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Senador da base de Temer chama estudante agredido por PM de “baderneiro”

Por Katia Guimarães* Enquanto o país assistiu com indignação à agressão sofrida pelo estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, no dia da greve geral, e até os telejornais da mídia comercial tiveram que se render à chocante truculência, o senador governista José Medeiros (PSD-MT) causou […]

Cynara Menezes
03 de maio de 2017, 18h31
mateusestudante

(O estudante Mateus Ferreira da Silva. Foto: reprodução facebook)

Por Katia Guimarães*

Enquanto o país assistiu com indignação à agressão sofrida pelo estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, no dia da greve geral, e até os telejornais da mídia comercial tiveram que se render à chocante truculência, o senador governista José Medeiros (PSD-MT) causou revolta no plenário na terça-feira, 2 de maio, ao chamar o universitário de “baderneiro” e defender a ação policial. Segundo o senador, foi Mateus, internado em estado grave até hoje, quem colocou a vida do policial em risco e não o contrário.

“Eu espero que o Mateus escape, que ele tenha boa saúde e que nunca mais volte a fazer baderna. Estes baderneiros colocam a vida da polícia em risco”, disse o senador, para repúdio do colega Lindbergh Farias (PT-RJ). “Ele não fez baderna! Tenha respeito pela vida de um jovem… Ele está entre a vida e a morte”, reagiu Lindbergh. “Ele estava indo para a igreja”, ironizou Medeiros.

O estudante Mateus foi agredido pelo capitão goiano Augusto Sampaio de Oliveira Neto no dia 28 de abril, nas manifestações da greve geral, e ficou entre a vida em a morte depois que um golpe de cassetete desferido contra seu o rosto, afundou seu crânio e quebrou ossos. A brutalidade gratuita do policial ficou evidente quando imagens divulgadas na internet mostraram que o estudante estava correndo sozinho quando o policial o atingiu na face, chegando a quebrar o cassetete.  A violência do PM causou comoção na internet e foi condenada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Goiás.

O comando da PM goiana afastou o capitão Augusto Neto das ruas e abriu investigação sobre o episódio. Segundo o jornal O Popular, de Goiânia, o policial militar já se envolveu em outros casos de agressões durante 2008 e 2010.

Elevando o tom de voz, Medeiros acusou o movimento grevista de insuflar os confrontos e disse que a Polícia Militar agiu em “legítima defesa”. Lindbergh não deixou barato e interrompeu o senador matogrossense várias vezes. “Não tem nada de baderna ali. Tenha respeito pela vida de um jovem!”, repetia o senador petista. O bate-boca ocorreu depois que a oposição se revezou na tribuna para ressaltar o êxito da greve geral e condenar a violência policial. A paralisação contra a retirada de direitos do trabalhador prevista nas reformas previdenciária e trabalhista, ocorreu em 130 cidades em todo o país e foi o assunto mais comentado nas redes sociais, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), superando os protestos em favor do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.

Ao minimizar a greve, Medeiros ainda afirmou que as pessoas foram impedidas de trabalhar por causa de piquetes feitos por baderneiros. “Vejo um esforço hercúleo para dizer que houve greve”, disse, referindo-se aos senadores do PT. Ele ainda usou a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, atingido por um rojão durantes os protestos contra a Copa de 2014, para culpar manifestantes pelo episódio ocorrido naquele ano e responsabilizar o movimento e a oposição pela agressão sofrida por Mateus. “Eu quero dizer e fazer uma homenagem ao Santiago, aquele cameraman da TV Bandeirantes que foi assassinado por esses –aí eu coloco aspas– ‘trabalhadores’, por esses ‘guerreiros’…”, afirmou. “Vocês não têm respeito pela morte do Santiago! O Santiago morreu por causa desses black blocs. E vêm aqui os senadores darem apoio para essa gente!”, acrescentou.

Em sua página no Facebook, Lindbergh disse ter sentido a obrigação de reagir ao discurso de Medeiros e postou o vídeo da discussão. “Essa é a face desumana da direita. O senador Medeiros, em discurso profundamente desrespeitoso, ignorou a violência contra Mateus e chamou-o de baderneiro, responsabilizando a vítima pela violência sofrida e causando profunda indignação. Me senti na obrigação de responder a ofensa”, afirmou.

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