Ricos prestam menos atenção a seus semelhantes na rua, aponta estudo

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(Foto: Richard Sandler, Nova York, 1981)

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Nova York publicado este mês na revista Psychological Science demonstrou que pessoas que se definem como de classe alta têm menor capacidade de prestar atenção em quem passa por elas na rua do que as mais pobres. Quer dizer: aquela impressão de que os mais ricos desviam o olhar quando cruzam com outras pessoas não é só impressão.

“Através de estudos de campo, em laboratório e online, descobrimos que outros seres humanos são mais propensos a atrair a atenção dos indivíduos de classe mais baixa do que a atenção de indivíduos de classe superior”, afirma a psicóloga Pia Dietze, uma das coordenadoras do estudo, em release divulgado pela universidade. “Como outros grupos culturais, a classe social afeta o processamento da informação de uma maneira difusa e espontânea”.

Em um dos experimentos, os pesquisadores distribuíram Google glasses a um grupo de 61 pessoas de diferentes classes sociais para que caminhassem em um quarteirão de Manhattan, sob a justificativa de que estariam participando de um teste sobre o dispositivo. Eles andavam a pé, com os óculos filmando todas as coisas que capturavam sua atenção. Os pesquisadores, então, analisaram o material cruzando com a classe social e também a etnia.

Os resultados mostraram que a classe social não importa em relação ao número de vezes que as pessoas olham para quem cruza seu caminho, mas está associada ao tempo que cada um gasta de fato olhando para elas. Participantes que se definiram como de classes mais altas passaram menos tempo olhando para as outras pessoas do que as de classes mais baixas. Em resumo: os ricos possuem uma capacidade bem maior do que os mais pobres de ignorar os outros seres humanos. Que bênção, hein?

Dois outros estudos mostraram resultados semelhantes: enquanto os mais ricos mal passam os olhos nas pessoas com quem cruzam na rua, os mais pobres efetivamente olham para elas, tardando mais em virar o rosto. Descobertas adicionais sugerem que esta diferença não é deliberada e sim inconsciente.

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(“Se este pôster fosse um jovem sem-teto, a maioria das pessoas não iria nem se preocupar em olhar para baixo”)

Em um estudo feito online, 393 participantes tinham que identificar, entre diferentes imagens, cada qual contendo um rosto e cinco objetos, quais eram as mesmas e quais eram diferentes. Os participantes mais ricos demoravam mais para notar que um rosto mudou do que os mais pobres. Ou seja, para os mais ricos os rostos não se diferenciavam muito, pareciam idênticos… Quanto aos objetos, ambos notaram igualmente as mudanças, sem diferença quanto à classe social.

Imaginem em relação a um sem-teto como será. Veja este experimento sobre a forma como enxergamos (ou não) as pessoas que moram na rua. Irmãos, tios e primos dos participantes ficavam nas calçadas, vestidos como mendigos, para ver se eram reconhecidos pelos próprios familiares. O que aconteceu?

 

 

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Publicado em 1 de novembro de 2016