O direito à preguiça

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Vou tirar duas semans de folga e volto na segunda semana de agosto com muitas novidades. Até lá!

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12 coisas banais que podem fazer você levar um tiro se for negro nos EUA

negra

Por Narjas Zatat, no Independent

1. Carregar um caminhão de brinquedo

Charles Kinsey, um terapeuta que estava tentando ajudar seu paciente autista, foi baleado pela polícia na quarta-feira 20. O paciente dele estava segurando um caminhão de brinquedo que a polícia confundiu com uma arma. Kinsey felizmente sobreviveu e denunciou o caso no hospital.

2. Brincar com uma arma de brinquedo

A polícia foi chamada em um parque por pessoas que não tinham certeza se a arma com a qual Tamir Rice, de 12 anos, estava brincando, era real ou não. Os policiais pediram para ele colocar as mãos para cima e quando elas passavam na altura da cintura, atiraram duas vezes. O menino não ameaçou o policial nem apontou a “arma” para ele.

3. Segurar cigarros na rua

Eric Garner foi imobilizado no chão por dois policiais que se aproximaram dele com a suspeita de que estivesse vendendo cigarros ilegalmente. Garner negou, mas a polícia tentou prendê-lo de qualquer jeito. Garner morreu após receber uma gravata -o que é proibido pela polícia de Nova York. Suas últimas palavras, “Não posso respirar”, junto com #BlackLivesMatter (Vidas Negras Importam), viraram símbolo dos protestos anti-armas em todo o país.

4. Andar por uma área residencial

Em 2012, Trayvon Martin foi baleado e morto pelo segurança voluntário George Zimmerman. Martin estava caminhando ao telefone numa rua residencial junto com sua namorada quando Zimmerman se aproximou dele, perguntando por que estava lá. Após uma discussão, Zimmerman atirou e o matou. Ele foi absolvido por assassinato em segundo grau. Em maio, a arma que matou o adolescente de 17 anos de idade foi leiloada por mais de 100 mil dólares.

5. Segurar um celular

Em 2015, Keith Childress, de 23 anos, foi baleado e morto pela polícia após eles confundirem o telefone celular em sua mão com uma arma.

6. Abrir uma porta

Em Chicago, Bettie Jones, de 55 anos, estava desarmada quando abriu a porta da frente após denúncias de violência doméstica. A polícia atirou e matou-a “acidentalmente”.

7. Ter problemas mentais

Em 2014, o policial Christopher Manney atirou em Dontre Hamilton 14 vezes após uma chamada sobre seu comportamento. Apesar de ele não estar fazendo nada ilegal nem sendo violento, resistiu no momento de ser revistado e isso o levou a ser morto. Sua família disse que ele sofria de esquizofrenia, mas não era violento.

8. Usar a escada

Akay Gurley, de 28 anos, estava descendo a escada com a namorada no edifício onde morava quando foi baleado e morto pelo policial de Nova York Peter Liang.

9. Tomar analgésico

Rumain Brisbom foi baleado e morto após um policial se aproximar de seu carro suspeitando que estivesse envolvido em tráfico de drogas. O policial disse a ele para sair e apontou a arma em sua direção. Quando aproximou a mão da cintura, e após uma breve luta, Brisbon foi fatalmente baleado. Depois se descobriu que ele estava procurando por um frasco de oxycodone -um analgésico.

10. Correr

Freddie Gray, de 25 anos, foi parado porque correu após ver a polícia nas proximidades. Eles o pegaram e o prenderam por alegadamente possuir um canivete ilegal. Ele morreu morreu uma semana depois, sob custódia da polícia, de uma lesão na medula.

11. Andar de bicicleta

Em agosto de 2015, Dante Parker andava de bicicleta em seu bairro. A polícia, respondendo a uma denúncia de roubo, usou uma taser (arma de choque) 25 vezes nele e é acusada de negar ajuda médica. Aparentemente a aparência dele era similar à descrição do acusado de roubo.

12. Pedir socorro

Em 2013, Johathan Ferrell bateu seu carro e tentou conseguir socorro. Uma mulher chamou a polícia e quando o policial chegou não se identificou nem deu nenhum comando, apenas atirou nele 12 vezes.

Este artigo foi inspirado no vídeo abaixo: 23 formas de ser morto se você for negro nos EUA

 

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Médicos cubanos viraram “coxinhas”? Governo de Raul Castro estaria temendo debandada e por isso está convocando-os de volta

medicoschegando

(Médicos cubanos chegam ao Brasil, em 2013. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

A paranoia da direita de que os brasileiros fossem “influenciados” pelos cubanos do programa Mais Médicos, a quem chegaram a chamar de “guerrilheiros disfarçados”, pode ter se concretizado ao contrário: o Fla-Flu da política brasileira, ao que tudo indica, contaminou os médicos cubanos. O blog teve acesso a conversas na internet em grupos fechados mantidos por doutores cubanos no Brasil que mostram que os profissionais foram contaminados pela polarização política em nosso país. O temor de que haja uma debandada de profissionais estaria por trás da decisão do governo cubano de convocar de volta os médicos que completam três anos atuando aqui.

