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As contradições de Flávio Bolsonaro sobre seu pedido de grana a Daniel Vorcaro

O pré-candidato da extrema direita tem muito a explicar sobre o suposto patrocínio do banco Master ao filme sobre seu pai; até agora, sua narrativa está cheia de furos

Flávio Bolsonaro em coletiva no Senado no final de abril. Foto: Andressa Anholette/Agência Senado
Cynara Menezes
13 de maio de 2026, 22h04

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato da extrema direita à presidência, foi flagrado pedindo 134 milhões de reais ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal sob a acusação de envolvimento em organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude, entre outros crimes. O áudio foi divulgado em reportagem do portal The Intercept Brasil nesta quarta-feira, 13 de maio.

Flávio alega que foi um pedido normal de patrocínio ao filme sobre o pai, Dark Horse, que estaria com as “parcelas atrasadas”. “O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai”, disse o pré-candidato em nota e vídeo.

Há, porém, algumas inconsistências e contradições na narrativa de Bolsonarinho:

1. Qual a real relação entre Flávio e Daniel Vorcaro?

Em março de 2025, ao ser questionado sobre a doação de 3 milhões de reais por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, à campanha de seu pai em 2022, Flávio garantia que a família nunca teve “contato pessoal” com Daniel Vorcaro. Agora, o senador diz que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, mas que nunca teve “encontros privados fora da agenda” com o banqueiro; no entanto, nos prints veiculados pelo The Intercept, Flávio demonstra ter intimidade com Vorcaro, com quem combina encontros pessoais diversas vezes durante as conversas.

2. Flávio cobra as “parcelas” antes de o filme ser rodado

Flávio diz na nota que estava cobrando as parcelas de Vorcaro porque houve “atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a CONCLUSÃO do filme”. No entanto, o áudio fazendo a cobrança da grana é de 8 de  setembro, um mês antes de as filmagens começarem. O filme só começa a ser rodado em 20 de outubro.

3. Por que o filme de Bolsonaro custou tão caro?

Produções brasileiras recentes, superpremiadas no exterior, custaram muito menos: Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, custou 50 milhões de reais; O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho, custou 28 milhões. Como é que Dark Horse, uma produção B, de quinta categoria, custou pelo menos 134 milhões de reais, que é o que Flávio pediu a Vorcaro? O deputado Otoni de Paula, ex-bolsonarista, afirmou em plenário que é lavagem de dinheiro. O próprio roteirista, Mário Frias, dizia em entrevistas que o filme era de “baixíssimo orçamento”. Agora, Frias afirma que se trata de “uma superprodução em padrão hollywoodiano”.

4. Afinal, o filme recebeu ou não recebeu dinheiro de Vorcaro?

Por que Flávio, ao ser confrontado pelo repórter do Intercept nesta terça, negou que o filme tenha recebido dinheiro de Vorcaro, chamando o jornalista de “militante”? Mentiu antes ou mentiu depois?

5. Produtora do filme contradiz Flávio Bolsonaro

A produtora do filme, Go Up Entertainment, negou que a produção tenha recebido qualquer quantia de Daniel Vorcaro. A negativa da produtora, que contradiz tudo que Flávio disse até agora, foi publicada pelo neto do ditador João Figueiredo, Paulo Figueiredo, apoiador dos Bolsonaro. “A GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário”, diz o texto. Se a produtora não recebeu “nem um único centavo”, aonde foi parar o dinheiro? As tais “parcelas atrasadas” a que se refere Flávio?

6. O filme teve dinheiro público, sim

Flávio Bolsonaro afirma que o filme sobre o pai não teve nenhum centavo de dinheiro público e aproveitou para alfinetar mais uma vez a lei Rouanet –que não é utilizada para captar dinheiro por longas-metragens. Mas o roteirista do filme e ex-secretário de Cultura de Jair Bolsonaro, Mario Frias, destinou 2 milhões de reais em emendas, dinheiro público, para uma ONG presidida pela produtora do filme. Além disso, a prefeitura de São Paulo, sob o comando do bolsonarista Ricardo Nunes, assinou contrato de 108 milhões de reais com a mesma ONG sem que tivesse concluído o serviço para o qual foi contratada.

O senador Flávio Bolsonaro tem muita coisa para explicar. Só não se sabe se vai dar tempo, diante do turbilhão que parece estar vindo por aí sobre sua candidatura.


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(3) comentários Escrever comentário

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felipe puxirum em 14/05/2026 - 10h16 comentou:

bandido bom: bandido morto
assim ensina o bolsonarismo
morte à direita e a este escroto
aqui reafirmo tudo o que digo

Responder

Daniel Paula em 31/05/2026 - 10h29 comentou:

Realmente um absurdo. Só na Banania mesmo!

Outras perguntas para quem ainda tem capacidade cognitiva e gosta de usar o pensamento crítico:

1) Não consigo entender porque até hoje não foi feita uma CPI para investigar os problemas do Banco Master. Será que tem mais gente envolvida? Ou é indignação seletiva mesmo? Quem bloqueou a CPI e por que?

2) Por que o Toffoli tentou colocar o caso do Master em sigilo para ele mesmo julgar e investigar lá atrás ? Manobra essa que foi corrigida depois da PF enviar relatório direto pro Fachin “abrindo o bico”.

3) Porque a PGR correu para dizer que o contrato da Dr Viviane não tinha nada de errado apesar de nenhuma contrapartida em serviços prestados, de também ser dinheiro privado e ter valores gigantescos?

Pois é….. bora sair da bolha e raciocinar?

Responder

    Cynara Menezes em 02/06/2026 - 10h37 comentou:

    patriota que chama o brasil de “banânia”

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