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Dia da marmota: general Mourão quer intervenção militar. 1964? Não, 2017

Assim como em 1964 um general Mourão deu início à insurreição militar, agora aparece um novo general Mourão convocando as Forças Armadas para agir. Entramos no feitiço do tempo?

O espectro do velho general Mourão continua assombrando
Cynara Menezes
17 de setembro de 2017, 23h33

Parece um pesadelo: assim como em 1964 um general Mourão deu início à insurreição militar, agora aparece um novo general Mourão convocando as Forças Armadas para agir. Estamos vivendo uma versão literal da célebre frase de Marx, “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. É como se o Brasil tivesse entrado no “dia da marmota” do filme Feitiço do Tempo (1993), aquele em que Bill Murray acordava e era o mesmo dia de novo e de novo e de novo.

Na manhã do dia 31 de março de 1964, o general Olímpio Mourão Filho telefonou para os quartéis de todo o país bradando: “Minhas tropas estão na rua!” Estudiosos do período afirmam que a atitude intempestiva do general foi o estopim para o golpe, ao ordenar que suas tropas, em Juiz de Fora (MG), marchassem em direção ao Rio de Janeiro. Mais de 50 anos depois, neste sábado, em palestra na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, seu xará, o general Antonio Hamilton Martins Mourão, falou três vezes na possibilidade de os militares intervirem para “resolver” a crise política.

“Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso. Agora qual o momento para isso? Não existe forma de bolo. Nós temos planejamentos”, disse Mourão. “Desde o começo da crise, o nosso comandante definiu um tripé para a atuação do Exército: legalidade, legitimidade e que o Exército não seja um fator de instabilidade.”

“Os Poderes terão que buscar uma solução. Se não conseguirem, chegará a hora em que teremos que impor uma solução. E essa imposição não será fácil, ela trará problemas, podem ter certeza disso aí”, acrescentou. “O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, de qualquer maneira, atingir esse objetivo. Então, se tiver que haver haverá”.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública soltou nota neste domingo criticando as falas do general. “Esta declaração é muito grave e ganha conotação oficial na medida em que o General estava fardado e, por isso, representando formalmente o comando da força terrestre”, diz a nota.

Em 2015, o novo general Mourão foi demitido do Comando Militar do Sul pela presidenta eleita Dilma Rousseff por lhe fazer críticas publicamente e por ter permitido uma homenagem ao torturador Brilhante Ustra em um quartel sob seu comando.

O velho general Mourão morreu em 1972.

UPDATE: Para espanto dos democratas brasileiros de 2017, o comandante do Exército, general Villas Boas, em entrevista ao jornalista Pedro Bial na noite de terça-feira, 20, não só disse que não haverá punição como apoiou o subordinado, segundo ele “um grande soldado, uma figura fantástica, um gauchão”. Villas Boas utilizou praticamente as mesmas palavras de Mourão ao afirmar que, se a crise política não for resolvida, as Forças Armadas podem intervir. “Se você recorrer ao que está na Constituição, no artigo 142, diz que as Forças podem ser empregadas na Garantia da Lei e da Ordem por iniciativa de um dos poderes. O texto diz que o Exército se destina à defesa da pátria e das instituições. Essa defesa poderá ocorrer por iniciativa de um dos poderes, ou na iminência de um caos. As Forças Armadas têm mandato para fazer”.

 

 


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(1) comentário Escrever comentário

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Sergio em 18/09/2017 - 13h17 comentou:

Numa época dessas??? Ditadura??? Nem de direita e muito menos de esquerda!

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