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Tipinhos da direita brazuca

Os coxinhas (ou “novos Collor”) É uma tendência em ascensão na América Latina. Bem nascidos, estudaram nos melhores colégios e nas melhores universidades, graças à grana da família. O sobrenome revela que são herdeiros de políticos tradicionais ou das famílias mais ricas do país. No entanto, adoram falar em meritocracia, como se tivessem saído do […]

Cynara Menezes
28 de junho de 2016, 18h09

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Os coxinhas (ou “novos Collor”)

É uma tendência em ascensão na América Latina. Bem nascidos, estudaram nos melhores colégios e nas melhores universidades, graças à grana da família. O sobrenome revela que são herdeiros de políticos tradicionais ou das famílias mais ricas do país. No entanto, adoram falar em meritocracia, como se tivessem saído do nada para chegar lá, movidos apenas por seu próprio esforço. Com suas camisas pólo de marca e os cabelos com corte jovial, transmitem uma imagem de “dinamismo” e de que são “vencedores”, reforçada pela prática de algum esporte –Fernando Collor, que chegou à presidência da República aos 40 anos e gostava de andar de jet-ski, é um precursor deste perfil. Têm um peculiar gosto pelos mocassins. Politicamente, se dizem seguidores do “libertarianismo”, uma espécie de reacionarismo de minissaia. Ícones: os brasileiros Aécio Neves, João Dória Jr. (e o PSDB de modo geral) e Luciano Huck, o argentino Mauricio Macri, o uruguaio Lacalle Pou e o venezuelano Leopoldo López.

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(Ronaldo Fenômeno, seus amigos coxinhas e os indefectíveis mocassins)

Os coxinhas wannabe

De família humilde, não se sentem identificados com a sua própria classe, pelo contrário, se envergonham dela, como aqueles personagens de novela que escondem a mãe doméstica dos amigos grã-finos. Sua identificação é com as classes mais altas, às quais querem pertencer a qualquer custo. Desejam ardentemente ser coxinhas, e por isso fazem de tudo para imitá-los. Seu sonho de consumo é passar as férias em Miami e se vestir e viver igual a seus ídolos. Para isso, vale até comprar camisetas falsificadas da Ralph Lauren e da Abercrombie. Depois que ganham dinheiro, então, acham que entraram para a turma. Mal sabem eles que os verdadeiros coxas os olham com desdém e os tratam com a condescendência típica dos garotos riquinhos da escola que arranjam amigos pobres. Ícones: Ronaldo Fenômeno, Fernando Holiday e o Carioca do Pânico.

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(JR Ewing, da série Dallas)

Os agroboys (ou agrocoxas)

São iguaizinhos aos coxinhas, porém do meio rural. Em vez de herdarem empresas, herdam grandes latifúndios de seus antepassados, grandes proprietários de terras desde a época das capitanias –são os legítimos herdeiros das capitanias. Como bons coronéis, sempre misturaram política com agronegócio. Odeiam indígenas, que consideram “farsantes” por fazer uso da tecnologia ou até roupa –para eles, só é índio se andar nu e não falar o português, de preferência vivendo no meio do mato e longe de suas propriedades. Os agroboys abominam os trabalhadores sem-terra e atuam para criminalizar o MST. Veem a “natureza” como sinônimo de pastagem ou plantação de soja. Tudo regado a muito, muito agrotóxico. Não raramente, estão associados à denúncias de uso de trabalho escravo. Seus redutos são o Centro-Oeste, o Paraná e o norte do Brasil. Ícone: Ronaldo Caiado.

