Sete razões para detestar o McDonald’s

Publicado em 9 de janeiro de 2013

(cena do filme Dark Shadows, de Tim Burton)

Essa é para quem acha que levar os filhos ao McDonald’s é uma diversão inocente. Sorry por quem aprecia, mas em minha opinião pessoas de esquerda não deveriam frequentar o McDonald’s. Muito menos levar crianças para consumir aquele lixo. Mas cada um cada qual…

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Os sete piores fatos sobre o McDonald’s

Por Lauren Kelley, do site AlterNet

1. Quer que os empregados trabalhem em feriados sem pagar hora extra.

O McDonald’s possui uma longa história de práticas trabalhistas nefastas, mas esta é especialmente avarenta: a empresa mantém suas franquias abertas no Dia de Ação de Graças (feriado nos EUA) e no Natal. Pior: os empregados que trabalham nestes dias não recebem hora extra. De acordo com um porta-voz da empresa, “quando nossas lojas ficam abertas em feriados, a equipe voluntariamente se oferece para trabalhar. Não há pagamento extra”. Mark E. Anderson do Daily Kos fez alguns cálculos e descobriu que o McDonald’s faturou 36 milhões de dólares extras por permanecer aberto no Dia de Ação de Graças. Anderson lembra que “já é ruim o suficiente que o McDonald’s pague péssimos salários, mas eles vão além e conseguem não pagar extras para funcionários que abrem mão de suas folgas para que a empresa ganhe milhões de dólares”. Uau.

(No Brasil, não são poucas as denúncias trabalhistas contra o McDonald’s, também por exploração e falta de pagamento de horas extras. Em julho, o Ministério Público do Trabalho em Pernambuco autuou a empresa em 30 milhões de reais por jornada ilegal, que eles chamam de “jornada móvel variável”. Este site reúne  vídeos e documentos com mais denúncias trabalhistas contra o McDonald’s, inclusive depoimentos de funcionários: “um cardápio de escândalos – como uma multinacional aprisiona jovens a um esquema de trabalho ilegal e exploratório”.)

2. Os empregados não são bem pagos em geral.

Não receber hora extra por trabalhar em feriados já é péssimo, mas ganhar mal durante o ano todo é uma realidade para os trabalhadores do McDonald’s. Como Sarah Jaffe escreveu no Atlantic recentemente, “o termo McJob virou sinônimo de tudo que é errado nos empregos mal pagos do setor de serviços da economia americana”, porque, “não importa o trabalho que você tenha, será melhor do que trabalhar num restaurante de comida fast-food”. E, claro, o McDonald’s é a maior rede de fast-food existente.

Este fato resume o problema: um empregado comum do McDonald’s teria que trabalhar um milhão de horas –ou mais do que um século– para ganhar o mesmo que um CEO da empresa recebe em um ano (8,75 milhões de dólares). A boa notícia é que os trabalhadores do ramo de fast-food, inclusive empregados do McDonald’s, recentemente começaram a se organizar para reivindicar melhor tratamento e melhores salários.

3. Seu marketing voltado às crianças é “assustador e predatório”

Dois anos atrás o grupo Center for Science in The Public Interest anunciou a intenção de processar o McDonald’s por seu “assustador e predatório” marketing voltado ao público infantil. Em sua carta, o CSPI comparou o McDonald’s “àquele estranho no parquinho que oferece balinhas para as crianças” e disse que a empresa usa “marketing injusto e enganoso” para “atrair crianças pequenas”.

“O ambíguo enfoque do marketing direcionado a crianças pelo McDonald’s pode ser visto em um recente press-release que diz que a promoção da empresa baseada no filme Shrek “irá encorajar as crianças a ‘deshrekizar’ seu McLanche Feliz ao redor do mundo com opções de menu como frutas, vegetais, leite e sucos naturais”. Na realidade, entretanto, o ponto principal da promoção Shrek é conseguir atrair crianças ao McDonald’s, onde elas acabarão escolhendo as opções menos saudáveis e comendo refeições calóricas.”

Não é a primeira vez que o McDonald’s fica sob fogo cerrado pelo uso de brinquedos do McLanche Feliz para atrair crianças como consumidores, e, como a empresa é o distribuidor de brinquedos número um do mundo, certamente não será a última.

(No Brasil, o instituto Alana vem lutando para proibir o McDonald’s de distribuir brinquedos junto com o McLanche Feliz. Um projeto proibindo a associação entre brinquedos e sanduíches já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado.)

