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Ex-chefes de Estado criticam prisão política de Lula e Aloysio se contradiz ao atacá-los

Ministro das Relações Exteriores de Temer, que sempre atacou a Justiça da Venezuela, não gostou de ver a Justiça brasileira criticada por estrangeiros

Aécio e Aloysio ao lado de Lilian Tintori, mulher do líder opositor venezuelano Leopoldo López. Foto: Pedro França/Agência Senado
Cynara Menezes
16 de maio de 2018, 21h06

Após seis ex-chefes de Estado e de governo europeus publicarem um manifesto em apoio ao ex-presidente Lula e defenderem sua participação como candidato na eleição de 2018, o ministro das Relações Exteriores de Temer, Aloysio Nunes, subiu nas tamancas e contra-atacou com uma nota que contradiz seu comportamento em relação à Venezuela. Aloysio critica as “personalidades” por “dar lições sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro”.

Nem parece o mesmo Aloysio Nunes que, já no comando do Itamaraty, criticou a detenção de dois líderes opositores venezuelanos, Leopoldo López e Antonio Ledezma, em agosto do ano passado. Na época, o ministro das Relações Exteriores de Temer lamentou o suposto descumprimento do “devido processo legal, pilares essenciais do regime democrático” na condenação aos adversários do presidente Nicolás Maduro, idêntica queixa dos defensores de Lula. Aloysio instou a Venezuela a libertá-los imediatamente.

Aloysio sempre criticou na Justiça da Venezuela o suposto descumprimento do devido processo legal em relação aos opositores de Maduro que foram presos, idêntica queixa dos defensores de Lula

Em 2015, quando senador, Aloysio Nunes chegou a integrar uma comissão liderada por Aécio Neves que foi a Caracas tentar visitar Leopoldo López na prisão, mas acabou retornando do aeroporto, com a comitiva rechaçada por manifestantes pró-Maduro. No final daquele ano, Aloysio voltou a criticar a Justiça venezuelana, atribuindo ao presidente a prisão de líderes opositores.

“O governo brasileiro não pode permanecer indiferente diante do fato de que o Maduro mantém presos líderes opositores, como Leopoldo López, Antonio Ledezma e Daniel Ceballos, nem ignorar que políticos com expressiva votação, como a deputada María Corina Machado, tiveram seus mandatos arbitrariamente cassados e não puderam participar do último pleito”, disse. Lula também lidera as pesquisas de opinião com intenção de voto expressiva.

No manifesto, José Luis Rodríguez Zapatero, que governou a Espanha entre 2004 e 2011, François Hollande, presidente da França, e os ex-premiês italianos Massimo D’Alema, Romano Prodi e Enrico Letta e o belga Elio di Rupo criticam a prisão de Lula e defendem que ele possa concorrer às eleições presidenciais.

A luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos a escolher seus governantes

“A prisão precipitada do presidente Lula, incansável artífice da diminuição das desigualdades no Brasil e defensor dos pobres, só pode suscitar nossa comoção”, disseram os ex-chefes de Estado no manifesto intitulado Chamada de Líderes Europeus em apoio a Lula e divulgado em primeira mão na terça-feira pela agência EFE. “A luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos a escolher seus governantes”, destacou o documento, articulado pelo ex-presidente do Senado francês Jean-Pierre Bel. O manifesto diz ainda que os líderes consideram o impeachment de Dilma uma “séria preocupação”, já que a presidenta foi “democraticamente escolhida pelo seu povo e cuja integridade jamais foi posta em interdição”.

O tucano Aloysio acusou os europeus de serem “arrogantes” e pediu respeito às “instituições democráticas” de um Brasil que arrancou uma presidenta eleita do cargo e prendeu seu maior líder opositor. “Recebi, com incredulidade, as declarações de personalidades europeias que, tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro. Qualquer cidadão brasileiro que tenha sido condenado em órgão colegiado fica inabilitado a disputar eleições. Ao sugerir que seja feita exceção ao ex-presidente Lula, esses senhores pregam a violação do estado de direito. Fariam isto em seus próprios países? Mais do que escamotear a verdade, cometem um gesto preconceituoso, arrogante e anacrônico contra a sociedade brasileira e seu compromisso com a lei e as instituições democráticas”, diz a íntegra da nota do Itamaraty.

 

 


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(2) comentários Escrever comentário

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Sergio em 17/05/2018 - 10h16 comentou:

Ex chefes de estado? Sim, e daí? O Presidente dos EUA disse o quê? O presidente da China? Da Rússia? Chefes de estado da Alemanha? Inglaterra? França? Nenhuma linha. Ou seja, estão n mesmo espírito do povo daqui! Nada se faz por Lula!

Responder

    João Junior em 18/05/2018 - 17h41 comentou:

    Lula mesmo é um ex-chefe de estado. É uma liderança importante por isso, por já ter sido presidente do Brasil. É exatamente a importância dos ex-chefes de estado, já terem sido chefes de estado. Ao repetir o discurso de que ninguém é insubstituível, esquecemos que devemos dar valor ao ser humano. A lógica capitalista só substitui empregados, nunca os patrões. Lula era empregado do povo, e é desses empregados insubstituíveis. Pior para os patrões, que já entenderam que o povo não quer substituí-lo.

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