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Sanções dos EUA e Canadá à Venezuela só prejudicam o povo pobre, dizem ativistas

Encabeçada por Noam Chomsky e Danny Glover, carta aberta denuncia que interesse norte-americano e canadense não é democracia e sim petróleo

"Defender a democracia é uma tarefa pesada". Charge de Martirena
Da Redação
12 de março de 2018, 18h28

Não é por democracia, estúpido.

Mais de 150 ativistas e intelectuais norte-americanos, canadenses e de outros países, encabeçados por Noam Chomsky e o ator Danny Glover, divulgaram uma carta aberta em que criticam os governos dos Estados Unidos e do Canadá pelas sanções econômicas “ilegais” impostas ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela. “Estamos profundamente preocupados com o uso de sanções ilegais, cujos efeitos recaem mais duramente sobre os setores da sociedade mais pobres e mais marginalizados, para pressionar por mudanças políticas e econômicas numa democracia irmã”, disseram os signatários.

Os ativistas destacaram que pesquisas mostram que a maioria do povo venezuelano, inclusive de oposição ao governo, rejeita as sanções e prefere a mediação. “As sanções só vão complicar os esforços feitos pelo Vaticano, pela República Dominicana e outros atores internacionais em mediar uma solução para a profunda polarização na Venezuela”, diz o texto. “Pior ainda: as sanções implodem os esforços de um governo democraticamente eleito e da Assembleia Constituinte de resolver os problemas econômicos e decidir seu próprio destino político.”

Pesquisas mostram que a maioria dos venezuelanos, inclusive de oposição, rejeita as sanções e prefere a mediação. “As sanções só vão complicar os esforços feitos pelo Vaticano, pela República Dominicana e outros atores internacionais em mediar uma solução”

Em agosto do ano passado, o governo direitista de Donald Trump anunciou sanções econômicas a Maduro, proibindo as negociações sobre novas dívidas, sobre títulos emitidos pelo governo venezuelano ou pela estatal petrolífera PDVSA, transações de títulos de propriedade do setor público venezuelano, bem como pagamentos de dividendos ao governo da Venezuela. Os EUA já haviam aplicado sanções contra o presidente Maduro, ex e atuais funcionários do governo. Em fevereiro deste ano, o secretário de Estado de Trump, Rex Tillerson, afirmou que estão sendo estudadas sanções ao petróleo da Venezuela.

Em setembro, foi a vez do governo canadense, que anunciou sanções financeiras contra Maduro e outras 39 pessoas “responsáveis pela deterioração da democracia” na Venezuela. Segundo comunicado do governo de Justin Trudeau, as sanções pretendem “manter a pressão sobre o governo da Venezuela para que seja restabelecida a ordem constitucional e o respeito aos direitos democráticos de seu povo”. Além de Maduro, foram incluídos o vice-presidente da Venezuela, Tareck el Aissami; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; o ministro da Educação, Elías Jaua; e o procurador-geral, Tarek Saab.

Apesar da nobre retórica dos oficiais de Washington e Ottawa, não é uma genuína preocupação com a democracia, com os direitos humanos e com a justiça social que guiam a beligerante postura intervencionista contra Caracas

O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela rechaçou as sanções canadenses como “inamistosas e hostis” e disse que as medidas “violam o princípio de não intervenção nos assuntos internos dos Estados”. Os ativistas também abordaram essa questão. “Enquanto dizem agir em nome da democracia e da liberdade, as sanções violam o direito básico do povo venezuelano à soberania, como preveem os estatutos das Nações Unidas e da OEA”, criticaram os ativistas, deixando claro que o interesse norte-americano e canadense está no petróleo e não no bem-estar do povo da Venezuela e da democracia.

“Apesar da nobre retórica dos oficiais de Washington e Ottawa, não é uma genuína preocupação com a democracia, com os direitos humanos e com a justiça social que guiam a beligerante postura intervencionista contra Caracas. Desde a mentirosa alegação do ex-presidente Obama de que a Venezuela representa uma ameaça à segurança nacional dos EUA até a declaração do embaixador na ONU Nikki Haley de que a Venezuela é ‘um cada vez mais violento narcoestado’ que ameaça o mundo, o uso de hipérboles em situações diplomáticas dificilmente contribui para soluções pacíficas no mundo”, diz o texto.

“Não é segredo que a Venezuela, diferentemente do México, Honduras, Colômbia, Egito ou Arábia Saudita, está sendo pressionada pelos EUA por uma mudança de regime precisamente pela liderança que a Venezuela exerce em resistir à hegemonia norte-americana e à imposição de um modelo neoliberal na América Latina. E, claro, a Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo, atraindo mais atenção não desejada de Washington.” Leia a carta completa aqui.

Não é segredo que a Venezuela, diferentemente de Honduras, Egito ou Arábia Saudita, está sendo pressionada pelos EUA por uma mudança de regime precisamente pela liderança em resistir à imposição de um modelo neoliberal na América Latina. E, claro, a Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo

Não é a primeira vez que opiniões de fora criticam as sanções à Venezuela como nocivas a seu próprio povo. Em fevereiro, o advogado e historiador norte-americano Alfred de Zayas, especialista independente da ONU para a Promoção da Ordem Internacional Democrática e Equitativa, afirmou que “não existe crise humanitária” na Venezuela, e sim os resultados de um forte bloqueio, que piora a escassez de alimentos e remédios.

“A Venezuela sofre uma guerra econômica, um bloqueio financeiro, sofre um alto nível de contrabando e, claro, necessita de solidariedade internacional para resolver esses problemas”, disse Zayas, para quem a comunidade internacional deveria trabalhar para suspender as sanções. “É insuportável pensar que, tendo uma crise de malária na Amazônia venezuelana, a Colômbia bloqueou a venda de medicamentos e a Venezuela teve que importá-los da Índia”, denunciou, segundo o portal Opera Mundi.

 

 

 


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(3) comentários Escrever comentário

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João Junior em 13/03/2018 - 01h07 comentou:

O capitalismo sendo capitalismo.

Responder

Sergio Souza em 13/03/2018 - 14h50 comentou:

As sanções americanas e canadenses à Venezuela, só beneficiam o desgoverno de Nicolás Maduro! Já não basta o sofrimento do povo venezuelano imposto pelo “socialismo” venezuelano, ainda vem o imperialismo americano para pôr uma pá de cal que falta! Pobres venezuelanos!

Responder

André Flores em 17/03/2018 - 11h44 comentou:

Ainda estão esperando que o embargo a Cuba dê certo…

Responder

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