4. Tem uma salada mais gordurosa do que um hambúrguer com fritas e a granola menos saudável do planeta.

O McDonald’s lançou uma salada Caesar mais gordurosa que um hambúrguer com fritas. O Daily Mail noticiou que, “com os temperos e os croutons, a salada contém 425 calorias e 21,4g de gordura, comparada com as 253 calorias e 7,7g de gordura de um hamburguer comum”. Adicionando uma porção de fritas a seu hambúrguer, as calorias somam 459 –ainda assim com menos gordura do que a salada (16,7g). Impressionante.

Mais recentemente, a granola (que vem junto com o iogurte) –outra opção “saudável” do menu– foi criticada por não ser nada boa para você. Mark Bittman escreveu no New York Times que a granola da empresa não é nada além de “junk food cara” (você pode fazer granola realmente saudável em casa com pouquíssimo dinheiro). Ele continua: “uma descrição mais acurada do que ‘100% cereal integral natural’, ‘passas macias’, ‘doces cranberries’ e ‘maçãs frescas crocantes’ poderia ser ‘aveia, açúcar, frutas secas açucaradas, creme e 11 estranhos ingredientes que você nunca teria em sua cozinha’.”

5. Os hambúrgueres não se decompõem.

Quem pode esquecer  que há um par de anos uma mulher deixou sobre a mesa por seis meses um hambúrguer e fritas do McDonald’s apenas para descobrir que o lanche não se decompõe?

Aqui o lanche no primeiro dia:

E aqui no dia 171:

Se você acha que é lenda, um pesquisador descobriu que os hambúrgueres do McDonald’s de fato podem estragar sob certas circunstâncias, mas em geral eles não se decompõem por si próprios. Segundo ele, “o hambúrguer não estraga porque seu pequeno tamanho e superfície relativamente grande ajudam a perder umidade. Sem umidade, não há mofo ou crescimento de bactérias”. Basicamente, o hambúrguer vira carne seca antes de se decompor. Ou seja, não é uma questão de químicas nojentas no hambúrguer que o mantêm intacto, mas ainda assim é uma gororoba.

6. O McDonald’s usou “gosma rosa” por anos.

Há pouco tempo vimos e ficamos horrorizados com esta imagem:

Trata-se de “pink slime” (“gosma rosa”), uma substância derivada de partes mecanicamente separadas de frango que durante anos foi utilizada para fazer os nuggets do McDonald’s, pelo menos nos EUA; no Reino Unido, a substância é considerada ilegal para consumo humano. (Recentemente, graças a ativistas, a ‘gosma rosa’ foi banida do lanche ESCOLAR nos EUA. Escrevi sobre isso no blog.)

A boa notícia é que, uma vez que a imagem começou a circular, o McDonald’s foi forçado a descontinuar o uso da gosma rosa. (A empresa garante que a indignação pública não teve nada a ver com a decisão.)

7. O McDonald’s está em toda parte.

Você pode tentar o que for, mas não escapará do McDonald’s. Nos EUA, o único lugar onde você pode estar a 100 milhas de um McDonald’s é um deserto na fronteira entre o Oregon e Nevada.

Aqui, um mapa da presença do McDonald’s no mundo. Na Bolívia faliu.

 

 

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Bonequinhas de luxo

Publicado em 15 de outubro de 2012

A invasão do Pinheirinho, em São Paulo, no começo do ano, fez nascer um movimento superbacana que mostra como é possível juntar gente em uma ação “política” fazendo o que se gosta: no caso, bonequinhas e bonequinhos de pano para alegrar corações. As próprias Bonequeiras Sem Fronteiras contam aqui a sua história.

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Por Marília Toledo

A semente

Domingo, 22 de janeiro de 2012. Os quase 9 mil moradores da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, SP, são surpreendidos por centenas de homens da Polícia Militar, que nas primeiras horas da manhã iniciam a violenta operação de reintegração de posse da área, invadida  desde 2004. As famílias abandonam as casas com a roupa do corpo, deixando para trás todos os pertences. Diante da situação emergencial, muitas famílias buscam amparo na casa de parentes ou amigos. Outros são levados para ginásios da cidade que se transformam em alojamentos improvisados. As imagens da operação correm o mundo. Cacos e mais cacos das histórias de todas essas vidas por debaixo dos escombros.

Na intenção de minimizar o sofrimento ao menos das crianças desabrigadas, um grupo de bonequeiras mobilizado por Andréa Cordeiro, bonequeira de Curitiba, e inspirado no projeto Dolly Donations, inicia uma campanha a fim de unir artesãs para produzir bonecas para essas crianças. Pode parecer bobagem pensar em brinquedos quando comida e remédio são mais urgentes, no entanto quem foi criança sabe que fica mais fácil enfrentar o escuro segurando uma boneca que conforta. A ação vai crescendo e o número de voluntárias se multiplicando através da página criada na rede social Facebook. Em pouco tempo já são 160 artesãs de todo o país e também do exterior, mobilizadas através da própria Dolly Donations, produzindo as bonecas para as crianças do Pinheirinho.

