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Carolina Maria de Jesus: 100 anos da autora do clássico “Quarto de Despejo”

Não digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida. Digam que eu procurava trabalho, mas fui sempre preterida. Digam ao povo brasileiro que meu sonho era ser escritora, mas eu não tinha dinheiro para pagar uma editora. Em 1958, o repórter Audálio Dantas estava na favela do Canindé, em São Paulo, preparando uma […]

Cynara Menezes
14 de março de 2014, 14h22

(Carolina e a primeira edição de seu livro)

Não digam que fui rebotalho,
que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho,
mas fui sempre preterida.
Digam ao povo brasileiro
que meu sonho era ser escritora,
mas eu não tinha dinheiro
para pagar uma editora.

Em 1958, o repórter Audálio Dantas estava na favela do Canindé, em São Paulo, preparando uma reportagem sobre um parque infantil para o extinto jornal Folha da Noite, quando se deparou com uma mulher negra de 43 anos que gritava: “Onde já se viu uma coisa dessas, uns homens grandes tomando brinquedo de criança! Deixe estar que eu vou botar vocês todos no meu livro!”  Curioso, como todo bom jornalista, Audálio foi atrás dela e descobriu uma escritora: Carolina Maria de Jesus, que ficaria conhecida mundialmente por Quarto de Despejo, um clássico de nossa literatura, traduzido em 13 idiomas.

Lançado em 1960, o livro venderia mais de 80 mil exemplares no Brasil, um best seller até para os padrões de leitura de hoje em dia. Nele, Carolina fazia um diário de sua vida desde que deixara Sacramento, em Minas, aos 17 anos, para ir morar em São Paulo, onde trabalhou como empregada doméstica e, quando Audálio a encontrou, como catadora de papel. O título veio de uma frase de Carolina: “A favela é o quarto de despejo da cidade”. A escritora favelada é, de certa forma, precursora de nomes recentes de nossa literatura que vieram da periferia das grandes cidades, como Paulo Lins (Cidade de Deus) e Ferréz (Capão Pecado).

“Carolina é uma escritora fundamental para entender a literatura brasileira, que é feita, em sua grande maioria, de autores brancos de classe média que dominavam a língua formal. Ela mostra a outra face dessa história, que passa a ser vista do ponto de vista dela, de baixo”, diz a professora da Universidade de Brasília Germana Henriques Pereira, autora de O Estranho Diário de Uma Escritora Vira-Lata, um dos poucos trabalhos que analisam a obra de Carolina do ponto de vista da crítica literária. Depois do estrondoso sucesso, Carolina morreria pobre e praticamente esquecida, isolada num sítio, em fevereiro de 1977.

A literatura de Carolina Maria de Jesus só foi redescoberta na década de 1990, graças ao empenho do pesquisador brasileiro José Carlos Sebe Bom Meihy e do norte-americano Robert Levine, que juntos publicariam o livro Cinderela negra: a saga de Carolina Maria de Jesus (editora UFRJ, atualmente esgotado), e editariam duas coletâneas de inéditos da escritora (leia aqui um artigo de Melhy sobre Carolina). No exterior, porém, ela nunca deixou de ser lida e estudada, sobretudo nos EUA, onde Quarto de Despejo, traduzido como Child of the Dark, é utilizado nas escolas –ao contrário do que ocorre em sua terra natal.

Audálio Dantas, descobridor de Carolina Maria de Jesus, deu uma pequena entrevista ao blog sobre a escritora.

Socialista Morena – Por que Carolina, mesmo sendo reconhecida no exterior, ficou tanto tempo esquecida no Brasil?

Audálio Dantas – É que, como sempre, a moda passou rapidinho. A maioria “consumiu” Carolina como uma novidade, uma fruta estranha. Carolina, como objeto de consumo, passou, mas a importância de seu livro, um documento sobre os marginalizados, permanece.

SM – Neste meio tempo, não apareceram tantas mulheres faveladas ou empregadas domésticas escritoras. Por quê?

Audálio – Xi, foram dezenas ou centenas, Só eu recebi mais de vinte originais, Nenhum tinha a força do texto de Carolina.

SM – Ainda hoje existem catadores de papel… A vida nas favelas mudou pouco em relação à época da Carolina?

