cumpra minhas obrigações”

Homer está sempre abandonando o posto de trabalho e suas obrigações e colocando outros para fazer seu serviço na usina, como se não fosse ele o responsável por tudo que vier a acontecer. O governo está agindo da mesma forma, fingindo que cuidar da costa brasileira não é atribuição federal para que ninguém se dê conta da responsabilidade direta do presidente e sua equipe de despreparados sobre o que está acontecendo. Desde que as manchas de petróleo apareceram na praia, o que o governo mais tem feito é apontar o dedo para os outros ou fazer de conta que o que está ocorrendo não tem nada a ver com o desmonte dos órgãos de fiscalização ambientais por Bolsonaro. Na semana passada, o Ministério Público Federal entrou com uma ação contra a União em que acusa o governo de “omissão” em relação ao vazamento de óleo nas praias nordestinas. “A União não está adotando as medidas adequadas em relação a esse desastre ambiental que já chegou a 2.100 quilômetros dos nove estados da região”, diz a ação.

Na vida como na arte, são voluntários que estão limpando a sujeira

2. “It was like that when I got here” ou “Já estava assim quando cheguei”

Esta é uma das maiores máximas de Homer Simpson: jogar a culpa em quem estava lá antes de ele ocupar o cargo, como estratégia para tentar esconder as próprias cagadas. Claro que o governo Bolsonaro não deixaria de apontar o dedo para seu principal bode expiatório, o PT. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atacou diretamente o governador petista Rui Costa no twitter, dizendo que o Estado da Bahia não está ajudando na remoção do óleo. Rui rebateu na lata.

“Hum… Vou culpar o estrangeiro”

3. “Blame it on the guy who can’t speak english” ou “Culpe o estrangeiro”

Na usina nuclear dos Simpsons tem um cara, Tibor Jankovsky, que não fala inglês. Quando acontece algum problema na usina, Homer atribui a responsabilidade a Tibor. Até agora, o governo Bolsonaro já culpou pelo desastre nas praias nordestinas: a Venezuela, o “socialismo”, as ONGs (!!!) e até o Foro de São Paulo. Só não culpou a Shell, cujo logo aparece nos barris de petróleo encontrados; afinal, ela é estrangeira, mas dos “amigos do Norte”. A PDVSA, a estatal venezuelana, negou qualquer ligação com o óleo derramado.

Bolsonaro agora está apelando à paranoia delirante propriamente dita e à teoria da conspiração, atribuindo, sem nenhuma evidência, à “sabotagem” o desastre que ocorre nas praias do Nordeste. “Coincidência ou não, temos um leilão da cessão onerosa. Eu me pergunto, a gente tem que ter muita responsabilidade no que fala: poderia ser uma ação criminosa para prejudicar esse leilão? É uma pergunta que está no ar”, disse, em live no facebook.

Enquanto isso, o ministro contra o Meio Ambiente, Ricardo Salles, segue tentando jogar sua incompetência nas costas das ONGs estrangeiras. Agora é o Greenpeace a vítima. O grupo respondeu com dureza, mostrando que os voluntários organizados por eles estão ajudando na limpeza das praias, enquanto o governo continua a atribuir a culpa a terceiros, em vez de tomar alguma atitude eficiente para contornar o problema. Exatamente como Homer.

Até quando o governo vai fugir de sua responsabilidade sobre o que está acontecendo nas praias do Nordeste? Até quando vai apontar o dedo para os outros em vez de tentar resolver ou minimizar o desastre ambiental que ocorre em nossas praias às vésperas do verão? Seria melhor fazer como aconteceu na tragédia em Brumadinho e nos incêndios na Amazônia, quando o governo Bolsonaro assumiu sua incompetência e importou especialistas de Israel para tentar resolver. D’oh!

 


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(4) comentários Escrever comentário

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Pedro Gabriel Portugal Junior em 21/10/2019 - 13h40 comentou:

Fantástica analogia Cynara. Muito bom, como sempre, teu artigo. Parabéns! Ainda custo acreditar que o povo brasileiro colocou estes incompetentes no governo, aliás, desgoverno.

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Helio Seidel em 21/10/2019 - 22h22 comentou:

Na amazônia essa tchurma de criou o dia do fogo, terão criado também o dia do vazamento de petróleo?

Responder

Evaldo em 22/10/2019 - 15h05 comentou:

Todo governo erra! Assim como todo ser humano! Não há que se discutir se o governo deveria ter feito isso ou aquilo. Nenhum governo acerta tudo. Se assim fosse a Dilma não teria sido retirada!

O que se discute é qual a postura, quais atitudes e quando o governo deve fazer algo em virtude de um problema assim. Como ele reage ou deve reagir a esses imprevistos ou mesmo desastres. Não se está, a priori, buscando os culpados mas atuar de forma emergencial para sanar ou minimizar os efeitos de um problema. Nesse sentido, a pergunta que se deve fazer é: o que o governo fez ou está fazendo? Se a resposta for nada, é muito grave. Mas, se antever a tudo que pode ser uma tragédia, é impossível.

Bolsonaro não tem responsabilidade sobre o desastre de Mariana. Podemos atribuí-lo a Lula/Dilma? Nem mesmo o de Brumadinho podemos colocar na conta dele.

Só para exemplificar situação parecida com final que deveria ser diferente: o ex-prefeito de BH, Márcio Lacerda e o ex-superintendente da SUDECAP, Lauro Terror (até o nome diz alguma coisa!) deveriam ser responsabilizados pela queda do viaduto Batalha dos Guararapes. Sabe por quê: toda a concepção e execução da obra foi realizada dentro do mandato dele. Salvo engano, 3 mortos. Sabe o que aconteceu? Nada. E ele ainda tentou se candidatar a governador. Foi brecado pelo acordo nacional do PSB/PT em favor de Pernambuco. Esse é o típico caso em que deveria ser atribuída a responsabilidade pela tragédia ao prefeito e seu secretário. Deveriam ser julgados, pelo menos. Mas, foi a Copa do Mundo, esse sim o maior ópio dos tempos modernos!

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Daniel Oliveira em 28/10/2019 - 21h16 comentou:

Governo e políticos se calam e não tem coragem de assumir que se trata de petróleo clandestino sendo comercializado, matéria prima não refinada (insumo) ilegal para alimentar o bolso de partidos políticos no Brasil e outros países envolvidos.

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