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Ministro da Educação será investigado por tentar censurar professor da UnB

Feitiço virou contra o feiticeiro: vagas para a disciplina se esgotaram e outras cinco universidades agora têm cursos sobre o golpe

O ministro da Educação e seu parça Alexandre Frota. Foto: reprodução Facebook
Da Redação
28 de fevereiro de 2018, 10h40

Pautado por um site, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou, na semana passada, que iria acionar os órgãos de fiscalização contra o professor da Universidade de Brasília que criou uma disciplina optativa sobre o golpe de 2016, mas o feitiço virou contra o feiticeiro. A Comissão de Ética Pública da Presidência da República vai apurar a conduta do ministro por suas criticas à disciplina, que será ministrada a partir de março no curso de ciência política da UnB. O ministro terá dez dias para se pronunciar sobre a denúncia.

USP, UNICAMP, UFBA, UFAM e Universidade Estadual da Paraíba já anunciaram que irão oferecer cursos semelhantes tratando o “impeachment” como golpe. As vagas para o curso da UnB se esgotaram imediatamente e já tem lista de espera

Como se não bastasse, a USP, a UNICAMP, a UFBA, a UFAM e a Universidade Estadual da Paraíba já anunciaram que irão oferecer cursos semelhantes tratando o “impeachment” como golpe. O pedido de abertura de investigação no comissão de ética foi feito pelo ex-reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior. Segundo ele, o ministro incidiu em conduta irregular ao constranger e ameaçar o livre exercício da docência pelo professor do Instituto de Ciência Política Luis Felipe Miguel, idealizador da disciplina.

Mendonça Filho pediu para a AGU (Advocacia-Geral da União), o Tribunal de Contas da União, a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público Federal apurarem improbidade administrativa por parte dos responsáveis pela criação da disciplina. No twitter, o ministro foi ridicularizado por postar que “se cada um construir uma tese (…) as universidades vão virar uma bagunça”, quando todo mundo sabe que as universidades fazem justamente isso: promover o debate a partir de teses e pontos de vista divergentes.

A UnB reafirmou que a proposta de criação de disciplinas é de responsabilidade das unidades acadêmicas, que têm autonomia para propor e aprovar conteúdos. Segundo a universidade, a disciplina em questão é optativa, não integrando a grade obrigatória de nenhum curso. “A UnB reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e opinião – valores fundamentais para as universidades, que são espaços, por excelência, para o debate de ideias em um Estado democrático”, disse a universidade.

Nesta segunda-feira o Instituto de Ciência Política da UnB soltou nota em solidariedade ao professor e sua defesa da democracia, da liberdade de cátedra, da autonomia universitária, da diversidade de ideias e dos grandes debates científicos como valores básicos. “Somos uma comunidade acadêmica bastante produtiva e diversa, que trabalha com temas e perspectivas analíticas plurais e muitas vezes conflitantes entre si, como pensamos que deve ser a Ciência Política e a universidade”, diz a nota, na contramão do ministro de Temer.

As vagas para o curso se esgotaram imediatamente e já tem lista de espera.

Com informações da Agência Brasil

 


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Viviane em 28/02/2018 - 20h40 comentou:

Ainda existem “juízes em Berlim”, ou reitores em Brasília!

Responder

João Junior em 01/03/2018 - 08h36 comentou:

Um ministro da educação que não sabe como funcionam as universidades faz o que no MEC? Evidentemente, não é cuidar da educação. Os golpistas não sabem mais o que fazer, ou simplesmente não tenham mais o que fazer, para esconder a intenção não de alugar o Brasil mas de vendê-lo. O problema agora é de duração. Quanto mais durar o golpe, mais fácil vai ficando para enrolar a população. No sentido da intenção de esclarecer, a iniciativa da matéria do golpe já valeu a pena. Nem bem foi criada, os detratores da democracia já reagiram contra ela. Antes mesmo da primeira aula, a disciplina já evidencia as entranhas de como pensam e agem os golpistas, corruptos lesadores da pátria. A universidade pública, mais uma vez, mostra o quanto é necessária no país do mendoncinha, e também o quanto ele mesmo é desnecessário.

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Sergio Souza em 02/03/2018 - 18h43 comentou:

Bobagem! Qual é o problema de haver disciplinas que tratem o impeachment como golpe? Que haja também disciplinas que tratem o impeachment da Dilma como sendo absolutamente legal. Problema nenhum nisso! Podar um lado ou o outro só configura a decadência de se conviver com opiniões diferentes, que em nosso país, é tanto do lado “conservador” quanto do lado “socialista”

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