Os grupos privados mantidos pelos profissionais cubanos nas redes sociais estão em polvorosa desde a semana passada, quando foi anunciado pelo governo a decisão de não renovar o contrato com os mesmos médicos, que serão substituídos por outros. Os médicos que se encontram no Brasil desde o início do programa, em 2013, foram surpreendidos com a mudança, porque davam como certo que poderiam permanecer no país mais três anos, já que, em abril, a presidenta Dilma Rousseff havia baixado uma MP (Medida Provisória) autorizando a renovação.

Assim como nós, brasileiros, fazemos no facebook, nos grupos privados os médicos cubanos se acusam mutuamente: os defensores do governo de Raul Castro são chamados de “comunistas” e os que fazem críticas, de “contra-revolucionários”. Enquanto no mundo analógico as informações oficiais circulam com todo o sigilo característico do regime, na internet a realidade é outra: os médicos gravam as reuniões com os coordenadores da OPAS (Organização Panamericana de Saúde), a quem chamam jocosamente de “descoordenadores”, e os áudios circulam livremente por whatsapp.

Foi o caso do comunicado que o blog divulgou com exclusividade domingo à noite, que em algumas versões aparece assinado por um certo “dr. Rodolfo”, sobre quem os médicos nos grupos comentam com intimidade. A embaixada de Cuba chegou a desmentir que o comunicado fosse verdadeiro, mas a OPAS confirmou que os médicos irão retornar após três anos, sem direito à renovação, exatamente como dizia o documento. O blog apurou que a substituição automática dos médicos cubanos após três anos de serviço faz parte de uma estratégia do governo cubano para evitar a “contaminação ideológica” de seus profissionais nos países latino-americanos onde atuam, coisa a que não correm perigo trabalhando no continente africano. O temor da “coxinhização” dos médicos explicaria a “quarentena” de cinco anos em Cuba para os que retornarem após as eleições municipais, em novembro.

Embora se acusem mutuamente em termos ideológicos, as razões que os médicos dão nas redes para querer continuar mais três anos no Brasil não têm nada a ver com política e sim com ascensão social: querem ficar para economizar dinheiro e melhorar sua situação de vida no retorno a Cuba, principalmente realizando o sonho da casa própria. Eles também falam que o governo cubano está em “alerta vermelho” com a possibilidade de que haja deserção em massa. Normalmente, em torno de 10% dos médicos cubanos em missão desertam, mas já se prevê que aqui o número seja muito maior. Há ainda, reclamações sobre o extremo sacrifício da vida do médico cubano, longe de casa e sem poder levar seus familiares nas missões.

O blog selecionou e traduziu alguns depoimentos de médicos cubanos publicados em um dos grupos. Achei tudo muito triste. Leia a seguir.

“Eu particularmente queria renovar para conseguir economizar um pouco mais para, juntando com o dinheiro que tenho em Cuba, comprar uma casa e um carrinho, mas, bem, parece que não vai poder ser assim. Desejo que todos fiquem bem de saúde e quem sabe nos vemos em Chile ou em outro lugar.”

“Eu com o dinheiro da Venezuela comprei a casa e aqui com o dinheiro do primeiro ano comprei um Chevrolet e graças a ele fui em duas viagens de férias, o dinheiro no banco de nada vale se você não tem casa.”

“Eu completo dez anos longe da família, é suficiente, perdi a adolescência do meu filho e agora a da minha filha, o sacrifício vale a pena, mas com esta terminou, abraço a todos.”

“Muitos não se deram conta de que o médico cubano está condenado ao desterro, a viver longe de sua família quase a vida inteira, muitos aqui celebrando voltar para partir em outra missão, outros querendo prorrogar para seguir aqui, porque não é um país ruim, mas no final todos estamos na mesma causa, o desterro perene, longe de nossos seres queridos, seja na Venezuela, Qatar, Arábia, Bolívia ou onde seja. Porque em nenhum lugar você tem direito a levar a sua família como se fosse um condenado.”

“Eles sabem da metamorfose que existe na mentalidade de cada médico que está no Brasil, eles sabem que, de todos os intelectuais, os médicos são o único perfil que se mantêm mais submissos e a única forma de preservá-los assim é mantê-los como ciganos, mas controlando seu movimento para o exterior e o tempo fora.”

“Estão desmentindo essa informação do dr. Rodolfo porque não era para conhecimento de todos os médicos. Essa informação pode ser uma bomba e como dizem muitos aqui pode provocar um abandono em massa da missão, ou melhor dito, o não-regresso massivo dos colaboradores a Cuba. Essa informação unida a que, no ano 2017, será um ano em que vai ficar mais grave o chamado Período Especial (crise). Em uma colaboração anterior com o Brasil foram muitos os médicos que não regressaram a Cuba. O prognóstico é reservado e o governo cubano está em alerta vermelho.”

“A Cuba não convém ter médicos fora em um país como este por muito tempo, e sobre que os prefeitos querem que sejam os mesmos médicos, a Cuba não lhe importa nada, o governo sabe que os médicos que estão no Brasil quando cheguem em Cuba lhes vão dar dor de cabeça, porque desfrutaram da liberdade por três anos e se adaptar de novo às restrições vai ser muito difícil.”

 

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