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(Brucutu em ação. Foto: Felipe Larozza/Vice)

Os brucutus

Com músculos inversamente proporcionais ao cérebro, os brucutus são saudosistas da ditadura militar, apesar de no fundo não terem a menor ideia do que estão falando, porque sempre foram os piores alunos da classe. A dificuldade cognitiva é uma característica dos brucutus, e por isso eles sempre apelam para a intimidação numa discussão política, já que não conseguem ganhar se não for desta forma. Odeiam comunistas e, se dependesse deles, todas as pessoas de esquerda do mundo seriam presas e torturadas. Acham que direitos humanos só valem para gente rica: o pobre é antes de tudo um suspeito. Até por isso, aprovam qualquer atrocidade cometida pela polícia, mesmo contra crianças (pobres, claro). Também odeiam feministas e homossexuais e são profundamente misóginos, embora não admitam. Ícones: Jair Bolsonaro e Alexandre Frota.

bolsominion

Os bolsominions (ou zoeiros)

São guris (e gurias!) de 13 e 14 anos de idade, mental ou real, cuja maior característica é serem fãs do deputado Jair Bolsonaro, a quem chamam “bolsomito”. Típicos desenturmados, sem amigos, os pobrezinhos descobriram uma maneira de ser populares: acreditam que irão conseguir seus 15 minutos de fama dizendo barbaridades e praticando bullying generalizado nas redes sociais, sobretudo contra mulheres e gays, à imagem e semelhança do comportamento de seu ídolo. Não conseguem articular uma frase coerente além de “kkkkk” ou “shuashuashua”. Felizmente, como são jovens, ainda têm cura. No futuro, ou terão uma enorme vergonha desta fase de sua vida ou se transformarão em brucutus. Ícones: Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Kelly Bolsonaro (que nem é da família, mas adotou o nome).

malafaia

Os reaças do Senhor

Ratos de igreja, os fundamentalistas religiosos se dividem em dois subgrupos:

a) Católicos: simpatizantes da Opus Dei e bizarrices católicas medievais, mesmo os mais jovens adotam divisas relacionadas à religião em seus perfis nas redes sociais. Preocupam-se muito com o conceito de “família”, principalmente quando é para defender os interesses da sua. Perseguem homossexuais como se fossem uma “abominação” e defendem que a mulher deve ser “recatada e do lar”. Em época de eleição, invariavelmente apelam para o discurso antiabortista, sobretudo se a adversária for mulher. No passado, a maçonaria e o catolicismo não se misturavam, mas hoje alguns deles também costumam ser maçons. Ícones: Reinaldo Azevedo, Plínio Correa de Oliveira e Olavo de Carvalho.

b) Evangélicos: ligados às igrejas neopentecostais, falam mais de dinheiro do que de Jesus Cristo, a não ser quando usam o nome do filho de Deus para pedir dinheiro. Sua ideia de cristianismo está fortemente ligada ao sucesso financeiro, principalmente dos próprios pastores. A dinheirosofia é tanta que a religião é conhecida como “teologia da prosperidade”. Entre os pastores e deputados da bancada evangélica, não há um sequer que defenda a máxima do Novo Testamento de que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico adentrar o reino dos Céus”, muito menos “amar o próximo como a ti mesmo”. Preferem tirar de contexto trechos do Velho Testamento para atacar os homossexuais, sua principal razão de viver. Ícones: Pastor Malafaia e Marco Feliciano.

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(Quem precisa de feminismo quando se tem… marido?)

As antifeministas

São mulheres e meninas que adoram “causar” detonando as feministas e dizendo que não precisam do feminismo em suas vidas. Curiosamente, em vez de estarem cuidando do marido, da casa e dos filhos, como seria o normal se o feminismo não tivesse existido, elas ficam escrevendo opiniões em rede social! Com tanta louça para lavar, não é mesmo? Até parecem… mulheres livres. Ícones: a norte-americana Ann Coulter e a brasileira Sarah Winter.

Possibilidades de alianças

Como qualquer membro da elite, o coxinha despreza todos os demais da lista. Mas está disposto a se juntar a eles na hora de receber seus votos nas eleições, o que o torna o mais perigoso do grupo, por ser oportunista e capaz de pisar no pescoço da mãe para atingir o poder. Mais naturais são as alianças entre os agroboys e os reaças do Senhor, costumeiros parceiros no Congresso, onde a tradição, a família e a propriedade se encontram. Brucutus e antifeministas são praticamente almas gêmeas e os bolsominions, seus filhos. Na hora agá, contra a esquerda, todos dão as mãos, até mesmo os “libertários” fajutas, que serão vistos rezando, falando contra o aborto e contra as drogas como se não houvesse amanhã.

 


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