A primeira entrega acontece em 26 de fevereiro de 2012. Ainda não havia bonecas suficientes para todos os meninos e meninas desabrigados, mas se fazia urgente oferecer algum tipo de alento, diante sobretudo da situação precária em que se encontravam e da pressão e do caos que se estabeleciam dentro dos alojamentos, que estavam sendo pouco a pouco esvaziados. Cerca de 250 bonecas foram distribuídas no principal alojamento.

A ação continua. Mutirões são realizados em diversas cidades do Brasil para a confecção de bonecas. Uma festa de Páscoa é organizada de modo que as crianças estejam reunidas em um mesmo lugar para a entrega. As bonecas continuam chegando, vindas de toda parte. A segunda parte da entrega é realizada nessa festa, totalizando mais de 450 bonecas entregues para as crianças desabrigadas.

Nesse ínterim, as Bonequeiras começam a receber outros “pedidos”:  também em festividades de Páscoa, 60 bonecas foram entregues no Lar Amor ao Próximo, em São Paulo, onde um dos voluntários da ação pelos desabrigados também presta auxílio e outras 40 no GACC – Grupo de Assistência às Crianças com Câncer, em São José dos Campos, a pedido de uma das voluntárias do grupo das Bonequeiras.

O grupo se torna então, oficialmente, as “Bonequeiras Sem Fronteiras” e inicia formalmente o planejamento de novas ações.

A flor

E porque bonecas são carinho e há sempre uma criança dentro de nós, a segunda ação planejada pelo grupo destinou-se às idosas residentes no Asilo São Vicente de Paulo, instituição de Curitiba dirigida ao atendimento de longa permanência e cuidado a mulheres com graus diferenciados de limitações e necessitam cuidados específicos. Atualmente o  asilo conta com 160 moradoras, sua capacidade máxima. Para aquecer as vovós no inverno gelado do sul, as Bonequeiras tiveram  a idéia de confeccionar luvinhas para serem entregues junto com as bonecas.

Foram 160 bonecas e luvinhas feitas com muito amor. A entrega aconteceu no dia 26 de julho, dia da avó. A festa começou no refeitório, com música ao vivo. Um grupo de voluntárias esteve no asilo pela manhã para fazer as unhas das moradoras. Como as luvas eram sem dedos, elas queriam tirar fotos mostrando o esmalte!

Mas como as Bonequeiras são aplicadas, sobraram bonequinhas. Uma das artesãs solicitou então que os mimos restantes fossem entregues no Lar Meimei, instituição que presta auxílio a crianças em situação de risco localizada em Caxias do Sul, RS. O Lar Meimei funciona como uma casa de apoio para crianças vítimas de abuso e negligência em um bairro bastante pobre da periferia de Caxias do Sul. Em sua própria casa, com a ajuda de seu esposo, a responsável pelo Lar (que encontra-se em fase de estruturação oficial em forma de ONG), recebe diariamente essas crianças. A elas é oferecido café, almoço e jantar. As crianças também são acompanhadas à escola e da mesma forma ao médico, dentista, etc, quando se faz necessário.

Após realizarem uma longa viagem que começou em São Paulo e contou com a disposição de várias caronas,  80 bonecas caroneiras foram entregues durante uma festa realizada no dia 1 de setembro.

O fruto

As Bonequeiras Sem Fronteiras contam atualmente com 512 membros. Não somos somente artesãs profissionais: grande parte das pessoas que fazem parte do grupo nunca haviam costurado uma boneca, mas se motivaram a participar dessa rede de amor. Participar das bonequeiras não significa somente fazer bonecas, mas ajudar nas caronas, nas entregas, nas idéias, na mobilização, planejamento e viabilização das entregas.

Não contamos com apoio político, comercial, tampouco estamos ligadas a qualquer organização ou recebemos patrocínio. Todo nosso trabalho é feito voluntariamente e nós mesmas arcamos com o material e envio das bonecas. Até agora já presenteamos crianças de todas as idades com cerca de 800 bonecas e bonecos de pano e muito amor de verdade.

Nossa próxima ação acontecerá em outubro. Estamos em fase de produção de 450 bonecas que serão entregues para crianças de comunidades quilombolas do Vale do Ribeira.

No Facebook: Bonequeiras Sem Fronteiras

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