Forró nu de Massarandupió: eu fui!

forronuana

Por Joana Rizério, de Massarandupió-BA*

Colagem Ana Persona

Quando li, num periódico local, uma matéria que anunciava o Segundo Forró Nu de Massarandupió –famosa praia naturista, 93 quilômetros ao norte de Salvador–, pensei logo em quem eu gostaria de ver pelado.

A festa só permitia a entrada de casais, seguindo uma antiga resolução de ambientes nudistas, forjada para proteger os peladões e peladonas dos homens covardes que vão só para espreitar, com a mão no pinto.

“Mesmo com essa regra, sempre aparece algum, depois que os guardas vão embora, pra olhar o povo nu”, revelou Jorge, naturista há dez anos, que conheci logo no início desta inesquecível empreitada.

Eu tinha uma modesta lista de bem apessoados mancebos cujas vergonhas eu queria conferir –além da velha tabela de suplência formada por ex-namorados e bons amigos. Primeiro eu chamei Mário, um branquelo bem gato. Mas, em cima da hora, o desalmado cancelou.

Dias depois, com a pele coberta só por tatuagem e cabelos, eu me veria bebericando uma caipirinha de mangaba enquanto olhava para Juan, meu eleito acompanhante, que não demonstrava nem um pingo de pudor. Pensei, feliz, no quão boa foi a ideia de convidá-lo. Juan é engraçado.

Em 2010, fiquei pelada em público pela primeira vez. Estava na Alemanha, no verão, e margeei um lago em busca de um canto sem ninguém –não sem antes cruzar com toda a aleatoriedade de gente nua tomando seu banho de sol.

Velhos amigos de mais de 80 anos, famílias inteiras com cachorros e crianças, grupos de colegas em horário de almoço, jovens estudantes em bando… Como se empudorar diante de tamanho despudor?

Nós, brasileiros, não temos a menor maturidade para lidar com órgãos sexuais balançantes ou ostensivas cicatrizes de cesárea, pelos pubianos em flor, peitos finos como papel ou duros, com o último tipo dos silicones.

Chegamos a Massarandupió meio derrotados. Eu, cabeça ansiosa pensando no rala-bucho, não tinha conseguido dormir direito. Juan tomou cana na sexta e acordou passando mal no sábado de manhã. Esperando sentada, como cantou Caymmi, eu ouvia gemidos de ressaca vindos do banheiro do estúdio de fotografia dele. “O Sonrisal não ficou no estômago.” “Vomitei de novo, Jojô, vou tentar Dorflex.”

Chegamos por volta de meio-dia ao sugestivo “Espaço Liberdade”, propriedade identificada apenas por uma inscrição pichada sobre uma placa de madeira destruída pelo sol e pela chuva.

Uma moça com um microfone de TV estava lendo alto um texto e andando pra lá e pra cá. Ela e o cinegrafista tinham voado de Recife só para cobrir o evento. Ainda não sabíamos, mas veríamos aquela dupla pelada mais tarde. Eu já tinha visto imagens do lugar pela televisão, em uma matéria que falava da controvérsia entre os membros da Associação Massarandupiana de Naturismo (Amanat) e os fomentadores do forró nu.

Enquanto a entidade acreditava que uma festa noturna e com bebidas alcoólicas aumentaria a confusão que já se faz entre naturismo e práticas sexuais em grupo, no vídeo de apresentação, Davi, criador do evento, garantia que se tratava de uma “festa de respeito”, sem um pingo de surubência.

Em outra reportagem (apesar de queixar-se constantemente da imprensa, Davi parece ter divulgado o evento num mailing do Oiapoque ao Chuí), ele contou ter sido intimado, na edição de 2016 do forró nu, pelo “senhor seu delegado”, para prestar esclarecimentos. “Eu disse: ‘Se for ilegal, proíba!’. Mas tava tudo certo. Fiz meu evento e foi um sucesso”, respondeu o cabra corajoso.

Juan, cada poro do corpo fedendo a cachaça, foi dormir tão logo chegamos. Morrendo de frio –chovia e ventava–, eu desisti da cerveja no primeiro copo e fui pegar uma dose de licor de jenipapo. Voltei para a cadeira e me abriguei com a única manta possível –minha própria toalha. Os braços pra dentro, como se eu tivesse seis anos e minha mãe me enrolasse na saída da piscina.

—Boa tarde, menina, você já comeu mangaba?