Audálio – Existem até mais, com a necessidade de reciclagem. A maioria, hoje, faz esse trabalho com carroças (aquelas sempre acompanhadas por um cachorro…). As favelas também mudaram. Não que seja bom e bonito viver nelas, mas em muitas já se observam os sinais da movimentação social dos últimos anos, quando milhões de brasileiros ascenderam à chamada nova classe C. Muitos desses brasileiros vivem nelas, com TV, internet, celular e outros objetos das novas tecnologias.

SM – Você acompanhou Carolina até o fim?

Audálio – Não. Carolina era uma pessoa de personalidade muito forte. Isso pode ser constatado no livro. Desentendeu-se comigo, me distanciei. Ela sempre buscou a glória, e quando esta se foi, se ressentiu. Morreu amarga.

Desiludida com o insucesso de suas obras posteriores, Carolina rompeu com o jornalista e chegou a criticá-lo no livro Casa de Alvenaria. “Eu queria ir para o rádio, cantar. Fiquei furiosa com a autoridade do Audálio, reprovando tudo. Dá impressão de que sou sua escrava”. Em 1961, chegou a gravar um disco, com canções compostas por ela mesma (uma raridade, ouça aqui). Mais tarde, perto do final da vida, a escritora mudou de opinião sobre seu descobridor. “O Audálio foi muito bom, muito correto comigo, eu sempre acreditei nele”, disse Carolina à Folha de S.Paulo em sua última entrevista, em 1976.

Na mesma reportagem, Audálio Dantas conta sua versão do rompimento. “Ela recebia convites de um Matarazzo, recebia convites para falar em faculdades, para visitar o Chile, para frequentar a sociedade e dezenas de propostas de casamento. Mas eu achava que ela não devia entrar neste esquema, porque não era uma coisa natural. Porque as pessoas a procuravam como uma pessoa de sucesso e a viam como um animal curioso”, disse o jornalista.

No enterro de Carolina, Audálio era uma das duas “autoridades” presentes além dos familiares – o outro era o prefeito de Embu-Guaçu. Um orador que não conhecera a escritora em vida improvisou o discurso de despedida. “Somente compareceram para lhe dar o último adeus as pessoas humildes, as pessoas que sempre a acompanharam em toda a sua vida”. E fez, ali, o epitáfio de Carolina: “Morreu como viveu: pobre”.

Frases de Carolina Maria de Jesus:

“O assassinato de Kennedy é descendente de Herodes e neto de Caim. Kennedy era o sol dos Estados Unidos. O sol que se apagou. Um homem que era digno de viver séculos e séculos.”

“Antigamente o que oprimia o homem era a palavra calvário; hoje é salário.”

“O maior espetáculo do pobre da atualidade é comer.”

“As crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades tragicas e que brincadeira do destino.”

“A amizade do analfabeto é sincera. E o ódio também.”

“Eu sou negra, a fome é amarela e dói muito.”

“A favela é o deposito dos incultos que não sabem contar nem o dinheiro da esmola.”

“Quem inventou a fome são os que comem.”

“Quem não tem amigo mas tem um livro tem uma estrada.”

***

Breve biografia de Carolina interpretada pela grande atriz negra Ruth de Souza:

Um poema de Carolina Maria de Jesus:

P.S.: Para quem estiver no Rio, o Instituto Moreira Salles promove hoje, 14 de março, às 20h, Carolina é 100, evento em homenagem à escritora, com a exibição do documentário alemão, inédito no Brasil, Favela: a vida na pobreza (Favela – Das Leben in Armut). Dirigido pela alemã Christa Gottmann-Elter, em 1971, com duração de 16 minutos, o filme é baseado em Quarto de Despejo. Após a exibição, haverá um debate com Audálio Dantas (mais informações aqui).


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Silvio em 14/03/2014 - 14h26 comentou:

Ótima lembrança! Parabéns pela reportagem.

Responder

Juvenal R.Buzano em 14/03/2014 - 22h04 comentou:

Tudo bem fazer uma homenagem, mas ela morreu pobre e muitos lucraram com a venda dos seus livros .Então porque não ajudar seus parentes?

Responder

    esther lima oliveira em 24/07/2014 - 12h10 comentou:

    eu sinto muito….

    esther lima oliveira em 24/07/2014 - 12h14 comentou:

    eu sinto muito por eia ter morido tah mais reso pra q nao acontesa com niguem

    bruna em 13/10/2014 - 18h39 comentou:

    verdade

deia linda souza em 15/03/2014 - 00h51 comentou:

Muito boa lembrança.Por onde andarão seus filhos ?

