Socialista Morena
Feminismo

De que adianta ter “nascido mulher” e se comportar como jagunça de macho?

Defender os direitos das mulheres não envolve só gênero, mas também ideologia: as bolsonaristas priorizam defender os direitos dos homens aos quais assumem ser submissas

Esse homem aí Damares sempre defendeu; e as mulheres, quando? Foto: reprodução
Cynara Menezes
12 de março de 2026, 16h11

Está muito engraçado (se não fosse trágico) ver mulheres que nunca se importaram com os direitos das mulheres atacando a deputada Erika Hilton por “não ter nascido mulher” ou “não ter útero” e ter sido eleita presidentA da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara. Mulheres que chamam outras mulheres de “feias”, que tentam impedir outras mulheres e meninas de fazer o aborto legal após terem sido estupradas, mulheres que pregam submissão ao homem, estão criticando uma mulher trans que sempre esteve a serviço de nossa causa.

Julia Zanatta propôs um projeto que amplia o direito à defesa do homem acusado de bater na mulher; se ele conseguir ser inocentado, a vítima pode ser presa por até 8 anos! Fez diferença em quê o fato de ela ter nascido com xoxota em vez de um piru?

Eu pergunto: de que adianta ter “nascido mulher” se nunca defendeu nossos direitos? A senadora Damares Alves, por exemplo, que subiu à tribuna indignada com a eleição de Erika, o que ela fez para defender as mulheres em sua carreira política? Dizer que as feministas “não gostam de homem porque são feias”? Tentar impedir uma menina de 10 anos de abortar o filho de um pedófilo? Defender que nós temos que obrigatoriamente vestir cor de rosa e os homens azul?

Ou será mais útil à causa feminina aquela vereadora bolsonarista do Amazonas que disse ser a favor da violência doméstica e que  “tem mulher que merece apanhar”? Talvez aquela outra deputada, também bolsonarista, do Maranhão que propôs uma sessão só com homens no Dia da Família “para mostrar à sociedade que o cabeça da família é o homem”? “Vamos encher esse plenário de macho. A mulher tem que entender que ela deve submissão ao marido, doa a quem doer”, justificou. Então ter vagina e defender os direitos dos homens é aceitável para a mulher reacionária?

A deputada bolsonarista Julia Zanatta, por exemplo, parece mais preocupada em defender os homens acusados de violência do que em atuar pelas mulheres vítimas de violência. Ela propôs um projeto que amplia o direito à defesa do homem acusado de bater na mulher; se ele conseguir ser inocentado, a vítima pode ser presa por até 8 anos! Ela foi eleita para nos representar ou para ser jagunça de macho? Fez diferença em quê o fato de ela ter nascido com uma xoxota em vez de um piru?

As mulheres pretas são as maiores vítimas de racismo, estupro e feminicídio  e são as que recebem salário menor em relação aos homens, e são também as mães das vítimas de violência policial. O que fez a bolsonarista Carol de Toni, que ocupou a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), em benefício delas? Criou um projeto para mitigar essa dor? Não, de Toni é autora de um projeto para passar pano no “racismo recreativo”, modificando a Lei Caó para que os que forem racistas “em contexto de descontração ou diversão” não sofram punição. Vagina para quê mesmo?

Na Câmara Federal, as deputadas de extrema direita votaram em peso contra o projeto de lei que exige paridade salarial entre homens e mulheres exercendo a mesma função. Elas também atuam para tentar proibir o aborto legal em caso de estupro, ou seja, querem transformar estupradores e pedófilos em pais de família. Ter uma vagina não é nada diante da traição que essas mulheres representam à nossa causa. O que dizer da Janaina Paschoal, que recebeu grana para arrancar do cargo a primeira mulher eleita presidenta do Brasil e agora está bradando nas redes por representatividade feminina?

Já a deputada Erika Hilton, além de propostas específicas para proteger as pessoas trans num país campeão de transfeminicídio, também propôs uma série de projetos que beneficiam todas as mulheres, inclusive ampliando o alcance da Lei Maria da Penha. O macho ídolo das que agora estão atacando Erika, ao contrário, zombou diversas vezes até mesmo do termo “feminicídio”, propondo que a solução para o problema estaria em dar pistolas as mulheres e não na lei –ainda que as mulheres policiais, que andam armadas, também sejam vítimas de feminicídio.

