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Aposentado, David Letterman detona Donald Trump: “Todos sabemos que ele é maluco”

Aposentado da TV desde 2015, quando deixou seu Late Show, programa que apresentava no horário nobre da televisão norte-americana desde 1982, David Letterman, 69 anos, deu uma entrevista deliciosa ao jornalista David Marchese para a revista New York onde aparece endiabrado, agora usando barba. A língua do cara parecia estar coçando para falar sobre o […]

Cynara Menezes
06 de março de 2017, 21h40

letterman

Aposentado da TV desde 2015, quando deixou seu Late Show, programa que apresentava no horário nobre da televisão norte-americana desde 1982, David Letterman, 69 anos, deu uma entrevista deliciosa ao jornalista David Marchese para a revista New York onde aparece endiabrado, agora usando barba. A língua do cara parecia estar coçando para falar sobre o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ele não deixa por menos. “Nós elegemos um cara com aquele cabelo? Por que não investigamos aquilo?”, brinca. (Veja a íntegra aqui.)

Letterman disse que nunca podia imaginar que Trump, a quem entrevistou várias vezes (o site do grupo, Vulture, traz uma compilação hilária), pudesse se eleger presidente algum dia. “Ele era o cara rico que era uma piada. Nunca o levamos a sério. Ele sentava lá e eu simplesmente começava a gozar com a cara dele. Ele nunca ficou zangado. Era grande e pastoso, e você podia bater nele. Parecia estar se divertindo, o público adorava, e isso era Donald Trump. Além disso, lembro que um amigo me disse, três ou quatro campanhas presidenciais atrás, que Donald Trump nunca disputaria a presidência; ele só estava tirando onda para ganhar publicidade. Eu acreditei e agora ele é o presidente.”

É engraçado vê-lo discorrer com intimidade sobre o presidente dos EUA, a quem chama “Don” ou “Trumpy”. Até pensou em telefonar quando ganhou a eleição. Mas, falando sério, a percepção de Letterman é que o país está às voltas com um sujeito ruim da cabeça. “Se o dono de sua revista se comportasse do jeito que Donald se comporta, até mesmo por seis semanas, a família se reuniria e diria: ‘Jesus, alguém chame o médico’. E então eles pediriam para que renunciasse ao cargo. Mas Trump é o presidente e pode mentir sobre tudo, desde a hora que acorda até o que comeu no almoço, e continua presidente. Não aceito isso. Estou cansado de as pessoas se espantarem com tudo que ele fala: ‘Não posso acreditar que ele disse isso’. Nós temos que parar e, em vez disso, achar uma maneira de nos proteger dele. Todos nós sabemos que ele é maluco. Temos que nos cuidar já.”

O ex-apresentador se mostrou preocupado com os ataques de Trump e sua equipe de governo à imprensa. “Como se constrói uma ditadura? Primeiro, implodindo a imprensa: ‘A única verdade que você vai ouvir agora é a minha.’ Então ele contrata o Corcunda de Notre Dame, Steve Bannon, para ser seu parceiro. Como é que um supremacista branco se torna o principal conselheiro do nosso presidente?”

As medidas do novo governo contra os LGBTs deixam Letterman particularmente furioso. “Eles não podem dizer que a homossexualidade é um pecado. Isso é ridículo. E então veio esta história com os transgêneros (em fevereiro, Trump reverteu a decisão de Obama de autorizar alunos transgêneros das escolas públicas a utilizar os banheiros de sua escolha). E eu pensei: você tá brincando comigo? Olha, você é um ser humano. Eu sou um ser humano. Nós respiramos o mesmo ar. Temos os mesmos problemas. Estamos tentando levar nossas vidas. Quem você pensa que é para atravessar uma árvore no meio do caminho de alguém que já tem uma série de dificuldades?”

Sobre o vício em twitter do chefe da nação: “Mais do que a risível expressão de um ego irritado, até podia ser útil. Se logo a gente tiver um presidente sem problemas mentais, o twitter será útil”. Para David Letterman, que achou Jimmy Fallon suave demais com Donald Trump (o comediante brincou com o cabelo do então candidato ao vivo e foi acusado de humanizá-lo), apresentadores de talk show “têm obrigação” de desafiar o presidente todas as noites. E se você o entrevistasse novamente, o que faria?, pergunta Marchese.

“Eu começaria com uma lista. ‘Você fez isto. Você fez aquilo. Não acha que foi estúpido ter feito isso, Don? E quem é este capanga, Steve Bannon? Por que você quer um supremacista branco como um de seus conselheiros? Ah, Don, nós dois sabemos que você está mentindo. Pare com isso agora.’ Acho que eu estaria na posição de dar a ele uma bronca e ele teria que sentar lá e escutar. Sim, eu gostaria de ter uma hora com Donald Trump; uma hora e meia.”

Que desafio, hein, mr. President? Trump ainda não respondeu no twitter.

 

 

 


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