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André Giuliano em 15/03/2014 - 01h20 comentou:

Gracias Morena, que também é socialista – como a bandeira de meu Partido – por manteres viva nossa Carolina.

Responder

carlusX em 15/03/2014 - 10h29 comentou:

Me lembro da figura da Carolina qdo. eu era criança folheando páginas da revista O Cruzeiro, mas só vim a ler 'Beyond all pity' (Muito além do sentir pena) – tradução para o inglês de 'Quarto de despejo' – qdo. morava no exterior no início dos anos 1990. A leitura do livro caiu como uma BOMBA em mim. Mesmo lendo em outra língua a pujança da narrativa e o realismo da historia me comoveu de maneira incrível. Comecei minha procura por Carolina de Jesus, mas como ainda não havia Internet eu consegui pouca informação. Fico feliz de ver que os 100 anos de seu nascimento está sendo comemorado. Eu sou seu fã total.

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sergio j Dias em 15/03/2014 - 16h03 comentou:

Um ótimo artigo sobre Carolina: http://pelenegra.blogspot.com.br/2011/12/carolina

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raphaela em 15/03/2014 - 18h22 comentou:

chorei de novo, como muitas vezes fiz lendo esse livros por várias vezes na adolescência. Se hoje sou enfermeira e atuo na atenção básica, ela foi uma das responsáveis…

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marco em 16/03/2014 - 00h30 comentou:

Linda história de uma Brasileira exemplar!

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Mario H von Hafe em 16/03/2014 - 07h03 comentou:

Obrigado por este pedaço de informação, e lembrança de Carolina Maria de Jesus! Me intriga o facto dela ter desaparecido, ate das Memorias dos mais velhos! Isso porque jamais ouço dela falar, mesmo em gamboas! Porque não se luta para que ela tenha o Lugar que merece na Literatura Brasileira quiçais Lusófona!
Em Angola, aqui de onde vos escrevo, não deve ter uma centena de Intelectuais que dela se lembre ou que já tenham lido algo dela!
Parabéns, Coragem e Força na conquista dos vossos objetivos!

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Luzy Costa em 16/03/2014 - 13h44 comentou:

Sou professora na rede municipal de Guarulhos e trabalho em uma escola que tem como patrona Carolina Maria de Jesus.Estamos fazendo uma homenagem ao seu centenário e comemorando também dez anos de nossa escola.Gostaria de saber se alguém tem contato com os seu familiares ou sabem se do paradeiro de alguém?

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    alvaro em 25/03/2014 - 02h08 comentou:

    Manda a foto da escola. Transforme, penso, este centenário e a década, uma alegria sem fim para os vizinhos e toda comunidade escolar. Vida longa para ti, Luzy, e para a nossa querida patrona Carolina Maria de Jesus! os nossos agradecimentos.

    PS Alem da gincana, dos desafios, dos bailes de rua… convide umas lentes linguísticas, literatos, antrpologos, enfim todos trabalhadores do social e mais os músicos e poetas do grêmio estudantil da nossa madrinha Carolina. Chama – Chico. E todos nos.
    Eu aposto por mais cem anos!
    Plano pedagógico Carolina MJ ,- projeto piloto de financiamento registro etc in mec/pre sal – como resultado desta festa cívico educacional do beaba/boaba.

iranildes b. marques em 18/03/2014 - 12h45 comentou:

O que me impressiona é como até hoje esta autora não consta nos textos estudados nas escolas, nem faz parte da escola pública! Até qdo nosso país ficará escondendo pessoas como CAROLINA?

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    Andreia Fernandes em 05/12/2014 - 18h07 comentou:

    Desde 2003, esta em vigor a lei 10639/03 que obriga o ensino de história e cultura afro brasileira nas escolas…O problema é que a ignorância, o racismo e o preconceito ainda impedem que temas tão ricos como a trajetória desta grande mulher seja retratada nas escolas, no entanto ja tivemos grandes avanços e a Luta Continua…Precisamos investir muito em capacitação e na boa vontade, para eliminarmos o genocídio praticado contra a cultura afrodescendente e africana e contra o povo negro em nosso país!
    Viva Carolina!!!!
    #‎Lei10639‬/03
    ‪#‎TodoDiadeConsciênciaNegra‬
    ‪#‎HistóriaeCulturaAfrobrasileira‬

Bacellar em 18/03/2014 - 19h21 comentou:

Vale um offtopic? Não sei se já tem postado mas estava vendo essa série educativa e não deu pra não lembrar aqui do blog: https://www.youtube.com/watch?v=x6YeSItLLro

Responder

alvaro ribeiro em 19/03/2014 - 03h37 comentou:

???