Era Jorge, na sua dança de apresentação. Aceitei o fruto que se parece, na textura, com o cruzamento entre uma pera muito madura e uma pinha. O gosto é difícil de descrever: forte, quase amargo, mas delicioso.

Jorge parecia pregar em nome de uma seita. Só falava das vantagens de andar sem roupa. Aproveitei para apurar o medo número um entre todos os homens para quem eu contei do forró de cabo a rabo.

Enquanto as mulheres temem olhares analíticos, longos demais, a maior preocupação dos machos é não poder esconder com a calça uma inadequada ereção. O medo número dois, não da maioria, mas –vamos lá– de todos os caras, é a diminuição longitudinal provocada pelo frio. A velha metamorfose do fazedor de xixi num “amendoinzinho com casca”, tão junino e pequenino.

“Mas você consegue imaginar alguém exibindo feliz um pau duro, sozinho, diante de uma praia naturista? Não rola, nem precisa mandar: o cara mesmo fica com vergonha, se senta ou entra na água”, garantiu Jorge. E partiu para o relato de própria punheta –quero dizer, punho: “Em dez anos de naturismo, só fiquei excitado duas vezes.”

A primeira, ele deu a entender, foi “motivada” por uma namorada. Mas a segunda ereção ele garantiu ter sido despertada por acidente: “Eu estava olhando pro mar quando vi uma bunda maravilhosa na minha frente, balançando, a espuma branca batendo nas carnes. Não deu pra segurar.”

Ainda decidindo se prestigiaria o polêmico arraial, meditei por semanas sobre a apresentação do meu próprio corpo nu. Deixei crescer a mata: tinha a impressão de que a depilação em dia evocaria sensualidade. De quebra, deixei os cabelos do sovaco com um centímetro e meio de comprimento. Tentei me cobrir com as armas que podia.

Ainda à tarde, chegou um casal coroa. A cara da mulher lembrava a de Dona Florinda do Chaves, mas as pernas eram as de uma adolescente –e alguns minutos depois, ela comprovou, levantando a camisa até o pescoço e sorrindo de prazer com os elogios de Jorge, que sua bunda, barriga e peitos também pareciam ser da seleção dos sub-20.

O marido deitou na rede e ficou no celular. Não ficariam para o forró, ela contou. Tinham viajado de longe para prestigiar a “festa liberal” na pousada de Priscila, a poucos metros dali. “Liberal como?”, perguntei, fingindo inocência. “Suingue. Troca de casais”, ela me respondeu, naturalmente.

Juan acordou quando todas essas pessoas já eram um só grupo amistoso em torno de uma mesma mesa, no pequeno pátio de alvenaria e telhado que, em um par de horas, seria palco do rala-bucho desavergonhado.

“Já pode ficar nu?”, ele perguntou, mostrando 32 dentes de pura gaiatice. Em vez de resposta, uma ação: Davi começou a tirar a blusa de Rosália, sua esposa, que colaborou levantando os braços e exibindo um sorriso meio tímido. “A mais gata vai ser a primeira pelada”, anunciou ele. Eu esperei que ele fosse ficar pelado também.

Mas aquelas muito bem feitas tetas quarentonas ficaram expostas solitariamente. Davi esqueceu-se de qualquer solidariedade conjugal e permaneceu de camiseta e bermuda. Um prenúncio de desconforto se formava em minha imaginação.

Num rompante mais político do que exibicionista, tirei o vestido azul que me cobria até o joelho, ficando apenas com uma calçolona amarela que minha tia me deu. Segurei o impulso de me cobrir com as mãos. Senti alguns olhares medindo o que a minha roupa até então escondia. Me lembrei das palavras de Jorge: “São só 30 segundos de estranheza. Depois, passa, você vai ver”, ele me preparou.

Jorge também contou a história de uma amiga que viajava de Aracaju quase todo mês para ficar pelada em Massarandupió, até um dia encontrar o gerente de seu banco. “Ela ficou chocada. Mas meia hora depois estavam todos sentados à mesma mesa, já combinando de repetir a viagem juntos”, contou.

Chuva, vento, céu coberto: o frio estava implacável. O pessoal, enquanto arrumava a festa, perguntava: “Quem é que vai ter coragem de tirar a roupa com um tempo desses?”. Mas, às 9 da noite, estávamos quase bêbados, o que deixou o clima ameno.

forronu2

O trio de forró ainda passava o som, os primeiros convidados chegavam. Onde estavam os 40 casais que pagaram antecipado? Nem sinal. Resolvemos explorar a cidade. Fomos para a tal pousada de Priscila, o antro da perdição, de acordo com os nativos.

