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Na Espanha, fazer rap contra o rei é “terrorismo”, ameaçar o presidente, não

Oposição acusa a Justiça espanhola de ser "uma casta reacionária". Alguma semelhança com a nossa?

Pedro Sánchez com Lula em 2015. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Da Redação
09 de novembro de 2018, 15h12

A Espanha também está às voltas com juízes de extrema-direita: embora tenha condenado à prisão rappers, tuiteiros e até artistas de rua por “ofensas à coroa”, a Justiça do país decidiu não classificar como “terrorista” um homem que ameaçou matar o presidente de governo, Pedro Sánchez, do PSOE. Manuel Murillo Sánchez, um francoatirador de 63 anos, queria assassinar o presidente por conta de um decreto aprovado pelo parlamento em setembro para exumar os restos mortais do ditador Francisco Franco do Vale dos Caídos, monumento que ele mesmo mandou construir, para que seja enterrado pela própria família.

Manuel Murillo, de 63 anos, tinha um arsenal com 16 armas de fogo em casa, incluindo rifles de alta precisão. Ele foi detido enquanto procurava cúmplices para ajudá-lo na tarefa de acabar “com esse vermelho de merda”

Mas, segundo o diário Público, a Audiência Nacional, o tribunal que trata de delitos contra a coroa e o governo, rechaçou o caso, mantendo-o na primeira instância, ao julgar não se tratar de uma ameaça terrorista, mas de uma “proposta de homicídio de autoridade”. Manuel Murillo tinha um arsenal com 16 armas de fogo em casa, incluindo rifles de alta precisão. Ele foi detido enquanto procurava cúmplices para ajudá-lo na tarefa de acabar “com esse vermelho de merda”.

Políticos de esquerda protestaram contra o fato de o “lobo solitário” não ter sido reconhecido como “terrorista”, embora esta possibilidade esteja prevista no Código Penal. Nas redes sociais, políticos de esquerda protestaram contra o aparelhamento da Justiça. Pablo Iglesias, do Podemos, reclamou que a Audiencia Nacional tenha sido capaz de condenar e prender artistas de rua, tuiteiros e rappers e se recuse a classificar como terrorista alguém que ameaça de morte uma autoridade.

Alberto Garzon, deputado da Izquierda Unida, reclamou que as altas instâncias do poder judicial na Espanha “são pura ideologia conservadora; alguns juízes se creem cruzados na missão de ‘salvar’ a Espanha dos ‘vermelhos e separatistas’, mas não são outra coisa senão uma iluminada casta reacionária. E estão passando recibo”. Alguma semelhança com a nossa?

Ele mostrou o arsenal do  sujeito. Se isso não é terrorismo…


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