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Cotas: uma verdade inconveniente

Vi no blog Pragmatismo Político esse vídeo: “Essa conversa não é sobre você”. Feito por estudantes de Salvador, é porrada nos argumentos anti-cotas. A chiadeira na direitosa está geral. Obviamente já proferiram toda espécie de insulto racista contra a menina que protagoniza o vídeo, desnudando nossa “democracia racial”: liberdade de expressão, só para os branquinhos […]

Cynara Menezes
15 de dezembro de 2012, 18h02

Vi no blog Pragmatismo Político esse vídeo: “Essa conversa não é sobre você”. Feito por estudantes de Salvador, é porrada nos argumentos anti-cotas. A chiadeira na direitosa está geral. Obviamente já proferiram toda espécie de insulto racista contra a menina que protagoniza o vídeo, desnudando nossa “democracia racial”: liberdade de expressão, só para os branquinhos bem-nascidos. A verdade dói, não é mesmo?

P.S.: saquei por que esse filme incomoda tanto. Porque ele é politicamente incorreto! Politicamente incorreto nos olhos dos outros é refresco…


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Ataíde em 15/12/2012 - 18h20 comentou:

´Chega a ser ridiculo acusarem ELA de ser racista.

Responder

vanessa em 15/12/2012 - 18h31 comentou:

e os brancos pobres? nao tem cotas? é um absurdo o que ela esta falando.. a cota deveria ser aplicada a estudantes de baixa renda, não aos negros

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    morenasol em 15/12/2012 - 18h58 comentou:

    vanessa, ela fala claramente "pobres e negros". além disso, você não parece estar informada sobre as cotas… elas são para pessoas de baixa renda SOBRETUDO se forem negras e índias. as brancas também estão incluídas. pra você ver como a mídia desinforma…
    http://www.socialistamorena.com.br/tudo-que-voce-

    Pedro em 16/12/2012 - 02h40 comentou:

    Justamente, ela fala pobres e negros, e não apenas pobres. Ela erra ao racializar toda a questão. Ela erra ao colocar todos os brancos no grupo dos braquinhos ricos, com ipad e iate. Existem brancos pobres, mas a menina do vídeo parece não se importar muito com isso… Em outros tempos eu diria até que isso é um vídeo dos Panteras Negras! A opinião expressa do vídeo não passa da mesma opinião expressa pelos brancos riquinhos, de elite e racistas que ela tanto critica, só que às avessas…

    Jorge em 15/12/2012 - 19h27 comentou:

    Quem separa a questão racial da social no Brasil não conhece o país que vive!

    Gabriel em 15/12/2012 - 19h35 comentou:

    Não acho errado seu ponto de vista vanessa. Mas infelizmente no Brasil é muito fácil não comprovar renda e dizer-se pobre.
    A sociedade brasileira em si tem um dívida com a população negra. (mais de 400 anos sem direito a escola).

    LeoContesini em 04/01/2013 - 11h39 comentou:

    E por que não investir em escolas?

    paulo gimenes em 16/12/2012 - 17h51 comentou:

    mais tem enem

Zé Mariano em 15/12/2012 - 19h21 comentou:

Muito bom! Qual é a música tocada no vídeo? abraço…

Responder

    Maiara em 16/12/2012 - 00h29 comentou:

    Mv- Bill Só Deus pode me julgar!

antonio santana em 15/12/2012 - 19h27 comentou:

E isso ai a hora e agora

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Rodrigo em 15/12/2012 - 19h35 comentou:

Sou branco e concordo 100% com o vídeo, e ainda bato palmas. Não achei nem um pouco preconceituoso, porque entendo perfeitamente a mensagem. É preciso ser muito estúpido pra ficar com raiva do vídeo. Quero mais diversidade, respeito e dignidade nessa sociedade hipócrita que se acredita predominantemente branca (quando não é nem de longe), formada por indivíduos que se definem consumidores antes de cidadãos. Achei ótima a atitude de confrontar essa elite racista e vendilhona. Mandaram benzáço.

P.S.: Abraço pra camarada socialista, que além de morena é gata.