Priscila nos recebeu com um tour “vamos dar uma olhadinha” através de sua festa vazia. Em resumo, era uma série de cômodos improvisados –basicamente camas de casal separadas por malhas esticadas e lençóis de poliéster. A moça tinha pressa em fechar negócio e não fazia questão de ser simpática: queria receber nossos 80 conto, e logo. “Vocês não vão ficar, né? Vão simbora, me deixem trabalhar.” Gostei da honestidade.

Enxotados de volta à nossa querida festa, vimos um carro da Polícia Militar deixando o Forró Nu. Era a vigilância prometida pela seção local do Ministério Público, que averiguaria os “termômetros” da festa. Estacionamos na vaga deles, feito posseiros.

O clima já era bem melhor. Mesas e cadeiras de plástico vermelho espalhadas pelo terreno abrigavam casais mais discretos, e perto do bar contei umas vinte pessoas. Vi a maior bunda masculina no planeta, quadrada e chulada, e acredito que vou levar essa imagem por muitos anos na memória.

Passando pela penumbra, Juan reconheceu pessoas. Era a repórter, Maria, e Gil, seu fiel cinegrafista. Juan gostou tanto de Maria que, horas antes, no arriar de nossas malas, mesmo desafeito a depoimentos, chegou a conceder uma entrevista a ela, falando baboseiras de 30 segundos que a ajudariam mais tarde na edição.

Eu perguntei quem queria caipirinha e saí. Quando voltei, com três copos servidos pelo barman mais lento do planeta, minha turma não estava mais lá.

Procurei-os no pátio e nada. O trio nordestino aguardava o direito de começar o forrobodó com sua placidez sertaneja, enquanto Davi atrasava, infinito, a arrumação do som. Contei que era DJ e me ofereci para ajudar. Não entendo nada de som, mas um milagre aconteceu e fiz as caixas funcionarem.

Como um prêmio que eu não queria ter ganhado, um homem me tirou pra dançar. Obriguei-me a meditar sobre o porquê de estar ali. Ralar a coxa com um desconhecido, nu? Pra quê? Por quê? Mas, estando aqui, como não? Aceitei.

Só que ele sorria demais. Era empertigado demais. E usava um par de tênis fluorescentes de corrida como único acessório ao corpo broxantemente desenhado em academia. Tocava “O Cheiro da Carolina” quando ele deslizou a mão pelo meu cofrinho. Foi demais pra mim: larguei o cara e resgatei meu copo de caipimangaba.

Achei, finalmente, Juan, Maria e Gil atrás do bar, perto da piscina. Foi então que eu percebi as luzes coloridas e a fumaça de máquina que davam um clima de boate sobre aquelas bandas anuviadas.

Vi um grupo indistinto de gente meio embolada.. Um cara gemia, outro equilibrava um cigarro, uma banda de bunda e um copinho de licor na mão esquerda. Uma mulher xingava, e eu finalmente entendi: meu deus, uma suruba.

Davi tentou coibir. Sou testemunha de três fracassadas investidas de dissuasão dessa cópula conjunta. Mas a sede de amor era tamanha que o pessoal se esgueirou mais ao longe, se escondeu, dissimulou. Com olhos de complacência, decretei pra mim mesma que o forró nu fez tudo o que pôde para manter a decência.

Nos reagrupamos, eu e a trupe jornalística, na mesma mesa. Finalmente –e feito um pugilista que derrota o adversário pelo cansaço, na base do ponto–, Juan conseguiu deixar só de calcinha a linda Maria e levá-la até o miolo do rala-coxa. A música era Sala de Reboco, mas, se você reparasse no meu animado amigo, a trilha sonora ideal seria o clássico de Lindolfo Barbosa:

“O senhor tá dançando armado, o senhor tá dançando armado

O senhor tá dançando armado, nós vamos dizer pro delegado”

No meio da madrugada, a festa acabou. Não dormimos: desmaiamos. Se Juan pegou Maria? Não sei. Certas coisas que acontecem em Massarandupió, ficam em Massarandupió.

“Valeu a pena”, repetíamos no caminho de volta. Corri para escrever este texto já no domingo, temendo esquecer detalhes tão pequenos de nós todos. Foi bonito, foi, como canta o rei do arrocha Pablo.

