Após um mês “fazendo a egípcia”, Senado tira nome de Aécio do painel de votações

(O painel sem o nome de Aécio. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

(O painel sem o nome de Aécio. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Nesta quarta-feira, 14 de junho, quase um mês depois que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu pelo afastamento de Aécio Neves do Senado, o nome do tucano foi finalmente retirado do painel de votações da Casa. Pressionado pelo ministro Marco Aurélio Mello, que cobrou publicamente o cumprimento da ordem, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), também mandou retirar Aécio da lista de “senadores em exercício” do site oficial da instituição. Agora ele aparece como “fora de exercício” por “ordem judicial”.

Na segunda-feira, 12 de junho, em entrevista à Folha de S.Paulo, Marco Aurélio havia questionado a desobediência do Senado em cumprir a ordem do Supremo em relação ao mineiro, da mesma forma que acontecera com Renan Calheiros em 2016. No dia seguinte, Eunício alegaria diante das câmeras que o afastamento foi comunicado a Aécio no mesmo dia da decisão e jogaria a bola de volta para o STF. Segundo o presidente do Senado, cabe à Corte determinar a forma do afastamento porque “não tem previsão regimental” para isso. Eunício argumentou ainda que a Casa tem 120 dias para convocar o suplente.

Marco Aurélio, porém, voltou à carga nesta quarta-feira dizendo que não há segredo no procedimento e discordou do prazo para a convocação de suplente, que para o ministro deveria ser imediata. “Ele está realmente afastado. Se foi afastado do exercício, alguém tem de ocupar a cadeira. O Senado é integrado por 81 senadores, e não 80. Para isso, o Senado tem dois suplentes, para que não fique vazia a cadeira”, disse Marco Aurélio ao Estadão.

Aécio não tem frequentado o Senado desde que foi pedido seu afastamento. Mas o fato é que precisou o Supremo cobrar para a presidência da Casa atestar que havia ordenado o corte do salário, o carro oficial e a verba do gabinete de Aécio Neves logo após a ordem de afastamento. Segundo Eunício, isto teria acontecido ainda no dia 18 de maio, conforme ofício encaminhado ao STF nesta quarta-feira, 14 de maio. Reportagens publicadas esta semana, porém, garantiam que o gabinete do tucano estava funcionando normalmente.

Tudo indica que, como diz a gíria, a Mesa Diretora estava “fazendo a egípcia” em relação à ordem de afastamento de Aécio. Ou seja, o Senado fazia de conta que não era com ele, exatamente como o próprio senador nas redes sociais: dias após seu afastamento pelo Supremo, Aécio publicou no facebook uma foto com colegas do partido cuja pauta, afirmou, eram “votações no Congresso e agenda política”. Como se nada tivesse acontecido.

 

 

 

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Publicado em 14 de junho de 2017