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Elizandra em 15/12/2012 - 19h44 comentou:

Cotas coisa nenhuma, o que necessitamos é educação de qualidade, COTAS É ESMOLINHA para se redimir da M*** de educação pública que é oferecida ao povo. Todo o povo precisa de educação de qualidade e não uma minoria que entra por cotas..

Responder

    Marco em 10/01/2013 - 05h17 comentou:

    Ok, E vc acha que qualidade no ensino básico, fundamental e médio melhora do dia pra noite? São mnais de 10 anos pra formar um estudante. Vamos deixar, portanto, as cotas de lado e só investir na melhoria do ensino. ÓTIMO.
    Só me responde o que fazer com os milhões de estudantes de escola pública,que se formam todos os anos vão fazer, até se melhorar o ensino no Brasil…

Natalia em 15/12/2012 - 21h21 comentou:

Acho que, independente da opinião mostrada no vídeo, só o texto da autora do blog já expõe um tratamento preconceituoso. Nem todos que não são negros ou pobres saem chamando as pessoas de "Negrinho pobreco", "Neguinho baixa renda" ou que seja. Qual o motivo de usar o termo "branquinhos bem nascidos"? Só vejo uma atitude também de preconceito e extrema falta de educação. Tratar civilizadamente quem tem opiniões opostas deveria ser a base pra qualquer discussão, e isso foi perdido em apenas um parágrafo descrevendo o vídeo. Lamentável.

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    morenasol em 15/12/2012 - 21h53 comentou:

    politicamente incorreto nos olhos dos outros é refresco, né?

    Rodrigo em 15/12/2012 - 22h15 comentou:

    Seu comentário denota total alienação. Não vejo contradição nem preconceito algum na postagem dela. É a constatação de um fato, que eu, como muito "branquinho" (embora não seja nem de longe "bem-nascido", nem muito menos racista), confirmo, sem no entanto tomar o uso do "inho" como pejorativo. A elite (em outras palavras, os que detêm os monopólios sobre os meios de produção, comunicação, informação, transporte, cultura, economia, etc.) não só é historica e predominantemente branca no mundo inteiro (e no Brasil nunca foi diferente) como, tristemente, sempre perpetuou preconceitos étnicos e raciais. Ex.: a família de trilionários Rockefeller investiu durante décadas na esterilização em massa de índios e negros por toda a América Latina, principalmente Bolívia; Bill Gates prega abertamente e investe bilhões na esterilização de comunidades por todo o continente Africano através de vacinas, e o próprio Brasil teve políticas de "embranquecimento" desde os tempos coloniais até metade do século passado (muitos dizem que nunca acabou). Fatos como esse são predominantes em relação aos de indivíduos de outras raças e etnias igualmente racistas no Brasil, portanto sua crítica/reivindicação, a meu ver, é desproporcional e não procede. Não é questão de respeitar a opinião oposta, mas sim de que a "opinião oposta" não tem a menor base…

    Rodrigo em 15/12/2012 - 22h20 comentou:

    Esse é o "futuro" do Brasil sem os movimentos de esquerda: http://www.imil.org.br/categoria/especialistas/ Você consegue encontrar alguém nessa página que não seja branco? Acha mesmo que isso é só um 'detalhe', só 'por acaso'?…

Natalia em 15/12/2012 - 21h28 comentou:

Depois de ver o vídeo, minha opinião é que nunca vi algo tão mal educado, sem argumentos para expor publicamente uma opinião. Essa conversa é sobre TODOS NÓS. Nem cotistas, nem não cotistas, são mais importantes que ninguém. Essa conversa é sobre uma sociedade que sofre com educação ruim e péssima infra estrutura. Nem estudantes que pagam curso de pré vestibular, nem estudantes que são favorecidos pelas cotas (perdão se o termo "favorecidos" possa soar mal, aceito ser corrigida, claro) são o centro das atenções. O PAÍS É DE TODOS, PAREM DE OLHAR CADA UM PARA SEU UMBIGO E COMECEM A PENSAR COMO UMA SOCIEDADE.

Responder

    Bruno em 17/12/2012 - 14h53 comentou:

    Bruno curtiu esse comentário!

Débora em 15/12/2012 - 21h52 comentou:

O vídeo, no fundo, tem uma boa intenção, mas luta contra o preconceito usando como base o preconceito.