O que eu fui fazer num forró nu? A resposta pronta é que tenho um nome a zerar. A verdadeira é que achei que daria um bom texto. E que, como a última boia num naufrágio, esta seria uma lembrança risonha a ser carregada com leveza até o derradeiro de meus dias.

E o que acho da nudez? Continua me sendo indiferente. Continuo preferindo tirar a roupa para uma pessoa de cada vez. Mas, depois de enxergar beleza na simplicidade, voto até o fim pelo fim da ilegalidade do corpo humano. Como diz o libertário Mark Twain: “Se fosse a vontade de Deus que nós vivêssemos nus, teríamos nascido assim”.

*PAGUE AS AUTORAS: Gostou da matéria? Apoie a autora. Todas as doações para este post irão para Joana Rizério e Ana Persona. Se preferir depositar direto para Joana, pode fazê-lo nesta conta: Banco do Brasil, agência 2816-9, conta corrente 121152-8, CPF 326.060.445-68 (titular: Rita de Cassia Oliveira Rizerio. 

 

*PAGUE A ILUSTRADORA: Para doar à ilustradora Ana Persona: Ana Paula Cerqueira, banco Santander, agência 0642, conta corrente 01.025.128-9, CPF 028.045.236-59. Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, bancada pelos leitores.

 

 

O Socialista Morena é um blog de jornalismo independente. Se você quiser contribuir financeiramente, doe ou assine. Quanto mais colaborações, mais reportagens exclusivas. Obrigada!!

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode apenas usar qualquer cartão de crédito ou de débito. Ou, você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência 3310
Conta Corrente 23023-7

Em Blog

0 Comente

Inimputáveis: Conselho de Ética do Senado arquiva pedido de cassação de Aécio

(Aécio Neves e o ex-presidente FHC em 2016. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

(Aécio Neves e FHC em 2016. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Mais uma vez ficou comprovado que, em se tratando de denúncias envolvendo o PSDB, o verbo mais utilizado é “arquivar”: o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), aproveitou a Casa vazia, em plena véspera de São João, para anunciar que ordenou o arquivamento da representação contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do mandato desde maio por decisão do Supremo Tribunal Federal. Se repetem o roteiro e a percepção de que os tucanos são inimputáveis.

“Indeferi por falta de provas”, disse João Alberto Souza. Segundo ele, as provas anexadas à representação são “recortes de jornais, de revistas e fitas gravadas que não dizem nada que culpe o senador Aécio Neves. Não há elementos convincentes para que se abra um processo contra o senador. A minha consciência diz que não cabe, por falta de provas, abrir processo.”

Ouça a matéria da Rádio Senado:

Na decisão, o senador maranhense cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) que diz que declaração constante de matéria jornalística não pode ser acolhida como fundamento para instauração de um procedimento criminal.

A representação, que pedia abertura de processo por quebra de decoro contra Aécio, havia sido apresentada em maio pela Rede e pelo PSOL, mas a decisão pelo arquivamento foi tomada em tempo recorde: João Alberto recebeu na segunda-feira e, quatro dias depois, em plena sexta-feira à tarde, sem ninguém na Casa, decidiu pelo arquivamento.

O senador lembrou que qualquer integrante do Conselho de Ética tem até dois dias úteis para recorrer da decisão, desde que conte com o apoio de cinco parlamentares. Em nota, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que entrará em contato com os demais senadores do Conselho de Ética para colher as cinco assinaturas necessárias para o recurso, que já conta com o apoio do senador Lasier Martins (PSD-RS).

(Com informações da Agência Senado)

 

 

O Socialista Morena é um blog de jornalismo independente. Se você quiser contribuir financeiramente, doe ou assine. Quanto mais colaborações, mais reportagens exclusivas. Obrigada!!

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode apenas usar qualquer cartão de crédito ou de débito. Ou, você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência 3310
Conta Corrente 23023-7

Em Blog

0 Comente

Uma em cada cinco crianças vive na pobreza em países ricos; uma em cada oito passa fome

(Crianças comem a merenda em escola da Paraíba. Foto: Isadora Ferreira/ONU)

(Crianças comem a merenda em escola pública da Paraíba. Foto: Isadora Ferreira/PMA)

“Onde é que o socialismo funcionou?” é a pergunta mais frequente dita pela direita nas redes sociais, como se o capitalismo tivesse “funcionado” em alguma parte do planeta. Um relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) mostra que uma em cada cinco crianças em 41 países ricos vive na pobreza. Uma em cada oito crianças passa fome nestes países. Se isso é “funcionar”, imaginem se não funcionasse.

