Não há o que discutir: homem que ataca o feminismo não se garante
Os homens aprenderiam muito mais sobre o que é ser homem de verdade com 30 minutos de louça do que com 100 flexões de braço
Os homens estão fazendo curso para “se fortalecer”. Para “aprender a ser homens de verdade”. Logo eles, o “sexo forte”, se sentindo “ameaçados” pelas conquistas das mulheres. “Emasculados” porque as mulheres ousaram se colocar no mesmo patamar que eles: empoderadas, realizadas pessoal e profissionalmente, independentes, e sem precisar ter um homem ao lado para se sentirem completas.
Fico me perguntando: que tipo de homem é esse que considera a igualdade entre os gêneros uma ameaça à sua masculinidade? Que vê o feminismo não como uma oportunidade de vida melhor, mais harmônica, para ambos os sexos, mas como um obstáculo para que nos entendamos? Um homem que não se garante, lógico. Inseguro, com baixa autoestima, broxa em todos os sentidos.
Que tipo de homem é esse que considera a igualdade entre os gêneros uma ameaça à sua masculinidade? Que vê o feminismo não como uma oportunidade de vida melhor para ambos os sexos, mas como um obstáculo para que nos entendamos? Um homem que não se garante, lógico. Inseguro, com baixa autoestima, broxa em todos os sentidos
Se estivessem sintonizados com o século 21 e não com a cabeça no século 19, os cursos para homens deveriam ser focados não em colocar meninos para se socarem, como faz o ator Juliano Cazarré, ou em levar homens para acampar juntos ao ar livre e submetê-los a desafios físicos, como os Legendários. Deveriam focar, em primeiro lugar, em treiná-los a lidar com frustrações, fragilidades, emoções. A controlar a raiva.
Um curso para homens seria mais útil para a sociedade se, por exemplo, os colocasse durante um feriadão fazendo tudo que as mulheres fazem no cotidiano: quatro dias cuidando dos filhos, arrumando a casa, lavando prato, cozinhando e ao mesmo tempo trabalhando em home office. Que tal? Nem precisa ser nas montanhas, pode ser em casa mesmo. Pronto. Eles aprenderiam muito mais sobre o que é ser homem de verdade com 30 minutos de louça do que com 100 flexões de braço.
O principal equívoco (e perigo) dos redpill é querer ensinar os homens a serem brutos. Os homens já sabem ser brutos: estão aí os milhares de feminicídios no Brasil para comprovar. O que os homens estão precisando é aprender a ser doces, a não ter vergonha de ser doces, suaves. A olhar com orgulho e ternura a sua companheira, os seus filhos. Aprender a ser pacientes, a não gritar –por que os homens gritam tanto?
Esses homens para quem os “sensíveis” são fracos é que são os verdadeiros alecrins dourados. Que homem é esse que, ao olhar uma mulher incrível, em vez de se sentir desafiado, se sente ameaçado? Isso sim é “coisa de mariquinhas”
A concepção do “homem de verdade” dos movimentos masculinistas é a pior possível para o próprio homem. É preciso coçar o saco, rir alto de piadas grosseiras e enxergar as mulheres como troféus. Me parece ultrajante para a imagem masculina considerar que um homem precisa ser um troglodita para ser homem. Se for educado, “delicado”, é gay, “sojado”. Já ouviram falar nisso? Tem homens na internet convencendo meninos que o consumo de soja reduz os níveis de testosterona, tornando-os “afeminados”!
E, no entanto, é o contrário: esses homens para quem os “sensíveis” são fracos é que são os verdadeiros alecrins dourados. Que homem é esse que, ao olhar uma mulher incrível, em vez de se sentir desafiado, se sente ameaçado? Isso sim é “coisa de mariquinhas”. Um homem que se garante não se sente diminuído pelas conquistas das mulheres, se sente feliz por elas. Todos nós nos tornamos mais interessantes quando crescemos como pessoas, homens e mulheres. Esses cursos deveriam ensinar os homens, em primeiro lugar, a crescer.
Não tenham medo, rapazes. Nós não estamos aqui para “derrotá-los”, estamos aqui para lutar por uma sociedade mais justa para todos, inclusive para nós, vítimas do machismo estrutural ao longo de séculos. Somos iguais a vocês, nem piores nem melhores. Iguais. Larguem mão de ser babacas e esqueçam esses estereótipos de gênero que também prejudicam os homens. Se garantam. E escolham melhor seus mestres.
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Daniel Paula em 03/06/2026 - 00h15 comentou:
Ah, a doce ironia da autora exalando psicanálise de botequim. Nesse texto, ela reduz o aprimoramento físico a um mero medo de mulheres. Claro, porque buscar força é obviamente um atestado de impotência. Genial!
A falácia aqui é a falsa equivalência entre fazer flexões e cometer feminicídio. A violência nasce da impunidade, não do vigor físico.
Sugerir que a verdadeira paridade exige a emasculação masculina e que lavar louça cura o machismo é pura sociologia de folhetim.
Uma sociedade funcional requer indivíduos resilientes, não capachos guiados por culpa ideológica.
Enquanto a militância redige textões amargurados para moldar a realidade às suas próprias neuroses, a vida real continua exigindo competência e força física e mental.
Resolvam suas próprias inseguranças antes de tentar patologizar a virtude e a disciplina alheias.
felipe puxirum em 03/06/2026 - 09h57 comentou:
nem homens e nem mulheres
entre uns e umas que conheço
são dignos e dignas incontestes
do que seria recíproco respeito
de um lado e do outro prevalece
o não ter caráter e nem o direito
à busca da verdade aí enfraquece
seja feminicídio ou outros feitos
e feminismo que racista se revele
como constato em nossos meios
sou homem que respeita mulheres
só aquelas que me tenham respeito
como a lei da reciprocidade confere
nem pior nem melhor iguais direitos
felipe puxirum em 03/06/2026 - 10h21 comentou:
ps:
mamãe lá em casa
nos deu esta lição
não dividia tarefas
por sexo ou função
de entre as pernas
ser mulher ou não