Sou branca, integrante da classe média e posso dizer que nasci privilegiada. Contrariando o que seria natural (pelo menos segundo o vídeo), sou plenamente a favor das cotas, sejam elas raciais ou sociais. Essa não é a principal questão, porém.

O que me deixa bastante incomodada é a visão não só tida por essa menina, mas por vários outros esquerdistas – o fato de que para o negro ou o pobre terem voz, o branco não pode tê-la. Seria isso uma democracia? É essa a igualdade que tanto anseiam? Por que eu sou culpada por meus pais terem uma melhor condição de vida, que, aliás, foi conquistada pelo seu próprio suor? E, ainda, uma pergunta mais relevante: é assim que querem se livrar de rótulos, de preconceitos, transferindo-os para os brancos?

Não adianta querer se livrar do preconceito incitando-o mais. Não faz a mínima diferença ser um esquerdista se se faz parte da "esquerda punitiva".

Responder

Alexandra em 15/12/2012 - 22h41 comentou:

Natália, sou sua fã!

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H.92 em 15/12/2012 - 23h15 comentou:

Linda e inteligente, a moça do vídeo ganhou meu coração!

Só de ler o chorume dos que vestiram a carapuça eu gargalho, hehe

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Lori em 15/12/2012 - 23h56 comentou:

Que o latente texto da Tamara Freire ganhe o Brasil e porque é exatamente como você disse "politicamente incorreto no olhos dos outros é refresco!"! Aqui o link do blog da Tamara http://tamarafreire.wordpress.com/2012/08/15/essa

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Moisés em 16/12/2012 - 00h30 comentou:

Essa radicalização da discussão sobre cotas dá nisso: ou você aprova a ideia e é santo e "de esquerda", ou você é contra e é um porco direitista. Quanto simplismo, quanto maniqueísmo… Há bons argumentos em ambos os lados, idem quanto aos comportamentos reprováveis no debate. De qualquer forma, o vídeo não é "politicamente incorreto", de jeito nenhum. Ele se destina (ou não) aos filhinhos de papai egocêntricos, megalomaníacos, essa desgraceira que se alastra pela classe média alta; essa corja de marmanjos mimados e inconsequentes, alienados, completamente estúpidos. E esses caras têm direito de falar, sim, isso é democracia. Mas, neste vídeo, não foi a vez deles. Inclusive, pode-se até dizer que, ao contrário de "politicamente incorreto", o texto é quase um lugar-comum, um discurso de "bater em bêbado" – todos sabemos que a juventude vazia endinheirada não tem muitos argumentos a oferecer. Quanto a mim, sou branco, estudei a vida inteira em colégio público, meus pais eram professores da rede pública (enfim, pobres), não fiz cursinho e me esfolei de estudar pra entrar numa universidade pública conceituada. Não ganhei um carro quando passei no vestibular. E não senti que essa moça aí falava comigo, ou sobre qualquer coisa que eventualmente eu represente. E, quanto às cotas, sou favorável à implantação, desde que o principal critério for renda. A proporcionalidade das etnias que residem no Estado me parece um critério justo. Só que ninguém ainda me convenceu de que a "autodeclaração" é um argumento válido para comprovação de raça. Vamos ver.

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    LeoContesini em 04/01/2013 - 11h49 comentou:

    "ou você aprova a ideia e é santo e "de esquerda", ou você é contra e é um porco direitista"

    Da mesma forma que criticar o PT te torna imediatamente um direitista.

Sergio Baptista em 16/12/2012 - 01h45 comentou:

Me ajudem com meu dilema, meu avô era negro, estudei sempre em escolas públicas, meu pai não me deu carro, não me deu computador, não terminei a faculdade porque tive que decidir entre educar meu filho ou terminar minha faculdade, trabalhei, me privei de qualquer luxo, consegui pagar boas escolas para meu filho. Ano que vem ele estará preparado para entrar em qualquer boa faculdade, sou enfim descendentes de BRASILEIROS. Devo pleitear ou não uma vaga para ele no sistema de cotas?

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    Ronau em 08/12/2017 - 19h15 comentou:

    Sua consciência decide. A minha historia assemelha-se a sua, minha filha recusou fazer uso das cotas. E doutoranda na UFF.

