“Che era um assassino” –menos quando o capitalismo usa sua imagem para vender

(Um lugar revolucionário para viver)

(“Um lugar revolucionário para viver”)

Nos últimos anos, a direita, sobretudo a latino-americana, tem se esmerado em tentar destruir a imagem do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara. Ignorando as circunstâncias de uma revolução, Che é pintado como “assassino”, “genocida” e até “homofóbico”. Boa parte das afirmações é pura invencionice de reacionários movidos pelo recalque de não possuir ídolos à altura, como já disse o biógrafo de Che, Jon Lee Anderson.

Curioso é que, quando é para vender produtos, apropriam-se da imagem de Che Guevara sem a menor cerimônia. Com sua indefectível boina, o rosto de um dos líderes da revolução cubana é usado para vender tudo, até biquínis no Brasil, como aconteceu em 2002 na São Paulo Fashion Week. Na época, Gisele Bündchen causou frisson ao desfilar com Che Guevara estampado no bumbum pela Companhia Marítima.

(Gisele Bündchen desfila biquíni de Che em 2002)

(Gisele Bündchen desfila biquíni de Che em 2002)

Esta semana, porém, o uso do revolucionário pelo capitalismo bateu todos os recordes: um Che de charuto e óculos Ray Ban é a estrela do anúncio de um edifício de apartamentos e escritórios na Inglaterra. Tuitado pelo perfil do britânico George Rowland no twitter, a imagem causou polêmica nas redes. “Acho que encontrei o pior marketing para apartamentos de luxo de merda”, escreveu Roland.

Obviamente a coisa toda virou gozação, com vários perfis fazendo montagens com o “Che capitalista”.

A revista Adweek lembrou que não foi a primeira vez que a imagem de Che Guevara foi usada para vender produtos típicos do capitalismo. Em 2012, após muita reclamação, a Mercedes-Benz pediu desculpas por utilizar a imagem do argentino para promover uma “revolucionária” campanha de carona solidária. A Mercedes cometeu a audácia de utilizar a famosa foto de Alberto Korda com Che, mas substituindo a estrela de sua boina pelo logo da marca. Blasfêmia!

O diretor da Mercedes, Dieter Zetsche, justificou que a ideia de dividir o carro causava em alguns colegas a sensação de que era algo próximo ao comunismo. “Se assim, viva la revolución“, ele declarou. Daí a ideia “brilhante” dos publicitários em usar a imagem de Che. Mas a empresa só pediu desculpas após as reclamações de dissidentes cubanos e não por se aproveitar de um ícone anticapitalista para lucrar.

Em 2001, Korda foi à Justiça contra o uso de sua foto de Che pela Smirnoff para vender vodca.

smirnoffche

A moral dúbia da sociedade de consumo fica evidente: Che Guevara é um ícone respeitável, desde que seja para ganhar dinheiro e não para ameaçar o status quo. Hay que endurecer, pero sin perder la plata.

 

 

 

 

 

 

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8 medidas contra o povo que o PSDB apoia, mas dizia antes que era “terrorismo” do PT

medoaecio

Ao longo dos últimos anos, em época eleitoral, os petistas vinham apontando uma série de medidas contra o povo que seriam tomadas pelos tucanos se voltassem ao poder. O PT dizia que o PSDB iria acabar com todas as conquistas sociais dos governos Lula e Dilma. E os marqueteiros e candidatos tucanos, com o apoio explícito da mídia comercial, diziam que o PT fazia “terrorismo” e que queria colocar “medo” nas pessoas.

Quase quatro anos se passaram desde a última campanha presidencial. Aécio Neves, o candidato favorito da imprensa e então baluarte da ética na política, foi flagrado pedindo dinheiro ao empresário Joesley Batista. Mas as mentiras ditas pelos tucanos não se resumem a essa. De volta ao governo do país ao lado do PMDB graças a um golpe, o PSDB está fazendo exatamente o que o PT dizia que faria, e em apenas um ano no cargo.

Confira.

1. Bolsa Família: o governo PSDB-PMDB reduziu o número de beneficiados do programa e suspendeu o reajuste acima da inflação. Os tucanos sempre disseram que iriam preservar o Bolsa Família e que eram “boatos” as afirmações de que pretendia acabar com o programa, considerado essencial para combater a pobreza pela ONU.

2. Minha Casa Minha Vida: o governo PSDB-PMDB reduziu em 10% os recursos orçamentários para o programa habitacional. Em 2014, Aécio batia o pé dizendo que era mentira do PT que iria fazê-lo se chegasse à presidência.

3. CLT: o governo PSDB-PMDB aprovou uma “reforma” trabalhista que destrói a CLT e precariza a vida do trabalhador. Em um dos últimos debates, Aécio mentiu aos brasileiros dizendo que não faria a flexibilização da CLT se fosse eleito.

4. Previdência: o governo PSDB-PMDB pretende acabar com a aposentadoria dos brasileiros com sua “reforma”, prevista para ser votada pelo Congresso no segundo semestre. Se ela for mesmo aprovada, as pessoas precisarão trabalhar 49 anos para conseguir se aposentar integralmente. Nas últimas campanhas, nenhum eleitor do PSDB foi informado que isso iria acontecer.

5. Privatização da Petrobras: o governo PSDB-PMDB já está vendendo vários setores da Petrobras e transformando-a numa empresa pequena. Aécio Neves, no entanto, dizia em campanha que iria fazer o contrário: reestatizar a empresa, que segundo ele tinha sido “privatizada” pelo PT.