O relatório aborda a situação de meninos, meninas e jovens em 41 nações de alta renda e o cumprimento dos principais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) associados ao bem-estar infanto-juvenil. A Dinamarca tem os melhores resultados em relação à pobreza relativa, mas mesmo ali 9,2% das crianças vivem na miséria. Taxa similar têm a Islândia e a Noruega, e o número sobe para 30% em Israel e na Romênia, que possuem os piores resultados em termos de pobreza relativa entre os países ricos.

EUA, Bulgária, Espanha, México e Turquia também registram taxas de pobreza infantil superiores à média do mundo rico. Já a insegurança alimentar —ou falta de comida— afeta 20% das crianças no Reino Unido e nos EUA e uma em cada três no México e na Turquia.

Os sete países em que uma em cada sete crianças vive em situação de pobreza estão na Europa. Uma em cada três crianças europeias sofre carências de dois ou mais tipos nesta lista: nutrição, vestuário, recursos educativos, atividades recreativas, atividades sociais, acesso à informação e qualidade da moradia.

O relatório também aponta a obesidade infantil como uma forma de desnutrição, já que as crianças consomem cada vez mais alimentos pouco saudáveis e bebidas com alto conteúdo de açúcar e, ao mesmo tempo, não praticam exercícios físicos regularmente. “A obesidade está relacionada com múltiplos problemas durante a infância, baixa autoestima e a possibilidade de desenvolver enfermidades cardiovasculares e diabetes na idade adulta”, diz o relatório.

Uma em cada sete crianças tem sobrepeso ou é obesa nestes países, um indicador que apresenta poucas variações, com taxas de obesidade infantil entre 10% e 20% em todos eles, exceto em quatro. O país mais saudável é a Dinamarca, que vem reduzindo a sua já baixa taxa de obesidade infantil nos últimos anos. Já em Malta e no Canadá, uma em cada quatro crianças estão acima do peso ideal.

“Rendas mais altas não levam automaticamente a resultados melhores para todas as crianças e podem, na verdade, aprofundar desigualdades. Governos em todos os países precisam agir para garantir que as lacunas sejam reduzidas e que seja feito progresso para alcançar os ODS para as crianças”, defendeu Sarah Cook, a diretora do Centro de Pesquisa Innocenti, do Unicef, durante a divulgação do documento, em 15 de junho.

O Unicef chamou a atenção para a eficácia dos programas de transferência de renda, sempre criticados pela direita brasileira, a exemplo do Bolsa Família. Em 11 dos países pesquisados, as transferências reduziram a pobreza infantil à metade, e, nos casos de maior sucesso, como Finlândia, Islândia e Noruega, até em dois terços. Em termos gerais, as transferências de renda nos países ricos reduziram as taxas de pobreza infantil em quase 40%.

Sobre a saúde do público infanto-juvenil, o relatório destaca que a boa notícia é que as taxas de mortalidade neonatal, suicídio adolescente, gravidez na adolescência e alcoolismo têm registrado quedas nos países ricos. No entanto, o Unicef alerta que um em cada quatro adolescentes relata ter dois ou mais problemas de saúde mental (prostração, irritabilidade, nervosismo e dificuldades para conciliar o sono) mais de uma vez por semana.

A respeito da educação fornecida por países de alta renda, o relatório também surpreende ao mostrar que 20% dos estudantes de 15 anos de idade não alcançam os níveis mínimos de proficiência em leitura, matemática e ciência em países tidos como “modelo” no Brasil, como o Japão e a Finlândia. Menos da metade dos jovens de 15 anos examinados na Bulgária, Chile, Romênia e Turquia alcançaram os níveis mínimos.

E ora vejam só: o país que ocupa o primeiro lugar em proficiência é justamente um integrante da extinta União Soviética, a Estônia, com renda per capita que não chega nem à metade da dos outros quatro países que ocupam os cinco primeiros postos do ranking. Abaixo da ex-comunista Estônia é que vêm Japão, Finlândia, Canadá e Irlanda.

Acesse o relatório clicando aqui.

(Com informações do site da ONU)

 

 

O Socialista Morena é um blog de jornalismo independente. Se você quiser contribuir financeiramente, doe ou assine. Quanto mais colaborações, mais reportagens exclusivas. Obrigada!!

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode apenas usar qualquer cartão de crédito ou de débito. Ou, você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência 3310
Conta Corrente 23023-7

Em Kapital

0 Comente