Rafael Leal em 16/12/2012 - 03h23 comentou:

"saquei por que esse filme incomoda tanto. Porque ele é politicamente incorreto! Politicamente incorreto nos olhos dos outros é refresco…"
Touché! Sério, sou branco e achei o vídeo bonzinho demais. As únicas diferenças entre o Brasil 2012 e a África do Sul 1985 são as placas e as cercas de arame. É que o Apartheid brazuca é malandro e sedutor, já que se fosse declarado e chucro como o dos sulafricanos submeteria o país à mesma pressão internacional que afundou o regime dos Boer. E a nossa elite é issspeerrrtttaa, ceeerrrtooo? Surfa no Leblon, compra na Oscar Freire e pergunta do Mengão e sorri para o porteiro, mas diz para o filho dele que conseguiu a muito custo um diploma que a vaga de emprego na empresa já foi preenchida, infelizmente. E dá-lhe favela e J.K. Iguatemi, um do ladinho do outro, por toda a nação verde-amarela.

Responder

    LeoContesini em 04/01/2013 - 11h54 comentou:

    Rafael

    Sei que a situação da maioria da população negra é incomparável, mas essa situação de "a vaga da empresa já foi preenchida, infelizmente" você ouve em Santa Catarina se for paulista ou paranaense, seja branco ou preto.

TG_Meirelles em 16/12/2012 - 04h23 comentou:

A intenção é boa. O começo foi bem mas, no meio, errou a mão. Não sei se foi o tom, mas o ódio transparecido na interpretação acabou se equivalendo com o ódio advindo das classes que dominam. Em questões de preconceito, como as raciais, o que tem que predominar é a razão. Nada contra um tanto de indignação contra o preconceito burro, cego e obtuso que, de fato, chega a nos tirar do sério, mas certamente é a razão o que nos vai levar à compreensão do despautério que é o preconceito. Qualquer preconceito! Existe a clara necessidade de justiça social e existe a necessidade de justiça racial, infelizmente, não tão clara para muitos desse nosso Brasil. Pelo que pude perceber, o vídeo trata da questão racial, muito justa e pertinente, diga-se.Por isso não deveria ter colocado a questão socio-econômica no enredo, de uma hora pra outra, o que chegou a confundir alguns que assistiram ao vídeo, pelo que vejo. A questão racial já é, per si, suficientemente explicativa das consequências sociais que ocorrem hoje. O reflexo no social é praticamente lógico! Quanto à questão das cotas – e demais ações afirmativas – o que tem que ser dito, e ficar absolutamente claro, é que NÃO se trata de questão meramente social, e sim, RACIAL! O resultado buscado é a compensação por décadas, séculos de opressão e repressão de uma determinada etnia. Acredite: a maioria pensa que as cotas têm a haver com compensação aos mais pobres. Não têm. Têm a haver com compensação histórica de uma raça (ou etnia, ou cor de pele, ou o que o valha…) reprimida por aqui. Bem… o vídeo é bem intencionado, mas se perde do meio pro fim… Ainda assim, tem meu apoio!
Saudações e… te vejo no Twitter!

Responder

    Maria em 16/12/2012 - 17h38 comentou:

    Concordo com a questão do tom apontada pelo TG_Meirelles. Entendo que haja uma indignação e concordo com ela, mas acho que o tom raivoso – e por vezes irônico – somado ao "agora é tudo nosso" tiram a questão do âmbito racional. Não acho que devolvendo desrespeito a gente conquiste respeito. Mas o argumento é válido. 😉

Marcelo em 16/12/2012 - 14h10 comentou:

Festas e iates??????? Isso, mais que preconceito, é pura ignorância.
Um ptISTA era sempre um ptISTA, agora é sempre um PTRALHA.