6. Meio ambiente: o governo PSDB-PMDB sancionou a MP da Grilagem, que legaliza massivamente áreas públicas invadidas, e agravará o desmatamento e os conflitos de terras, principalmente na Amazônia. A MP retira ainda exigências ambientais para a regularização fundiária, o que estimulará o desflorestamento. Nem parece o mesmo partido que foi apoiado pelo PV de Eduardo Jorge e por Marina Silva no segundo turno em 2014.

7. Saúde e educação: o governo PSDB-PMDB limitou, com a PEC dos Gastos, o orçamento para a saúde e para a educação pelos próximos 20 anos. Durante a campanha, Aécio dizia exatamente o contrário: que iria aumentar os gastos com saúde e educação para 10% do PIB.

8. Bancos públicos: o governo PSDB-PMDB está dilapidando os bancos públicos: o Banco do Brasil anunciou o fechamento de 402 agências e a demissão de 18 mil funcionários e a Caixa prevê o fechamento de 120 agências e a demissão de 5 mil funcionários apenas em 2017. Ao mesmo tempo, o governo perdoou uma dívida de 25 bilhões do Itaú e de 338 milhões do Santander. Em 2014, após seu principal assessor na área econômica, Arminio Fraga, ter sido flagrado prometendo fazer exatamente isso, os tucanos diziam que era “terrorismo” do PT a afirmação de que o partido iria destruir os bancos públicos e favorecer os privados.

A pergunta que fica é: em que projeto de governo estava escrito que estas medidas iriam ser tomadas? Quem aprovou estas iniciativas que estão sendo colocadas na prática pelo PMDB, com o apoio dos tucanos? O povo é que não foi.

 

 

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IstoÉ faz mau jornalismo, diz juíza que concedeu direito de resposta a Dilma

(Dilma durante a campanha em 2014. Foto: Ichiro Guerra/Fotos públicas)

(Dilma durante a campanha em 2014. Foto: Ichiro Guerra/Fotos públicas)

Por Katia Guimarães*

A presidenta Dilma Rousseff ganhou nessa sexta-feira, 14 de julho, direito de resposta em ação contra a revista IstoÉ. A revista terá que conceder a Dilma o mesmo espaço, destaque, diagramação, publicidade e dimensão dada à matéria Mordomia: carros oficiais a serviço da família de Dilma, publicada no dia 15 de julho de 2016. A juíza de Direito Karla Aveline de Oliveira, da Vara Cível do Foro Regional Tristeza, no Rio Grande do Sul, diz que o semanário “trilha o caminho do mau jornalismo”, além de considerar a matéria “sórdida” e “machista”.

A Editora Três – Três Editorial Ltda., responsável pela IstoÉ, será obrigada a publicar a resposta na próxima edição, caso contrário pagará multa de 20 mil reais a cada vez que não cumprir a decisão. A presidenta Dilma soube da decisão logo que saiu e disse, através de sua assessoria, que esta é “uma pequena vitória diante dos constantes ataques da revista, que faz jornalismo de guerra”.

Na “reportagem”, que saiu na edição n° 2.432, a IstoÉ acusava Dilma de improbidade administrativa dizendo que sua filha, genro e netos tinham privilégios bancados com dinheiro público. Para a juíza, a reportagem contém ilegalidade. Afinal, Dilma não estava infringindo a legislação, que garantia à sua família o uso de carros oficiais, como todo presidente da República, para a sua segurança. “A sordidez da reportagem publicada na revista IstoÉ reside no fato de, ao seu alvedrio, tachar como ilegal algo que a Presidenta realizava, corretamente, há mais de cinco anos”, afirmou. O direito está previsto no Decreto n° 6.403/08, que trata do uso de veículos oficiais.

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Na decisão, Karla Aveline enfatiza que a história inventada pela revista é tendenciosa e apelativa. Recheada de fotos inúteis, a “reportagem” saiu justamente no decorrer do processo de impeachment, quando o golpe já havia passado pela Câmara dos Deputados e estava sendo analisado pelo Senado. O objetivo era atingir a honra e moral da presidenta.

“Pode-se afirmar que a revista semanal, de amplo espectro e permeabilidade, disponível em diversas plataformas e que já esteve sob comando de respeitados jornalistas e diretores em seu passado, atualmente, trilha o caminho de um mau jornalismo, ao apresentar, no mínimo, duas interpretações distintas para o mesmo tipo de episódio, divulgar chamadas apelativas e demonstrar conotação tendenciosa, quiçá machista, ao se referir à ora autora, ultrapassando o caráter meramente informativo e crítico em sua reportagem”, asseverou.

A juíza Karla ainda destacou que o direito de resposta é garantido pela Constituição Brasileira, prevista no artigo 5°, inciso V. E reforçou que os direitos de manifestação do pensamento, expressão e informação, também previstos no artigo 220, são compatíveis com os direitos fundamentais à imagem, à honra e à dignidade alheia. A IstoÉ é reincidente na prática de esquentar e deturpar fatos políticos em suas matérias. A própria Dilma já havia sido vítima da misógina capa As explosões nervosas da presidente que colocava a então presidenta da República como “louca” e “destemperada”, que usava calmantes para se conter. Prática nada usual para quem enfrentou a prisão e a tortura durante o regime militar e foi eleita a primeira presidenta do país. Ela move outra ação contra a revista.

 

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