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malvina cruela em 19/03/2014 - 13h15 comentou:

vamos dar uma pequena aquecida no debate???? pelo numero de coments a coisa não engrenou né?
então que tal questionar pq ela, Maria Carolina de Jesus, no universo espantosamente grande de miseráveis brasileiros, oprimidos e massacrados é praticamente a unica voz no seculo XX??? não é estranho??
todos os autores que se preocuparam com o tema são brancos de olhos claros, bem nascidos, com um pé no velho mundo, exprimindo sua boa consciência social, principalmente depois que visitam outros países e tem oportunidade de comparar isso aqui com a civilização. Ahhhhh mas tem um que não preenche todas as condições citadas: ontem mesmo o vi na TV falando dessas coisas.. Luiz Rufatto, que poderia muito bem passar por um assessor da diretoria de um banco Suisso…(ele que causou o maior escândalo na ultima feira do livro em Berlim onde o tema era o Brasil) ao dizer em sua palestra que aqui tem muitos problemas sociais..os escritores chapa branca, oficiais, Ziraldo a frente endoidaram o cabeção, quiseram lincha-lo, ele teve de voltar antes pq senão seria apedrejado pela nossa inteligentzia (que o Millôr, o Grande dizia que estava mais para burritzia)..mas o que tem o branquinho Luiz Ruffato de peculiar?? aí que ta a questão, praticamente só branco pobre se indigna, se rebela..pq se acha injustiçado por ser… branco e pobre..para o oceanos de miseráveis moreninhos isso não é motivo de espanto algum..todos que ele conheceu na vida, amigos, parentes colegas são igualmente pobres e ninguém, nenhum deles acha que isso podia mudar, que tinha direito a outra vida..essa é peculiaridade mais perversa do nosso sistema; ele é "natural"..para opressores e oprimidos igualmente.

Responder

alvaro ribeiro em 28/03/2014 - 05h20 comentou:

Querida Luzy , prosseguindo no agenciamento Centenario, encontrar-se com alguns jovens estudantes de convenio universitario, para antes ou depois nunca, convida-los tambem pro baile.
Nao seria possivel com a forca dos nossos bracos, incorporarmos por aqui este livro digital.

(Por sinal, a mo te poesia da pedra y lascada y polida y lida y po …)

Abracos e beijos para todos em especial para dona Luzy, festeira da nossa santa padroeira literata Carolina Maria de Jesus (lembrei do meu mestre advogado Jose Domingues de Deus!)

PS Um a pedido do circulo bolivariano da bonja, sugestao de leitura do aporrea.org, onde entre outros, Lic. Trabajo social Bestalia Ibarra redige artigos bolivarianos que mereceriam a nossa atencao pois a glosa: para manter o processo revolucionario da inclusao Carolina-Audalio, é preciso libertar-se com um caderno-bic, e eu com uma caneta tinteiro, pode?

Responder

alvaro ribeiro em 28/03/2014 - 18h49 comentou:

Sr. Mario H
Viva Angola e Brasil, oceano*.
Os estudantes africanos do PEC-graduacao e pos, atravessando nos dois sentidos.
Como aqui, como la. Carolina em angolano, pode.
E para estreitar o abraco, a dica po etica: Cruz e Souza (1861-1898), o Dante Negro.
Saudacao das duas praias, de um lado ao outro.
Viva Angola-Brasil! e bem no meio, entre nos, a travessia**.

travessia* a musica de Milton Nascimento
oceano* a musica de Djavan

Responder

rafaela em 22/04/2014 - 12h26 comentou:

e uma historoa inda de uma brasileira explar

Responder

alexprocesso em 11/10/2014 - 20h51 comentou:

Trabalho excelente de recuperação dessa história, parabéns!

Responder

Thulla Melo em 23/11/2014 - 14h26 comentou:

Excelente trabalho e homenagem a escritora Carolina M de Jesus feita no FLINK 2014 esse fim de semana pela Faculdade Zumbi dis Palnares no Memorial da America Latina.Adorei.

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