Enquanto as extremistas de direita estão preocupadas em propor anistia para os/as golpistas do 8 de janeiro, Erika Hilton propôs anistia a todas as mulheres criminalizadas por abortarem no Brasil de 1940 até hoje. Enquanto as bolsonaristas querem manter a cruel jornada 6X1, que prejudica pais e mães em sua convivência com os filhos, Erika é autora do projeto que acaba com esta jornada, beneficiando mulheres (e homens) que poderão passar mais tempo com sua família.

A questão em torno da presidência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres é de gênero, mas é também ideológica: mulheres bolsonaristas não defendem prioritariamente os direitos das mulheres, priorizam os direitos dos homens, até porque pregam abertamente ser submissas a eles. Quem defende os direitos das mulheres são as mulheres de esquerda; as feministas que as extremistas de direita tanto atacam e que agora cobram pela indicação da Erika. “Cadê as feministas?” Estamos com quem sempre esteve do nosso lado, ué.

Em seu primeiro mandato como deputada federal, Erika Hilton tem pautado sua atuação parlamentar pela defesa dos direitos das pessoas LGBTs e das mulheres –o que inclui as mulheres trans como ela. Erika nos representa. Na presidência da Comissão, vai defender nossos direitos como sempre fez e será extremamente útil à nossa causa. Citando Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher, torna-se”. Tem mulher por aí que nasceu mulher, mas nunca se tornou uma.

 

 


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Daniel Paula em 12/03/2026 - 22h11 comentou:

É comovente a ginástica mental esquerdista para justificar o injustificável.

Para ser “mulher” hoje, basta ter o selo do PSOL e recitar Beauvoir, reduzindo a biologia a um mero detalhe inconveniente.

O Direito e a Ciência não se dobram à sua poesia identitária.

Explico, vamos por partes:

1) A proteção jurídica foca em vulnerabilidades materiais concretas.

2) A Constituição Federal (art. 5º, I) consagra a igualdade, mas nosso ordenamento — como a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) e o art. 121, § 2º, VI, do Código Penal (Feminicídio) — tutela o sexo feminino com base na dura realidade biológica, não em mera autoidentificação subjetiva.

3) Apagar a materialidade do sexo para focar em ideologia esvazia as garantias institucionais conquistadas pelas mulheres reais no Brasil.

Parabéns pelo ápice do machismo gourmet: alçar um homem biológico para ditar os direitos das mulheres e ainda aplaudir de pé.

A revolução feminista, quem diria, terminou exigindo submissão cega ao patriarcado de batom.

Negacionismo puro.

Continue militando na bolha; a biologia, a realidade e o ordenamento jurídico mandam lembranças!

Responder

    Cynara Menezes em 17/03/2026 - 15h20 comentou:

    desde quando vocês de extrema direita defenderam o direito das mulheres? não são vocês que pregam “submissão”?

felipe puxirum em 16/03/2026 - 09h32 comentou:

da esquerda à direita
não faltam mulheres
machistas à espreita
apesar do que queres
fazer crer como seita
que só direita degenere

Responder

Daniel Paula em 18/03/2026 - 01h35 comentou:

Pergunta: desde (sic) quando vocês de extrema direita defenderam o direito das mulheres? não são vocês que pregam “ submissão”?

Resposta:

Ah, a clássica falácia do espantalho!

É fascinante como a esquerda confunde delírios de internet com teoria política.

Reduzir o pensamento conservador a um fetiche de “submissão” não é só preguiça intelectual, é puro analfabetismo histórico.

O conservadorismo defende a vida, a propriedade e a liberdade, os pilares práticos que protegem as mulheres muito mais do que cartilhas identitárias.

No Brasil, o foco da direita no rigor penal e na segurança pública é a verdadeira defesa feminina.

O Artigo 5º, inciso I, da Constituição Federal decreta: “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”.

Nós exigimos que o Estado efetive isso punindo criminosos severamente, em vez de aplaudir o abolicionismo penal e as “saidinhas” que devolvem feminicidas às ruas, pautas historicamente abraçadas pela esquerda.

Enquanto vocês militam por pronomes neutros e romantizam criminosos, nós lutamos pelo direito à legítima defesa e por leis rígidas.

Se desejar que mulheres parem de ser vítimas de bandidos reincidentes é ser “extremo”, sugiro revisar urgente o seu dicionário.

Responder

    Cynara Menezes em 23/03/2026 - 20h25 comentou:

    sim, DESDE QUANDO. se você só escreve com chat GPT talvez não conheça o termo

felipe puxirum em 27/03/2026 - 10h34 comentou:

mas quem defende quem
mesmo ó seus patéticos
em nome de algum bem
se há mulher no privilégio
e jogada nas ruas também
ou o teu feminismo é cego?

Responder

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