Responder

Ricardo em 17/12/2012 - 16h51 comentou:

Alguém aí está com 2 iates e 2 ipads. Seja quem for, me devolva!
O vídeo é bom. Provocativo e ousado. Quanto às opiniões dita extremadas, é assim mesmo. Um puxa de um lado, outro puxa de outro e surge o consenso. Parabéns aos produtores.
O texto completo é da Ana Maria Gonçalves e foi escrito no bojo (finalmente consegui usar esta palavra) da discussão sobre Monteiro Lobato.
Não sei se é permitido postar links, mas pra quem quiser ler está aqui: http://www.idelberavelar.com/archives/2010/11/nao

Responder

Rodrigo Lima Batista em 18/12/2012 - 13h53 comentou:

Sou branco, filho de um negro e uma imigrante nordestina, moro em uma favela, ganhei uma bolsa 100% com o Prouni, só não posso mais ser considerado pobre por causa da valorização do trabalho de diarista, minha mãe, em São Paulo. Sou a favor das cotas sociais por enquanto, mas sou totalmente contra as raciais. Mostro aqui todas as minhas opiniões sobre este vídeo e este assunto em um único vídeo. http://www.youtube.com/watch?v=0Zz_DgYwtB0

Responder

Sumaia Villela em 18/12/2012 - 20h51 comentou:

Para quê lutar por mais vagas nas universidades? Por educação de qualidade? Também pelas pessoas da classe de onde venho, que não ganha carro, não tem smartphone, não vive em boate e tem que trabalhar e estudar desde sempre, mas que no seu fenotipo, traduzindo cor de pele e traços físicos, não demontra a riqueza de cores e culturas de que é formado? Pelos caboclos nordestinos amarelos crias de portugueses com índios, holandeses com índios, "homem branco" com índio, maioria do povo sertanejo? Pelos filhos de italianos pobres, aqueles anarquistas e lavradores semi-escravos que geraram, como muitos outros imigrantes, mais uma influência para nossa sociedade tão "etnicamente" bagunçada? Quem me daria uma vaga, amarela e castanha como sou, mesmo que meu tataravô seja um filho de escravo fugido? Vamos transformar a luta de classes em luta de cores?
Saibamos dar ao negro – lamentavelmente simplificado assim, ou por "africano" – o grande papel que ele tem na nossa construção. A da sociedade, da cultura, da intelectualidade, do que vocês conseguirem lembrar e que é indissociável de nós. Mas saibamos quais são as lutas pelos diferentes, e quais as lutas que pedem para nos reconhecermos como iguais. Se a a maior parte dos pobres é negra, não estaria essa "cor" já beneficiada pela cota para pessoas com baixa renda e/ou estudantes de escola pública? Não seria esta uma bandeira mais justa e abrangente?

Em todo o discurso da excelente oradora do vídeo – apesar de tampouco simpatizar com essa classe média alta e rica vazia de significados e repleta de recursos – tudo o que consegui identificar é o típico discurso capitalista-selvagem-multicultural. É a luta por subjugar o outro, por chegar no topo da pirâmide – sem se preocupar que a pirâmide continue assim, sem mudar de forma.

Ps.: Digo isso como um resumo de várias das questões que, sinceramente, me são caladas sempre que a discussão começa, principalmente na esquerda – um grande problema, porque, de família e convicções comunistas, se sentir rejeitada ou classificada como reacionária muito me decepciona. Mesmo assim não acho que lutar CONTRA as cotas raciais seja uma prioridade, ou uma bandeira a ser sacudida acima de outras. Temos é que direcionar nossa mira para o direito de todos à educação, à moradia, ao trabalho, a tantas coisas de que somos privados, mesmo quando pensamos que estamos usufruindo de.

Responder

Aluízio Couto em 18/12/2012 - 23h58 comentou:

Com responderiam esses argumentos?

1) Se não somos os culpados pela situação dos negros, não podemos ser responsabilizados moralmente por ela;
2) Não somos os culpados pela situação dos negros;
3)Portanto, não podemos ser responsabilizados moralmente por ela.

A ideia presente nesse argumento é a de que a responsabilidade moral não é hereditária.

1) Se não temos responsabilidade moral com relação à situação atual dos negros, não temos qualquer dever de repará-la;
2) não temos responsabilidade moral com relação à situação atual dos negros;
3) Portanto, não temos qualquer dever de repará-la.

A ideia aqui é que não temos obrigação de reparar resultados maus de ações que não cometemos.

Ambos os argumentos são válidos.

Responder

Tainá em 21/11/2013 - 21h38 comentou:

Esse vídeo lembrou-me o documentário "Quanto Vale Ou É Por Quilo?". Quem ainda não o assistiu, recomendadíssimo.

Responder

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