MPL (Movimento Passe Livre) X MBL (Movimento Brasil Livre): diferenças e semelhanças

 

 

mplIronia do destino: os dois principais grupos que protagonizam manifestações de rua no Brasil atualmente têm siglas quase idênticas. Vivemos numa democracia, há lugar para todos se manifestarem. Mas o que mais estes dois movimentos têm em comum além da sigla? Confira as principais diferenças e semelhanças entre o coxinha MBL e o esquerdista MPL:

MPL : surgiu em 2005.

MBL: surgiu em 2014. Ou seja, se alguém imitou a sigla do outro não foi o MPL…

MPL: é um movimento de jovens em favor da tarifa zero para os transportes coletivos.

MBL: é um movimento que surgiu unicamente para pedir o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e criticar o PT, mas que agora se define como um movimento “liberal”. Eles negam ser a favor da volta da ditadura militar, mas idolatram o deputado federal Jair Bolsonaro, defensor da ditadura e da tortura.

Líderes do MPL: como é um movimento horizontal, não tem líderes.

Líderes do MBL: Kim Kataguiri, 19, ex-estudante, Fernando Holiday, 19, calouro de Filosofia na Unifesp, e Renan Santos, 31, empresário.

Os jovens do MPL são estudantes universitários de esquerda e politizados, com um pensamento articulado. Atualmente, muitos dos seus integrantes são jovens trabalhadores da periferia.

Os jovens do MBL são de direita e despolitizados. Suas opiniões repetem clichês e chavões frequentes na mídia ou em programas de televisão animados por apresentadores reaças como Danilo Gentili.

Leituras dos jovens do MPL: David Harvey, Noam Chomsky, Karl Marx, Bakunin, Florestan Fernandes, Milton Santos, Rosa Luxemburgo…

Leituras dos jovens do MBL: a revista Veja, Olavo de Carvalho, Ayn Rand e Ludwig von Mises (diluídos na internet, não livros).

O MPL acha os jovens do MBL coxinhas, além de analfabetos políticos, mas prefere ignorá-los.

O MBL ataca com frequência os jovens do MPL na mídia e nas redes sociais, chamando-os de “terroristas”. Recalcados, chegam a fazer a cobertura das manifestações do MPL como se fossem jornalistas, contando o número de participantes para comparar com seus protestos.

Grande momento do MPL: as manifestações de junho de 2013, as maiores da história recente do Brasil, foram desencadeadas por um protesto pelo Passe Livre em São Paulo que evoluíram para um grande protesto de esquerda contra os rumos do PT. Só depois degringolaram em um movimento de direita que propiciou o surgimento de grupos reacionários. No final das contas, pode-se dizer que, se não fosse pelo MPL e junho de 2013, o MBL não existiria.

Grande momento do MBL: passaram um mês acampados diante do Congresso Nacional, em Brasília, até serem expulsos pela polícia que sempre elogiaram. Não houve “selfies” com a polícia no momento da retirada.

MPL: não recebe dinheiro de empresas, partidos e governos para se manter.

MBL: só Deus sabe quem é que dá dinheiro para essa gente.

O MPL é apartidário, mas não antipartidário.

O MBL se dizia apartidário e contra todos os partidos, mas recentemente vários de seus membros se filiaram a partidos como o PSDB, DEM, PSC e PPS, pelos quais pelo menos 100 deles sairão candidatos nas próximas eleições.

O símbolo do MPL é uma catraca de ônibus sendo quebrada.

O símbolo do MBL é um boneco de vento.

 

 

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Publicado em 1 de fevereiro de 2016