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Dia Mundial Contra a Monsanto: OMS confirma que pesticida mais vendido pode causar câncer

Uma prova contundente de como a mídia é refém do poder econômico e de como não se importa em omitir notícias importantes para as pessoas em nome disso ocorreu em março. A Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, da OMS (Organização Mundial de Saúde), publicou um relatório confirmando o que muitos ecologistas e o […]

Cynara Menezes
23 de maio de 2015, 23h37

Uma prova contundente de como a mídia é refém do poder econômico e de como não se importa em omitir notícias importantes para as pessoas em nome disso ocorreu em março. A Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, da OMS (Organização Mundial de Saúde), publicou um relatório confirmando o que muitos ecologistas e o MST (Movimento dos Sem-Terra) vem dizendo há anos: o pesticida glifosato, vendido comercialmente pela Monsanto com o nome de Roundup, pode causar câncer. “Possivelmente cancerígeno” é a classificação que o glifosato recebeu da agência no relatório, publicado pela prestigiosa revista The Lancet Oncology (leia aqui). Nenhum grande jornal brasileiro destacou a notícia.

O estudo mostrou um aumento dos casos de câncer (especialmente linfoma não-hodgkin) em agricultores expostos ao glifosato na Suécia, EUA e Canadá. Após o alerta, as ações da Monsanto na bolsa de Nova York caíram. A Colômbia anunciou a proibição do uso de glifosato no país.

A multinacional reagiu furiosamente, dizendo que o estudo patrocinado pela OMS é baseado em “ciência lixo” e reafirmou que o glifosato “é seguro para a saúde e o meio ambiente”. Já os representantes da AIPC garantiram a qualidade do relatório, “baseado nos melhores dados científicos, e livre de conflito de interesses”.

No Brasil, campeão mundial no uso de agrotóxicos, o MPF (Ministério Público Federal) pediu à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a reavaliação toxicológica do glifosato com urgência e recomendou que o produto seja banido do mercado nacional. Atualmente, a Anvisa classifica o Roundup apenas como “ligeiramente tóxico” e temos em nossa ministra da agricultura, Kátia Abreu, uma grande defensora do glifosato. Em 2014, o glifosato foi proibido no Sri Lanka após um estudo comprovar que o agrotóxico é responsável pelo aumento de casos de doença renal no país. Uma pesquisa também encontrou vestígios do glifosato na urina de pessoas em 18 países europeus.

Hoje, 23 de maio, Dia Mundial contra a Monsanto, eu convido vocês a conhecer mais sobre esta empresa, que lucra 4,53 bilhões de dólares por ano vendendo agrotóxicos para o mundo. Também produz 98% da comercialização de soja transgênica e 78% do milho tolerantes a herbicidas. Na Europa, só Portugal e Espanha aceitaram comprar as sementes geneticamente modificadas da Monsanto.

Assista ao documentário O Mundo Segundo a Monsanto (2008), de Marie-Monique Robin.

Assista também a O Veneno Está na Mesa (2012), do brasileiro Silvio Tendler.

 


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Ruralistas querem tirar direito do brasileiro de saber se está comprando transgênicos - SINTRAFESC em 08/08/2017 - 10h06 comentou:

[…] Um estudo publicado em 2015 pela Agência Internacional para Investigação sobre Câncer, instituição especializada da Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou a relação direta do glifosato, principal ingrediente do herbicida Roundup, produzido pela empresa Monsanto, como possivelmente carcinogênicos para humanos. Outra publicação da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), ligada à Fundação Oswaldo Cruz, também alerta para o fato de o Brasil manter, desde 2010, a posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos, e aponta para a percepção de que os transgênicos incentivam o aumento do uso de venenos agrícolas. […]

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